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Só 4 das 59 ações do Ibovespa sobem hoje; recomendação do "Visão Técnica" dispara até 9%

Confira os destaques de ações desta segunda-feira (23) 

Plataforma - petróleo - 1
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acentuou a queda na tarde desta segunda-feira (23) e fechou em baixa de 1,25%, a 75.437 pontos, próximo da mínima do dia (-1,41%, a 75.315 pontos), com sentimento mais cauteloso dos investidores prevalecendo, em semana que traz reunião do Copom e votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer no plenário do Senado - ambas na próxima quarta-feira, dia 25.

Em dia marcado pela aversão ao risco, apenas 4 das 59 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa fecharam em alta hoje. Foram elas: as ações ONs e PNs da Eletrobras, que saltaram 4% com investidores de olho na privatização; e as exportadoras Fibria e Suzano, que ganham com a alta do dólar frente ao real. Hoje, o dólar comercial fechou com valorização de 1,30%, a R$ 3,2305 na compra e R$ 3,2311 na venda. 

O Ibovespa tem todo o potencial para "dobrar de valor", diz BofA - mas há algumas condições (leia aqui)

Do outro lado, as maiores quedas ficaram com as empresas do setor de educação. Estácio e Kroton afundaram até 5%, seguidas pela siderúrgica Usiminas.  

Confira abaixo os principais destaques da bolsa desta segunda-feira:

Vale (VALE3, R$ 32,71, -0,73%;VALE5, R$ 30,33, -1,11%) e siderúrgicas
As ações da Vale acentuaram a queda nesta tarde, acompanhando o mau humor do mercado interno e em dia misto para os preços do minério. Enquanto a commodity à vista negociada em Qingdao caiu 0,74%, a US$ 62,00 a tonelada, o contrato futuro negociado em Dalian teve alta de 1,32%, a 459 iuanes.  Além disso, o ADR da Vale foi reiniciado com recomendação neutra pelo Goldman Sachs, assim como o da Gerdau (GGBR4, R$ 11,63, -0,43%). 

Sobre a Vale, a Samarco, joint venture entre a mineradora e a BHP Billiton, defende que medidas reparatórias que tomou após sua lama de rejeitos destruir 650 km de ecossistemas, inclusive um acordo com o governo federal, justificam a absolvição da empresa por parte dos crimes ambientais a que responde em ação penal, aponta a Folha de S. Paulo. 

Ainda sobre siderúrgicas, vale destacar as notícias de CSN (CSNA3, R$ 9,84, -3,15%). Segundo o Estadão, três anos após firmar acordo para vender importantes ativos, como contrapartida para a renegociação de débitos, a CSN voltou a conversar com bancos públicos e privados. Mesmo sem ter se desfeito dos principais negócios, a companhia está conseguindo abrir espaço para renegociar as dívidas que vencem entre 2018 e 2020.  Já no início do ano que vem, a siderúrgica precisa pagar R$ 5,6 bilhões, dos quais R$ 4,1 bilhões para seus principais credores, Banco do Brasil e Caixa. A CSN deve a esses dois bancos cerca de R$ 10 bilhões que vencem até 2020. O grupo quer empurrar as obrigações para 2021 e 2022, apurou o Estado. Os bancos públicos são o ponto nevrálgico das novas renegociações. Segundo fontes, as conversas com credores privados – como Bradesco e Itaú, além de detentores de títulos (bondholders) – não encontram resistências. Ainda que a CSN já tenha se sentado à mesa com BB e Caixa, as instituições fazem pressão sobre a empresa de Steinbruch, que desde o terceiro trimestre de 2016 não recebe aval da auditoria Deloitte para divulgar balanços de resultados.

Eletrobras (ELET3, R$ 22,45, +3,65%; ELET6, R$ 26,45, +3,52%)
As ações da Eletrobras lideraram os ganhos do Ibovespa nesta sessão. Na esteira do movimento, uma reportagem do Valor Pro, serviço em tempo real do Valor, que aponta que as equipes técnicas do Ministério da Fazenda, do Planejamento e de Minas e Energia devem se reunir nesta semana para tratar dos últimos pontos da Medida Provisória da privatização da Eletrobras.

'Se privatizar a Eletrobras, tomaremos de volta', diz Ciro Gomes (veja aqui)

Marfrig (MRFG3, R$ 6,35, -0,63%) e JBS  (JBSS3, R$ 7,76, -2,39%)
Em destaque, o egípcio Tarek Farahat, escolhido para presidir o conselho de administração da JBS após o afastamento do empresário Joesley Batista, em maio, renunciou na sexta ao cargo. Em seu lugar, assumirá o irlandês Jeremiah O'Calleghan, que também é diretor de relações com investidores da empresa.

Ainda sobre a companhia, a JBS confirmou na sexta que chegou a um acordo para reabrir sete frigoríficos de bovinos em Mato Grosso do Sul, informa o Valor. Os frigoríficos da companhia estão fechados desde a última quarta-feira. Os abates serão retomados na terça-feira (24) no Estado.  Por fim, uma outra boa notícia: segundo a Bloomberg, JBS está em conversa com seus maiores credores bancários no Brasil em uma nova rodada de tratativas visando alongar débitos que vencem em 2018; os bancos estariam  dispostos a dar mais tempo à empresa para quitas dívidas que vencem em julho, de acordo com  fontes ouvidas pela agência. 

Ainda sobre o setor, a Marfrig avança no espaço aberto pela JBS, informa a Folha de S. Paulo, com a companhia reabrindo cinco frigoríficos para praticamente dobrar sua produção. A Marfrig, que é dona de marcas de carnes como Bassi e Montana, voltou a operar nos municípios de Nova Xavantina (MT), Pirenópolis (GO), Paranaíba (MS), Alegrete (RS) e Ji-Paraná (RO). A companhia começou 2017 com capacidade de abate de 170 mil cabeças de gado por mês. Com a expansão, calcula que terminará o ano com capacidade de 300 mil cabeças por mês. A estimativa de geração de empregos é de 4.500 vagas. 

Smiles (SMLS3, R$ 91,00, -0,60%)
Após a disparada da sexta-feira com a recomendação do Santander, que elevou a ação da companhia para equivalente a compra, as ações da Smiles tiveram queda em pregão de estreia do novo ticker da empresa na bolsa. 

Cada ação ordinária de emissão da Smiles que era negociada na B3 sob o código SMLE3 foi substituída por uma ação ordinária da Smiles Fidelidade. A partir desta segunda, foram iniciados os negócios com as ações de emissão da Smiles Fidelidade na B3 sob o código SMLS3.

Recomendações do Visão Técnica
No programa "Visão Técnica" da última sexta-feira (veja aqui), o analista Raphael Figueredo, da Eleven Financial, alertou para uma compra nas ações da PetroRio (PRIO3, R$ 53,00, +6,13%), que na sua avaliação pode mais do que dobrar de valor nos próximos meses. Nesta sessão, esses papéis chegaram a subir 9,47%, a R$ 54,67. O volume financeiro movimentado com eles alcança R$ 5,8 milhões neste momento, bem acima da média diária de R$ 1,6 milhão dos últimos 21 pregões. 

Além da petroleira, o analista apontou 4 ações que via como oportunidades de compra neste semana: Fleury (FLRY3, R$ 31,38, +0,26%), Odontoprev (ODPV3, R$ 16,03, +0,75%), ABC Brasil (ABCB4, R$ 18,09, +0,22%) e Multiplan (MULT3, R$ 73,59, -1,63%). Delas, o mais interessante, na visão de Figueredo, era o papel da Odontoprev, que apresentava uma boa combinação de gráfico e fundamento. 

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 78,50, -1,88%)
A ação do Pão de Açúcar registrou queda nesta sessão. No radar da companhia, vale destacar que, em relatório encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Acrônimo, a Polícia Federal concluiu que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), atuou com o auxílio do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho para favorecer o Grupo Casino ao não liberar empréstimo para viabilizar a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour. Na época dos fatos investigados, Pimentel chefiava o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e presidia o Conselho de Administração do banco público. 

Braskem (BRKM5, R$ 46,22, -2,43%)
A Petrobras informou que decreto exclui as participações minoritárias detidas pela companhia no capital social da Deten Química e da Braskem do PND (Programa Nacional de Desestatização), publicado no Diário Oficial da União. Com a edição do decreto, todas as ações detidas pela Petrobras em tais sociedades que se encontravam formalmente bloqueadas pelo Fundo Nacional de Desestatização passam a ficar livres e desembaraçadas para eventual alienação, em conformidade com a estratégia definida no Plano de Negócios e Gestão, diz a empresa em comunicado.

Por fim, a Petrobras assinou um protocolo de intenções com o Ibama, para aderir às regras do decreto que permite converter multas ambientais ainda não pagas em prestação de serviços na área, informa o jornal O Globo.

Petrobras (PETR3, R$ 16,50, -0,30%; PETR4, R$ 16,20, -0,12%)
A Petrobras fechou em leve queda nesta sessão em dia misto para os preços do petróleo no mercado internacional. Em Nova York, os contratos WTI registraram leves ganhos de 0,12%, a US$ 51,90 o barril, enquanto os contratos do Brent, negociados em Londres, caíam 0,66%, a US$ 57,37 o barril. 

Ainda no radar da empresa, a Petrobras assinou um protocolo de intenções com o Ibama, para aderir às regras do decreto que permite converter multas ambientais ainda não pagas em prestação de serviços na área, informa o jornal O Globo.

A petroleira cortou o preço da gasolina em 0,2% e elevou o diesel em 1,4%. Os preços são para as refinarias a partir de 24 de outubro, segundo informação no site da Petrobras. Além disso, a companhia informou em comunicado que irá recorrer quando intimada da decisão da 3ª turma do TRF da 2ª região que entendeu que as remessas para pagamento de afretamento de plataformas petrolíferas móveis, no período de 1999 a 2002, estariam sujeitas ao imposto de renda retido na fonte (IRRF). A discussão jurídica trata da legalidade de ato normativo da Receita Federal que garante alíquota zero para as referidas remessas. O presente processo possui débito atualizado de cerca de R$ 8,8 bilhões. 

Por fim, a Petrobras informou o início da fase não vinculante do processo de venda de 90% de sua participação acionária na Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária integral da Petrobras, segundo comunicado. “Nesta etapa do projeto, os interessados habilitados na fase anterior receberão um memorando descritivo contendo informações mais detalhadas sobre o ativo em questão, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes”, informou a empresa em comunicado. 

Dommo Energia (DMMO3, R$ 1,12, -5,08%) 
A petroleira Dommo Energia, ex-OGX, informou na sexta-feira que recebeu de sua sócia Barra Energia uma notificação comunicando sua intenção de exigir que a empresa se retire completamente do bloco BS-4, onde estão os campos de Atlanta e Oliva, na Bacia de Santos, devido a sua inadimplência. A empresa diz que a saída se daria sem qualquer oferta de pagamento de preço ou de indenização. Atualmente, a Dommo Energia detém participação de 40% no bloco BS-4, em parceria com Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP3, R$ 7,68, -0,90%), operadora do bloco, e com a Barra Energia, ambas com 30%.

Na quarta-feira, a Dommo informou ao mercado que seu Conselho de Administração aprovou um acordo para a venda de 30% da participação da empresa no bloco BS-4 para a subsidiária do Grupo Seacrest. O negócio, de cerca de US$ 60 milhões, faria parte da estratégia da companhia para equalizar valores junto às demais sócias do ativo e também para reforçar o caixa da empresa.

Já a Dommo notificou Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás e QGEP com requerimento para instauração imediata de procedimento arbitral contra ambas, junto à London Court of International Arbitration (LCIA), disse a companhia em comunicado ao mercado. "Inadimplemento da QGEP em cumprir o Plano de Desenvolvimento e os sucessivos atrasos na chegada FPSO Petrojarl I em virtude do mau gerenciamento por parte da QGEP já atrasaram sobremaneira o início da produção no Bloco BS-4 sob o Sistema de Produção Antecipada de Atlanta", disse a empresa. Segundo a Dommo, "atrasos são consequência da inépcia da QGEP e da omissão dolosa da Barra". Por outro lado, a QGEP disse não ter conhecimento de qualquer contrato de farm-out assinado pela Dommo, nem tampouco de qualquer equacionamento da Dommo com o consórcio para quitação da dívida atual, no montante de cerca de R$ 71 milhões. QGEP diz que Barra Energia exerceu os direitos de expulsão da Dommo Energia no Bloco BS-4, “nos exatos termos do disposto no contrato de operações conjuntas do consórcio”, segundo o comunicado. 

Ainda sobre a QGEP, a companhia teve aval do Cade à cessão de fatia em 2 blocos à ExxonMobil. Atualmente, a QGEP detém 100% de participação em ambos os contratos. O  Cade considerou que os blocos constituem-se ativos pré-operacionais, não estando em fase de produção e concluiu que a operação não suscita preocupações sob a ótica concorrencial. 

 

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