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Fibria dispara 7% e Usiminas afunda 20% em 5 pregões; ação estreia na bolsa com queda de 2%

Confira os principais destaques da bolsa nesta quinta-feira

Confira abaixo os principais destaques de ações desta quinta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 15,84, +0,25%;PETR4, R$ 15,33, +0,26%)
As ações da Petrobras conseguiram se firmar no campo positivo apesar da virada para baixo dos preços do petróleo nesta tarde. Em Londres, os contratos do petróleo WTI caíam 0,57%, a US$ 57,57 o barril, enquanto os contratos WTI, negociados em Nova York, registraram queda de 1,05%, a US$ 51,59 o barril.  

O noticiário sobre Petrobras é movimentado. Em destaque, o Conselho de administração da Petrobras aprovou o IPO da BR Distribuidora, disse a companhia em fato relevante. A estatal vai vender de 25% a 40% da participação acionária detida na BR na oferta de ações, a ser realizada no Brasil. O Conselho também autorizou pedido de adesão da BR ao Novo Mercado. A companhia ainda anunciou um corte de 1,1% no preço da gasolina e uma elevação de 1,1% do diesel válidos a partir da próxima sexta-feira (29). 

Já o presidente da estatal, Pedro Parente, admitiu ontem que um dos motivos que fez a estatal, em parceria com a gigante ExxonMobil, dar o maior lance do leilão – R$ 2,2 bilhões por um bloco na bacia de Campos, são as chances da área ter reservatórios na área do pré-sal. “É uma possibilidade”, disse ao ser perguntado se o interesse sobre o bloco se devia à existência de pré-sal na área adquirida. “Porque (a área) está vizinha a áreas do pré-sal, isso vamos aprofundar no momento da exploração”, disse após a 14ª Rodada de Licitações de Áreas de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis.

A empresa comprou apenas dois blocos no leilão. Além do bloco da bacia de Campos, adquiriu sozinha outro na bacia do Paraná, por R$ 1,6 milhão, onde pretende buscar gás. Outra oferta da estatal feita em Campos, com a australiana Karoon, para o setor AP1, foi derrotada pela ExxonMobil. Parente se disse satisfeito com o resultado do leilão e afirmou que a Petrobras demonstrou que está seguindo a estratégia já divulgada, de ser seletiva na escolha de áreas que faria ofertas. 

Ainda em destaque, o diretor de Governança e Conformidade da Petrobras, João Adalberto Elek Júnior, vai voltar a ocupar o cargo após permissão do Conselho de Administração da empresa, resultado de uma reunião realizada ontem. O diretor estava afastado temporariamente e o conselho seguiu a decisão de improcedência da denúncia tomada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República na segunda-feira (18) da semana passada.  Na mesma decisão, a comissão reconsiderou a aplicação da sanção de advertência. Elek foi julgado por suposto conflito de interesses porque, em 2015, autorizou a contratação, sem licitação, de uma empresa de consultoria em que a filha dele disputava uma vaga de emprego.

Vale (VALE3, R$ 31,75, -0,69%; VALE5, R$ 29,26, -0,88%)
Acompanhando os preços do minério de ferro, as ações da Vale recuaram nesta sessão. Hoje, a commodity spot (à vista) negociada no porto de Qingdao, na China, caiu 1,96%, a US$ 62,89 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério cotados na bolsa chinesa de Dalian registraram baixa de 3,63%, a 451 iuanes. 

Seguiram o movimento negativo os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 23,62, -1,17%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 10,86, -2,51%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,12, -1,92%), CSN (CSNA3, R$ 9,07, -2,16%) e Usiminas (USIM5, R$ 7,61, -4,52%). Essa foi a quarta queda de USIM5 em 5 pregões, quando acumula desvalorização de 20%. No mesmo período, GGBR4, GOAU4 e CSNA3 recuam 6%, 10% e 12% respectivamente. Vale menção que, apesar da queda mais amena nesse período, esses papéis iniciaram antes o movimento corretivo na bolsa. 

No radar, a Usiminas hoje teve recomendação rebaixada de compra para manutenção pelo HSBC. Por outro lado, ontem, o Bank of America Merrill Lynch mencionou que vê a queda recente como oportunidade de compra, com novo preço-alvo de R$ 12,50, o que representa um potencial de valorização de 64% frente ao patamar atual. Os analistas do banco citam que a companhia pode se beneficiar de uma recuperação econômica do Brasil, o "momentum" dos ganhos deve continuar forte, fluxo de caixa livre e processo de desalavancagem acelerado, mas o consenso do mercado segue cético. Eles apontam ainda que preferem Usiminas em relação às ações da Gerdau, mesmo sabendo que a primeira performou a segunda em 92% no acumulado do ano. O preço-alvo do banco para GGBR4 é de R$ 14,00, um potencial de ganhos de 29%.  

Enquanto isso, a Vale informou que vê capex entre US$ 2,9 bilhões e US$ 3,5 bilhões em 2020 e entre US$ 2,6 bilhões e US$ 3,2 bilhões em 2021, ao mesmo tempo em que pretende possivelmente apagar completamente sua dívida líquida até final de 2018, de acordo com apresentação divulgada pela companhia na quarta-feira.

Além disso, a coluna do Broad informou que um dos gestores mais famosos de Wall Street, o megainvestidor Jim Simons, com US$ 72 bilhões em ativos, resolveu dobrar a aposta nas duas principais empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), a Petrobras e a Vale. O gestor aumentou em 94% o total de American Depositary Receipts (ADRs) da petroleira em sua carteira no segundo trimestre na comparação com o primeiro, para 19 milhões de papéis. Na Vale, a elevação foi de 98%, segundo os dados que as gestoras nos Estados Unidos. Simons também reforçou a aposta, embora em menor escala, nas ações de Braskem (+13%) e Cosan (+24%). 

O Itaú também inclui as ações da Vale em sua "Brazil Buy List" (ver abaixo). 

Fibria (FIBR3, R$ 43,15, +7,13%)
As ações da Fibria dispararam pelo segundo dia, quando acumulam alta de 11%, na esteira de uma revisão de recomendação. Hoje, o Bradesco BBI elevou a classificação dos papéis da companhia de neutra para "outperform" (desempenho acima da média). 

Acompanham o movimento positivo seu par no setor de papel e celulose, as ações da Suzano (SUZB5, R$ 18,77, +5,15%), que figuram hoje como a segunda maior alta do Ibovespa. Nos últimos dois pregões, no entanto, esses papéis ainda aparecem descolados de Fibria, acumulando alta de apenas 2%. 

"Brazil Buy List"
Ainda em destaque, o Itaú BBA adicionou Vale e Lojas Americanas (LAME4, R$ 18,85, +1,34%) na `Brazil Buy List'. Já o Pão de Açúcar e a Energias do Brasil foram retiradas da lista depois de ganhos de dois dígitos, enquanto os analistas do Itaú BBA vêem um ponto de entrada atraente para Vale após desempenho da ação em setembro e a Lojas Americanas ainda atrasada em relação ao índice.

Os analistas dizem em relatório que a Vale provavelmente apresentará resultados sólidos no terceiro trimestre, com preços realizados de minério de ferro melhores.
Catalisadores potenciais incluem cortes de custos, desalavancagem e o potencial de retomada nas operações de metais básicos. Melhor governança corporativa, menor alavancagem e maior estabilidade dos ganhos provavelmente levarão os múltiplos da Vale mais próximos de seus pares globais.

Já a Lojas Americanas continua a ser um veículo atraente para aproveitar a recuperação do setor de varejo e a queda da taxa de juros no Brasil, o que deve contribuir para uma maior confiança na entrega do guidance de abertura de lojas. O mercado recuperou gradualmente a confiança nas ações do Brasil desde meados de maio, impulsionado principalmente pelo ambiente global benigno, mas também pela melhoria dos fundamentos macroeconômicos. O portfólio está gradualmente mudando para beta-neutro; Itaú BBA espera "gerar alfa aproveitando as melhores oportunidades de curto a médio prazo", categoria que inclui Vale e Lojas Americanas. O portfólio agora inclui BB Seguridade, Bradesco, BRF, Cosan, Lojas Americanas, Minerva, MRV, Petrobras, Smiles, Vale. 

Leilão das usinas da Cemig
O Governo leiloou ontem 4 plantas que previamente eram da Cemig (CMIG4, R$ 8,04, +1,52%) levantando R$ 12,13 bilhões. A chinesa SPIC levou o maior dos 4 ativos – Usina São Simão – pagando R$ 7,18 bilhões. A Engie (EGIE3, R$ 36,34, +1,25%), ex-Tractebel, levou Jaguara por R$ 2,17 bilhões e Miranda por R$ 1,36 bilhões; e a Enel Americas arrematou Volta Grande por R$ 1,42 bilhão. A concessão será de 30 anos com 70% da energia assegurada no mercado regulado (sem risco de GSF). Baseado nos números do leilão, o IRR real foi de 7,4% (São Simão), 6,7% (Jaguará), 8,2% (Miranda) e 7,1% (Volta Grande) - todos muito atrativos, na nossão visão, comentam os analistas do BTG Pactual.

Eles ainda apontam que, olhando do ponto de vista da Cemig, o fato dela não ter levado nenhuma planta traz uma leitura positiva do ponto de vista da desalavancagem do balanço.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 71,30, +4,38%)
O Conselho do Magazine Luiza aprovou a fixação do preço por ação em R$ 65,00 no âmbito da oferta primária e secundária de 24 milhões de ações ON, sendo 17,6 milhões de novas ações e 6,4 milhões de acionistas, segundo comunicado.

Como resultado da oferta primária, capital social passará a ser de R$ 1,77 bilhão, dividido em 190,6 milhões de ações ON. O início da negociação das novas ações na B3 será em 29 de setembro e a liquidação física e financeira será em 3 de outubro. 

Os recursos líquidos da oferta primária serão destinados para investimentos em ativos de longo prazo, incluindo melhoria e expansão da malha logística, tecnologia e desenvolvimento da plataforma digital, transformação das lojas existentes em pontos de venda e centros de distribuição, inauguração de lojas novas, e aquisição de empresas de tecnologia com atuação no segmento digital, além de otimização da estrutura de capital da companhia, incluindo pagamento de dívidas de curto prazo. Os acionistas que venderam ações na oferta secundária são Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, Onofre de Paula Trajano, Fabrício Bittar Garcia, Flávia Bittar Garcia Faleiros e Franco Bittar Garcia.  O Bank of America Merrill Lynch foi o líder da operação.

Oi (OIBR4, R$ 3,58, +0,56%)
Divergências sobre o tratamento das dívidas com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pendências nas negociações com grupos detentores de títulos internacionais (“bondholders”) levaram a Oi a pedir à Justiça do Rio o adiamento de sua assembleia geral de credores do dia 9 para 23 de outubro.

Protagonista da maior recuperação judicial do País, em que está em jogo uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões, a operadora de telefonia não consegue chegar a um acordo com os credores. Diante do impasse, o governo afirma que cresce a hipótese de uma intervenção na tele. “O governo não quer a intervenção (na Oi), mas se prepara para isso. À medida que o tempo passa, aumenta a expectativa de uma intervenção, infelizmente”, disse ontem o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilberto Kassab. “A dívida continua e os compromissos precisam ser cumpridos. Se não colocar dinheiro, não tem solução”, completou.

A decisão de adiar a assembleia foi tomada por unanimidade em reunião do conselho de administração da companhia, no início da tarde de ontem. A segunda convocação iria para 27 de novembro. No fim do dia, o pedido foi protocolado na 7ª Vara Empresarial do Rio e agora depende de uma aprovação do juiz Fernando Viana, que acompanha o caso.  A ideia é ganhar tempo. Caso a prorrogação seja aceita, a Oi poderá apresentar um novo plano de recuperação até 6 de outubro (dez dias úteis antes da assembleia).

Caso o magistrado negue o pedido, a assembleia de 9 de outubro continuará de pé e restará aos credores apreciar a primeira versão do plano, apresentada em setembro de 2016. Em outras palavras, as negociações voltarão quase à estaca zero, já que a proposta foi criticada por credores.

A expectativa era que na reunião de ontem o conselho aprovasse um novo plano, que previa um aumento de capital de R$ 9 bilhões. A Oi chegou a detalhar a proposta, que incluiria um aporte de R$ 3,5 bilhões vindos de “bondholders” apoiadores, conversão de R$ 3 bilhões em dívidas desse mesmo grupo em ações e a injeção de outros R$ 2,5 bilhões pelos atuais acionistas.

Vale ressaltar que hoje o conselho diretor da Anatel decide se abre ou não um processo para cassar as concessões e as licenças da Oi para os serviços de telefonia fixa, celular, internet e TV por assinatura. A discussão foi um pedido do conselheiro Igor de Freitas, que aponta lentidão nas negociações entre a Oi e os credores. A empresa está em recuperação judicial desde junho do ano passado. 

Camil (CAML3, R$ 8,85, -1,67%)
As ações da Camil estrearam em queda na bolsa hoje. A companhia fechou seu IPO a R$ 9,00, abaixo da faixa inicial de R$ 10,50 a R$ 13,00, movimentando cerca de R$ 1,32 bilhão. 

Ao longo dos últimos 10 anos, a Camil realizou cerca de 15 aquisições, entre elas marcas como Coqueiro e União. Com os recursos que irão para o caixa com o IPO, a empresa informou que pretende manter a estratégia de aquisição, além de mirar crescimento orgânico, internacionalização das atividades de empacotamento de açúcar e reforço no capital de giro.

A oferta da Camil trata-se da oitava abertura de capital da bolsa brasileira neste ano, um dos anos mais aquecidos em quase dez anos. Com essa oferta, o giro das emissões de ações neste ano alcança cerca de R$ 27 bilhões, mas a tendência é de crescimento já nas próximas semanas com as ofertas que já estão na rua.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 34,64, -0,52%)
Segundo a coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, o Banco do Brasil avalia separar o seu banco de investimentos em uma subsidiária única. O objetivo é obter um melhor retorno da operação, assim como acontece nos demais grandes bancos. Hoje, a área está dispersa na diretoria de mercado de capitais, diferentemente do Bradesco, que tem o BBI, e do Itaú Unibanco, com o BBA. A percepção é de que a estrutura atual de banco de investimento do BB não consegue explorar o potencial de receitas existente. 

Recompra de ações
A SLC Agrícola (SLCE3, R$ 25,04, +0,64%) aprovou a recompra de até 1,1 milhão de ações ordinárias em 18 meses. enquanto a Tupy (TUPY3, R$ 17,87, -1,27%) aprovou a recompra de até 233 mil ações até dezembro de 2018. 

EzTec (EZTC3, R$ 22,19, +0,36%)
A EZTec concluiu a venda da Torre B para EZTB FII para a Brookfield por R$ 650,4 milhões. 

 

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