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Possível "dança das cadeiras" na Cemig; CSN dispara 6% e Kroton salta 4% com rumor de compra

Confira os principais movimentos das ações na B3 nesta sexta-feira

SÃO PAULO - Depois de sete pregões seguidos em queda, o Ibovespa teve uma sessão de recuperação nesta sexta-feira (29), acompanhando também o movimento positivo visto nas principais bolsas internacionais. O principal índice de ações fechou o pregão em alta de 1,16%, a 74.419 pontos. Na semana, por sua vez, a queda acumulada foi de 1,29%. 

Do lado acionário, somente 8 das 59 ações do Ibovespa fecharam em queda, com destaque para as exportadoras Suzano (SUZB5, R$ 18,38, -2,08%), Fibria (FIBR3, R$ 42,88, -0,63%) e Embraer (EMBR3, R$ 17,92, -0,55%). Vale menção que, apesar da baixa hoje, ontem os papéis da Fibria saltaram 11% entre quarta e quinta-feira, enquanto Fibria subiu 5%. Do outro lado, as maiores altas hoje ficaram com os papéis da CSN (CSNA3, R$ 9,59, +5,62%), Kroton (KROT3, R$ 20,00, +4,71%) e Smiles (SMLE3, R$ 80,12, +4,13%), com ganhos entre 4% e 6%. 

Na semana, somente 13 ações subiram, com destaque para RD (RADL3, R$ 12,09, +3,33%), ex-Raia Drogasil, com valorização de 11%, bem distante da segunda, a Lojas Renner (LREN3, R$ 36,04, +2,94%), que registrou alta de 4% no período. No campo negativo, os papéis da Usiminas (USIM5, R$ 7,75, +2,11%) lideraram as perdas, com queda de 17%, seguidos pelos da Cemig (CMIG4, R$ 8,00, -0,62%) e Eletrobras (ELET3, R$ 19,70, +0,77%; ELET6, R$ 22,70, +0,22%), que recuaram quase 8%.  

Confira abaixo os principais destaques desta sessão:

Wiz (WIZS3, R$ 17,41, -3,28%)
As ações da Wiz chegaram a cair 7,1% na mínima do dia, a R$ 16,73, no pior pregão desde 11 de agosto, em meio à preocupação entre os investidores depois que seu maior acionista parece ter deixado o serviço financeiro e de seguros. A Caixa Seguridade, seu maior acionista, e a CNP Assurances anunciaram um memorando de entendimento não vinculativo para uma joint venture que não forneceu detalhes sobre se Wiz seria incluído no negócio, de acordo com uma nota escrita hoje pelo analista do Bradesco BBI, Rafael Frade. O acordo será válido de 2018 a 2041 e inclui seguros de vida, planos de previdência privada e seguro de crédito, disse o analista.

"Ainda acreditamos que Wiz acrescenta valor e deve ser incluído em qualquer estrutura nova, e, portanto, permanecemos otimistas sobre a ação, enquanto reconhecemos que a volatilidade dos preços das ações será alta", comenta o analista. 

A Wiz reconheceu em um comunicado que o novo acordo pode ter "efeitos materiais" em suas operações e resultados futuros. 

Santander (SANB11, R$ 27,64, +1,25%)
Os papéis do banco subiram seguindo os seus pares, que encerraram em alta, e ignorando informação de que a instituição seria investigada na Operação Zelotes. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a denúncia é que o Santander Brasil teria contratado a Lupe Consultoria e Assessoria Ltda em 2013 com o propósito de identificar possíveis créditos tributários por compensações ou restituições não realizadas pelo Fisco.

De acordo com a publicação, o banco teria recebido R$ 83 milhões em créditos em três processos graças à atuação ilegal do auditor Eduardo Cerqueira Leite, já é investigado em outras denúncias da Zelotes. Após ter vencido os casos, o banco teria pago R$ 5 milhões à Lupe a título de “taxa de sucesso”. O advogado de Cerqueira Leite nega a prática de qualquer ilegalidade, enquanto o Santander afirmou que abriu mão dos benefícios “tão logo foi alertado pela Receita” sobre as suspeitas de irregularidades nas atividades da Lupe. 

O banco diz ter sido criterioso ao contratar a consultoria. Também informa não ter autorizado a participação de terceiros nas atividades constantes no contrato. 

Já em nota enviada ao Valor, o Santander disse que o contrato com a Lupe foi firmado “seguindo critérios rígidos de compliance, que comprovaram a não existência, à época, de qualquer fato que desabonasse a empresa ou seus sócios”. De acordo com o banco, os honorários pagos corresponderam à média de mercado para serviços daquela natureza.

Somos Educação (SEDU3, R$ 17,08, -0,29%) e Kroton (KROT3, R$ 20,05, +4,97%)
As ações do setor educacional reagiram à uma nova movimentação importante no setor. Controlada pela gestora Tarpon, a Somos Educação está mais perto de ser vendida e a Kroton é, novamente, vista como a principal candidata a compradora, segundo informa a Coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo.

A Somos, que tem editoras e colégios, quer novos recursos e vinha cogitando dois caminhos: o primeiro era a busca de um novo sócio para investimentos em expansão; o segundo, que hoje está mais perto de acontecer na visão do mercado, é a venda. O principal negócio da Kroton é o ensino superior, mas a companhia tem considerado a possibilidade de mirar aquisições no ensino básico, em especial depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barrou a fusão com a Estácio (ESTC3, R$ 30,99, +0,78%), cujos papéis acompanharam o movimento positivo do setor neste pregão.

Ainda no noticiário das educacionais, a Anima (ANIM3, R$ 23,05, +4,20%) informou ao mercado que a base total das instituições de ensino mantidas por suas controladas é de 95,1 mil alunos. No segundo semestre de 2017, 13,5 mil novos alunos foram matriculados em cursos de graduação, um crescimento de 34,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Excluindo a aquisição da Una Uberlândia, consolidada a partir de outubro de 2016, crescimento foi de 31,3% comparado ao mesmo período do ano anterior.

Embraer (EMBR3, R$ 17,89, -0,72%)
Os papéis da companhia fecharam em queda neste pregão. No noticiário, a Chorus Aviation anunciou a aquisição de dois aviões Embraer 195 que estão atualmente arrendadas pela Azul. Em outro comunicado, Chorus informou que uma subsidiária sua completou aquisição de aeronave 190 da Embraer, atualmente arrendada para a mexicana Aerolitoral. Os valores não foram revelados.

Também merece destaque a notícia de que o governo do Canadá será julgado pelos tribunais da OMC (Organização Mundial do Comércio) por conta dos subsídios que sua empresa, a Bombardier teria recebido nos últimos dez anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. O governo brasileiro acredita que sem as medidas de proteção, o programa C-Series da Bombardier simplesmente não teria sobrevivido.

Vale (VALE3, R$ 31,87, +0,38%; VALE5, R$ 29,50, +0,82%)
O mau desempenho dos preços do minério no mercado internacional não barrou mais um dia positivo para as ações da Vale neste pregão. Acompanharam o movimento de alta as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 24,10, +1,56%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,04, +1,66%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,29, +3,32%), CSN (CSNA3, R$ 9,61, +5,84%) e Usiminas (USIM5, R$ 7,78, +2,50%). 

No noticiário, a Vale concluiu o resgate de títulos com vencimento em 2019. Os títulos emitidos pela subsidiária Vale Overseas foram resgatados totalmente nesta quinta no valor total de principal de US$ 1 bilhão e realizou pagamento do montante do prêmio de acordo com termos da escritura de emissão, segundo comunicado divulgado pela Vale. A Vale também aceitou adquirir US$ 11,8 milhões em títulos com vencimento 2020; considerando também o valor ofertado antes da data de encerramento antecipada, total de títulos 2020 aceito pela Vale é de US$ 501,2 milhões.

A companhia ignora o movimento do minério. Os contratos da commodity spot (à vista) no porto de Qingdao (China) caíram 1,33%, fechando a US$ 62,05 a tonelada neste pregão. Já os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian recuaram 0,87%, a 455 iuanes.

Cemig (CMIG4, R$ 7,98, -0,87%)
O governo de Minas Gerais decidiu retirar o presidente da Cemig, Bernardo Salomão Alvarenga, e três executivos seniores Dimas Costa, Cesar Vaz e Maura Galuppo Martins, disse a Reuters nesta tarde citando duas pessoas diretamente envolvidos no assunto. O Estado é o maior acionista da Cemig com 51% de direito a voto.

A decisão vem depois que a companhia perdeu o controle de quatro hidrelétricas e levou muito tempo para se desfazer de ativos, disseram as pessoas. Uma delas disse que o governo anunciará as saídas dos executivos depois que as substituições forem encontradas. 

Para a presidência, o governo estaria considerando o ex-presidente da Rodobens, Meinberg, disse uma das fontes. A assessoria de imprensa da Cemig não comentou imediatamente
ao pedido da Reuters e a agência não conseguiu falar com Alvarenga e os três executivos mencionados. 

Petrobras (PETR3, R$ 15,81, -0,63%; PETR4, R$ 15,30, -0,26%)
Em dia misto para o petróleo no mercado internacional, os papéis da estatal fecharam em leve queda. Em Londres, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 0,17%, a US$ 57,51 o barril, enquanto os contratos futuros do WTI, negociados em Nova York, subiram US$ 0,11, indo para US$ 51,67 o barril, na quarta semana seguida de ganhos e alta de 12% no trimestre.

No noticiário, a companhia ampliou a confidencialidade para a venda no setor de fertilizantes. O prazo para assinatura de acordos de confidencialidade e demais declarações previstas para acessar as informações técnicas, legais e financeiras referentes ao processo de desinvestimento de 100% de participação na ANSA e na UFN-III será prorrogado para 13 de outubro de 2017, disse a estatal em comunicado ao mercado. A prorrogação de prazo acontece tendo em vista o interesse do mercado em participar do processo.

A Petrobras cortou em 2,1% o preço da gasolina e em 1,0% do diesel. Os preços são para as refinarias a partir de 30 de setembro, segundo informação no site da estatal.

Imobiliárias 
Entre os destaques de alta hoje também as ações das imobiliárias, com PDG Realty (PDGR3, R$ 2,46, +7,89%), Gafisa (GFSA3, R$ 13,72, +8,98%) e Cyrela (CYRE3, R$ 13,80, +3,22%) subindo mais de 4%.

No programa "30 minutos para se aposentar com ações" desta sexta-feira, o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos, comentou que o setor de construção civil está barato na bolsa e aparece como aposta para 2018, em meio à perspectiva de retomada da economia (veja aqui). 

Carrefour (CRFB3, R$ 15,51, -1,52%)
O empresário Abílio Diniz concedeu entrevista ao jornal Valor Econômico em que alfinetou a gestão anterior do Carrefour. Segundo Diniz, o grupo francês está no centro de um processo de mudança que deve colocá-lo em um novo rumo, fazendo dar um salto no negócio digital. "Eu disse no conselho [de administração] que nós temos que saber o tamanho da nossa ambição. Se nossa ambição é um pouco mais do mesmo ou melhor", disse Abilio. A Península Participações, empresa da família Diniz, tem 12% das ações do grupo Carrefour no país e 8% no mundo.

Essa busca por mudanças exigiu a troca de comando mundial, com a saída, em julho, de Georges Plassat, e a entrada de Alexandre Bompard. Abilio diz que as dificuldades que a empresa passa têm relação direta com o ex-CEO, que resistia a certas transformações. "Para mudar a pessoa precisa querer e Plassat não queria", diz. "Ele virou quase um mito no Carrefour. Ele pegou a empresa com a ação a €13 e levou a €26 e agora voltou a €17. Esse grande salto fez dele uma estrela, precisava ter cuidado para mexer". Questionado pelo Valor sobre as falas de Diniz, Plassat não quis comentar as críticas, mas demonstrou irritação, segundo o jornal.

Multiplus (MPLU3, R$ 39,10, +3,82%)
Os papéis da companhia fecharam em alta nesta sessão. No noticiário, o conselho da empresa aprovou uma maior disponibilidade de voos internacionais com a Latam, mas mantendo os dois programas de fidelidade da Latam ainda separados. Os clientes da Multiplus terão acesso irrestrito aos voos da Latam Brasil e Latam Chile. A companhia também terá o direito de ser operadora exclusiva no Brasil, Paraguai, México, EUA e Europa (enquanto Latampass ficará com outros países da América do Sul). De acordo com o fato relevante, a implementação das mudanças será concluída no primeiro semestre do ano que vem.

Segundo o BTG Pactual, do ponto de vista estratégico, o anúncio é positivo para a Multiplus, que busca defender sua participação de mercado (com maior disponibilidade internacional). "Apesar de muito cedo para afirmar isso, alguns investidores podem acreditar que esse é o primeiro passo para uma integração total entre Smiles e Multiplus no futuro", apontam os analistas.

BRF (BRFS3, R$ 45,67, +0,18%)
O Conselho da BRF aprovou o nome de Lorival Nogueira Luz Júnior para a diretoria financeira.

Braskem (BRKM5, R$ 42,43, +0,71%)
No programa "30 minutos para se aposentar com ações" desta sexta-feira, o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos, apontou 5 motivos para estar otimista com a ação da Braskem no curto/médio prazo (clique aqui e confira). 

(Com Bloomberg e Agência Estado)

 

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