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Ibovespa consolida alta após fala de novo presidente do Fed e chances de candidato "pró-mercado"

Alckmin ganha força e pode organizar o centrão; Jerome Powell afirma que economia não está mostrando sinais de superaquecimento

Jerome Powell

SÃO PAULO - Consolidando o movimento positivo da abertura, o Ibovespa registrava alta de 0,50%, aos 74.430 pontos, às 14h28 desta terça-feira (28), após a fala dovish, ou seja, mais complacente com medidas de estímulos monetários, do novo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na sabatina no Senado norte-americano, como avaliando o cenário para as eleições de 2018 após Geraldo Alckmin ganhar força como nome "pró-mercado" em vista da nomeação como presidente do PSDB.

Powell, que assumirá o lugar de Janet Yellen em fevereiro do ano que vem, afirmou aos senadores que mesmo com o mercado de trabalho forte e próximo do pleno emprego, a economia norte-americana não mostra sinais de superaquecimento, vide que a inflação deve seguir em baixa, ao contrário do que se imaginava. Segundo ele, o Fed aumentará gradualmente a taxa de juros, em linha com o discurso da atual presidente do BC dos EUA.

O futuro presidente do Fed prometeu "responder de forma decisiva" a qualquer nova crise econômica que surja enquanto estiver à frente do BC dos EUA e irá se esforçar para apoiar o progresso contínuo da economia dos EUA, como defenderá a independência do Fed. O futuro presidente afirmou que os dirigentes do Fed continuam a esperar que as taxas de juros "subam um pouco mais" e que o balanço patrimonial da instituição encolha gradualmente.

Alckmin ganha força
Na noite da última segunda-feira (27), o governador de São Paulo foi oficialmente nomeado como presidente do PSDB e terá a missão de unir o partido há um ano das eleições e, principalmente, buscar aliados para lançar sua candidatura à presidência da República em 2018, que está praticamente pavimentada com esse movimento. 

Agora no comandando do ninho tucano, o governador terá capital político para liderar uma coalizão com o centrão no ano que vem, em especial com o PMDB depois do racha do PSDB na votação das duas denúncias contra Michel Temer. Além disso, Alckmin irá coordenar melhor a saída do tucano Antonio Imbassahy da Secretaria de Governo e assegurar o caminho para a reforma ministerial sem grandes conflitos, considerada chave para a aprovação da reforma da Previdência. Ao mesmo tempo, garantirá que os tucanos vão apoiar a agenda de reformas, levando ao "melhor dos mundos" para o governo.

Com João Doria perdendo força e a saída de Luciano Huck do páreo, o governador de São Paulo deve ser o nome pró-mercado para 2018 e os investidores se animam com isso. Segundo a última pesquisa da XP Investimentos com investidores institucionais, com Alckmin presidente, o Ibovespa avançaria para acima de 80 mil pontos e o dólar voltaria para a faixa de R$ 3,00 - confira a versão completa aqui. Nem mesmo Jair Bolsonaro, que ainda é visto com desconfiança pelo mercado, agradaria tanto o mercado como o tucano.

Apesar de sua experiência no mundo político, a candidatura de Alckmin ainda terá que passar por novos testes e mostrar que pode empolgar ainda mais para angariar mais apoios. Neste sentido, as próximas pesquisas de opinião popular podem ter um importante papel nisso.

Melhor para o mercado?
Na avaliação da Eurasia, com Luciano Huck fora e o prefeito de São Paulo enfraquecendo nas pesquisas, restam para Alckmin e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como os dois únicos candidatos claramente reformistas. Se, no final das contas, o governador de São Paulo for a única esperança reformista em 2018, as chances de um resultado negativo para o mercado cresceria, projeta a consultoria política.

Isso porque a grande questão para 2018, na visão dos analistas políticos da consultoria, não é se Lula, líder nas pesquisas, será candidato ou não (para eles, o petista não será elegível ano que vem e, caso seja, sofrerá com a forte rejeição que possui no eleitorado), mas sim qual é a força de uma candidatura reformista que esteja muito associada ao establishment em um momento de ira da população com os políticos.

Em agosto, vale lembrar, a consultoria afirmou que Alckmin era uma espécie de "Hillary Clinton do Brasil", muito associado ao establishment político. Assim, candidaturas como a de Huck e a de Doria seriam importantes e aumentariam as chances de um candidato reformista ser eleito em 2018 em meio ao sentimento anti-político dos brasileiros - confira a análise completa.

Destaques do mercado
Do lado positivo, destaque para as ações da Cemig (CMIG4), que sobem após conseguir concluir a renegociação de até R$ 4 bilhões em dívidas, segundo informações do Estadão (veja mais aqui), enquanto os papéis da Suzano (SUZB3) recuam acompanhado a queda do dólar comercial.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CMIG4 CEMIG PN 7,22 +2,27 -1,56 47,86M
 VALE3 VALE ON 36,16 +2,12 +55,49 461,56M
 CPLE6 COPEL PNB 24,25 +1,68 -7,95 10,14M
 BRAP4 BRADESPAR PN 26,02 +1,64 +79,55 23,54M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 33,99 +1,46 +33,05 17,91M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 18,79 -1,78 +35,87 21,48M
 QUAL3 QUALICORP ON 32,31 -1,67 +73,25 22,08M
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 70,79 -1,58 +20,76 25,48M
 FIBR3 FIBRIA ON 49,10 -1,31 +57,75 24,45M
 BRKM5 BRASKEM PNA 45,92 -1,25 +34,07 44,32M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Bolsas mundiais
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com as chinesas se recuperando no final do dia ante rumores de que Pequim teria proibido fundos mútuos de fazerem grandes operações de vendas nesta semana, o que tira a pressão do mercado e favorece o fluxo comprador.

Na Europa, os principais índices operam em alta após teste de estresse realizado pelo BoE (Banco da Inglaterra) mostrar que os bancos têm capacidade de suportar os efeitos de um eventual Brexit "desordenado", segundo relatório do BC inglês.

Às 14h28, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) +0,35%

*S&P 500 (EUA) +0,03%

*Nasdaq (EUA) -0,08%

*CAC-40 (França) +0,59%

*FTSE (Reino Unido) +0,78%

*DAX (Alemanha) +0,32%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,02% (fechado)

*Xangai (China) +0,34% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,04% (fechado)

*Petróleo WTI -0,96%, a US$ 57,55 o barril

*Petróleo brent -0,88%, a US$ 63,28 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -1,18%, a 504,5 iuanes

 

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