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Os 2 fatores que levam o Ibovespa seguir em alta e registrar nova máxima histórica

Apesar de citar o encerramento gradual do ciclo, Banco Central não desconsidera a manutenção do ritmo de cortes, afirmam economistas da XP Investimentos

SÃO PAULO - Seguindo com o movimento de alta da última segunda-feira (11), o Ibovespa marcou máxima em 74.857 pontos às 11h02 e renovou sua máxima histórica nesta terça-feira (12) ao registrar alta de 0,72%. O mercado sobe impulsionado pela alta das commodities, em especial do minério de ferro, como também com os investidores digerindo a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), apontando a manutenção do ritmo de cortes da Selic.

Assim como no comunicado pós-reunião, o BC ressaltou que deve diminuir o ritmo dos cortes daqui para frente, antevendo o encerramento gradual do ciclo. "Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. Além disso, nas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo", aponta o documento.

Segundo os economistas da XP Investimentos, a ata do Copom não freia a discussão de Selic abaixo de 7% ainda este ano e mantém o cenário base de corte de 75 pontos-base para a próxima reunião, marcada para o dia 25 de outubro. Na visão dos economistas do Bradesco, a ata reforçou o comunicado divulgado após a última reunião e ao destacar o comportamento benigno da inflação revela que ainda há espaço para manter o ritmo de cortes da Selic: "esse documento reforça nossa expectativa de que a taxa Selic deve encerrar o ano em 7%".

No mesmo momento, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 registravam baixa de 3 pontos-base, cotados a 7,65%, enquanto os contratos de janeiro de 2021 subiam 3 pontos-base, negociados a 8,99%. O dólar futuro com vencimento em outubro registrava valorização de 0,40%, aos 3.122 pontos.

Destaque do mercado
Além das ações da Vale (VALE3), que sobem mais de 1%, os papéis da Cemig registram alta após a mineradora confirmar interesse nas usinas da empresa que devem ir para leilão ainda este mês. Fora do índice, destaque para os ativos da Magazine Luiza, que recuam cerca de 10% após anunciar uma oferta de ações.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CMIG4 CEMIG PN 9,04 +3,67 +20,45 31,88M
 ELET3 ELETROBRAS ON 21,85 +3,60 +3,47 19,15M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 25,10 +3,16 +2,97 8,68M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 20,80 +2,67 +28,47 93,68M
 CSNA3 SID NACIONALON 10,76 +2,48 -0,83 22,72M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 11,30 -1,05 +40,14 2,23M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 28,71 -0,66 +4,41 9,06M
 CYRE3 CYRELA REALTON 14,42 -0,62 +41,42 1,03M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 37,61 -0,61 +14,09 2,04M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 18,95 -0,58 +11,63 6,77M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Radar político
Na noite de ontem, a Polícia Federal afirmou que vê indícios de formação de organização criminosa dos integrantes do PMDB na Câmara. Entre os citados estão o presidente Michel Temer, os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. No relatório do chamado "quadrilhão", a PF afirma que Temer recebeu R$ 31,5 milhões de vantagens por participar da organização criminosa formada por políticos, que atuou na Petrobras e na administração federal. A Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) afirma que Temer não participou e nem participa de nenhuma quadrilha.

Mais cedo, o Ministério Público Federal no Distrito Federal apresentou uma nova denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desta vez por corrupção passiva no âmbito da Operação Zelotes, que aponta que o petista editou uma medida provisória para favorecer o setor automotivo em troca de recebimento de propina.

Já o jornal O Globo informa que, mesmo diante do risco de novas frustrações de receita, a equipe econômica do governo estuda liberar cerca de R$ 10 bilhões em despesas do Orçamento de 2017 até o próximo dia 22 de setembro. Citando integrantes do governo, a publicação diz que esse descontingenciamento seria uma forma de aliviar logo os ministérios que estão com pagamentos atrasados e evitar um shutdown (paralisação total da máquina pública). A liberação seria feita quando o governo publicar o novo relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, que precisa ser apresentado até o dia 22.

Reforma política
A Câmara dos Deputados tenta concluir ou avançar hoje a discussão em torno das propostas de reforma política que tramitam na Casa. Para esta terça, foram convocadas duas sessões deliberativas. A primeira tem como item único a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/03, que trata de mudanças no sistema político-eleitoral e da criação de um fundo público para financiar as campanhas.

Na sessão seguinte, está prevista a conclusão da votação da PEC 282/2016, que prevê o fim das coligações partidárias a partir do ano que vem, e a adoção de uma cláusula de barreira para que os partidos tenham acesso aos recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.

O texto-base dessa proposta já foi aprovado pelos deputados, que deixaram para hoje a apreciação dos destaques ou sugestões de mudanças. Para que sejam válidas nas eleições do ano que vem, as alterações na legislação eleitoral devem ser aprovadas pela Câmara e pelo Senado até o início de outubro. Apesar do prazo curto, a discussão em torno da reforma política já vem se arrastando há meses sem encontrar consenso entre as lideranças partidárias e maioria de votos entre as principais bancadas.

Bolsas mundiais
Os mercados acionários chineses avançaram nesta terça, diante das expectativas de sólido crescimento dos lucros no terceiro trimestre. Quase mil empresas listadas na China apresentaram relatórios preliminares projetando alta nos lucros do terceiro trimestre, informou o China Securities Journal. No resto da Ásia ainda predomina o clima de alívio da redução dos temores relativos à Coreia do Norte e ao furacão Irma.

Às 11h02, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) +0,30%

*S&P 500 (EUA) +0,27%

*Nasdaq (EUA) +0,25%

*CAC-40 (França) +0,64%

*FTSE (Reino Unido) -0,34%

*DAX (Alemanha) +0,58% 

*Hang Seng (Hong Kong) +0,06% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,11% (fechado)

*Nikkei (Japão) +1,18% (fechado)

*Petróleo WTI +0,35%, a US$ 48,24 o barril

*Petróleo Brent +0,63%, a US$ 54,18 o barril

*Minério de ferro spot (à vista) no porto de Qingdao, na China, +2,52%, a US$ 76,37 a tonelada

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +3,40%, a 548 iuanes

 

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