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Ibovespa Futuro recua na expectativa pelo julgamento do Lula; IPCA-15 "decepciona"

Índice marcou avanço de 0,39%, enquanto mercado esperava por 0,43%, comprovando que a inflação ainda segue controlada

trader na bolsa de Nova York - Nyse - EUA
(Lucas Jackson/Reuters)

SÃO PAULO - Os contratos futuros de Ibovespa com vencimento em abril recuam 0,21%, aos 81.710 pontos, às 9h32 (horário de Brasília) desta terça-feira (22), com os investidores na expectativa pelo julgamento do Lula na próxima quarta-feira (24), clima de apreensão que leva o dólar futuro com vencimento em fevereiro subir 0,45%, assim como digerem o resultado do IPCA - 15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de janeiro abaixo da expectativa do mercado.

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O IPCA-15, que é considerado uma prévia da inflação oficial do país, acelerou de 0,35% para 0,39% na passagem de dezembro para janeiro, mas ficou abaixo das projeções dos analistas de 0,43%. Em vista do resultado, apontando que a inflação segue controlada, os contratos com vencimento em janeiro de 2019 operam em baixa de 3 pontos-base, cotados a 6,90%, enquanto os contratos com vencimento em 2021 operavam praticamente estáveis, aos 8,93%.

Bolsas mundiais
As bolsas asiáticas tiveram robustos ganhos nesta terça-feira, seguindo o tom positivo dos mercados norte-americanos, que renovaram máximas no pregão passado após o Senado chegar a um acordo para encerrar a paralisação parcial do governo dos EUA, como também pela decisão do Banco Central do Japão em manter sua política monetária inalterada.

Entre as commodities, o petróleo registra nova alta de olho na expectativa de novo corte de produção pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), enquanto os contratos futuros de minério de ferro negociados em Dalian recuam em meio à demanda mais fraca na China por conta do corte de produção das siderúrgicas em vista do inverno. Com isso, foi registrada nova alta nos estoques da commodity metálica nos portos do país.

Às 9h32, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,32%

*CAC-40 (França) -0,09%

*FTSE (Reino Unido) +0,33%

*DAX (Alemanha) +0,84% 

*FTSE MIB (Itália) +0,07%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,43% (fechado)

*Xangai (China) +1,66% (fechado)

*Nikkei (Japão) +1,29% (fechado)

*Petróleo WTI +0,53%, a US$ 63,91 o barril

*Petróleo brent +0,46%, a US$ 69,35 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -3,96%, a 521,5 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin -9,63%, a R$ 35.335 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Julgamento do Lula
Na quarta-feira (24), às 8h30 (horário de Brasília), o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) dará início ao julgamento do recurso de Lula contra a decisão que o condenou, em primeira instância, à prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em quatro anos de Lava Jato, os 3 desembargadores só absolveram 5 de 77 condenados pelo juiz federal Sergio Moro.

Dependendo do placar da decisão dos desembargadores, o trâmite para a condenação definitiva do ex-presidente, o que impediria a sua participação nas eleições presidenciais, pode ser mais rápido ou mais lento. O mercado projeta a condenação por 3x0 do petista pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP), mas ninguém arrisca cravar um placar, principalmente pelas dúvidas quanto ao voto do revisor do processo, Leandro Paulsen. 

Nas duas vezes em que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi absolvido pelo TRF-4, Paulsen divergiu de João Gebran (relator do recurso contra Lula) e um placar de 2 x 1 abriria espaço para o embargo infringente, o que seria insuficiente para evitar que o ex-presidente oficializasse candidatura junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O passo a passo do julgamento de Lula no TRF-4 e o que acontece depois do tão esperado dia 24; confira aqui

Na véspera do julgamento, a defesa do petista reafirmou a inocência de seu cliente e pediu aos magistrados que reconheçam a prescrição dos supostos crimes que ele foi condenado. Os advogados de Lula sustentam que, além de inocente, ele não pode ser punido por delitos que teriam ocorrido em 2009, como também consta no documento apresentado pela defesa reivindicação pelo direito de recorrer em liberdade caso seja condenado.

Posse polêmica e Previdência
A decisão da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia de suspender a posse da deputado Cristiane Brasil no ministério do Trabalho segue gerando polêmica. Segundo a coluna Painel, da Folha, a decisão irritou o Palácio do Planalto e desencadeou reações extremadas, com muitos aliados de Michel Temer vendo até mesmo risco de crise institucional. Segundo relatos ouvidos pela coluna, o governo está disposto a subir o tom e apontam que a sentença foi política, havendo elementos para afirmar que o Supremo está interferindo no Executivo, ao cassar competências do presidente.

Enquanto isso, as notícias sobre a reforma da Previdência seguem no radar, com o jornal O Estado de S. Paulo apontando que o governo pode adiá-la para novembro. Ontem, em reunião com investidores em Londres, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já avisou que a proposta pode voltar a ser pautada logo após a eleição, caso não seja aprovada no mês que vem. O discurso é que, em novembro, há a perspectiva de que uma janela se abra em função do fim do mandato de deputados e senadores que não temerão mais um julgamento popular. Caso confirmado, esse seria o quinto adiamento da votação da reforma desde que a proposta foi encaminhada ao Congresso no final de 2016.

Já pelas contas de aliados de Rodrigo Maia, o governo não tem os votos favoráveis, mas erra ao começar a admitir que a votação poderá ficar para novembro. Não vislumbrando a Previdência, o presidente da Câmara defende a votação de outros pontos de interesse do governo e do mercado diante da falta de otimismo em votar a reforma em fevereiro, diz o jornal O Globo. Entre as prioridades de Maia estariam o projeto de privatização da Eletrobras, a reoneração da folha de pagamentos de alguns setores e as medidas provisóvias que tratam do adiamento do reajuste dos servidores e do aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo, segundo o jornal.

Noticiário corporativo
Em destaque no noticiário corporativo, a Petrobras Distribuidora foi iniciada como ’overweight’ pelo JPMorgan, enquanto a Helbor divulgou as vendas contratadas do quarto trimestre de 2017, com R$ 338,3 milhões, alta de 27,3% na base anual. A Hering divulgou receita bruta de R$ 537,6 milhões no quarto trimestre, alta de 4,4% na base anual, ao passo que o Valor informa que a Vinci está em conversas com potenciais parceiros para oferta em leilão de privatização da Cesp.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

 

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