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Euforia geral: as 4 maneiras que a privatização da Eletrobras afeta o mercado

Governo pretende arrecadar R$ 20 bilhões com o processo e dar um alívio para as contas públicas

SÃO PAULO - Com alta de 2,19% e 70.137 pontos (às 13h42, horário de Brasília), o Ibovespa renovou a máxima do ano (antes em 69.487 pontos) e negocia acima da faixa de 70 mil pontos, fato que foi visto pela última vez em 6 de abril de 2011, quando o mercado atingiu 70.107 pontos. Se encerrar acima deste patamar, o Ibovespa voltará para a máxima desde 19 de janeiro de 2011, quando atingiu 71.189 pontos. Toda essa euforia deve-se ao anúncio de que o governo vai propor a desestatização da Eletrobras (ELET3;ELET6), o que afeta não só a empresa, mas também outras 4 variáveis:

Benefício próprio
Na noite da última segunda-feira (21), o governo informou que irá propor a redução da participação da União no capital da estatal - atualmente com 63% do capital votante via União (51%) e BNDESPar (12%) -, assim como ocorreu com Embraer e Vale. Haverá uma oferta primária de ações que o governo não participará, assim ele será diluído e sua participação deve recuar para 47%. Porém, a União ficaria com uma única ação, que garantiria poder de veto em decisões estratégicas e na administração, artifício conhecido pelo mercado como golden share.

Por que a desestatização da Eletrobras pode trazer uma revolução no setor elétrico? Entenda aqui

Segundo o Santander, a decisão é "inesperada e positiva, embora faltem detalhes sobre a proposta [se é uma verdadeira privatização ou simplesmente a venda de uma participação na empresa]". De acordo com os analistas, a potencial privatização poderia destravar um novo valor aos acionistas, já que um novo sócio ou investidores poderiam acelerar o plano de recuperação e melhorar o custo da dívida e da estrutura de capital. Vale destacar que a Eletrobras é atualmente negociada na bolsa com um largo desconto em relação ao NAV (Valor Presente Líquido), apontando que o desempenho recente das ações foi fraco por conta de incertezas em torno do plano de recuperação implementado pela gestão.

Para se ter uma ideia do "desconto" da Eletrobras em bolsa: o Santander estima que o NAV potencial da empresa pode chegar a R$ 69 por ação, utilizando múltiplos de mercado; no último pregão, as ações ordinárias e preferenciais classe B fecharam R$ 14,20 e R$ 17,80, respectivamente - ou seja, teríamos aí um potencial entre 390% e 290% para estes papéis. "A potencial privatização poderia destravar um novo valor aos acionistas, já que um novo sócio ou investidores poderiam acelerar o plano de recuperação e melhorar o custo da dívida e da estrutura de capital", afirma.

1) Melhor gestão das estatais
Com esse anúncio, as empresas estatais sobem forte nesta terça-feira, já que revela o compromisso do governo em melhorar a gestão dessas compahias e aprofeitar os recursos de maneira mais eficiente, implicando em expectativas melhores de resultados. Um grande exemplo desse caso é a Petrobras (PETR3; PETR4), que disparou no ano passsado por conta da entrada de Pedro Parente na presidência, com plano de desinvestimento e maior eficiência nos gastos.

2) Setor elétrico comemora
A notícia favorece as empresas do setor elétrico, em especial controladas pelo governo, que podem sofrer o mesmo processo de desestatização da Eletrobras e ganhar em eficiência. As ações da Cemig (CMIG4), que recuaram por três pregões consecutivos em vista do imbróglio quanto ao leilão de quatro hidrelétricas sob seu controle, sobem cerca de 6%.

3) Juros e dólar
Ocorrendo a desestatização, o governo pretende arrecadar cerca de R$ 20 bilhões com a venda de ações, fato que dará um alívio para as contas públicas e reduz a aversão ao risco, resultando na queda dos DIs e da moeda norte-americana. Neste momento, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 registravam baixa de 5 pontos, cotados a 8,02%, enquanto os contratos de janeiro de 2021 recuavam 9 pontos, negociados a 9,43%. Além disso, o dólar futuro com vencimento em setembro marcava desvalorização de 0,39%, aos 3.159 pontos.

4) Novas ofertas?
Fora do grupo de estatais, as ações da B3 (ex-BM&FBovespa; BVMF3) sobem cerca de 3% pelo maior apetite por renda variável, como também pela expectativa por novas ofertas de ações nos próximos meses, como no caso da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), que vem sendo especulada desde o ano passado.

Destaques da bolsa
Por conta da notícia, as ações da Eletrobras lideram as altas, acompanhadas pelas estatais Cemig (CMIG4), Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR3; PETR4). Do outro lado, a queda do dólar pressiona as exportadoras Suzano (SUZB5) e Marfrig (MRFG3).

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 ELETROBRAS ON 21,21 +49,37 +0,44 418,18M
 CMIG4 CEMIG PN 8,47 +6,81 +12,85 82,51M
 BBAS3 BRASIL ON ERJ 31,93 +4,19 +15,87 211,79M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 24,08 +3,93 +55,05 55,19M
 USIM5 USIMINAS PNA 6,22 +3,49 +51,71 59,16M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 7,15 -0,42 +8,17 23,64M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 17,58 -0,40 +27,12 48,21M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 28,83 -0,28 +12,85 36,93M
 FIBR3 FIBRIA ON 39,82 -0,23 +27,93 28,42M
 CPFE3 CPFL ENERGIAON 27,04 -0,04 +8,19 20,94M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Cenário político agitado
Nesta terça-feira, o plenário da Câmara dos Deputados deverá analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/03, que trata da reforma política e prevê um novo sistema para eleição de vereadores, deputados e senadores, o chamado "distritão", e também a criação de um fundo com dinheiro público para financiar campanhas eleitorais.  A PEC 77/03 será discutida como pauta única do plenário, em sessão marcada para começar às 13h. Estarão em votação o texto-base, que ainda não tem consenso da maioria dos parlamentares.

Já a Comissão especial mista tem leitura do relatório sobre Medida Provisória 777, que trata da nova Taxa de Longo Prazo (TLP), às 15h00. Segundo o jornal Valor Econômico, o Planalto prevê 18 votos a favor da TLP versus 8 contra na comissão. O governo tem pressa com isso pois precisa passar o PL nas duas casas até 6 de setembro, quando a proposta irá caducar.

Ainda nesta terça-feira, às 19h00, haverá sessão do Congresso Nacional para analisar vetos do presidente Michel Temer em sete projetos de lei. Além disso, há previsão de reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para discutir o projeto de mudança da meta fiscal.

Para finalizar, em meio às negociações sobre a reforma política, a Câmara começará a discutir e analisar esta semana a reforma tributária. O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), relator do tema na Câmara, deve apresentar na comissão especial de estudos a primeira versão de sua proposta de simplificação da legislação tributária do país.

Entrevista de Meirelles
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou ver chance de reforma Previdência passar este ano. "Há boas chances, dentro de um nível aceitável para o equilíbrio fiscal”, disse ele, afirmando que o “Congresso tem consciência de que a reforma é fundamental” e que "é importante para o próximo governo que a reforma seja votada agora”. 

De acordo com ele, a "proposta definida em maio com a Câmara proporciona 75% da economia prevista com a proposta original do governo. Vamos negociar tendo isso em vista para fazermos uma reforma que faça sentido, porque uma reforma que não faça sentido não deve ser feita”. Meirelles ainda disse que não vê diminuição da capacidade do governo de viabilizar projetos no Congresso em meio à crise política. Sobre as eleições de 2018, Meirelles disse que um candidato com uma mensagem reformista deve ganhar.
Quando perguntado sobre sua possível candidatura, Meirelles disse que está concentrado em “fazer as reformas e assegurar o crescimento nos próximos anos".

Bolsas mundiais
Nesta terça-feira, as bolsas europeias interrompem baixa de três dias acompanhando a alta dos metais, enquanto o dólar registra alta contra a maioria dos pares, à espera das falas de Janet Yellen (Federal Reserve) e Mario Draghi (BCE) ainda esta semana em Jackson Hole. Na Ásia, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única de olho justamente no evento.

Às 13h42, este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 (EUA) +0,79%

*Nasdaq (EUA) +1,16%

*Dow Jones (EUA) +0,67%

*CAC-40 (França) +0,87%

*FTSE (Reino Unido) +0,86%

*DAX (Alemanha) +1,35% 

*Hang Seng (Hong Kong) +0,91% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,13% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,05% (fechado)

*Petróleo WTI +0,61%, a US$ 47,66 o barril

*Petróleo brent +0,66%, a US$ 52,03 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +4,11%, a 606 iuanes

 * Minério de ferro negociado em Qingdao 62% -0,35%, a US$ 79,65 a tonelada

 

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