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Depois de comprar "Joesley Day", Wagner Caetano pisa no freio com Ibovespa e alerta para possível reversão

Enquanto a maioria diz compra para o índice, o trader profissional vê uma possível virada da bolsa parecida com a que ocorreu entre agosto e setembro de 2014, quando nos 3 meses que se seguiram o índice caiu 24%

Wagner Caetano, trader
(InfoMoney)

SÃO PAULO - Dias após o "Joesley Day" - quando o Ibovespa, em 18 de maio, acionou "circuit breaker" e fechou em queda de 8,8% -, o trader profissional Wagner Caetano concedeu uma entrevista ao InfoMoney (veja aqui). Nela (gravada dia 2/6), ele comentava que o Ibovespa deveria buscar o fechamento do gap aberto no pregão pós-delação e que, por isso, estava dando início a uma grande operação de compra nos contratos futuros do índice. Na ocasião, eles eram negociados próximos aos 63.050 pontos.

Passado aquele dia, os contratos futuros do Ibovespa sofreram alguns solavancos, renovando mínima pós-delação em 20 de junho, quando fecharam o pregão em 62.1110 pontos. No entanto, após esse susto, o índice engatou uma forte recuperação e não apenas fechou o gap apontado por Caetano como ultrapassou aquele patamar. Do fechamento do "Joesley Day" até agora, o Ibovespa Futuro subiu cerca de 9.200 pontos, operando nesta segunda-feira (4) próximo dos 72.400 pontos. 

Depois dessa arrancada, o que Caetano diz agora?
Em nova entrevista ao InfoMoney, o trader comentou que, enquanto a maioria diz que é compra e está otimista, ele vê algo parecido com a virada que ocorreu entre agosto e setembro de 2014, quando nos três meses que se seguiram o índice caiu 24%. Ele comentou sobre essa reversão do mercado no retorno do programa "Visão Técnica" na grade da InfoMoneyTV.

Apesar de ver sinais de exaustão do movimento, Caetano faz uma ressalva: vale um pé atrás com os próximos passos do Ibovespa. Isso porque, diz, o índice rompeu os 72.315 pontos, que marcaria um pivot de alta com potencial para jogar o mercado até os 73.680 pontos. No entanto, é preciso observar se o mercado terá força para de fato ultrapassar aquele patamar: se fraquejar e perder os 72.315 pontos, o índice terá feito um rompimento falso, onde terá frustração e um movimento contrário, abrindo caminho para o teste dos 71.415 pontos, onde encontraria um divisor de águas entre a compra e a venda.

Atualização da carteira
Além da projeção para o Ibovespa, Caetano fez uma atualização de sua carteira de ações que mencionou na entrevista de junho aqui no InfoMoney. Eram elas: BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), CSN (CSNA3) e JHSF (JHSF3).

Veja abaixo o que ele diz agora sobre cada ativo:

JBS
Uma compra que o trader mantém desde o final do ano passado. No pregão pós-delação, a ação chegou a tocar os R$ 5,25, mostrando uma recuperação de 67% até agora. O papel negocia na faixa de R$ 8,80 nesta segunda-feira. 

Caetano diz que manteve a ação pela percepção de que somente 20% da operação da empresa está concentrada no Brasil, o que refletia como oportunidade naquele momento. Além disso, com o afastamento dos irmãos Batista da empresa e plano bem sucedido de venda de ativos, a ação veio subindo de forma gradativa, enquanto havia um consenso de falência no mercado. Atualmente, o preço médio da JBS na carteira do trader é de R$ 8,37 - uma alta de 5% frente ao patamar atual da ação. 

CSN
A ação subiu 37% desde a entrevista, na esteira do movimento dos metais no exterior, queda do dólar e recuperação interna. 

O trader chama atenção para um OCOI (Ombro-Cabeça-Ombro Invertido) desenhado no gráfico diário e um padrão interessante de retração e expansão repetido quatro vezes desde a virada de junho para julho.

Ele comenta, contudo, que decidiu realizar lucro, pois está fazendo caixa para uma grande operação em breve.

BRF
A ação ainda mostra um desempenho tímido na bolsa, chegou a cair 15% de junho a julho, quando bateu a mínima em 4 meses na bolsa, mas ainda é uma das apostas do trader. 

Ele diz que é uma ação para investidores que buscam qualidade, a um preço descontado.
Talvez seja um dos poucos ativos com potencial de alta independente do cenário.

Segundo ele, caso exista uma correção do mercado, a ação poderá acompanhar a alta do dólar por ter perfil exportador, no chamado "fly to quality".

JHSF
Única ação a acumular desempenho negativo desde a entrevista no começo de junho (-9%). "Está atrasada em relação ao setor e descolada de seus fundamentos, mas o gráfico semanal mostra que pode buscar pelo suporte de uma LTA (Linha de Tendência de Alta) de médio prazo", diz o trader. Para ele, se romper os R$ 2,04, isso deve gerar uma correria na ponta compradora, com alvo em R$ 2,70. Atualmente, a ação opera na faixa de R$ 1,96. 

Assista abaixo ao trecho da entrevista em 2/6 na qual o trader comenta sobre a compra do Ibovespa Futuro dias depois do "Joesley Day":

 

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