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Uma semana, duas elevações para top pick: a empresa que está caindo nas graças do mercado

Crescimento do fluxo de caixa, rápido processo de desalavancagem e aumento dos dividendos são os atrativos

Fibria 01 - Executivos
(Divulgação Fibria)

SÃO PAULO - Com a recuperação do dólar no começo deste mês, que ofereceu uma oportunidade de compra na semana passada (ver mais aqui), as empresas com receitas em dólares voltaram ao radar dos investidores e uma companhia em especial voltou a cair nas graças do mercado: estamos falando de Fibria (FIBR3), que em setembro sobe 11% e apresenta o segundo melhor desempenho entre as 59 ações que fazem parte do Ibovespa, atrás somente de Usiminas (USIM5) com 18% de valorização.

Depois de um mês de setembro apático, com alta de 2,5%, o papel iniciou o mês superando seu antigo topo histórico em R$ 43,89 e já negocia na faixa de R$ 48,00, comprovando que está no radar dos investidores em setembro. Prova deste bom momento, a empresa foi eleita em uma semana como a nova top pick do Bradesco (confira a análise aqui) e agora do BTG Pactual, conforme relatório publicado pelos analistas Leonardo Correa e Gerard Roure nesta segunda-feira (9).

Segundo o banco de investimento, a empresa será favorecida pelo ciclo de celulose no curto prazo, com preços competitivos para as fabricantes de celulose até o primeiro semestre de 2018 por conta da forte demanda da China e Europa, que, inclusive, estão com estoques reduzidos. Além disso, depois da entrada de operação do Projeto Horizonte 2, que tem capacidade total de 3,25 milhões de toneladas/ano, não há um projeto de expansão programado para os próximos 3-4 anos, apoiando a tese de que a oferta seguirá "apertada" nos próximos anos.

Durante coletiva de imprensa realizada na apresentação do Projeto Horizonte 2 em Três Lagoas (MS), o diretor de operações da Fibria, Aires Galhardo, exaltou o fato do projeto ter iniciado as operações antes do esperado com um orçamento menor do que o previsto e já está entregando produção superior às expectativas. Isso tudo, somado com o cenário de continuidade do crescimento da demanda de celulose no mundo, mantém um cenário bem favorável para os resultados futuros da empresa.

Efeitos positivos que não estão no preço
Em vista do efeito positivo do preço alto da celulose na receita da empresa, o que culmina em um maior crescimento de fluxo de caixa, os analistas projetam um rápido processo de desalavancagem da empresa nos próximos trimestres, potencial de valorização que o mercado ainda não coloca na conta. Segundo as estimativas, a alavancagem financeira medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda deve recuar dos atuais 4x para 2x em pouco tempo, "o que é bastante notável".

Outro efeito positivo que ainda está fora do radar dos investidores é a possibilidade de aumento de dividendos. Em conversa com o CEO da Fibria, Marcelo Castelli, os analistas destacam o desejo da administração em priorizar o pagamento de proventos nos próximos anos, o que faz todo sentido com o aumento de fluxo de caixa projetado e a conclusão da nova fábrica. Assim, mesmo no cenário mais conservador para a evolução do preço da celulose, Correa e Roure preveem dividend yield (dividendo pago por ação dividido pela cotação do papel) acima de 5% para a companhia. 

 

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