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Ibovespa consolida queda após Maia jogar “balde de água fria” na Previdência

Definições sobre a reforma tributária de Trump também são acompanhadas de perto pelo mercado

Rodrigo Maia
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Seguindo com o movimento de baixa da véspera, quando recuou 1,94%, o Ibovespa registrava baixa de 1,85%, aos 71.360 pontos, às 17h17 desta quinta-feira (30), após Rodrigo Maia jogar um “balde de água fria” nas chances do governo para reunir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência. Além disso, os investidores estão na expectativa pelas definições sobre a reforma tributária de Trump no Senado e digerem o acordo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que surpreendeu ao anunciar em prolongar os cortes de produção de petróleo por nove meses, não até março do ano que vem como esperado.

Em evento nesta quinta-feira na cidade de São Paulo, o presidente da Câmara afirmou que a votação da Repetro na noite da última quarta-feira (29) revelou como a base aliada do governo não está organizada e como será difícil votar o texto da Previdência, tema ainda mais complexo. Após horas de obstrução dos parlamentares de oposição, a Medida Provisória sobre o tratamento tributário para exploração de petróleo e gás natural foi aprovada com o apoio de apenas 208 parlamentares. Segundo Maia, isso evidência como será complicado atingir os 308 votos necessários para a PEC: "não estou pessimista, estou realista", disse.

De acordo com o presidente da Câmara, a comunicação da reforma da Previdência foi mal feita pelo governo e isso está contaminando a votação, uma vez que estamos a um das eleições: “a reforma tem enfrentado dificuldades entre os deputados de partidos da base”, afirmou Maia, que disse que não tem como definir uma data para votar a matéria justamente por não haver o apoio necessário para sua aprovação.

Na sessão passada, o índice engatilhou uma forte queda logo após o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, frear o ímpeto do PSDB em realizar uma "reforma da reforma" (veja mais aqui), ao dizer que o governo não está disposto a mudar ainda mais o texto da Previdência  porque ele chegou “no osso”. Com isso, os investidores estão receosos que sem as alterações sugeridas pelo PSDB nem mesmo Geraldo Alckmin, que assumiu a presidência da sigla para unir o partido, será capaz de criar um consenso entre os tucanos, mesmo que a agenda da reforma seja uma dos pilares do plano político da sigla.

Para embaralhar ainda mais esse jogo político, de acordo com a coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, o PMDB tem na mesa três condições para apoiar a candidatura do governador Geraldo Alckmin ao Planalto: i) PSDB aprovar não só a reforma da Previdência como também a tributária, que voltará a ser prioridade do governo; ii) Alckmin se comprometer a defender o legado do presidente Michel Temer antes, durante e depois da campanha; iii) indicar um candidato comum ao governo de São Paulo.

Por conta dos receios com a Previdência, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operavam em alta de 3 pontos-base, negociados a 7,13% e 9,36%, respectivamente. No mesmo momento, o dólar futuro com vencimento em dezembro registrava valorização de 0,43%, aos 3.271 pontos.

Está difícil
As dificuldades de Temer junto à base são admitidas pelos próprios aliados, a começar pelo deputado Beto Mansur, vice-líder do governo na Câmara, que admitiu que não será possível votar a reforma na próxima semana. Mesmo assim, Rodrigo Maia quer realizar na semana que vem uma espécie de “esquenta” da Previdência, segundo informações do Valor Econômico, a fim de medir a real força da base aliada (veja mais aqui). Por isso, o governo terá que mover estrategicamente suas peças para conseguir os 308 congressistas para aprovar o texto na Câmara.

Com a janela para a aprovação da reforma se fechando, Temer convocou uma reunião para discutir o tema no domingo, na residência oficial do presidente da Câmara, com líderes e presidentes dos partidos da base, para fazer um levantamento final sobre os votos, revela O Globo. Segundo as contas preliminares, o governo possui no máximo 250 votos, ainda muito longe do ideal para evitar surpresas na hora da votação.

Sem os votos necessários, a base aliada segue forçando o presidente por mais concessões. Além da "reforma da reforma" do PSDB (veja mais aqui), o presidente Michel Temer precisa estabelecer uma estratégia efetiva de conquista de corações e mentes da grande massa de deputados. O baixo clero continua sem posição ideológica na temática previdenciária, mas tem sido impactada pelo pragmatismo da reeleição no ano que vem - confira a análise completa.

Sendo assim, a única alternativa para converter apoio do "chão de fábrica" do parlamento seria resolvendo problemas pontuais de cada congressista no sentido de ajudá-los em seus planos para 2018. Pelo cálculo parlamentar, dependendo da contrapartida oferecida pelo Palácio do Planalto, pode valer a pena o desgaste da votação de uma medida impopular. A dúvida seria se resta tempo para negociações no varejo, credibilidade e caixa suficiente para arcar com esses custos. Assim, os próximos dias serão fundamentais para o governo e para a reforma da Previdência não levar um verdadeiro xeque-mate.

De olho nos EUA
Nos EUA, o resultado do núcleo do índice de preços PCE (Personal Consumption Expenditures), um dos indicadores de inflação mais acompanhados pelo Fed, não surpreendeu o mercado ao registrar alta de 0,2% na passagem de setembro para outubro, enquanto o indicador de renda pessoal norte-americano subiu para 0,4% neste mês, ligeriramente acima da expectativa do mercado em 0,3%.

Além da agenda econômica, os investidores estão de olho na aprovação da reforma tributária de Trump no plenário do Senado, que será iniciado no final desta tarde. O projeto de lei precisa de 50 votos para passar e a vitória parece assegurada, mesmo que pela contagem mínima, uma vez que apenas 2 dos 52 senadores republicanos pretendem rejeitar o texto. Se confirmada a aprovação, será levado para conciliação com a versão aprovada pela Câmara, para, na sequência, ser enviado à sanção de Trump, que quer tudo isso resolvido antes do Natal. Os cortes de impostos planejados representam US$ 1,4 trilhão ao longo de dez anos.

Ainda na agenda de indicadores, no Japão, às 21h30, serão divulgados os dados de preços ao consumidor e às 22h30 os dados de manufatura. Ainda na Ásia, às 23h45 serão publicados os números do PMI elaborados pela consultoria econômica Caixin na China.

Bolsas mundiais
As bolsas dos EUA seguem em alta na expectativa pela aprovação da reforma tributária de Trump no plenário do Senado, enquanto na Europa, os principais índices recuaram em linha com a perda de força do petróleo, que amenizou os ganhos na expectativa pela conclusão da reunião da Opep. No final das contas, o cartel confirmou que irá estender o corte na produção por mais nove meses, enquanto o mercado esperava até o final de março do ano que vem.

Falando ainda sobre commodities, os contratos futuros de minério de ferro negociados na China subiram por conta do resultado acima do esperado da indústria, comprovando que ainda há demanda pela commodity. O PMI industrial da China subiu de 51,6 em outubro para 51,8 em novembro, surpreendendo analistas que previam leve queda para 51,5.

Às 17h17, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) +0,74%

*S&P 500 (EUA) +0,95%

*Nasdaq (EUA) +0,77%

*CAC-40 (França) -0,47% (fechado)

*FTSE (Reino Unido) -0,90% (fechado)

*DAX (Alemanha) -0,29% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) -1,51% (fechado)

*Xangai (China) -0,61% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,57% (fechado)

*Petróleo WTI +0,01%, a US$ 57,30 o barril

*Petróleo brent +0,49%, a US$ 63,42 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +2,87%, a 520 iuanes

 

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