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Dólar dispara e Ibovespa recua após dado acima do esperado nos EUA e notícias envolvendo Meirelles

Investidores digerem também à nomeação de Jerome Powell como presidente do Fed e aos dados de emprego nos EUA

trader preocupado na bolsa de Madri - 02/08/12
(Susana Vera/Reuters)

SÃO PAULO – Depois de iniciar o dia em alta, o Ibovespa perdeu força no começo da tarde e às 13h24 (horário de Brasília) registrava baixa de 0,71%, aos 73.300 pontos, queda de 960 pontos da máxima em 74.254 pontos (+0,57%), refletindo o resultado acima do esperado do setor de serviço nos EUA e notícias envolvendo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Depois de admitir para a revista Veja que pretende ser candidato à presidência (veja mais aqui), as avaliações são que ficará mais difícil negociar as reformas no Congresso, de acordo com reportagem da jornalista Míriam Leitão. Porém, foi a nota publicada por Lauro Jardim que pesou sobre o índice, de acordo com operador de mercado que pediu anonimato.

De acordo com o jornalista do O Globo, citando reportagem da revista Piauí, Meirelles teria recebido R$ 180 milhões pelos serviços prestados à holding J&F, de Joesley Batista, entre os anos de 2012 e 2016. A reportagem revela que o ministro, quando foi presidente do conselho de administração da J&F, assinou atas de reuniões e balanços de final de ano, que, segundo ele, nunca aconteceram: "o conselho nunca se reuniu", aponta a reportagem. Isso trouxe maior pressão ao mercado, já que uma possível denúncia contra o ministro irá gerar ainda mais turbulência ao já fragilizado governo Temer.

ISM acima do esperado
O ISM Services, que mede a atividade de serviços da economia norte-americana, ficou em 60,1 pontos na passagem de setembro para outubro, resultado muito acima do que as projeções de analistas, que estavam em 58,5 pontos. O número também ficou acima dos 59,8 pontos auferidos na última medição e revela maior força da economia norte-americana.

Os dois fatores, somado as dificuldades do governo para acelerar a agenda de reformas, o que traz preocupação com o rumo da política fiscal, fez o dólar comercial disparar mais de 2% e atingir R$ 3,33 na venda, voltando para os patamares vistos no "Joesley Day", quando atingiu R$ 3,39 em fechamento.

Previdência em xeque
As dificuldades do governo para aprovar reformas e o cenário para as eleições de 2018 seguem no radar dos mercados. Conforme a Folha de S. Paulo informou durante o feriado, apesar dos esforços do Planalto para aprovar uma reforma da Previdência mais enxuta, os aliados de Temer veem um ambiente contaminado no Congresso e admitem que a votação pode não ser concluída neste ano. Os principais articuladores políticos do presidente avaliam que a impopularidade da proposta, a desorganização da base aliada e o prazo apertado até o recesso do fim de ano podem inviabilizar o sucesso da reforma.

Além disso, mesmo as medidas mais emergenciais de ajuste sofrem novas pressões com ameaças de greves e ações judiciais, conforme informou o Estadão na véspera. Contra medidas que adiam reajustes e aumentam contribuição previdenciária, servidores vão à Justiça e ameaçam parar, aponta o jornal. A manifestação contra medidas está programada para o próximo dia 10 de novembro, segundo as informações do jornal.

Com o risco político voltando a dominar o mercado e as incertezas sobre o rumo da política fiscal, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 operavam em alta de 7 pontos-base, cotados a 7,34%, enquanto os contratos de janeiro de 2021 subiam 18 pontos, aos 9,47%.

Relatório de Emprego reforça gradualismo do Fed
Os Estados Unidos abriram 261 mil vagas de emprego em outubro, resultado que ficou abaixo da mediana das estimativas dos analistas, que apontava para a criação de 313 mil novos postos de trabalho no mês passado. Destaque também para a redução dos ganhos médios por hora na comparação mensal, que ficaram estáveis ante estimativa de alta de 0,1% e ganhos de 0,5% em setembro, reduzindo a pressão sobre a expectativa de inflação, já que um aumento dos salários resulta em maior pressão de custo para as empresa.

Os números reforçam a probabilidade de que Jerome Powell, indicado como presidente do Fed na última quinta-feira (2), não irá realizar uma guinada muito forte da política monetária nos EUA, já que é considerado um diretor na mesma linha de Janet Yellen, ou seja, não deve fazer uma mudança drástica na condução da política do BC dos EUA.

Destaques do mercado
Do lado positivo, as ações da Cielo seguem em alta e já acumulam ganhos superiores a 16% em três pregões, refletindo o resultado do terceiro trimestre acima do esperado pelo mercado - veja mais aqui.

Do lado negativo, as ações da Eletrobras lideram as perdas após o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmar ao Estadão na última quinta-feira (1) que Temer enviará a proposta de privatização da estatal por meio de projeto de lei e não por Medida Provisória: "o governo não iria mandar um assunto polêmico desses por MP. Falei com o presidente, que me garantiu que será por projeto de lei", disse o parlamentar ao jornal.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 7,90 -6,95 +92,68 101,62M
 ELET3 ELETROBRAS ON 19,32 -6,89 -8,51 55,29M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 22,27 -6,43 -8,64 25,43M
 NATU3 NATURA ON 28,65 -6,10 +25,09 26,27M
 CMIG4 CEMIG PN ES 6,98 -5,80 -4,83 27,70M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 EMBR3 EMBRAER ON 16,21 +4,65 +2,68 56,05M
 CIEL3 CIELO ON 23,75 +3,13 +5,39 188,65M
 VALE3 VALE ON 33,22 +1,22 +42,85 402,16M
 TAEE11 TAESA UNT N2 20,58 +1,13 +4,76 11,78M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 41,68 +0,85 +27,32 273,97M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Bolsas mundiais
Em dia bastante volátil, a sessão desta sexta-feira é de ligeira queda para os principais índices mundiais, digerindo os dados de emprego dos EUA abaixo do esperado e também a nomeação de Jerome Powell para chairman do Federal Reserve. O noticiário sobre corte de impostos a ser promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, também segue no radar.

Entre as commodities, o petróleo sustenta alta e barril chega a passar de US$ 55, ainda refletindo sinais de que Opep pode estender cortes, enquanto o níquel mantém alta em Londres de olho na demanda por carros elétricos.

Às 13h24, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) -0,09%

*S&P 500 (EUA) -0,02%

*Nasdaq (EUA) +0,12%

*CAC-40 (França) -0,13%

*DAX (Alemanha) +0,05%

*FTSE (Reino Unido) -0,12%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,30% (fechado)

*Xangai (China) -0,36% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,53% (fechado)

*Petróleo WTI +0,33%, a US$ 54,72 o barril

*Petróleo brent +0,30%, a US$ 60,80 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +0,69%, a 440 iuanes

 

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