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Da apatia da Vale à alta de 6% da Natura: veja a reação de 7 ações aos balanços; JBS salta 13% em 2 dias

Confira os principais destaques de ações desta quarta-feira

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(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa perdeu força na tarde desta quinta-feira (27), acompanhando a piora dos mercados internacionais, após subir 1,03% na máxima do dia, indo a 65.012 pontos. O índice fechou o pregão em alta de 0,41%, a 65.278 pontos. 

Do lado positivo, o destaque ficou com as ações da Natura, que dispararam 6% e lideraram os ganhos do índice, com lucro líquido do 2° trimestre acima das projeções do mercado. A companhia também teve sua recomendação elevada de underperform (desempenho abaixo da média) para market perform (desempenho em linha com a média) pelo Itaú BBA. 

Já outras blue chips que reportaram balanços tiveram reações bem mais amenas na bolsa hoje: Vale e Klabin caíram; Bradesco fechou praticamente estável; e Ambev teve alta de mais de 1%. Entre as blue chips, destaque para a Odontoprev, que disparou 6% após resultado, enquanto Indústrias Romi deu sequências aos ganhos da véspera, em meio a números bem acima do que o previsto por analistas. 

No Ibovespa, chamou atenção hoje também as ações da JBS, que deram continuidade à forte alta da véspera, acumulando nos dois pregões ganhos de 13%, após anunciar acordo de R$ 21,7 bilhões com bancos. 

Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 13,61, +0,52%; PETR4, R$ 13,00, +0,15%)
As ações da Petrobras fecharam em alta nesta sessão, sustentadas pelos preços do petróleo, que viraram para o campo positivo, após manhã de perdas. No mercado internacional, os contratos futuros do petróleo WTI recuaram 0,8%, a US$ 49,04 o barril, enquanto os futuros do Brent subiam 1,24%, a US$ 51,60 o barril, dando continuidade à euforia de ontem por conta de uma queda semanal acima do previsto dos estoques da commodity nos Estados Unidos. 

Ainda no radar, a Petrobras aprovou a emissão de até R$ 5 bilhões em debêntures simples em até quatro séries com esforços restritos de distribuição. Pelo menos R$ 800 milhões deverão ser alocados na primeira e/ou segunda séries, que serão de debêntures incentivadas, enquanto R$ 3,2 bilhões deverão ser alocados na terceira e/ou quarta séries.

As debêntures incentivadas comporão duas séries enquadradas, pelo Ministério de Minas e Energia, como prioritárias para o projeto de investimento na área de infraestrutura de petróleo e gás natural.

Em outro comunicado, a estatal informou que pagará R$ 4,3 bilhões em programa regularização tributária. O conselho de administração da companhia aprovou a inclusão da empresa no PERT (Programa Especial de Regularização Tributária) para despesas relacionadas à repactuação do plano Petros.

O valor total será dividido, sendo R$ 1,3 bilhão à vista e em espécie, e o restante, que totaliza R$ 3 bilhões, será parcelado em 145 pagamentos mensais e sucessivos, vencíveis a partir de janeiro de 2018, disse a empresa. O valor parcelado considera reduções de 80% dos juros de mora, 40% da multa de ofício e 25% dos encargos legais.

Todos os valores sofrerão atualização pela taxa Selic e a adesão ao PERT representa uma economia de 34% do valor do débito, em termos nominais. O impacto negativo líquido no resultado do 2º trimestre de 2017, por sua vez, será de aproximadamente R$ 6 bilhões. 

JBS (JBSS3, R$ 7,90, +5,76%)
As ações da JBS seguiram em forte alta na bolsa, após uma série de notícias positivas no radar da empresa ontem. Foram elas: um acordo de R$ 21,7 bilhões; propostas para a venda do frigorífico Moy Park; e elevação de recomendação pelo JPMorgan, de "underweight" (desempenho abaixo da média) para neutra. Nesses dois pregões, os papéis da companhia disparam 13%.  

Apesar da euforia, a analista Catarina Pedrosa, da WhatsCall Research, e Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial, trouxeram uma leitura ainda bem pessimista para a empresa em "Especial Setores" do 2° semestre do InfoMoney, que foi gravado na última quarta-feira (veja aqui). 

Para Adeodato, o risco do case continua existindo, não havendo nenhuma alteração em sua visão, que é para ficar "fortemente fora do papel". Na mesma toada, Catarina alerta que o acordo não é tão simples assim, citando, por exemplo, o pagamento de 10% da dívida em 12 meses, que correspondem a cerca de R$ 2 bilhões. O problema, diz, é que a JBS Brasil gera R$ 1 bilhão. Segundo ela, o acordo foi uma tentativa de estancar o sangramento (veja mais).

No radar, a JBS anunciou que fechou acordo com instituições financeiras para adiar o pagamento de R$ 21,7 bilhões em dívidas. "A JBS Brasil efetuará o pagamento integral dos juros incorridos nos termos dos contratos originais, bem como o pagamento de quatro parcelas de 2,5% do montante principal do endividamento em questão", disse a empresa em nota. Um dos maiores credores do grupo de Joesley e Wesley Batista é a Caixa Econômica Federal, que receberá uma parte com a venda do controle da Alpargatas pela J&F.

Junto com a Caixa na renegociação estão ainda Bradesco, Santander, Banco do Brasil, HSBC, BNP Paribas e Bank of China e mais 7 instituições. Segundo a empresa, as instituições correspondem a 93% do montante principal das dívidas da JBS Brasil. Em uma negociação paralela, a JBS também fechou uma renegociação de dívidas de R$ 1,2 bilhão com o Itaú Unibanco.

Segundo o BTG Pactual, o anúncio é positivo para a companhia, pois dará um alívio na liquidez e uma estabilidade maior do balanço. A combinação de venda de ativos mais renegociação da dívida alivia o curto. Além disso, o resultado do segundo trimestre (apesar de não auditado) também vai ajudar. "Por outro lado, ainda vemos algumas incertezas envolvendo a companhia (potencial multa do DOJ e CVM) e, como consequência, reiteramos visão cautelosa no case", afirmam os analistas.

Além disso, a JBS começa a receber em agosto propostas para a venda do frigorífico Moy Park, que tem sede na Irlanda e é um dos maiores processadores de frango da Europa, apurou a reportagem. Grupos e fundos de investimentos de países europeus, como Reino Unido e França, além de gigantes chinesas, estão interessados no ativo (veja mais aqui).

Vale (VALE3, R$ 29,70, +0,13%;VALE5, R$ 27,81, -0,47%)
As ações da Vale tiveram pregão volátil após balanço do 2° trimestre. Depois de abrirem em leve alta, os papéis perderam força e caíram até 1%, mas logo em seguida recuperaram terreno e agora operam praticamente estáveis. Acompanham o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 21,67, -0,05%) - holding que detém participação da Vale. 

A mineradora mostrou uma queda de 98,3% no seu lucro do período, que passou de R$ 3,585 bilhões no segundo trimestre de 2017 para R$ 60 milhões no segundo trimestre deste ano. O resultado foi impactado pela desvalorização do real e seu efeito sobre a dívida, informou a companhia. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 8,834 bilhões, alta de 7,4% na comparação com os R$  8,228 bilhões registrados um ano antes, mas com baixa de 34,7% na comparação com os primeiros três meses deste ano, quando somou R$ 13,523 bilhões. Já a receita líquida no trimestre foi de R$ 23,363 bilhões, 8,3% acima dos R$ 21,576 bilhões na base de comparação anual, mas 12,6% se comparado ao primeiro trimestre de 2017, quando totalizou R$ 26,742 bilhões. 

Segundo o Itaú BBA, os resultados foram neutros. A receita líquida atingiu US$ 7,2 bilhões, 4% acima da previsão do Itaú BBA, mas com queda de 15% em uma comparação trimestral, impactados negativamente pelos preços mais baixos do minério de ferro e apesar de volumes sazonalmente mais fortes.  O Ebitda do minério de ferro por tonelada diminuiu com preços mais baixos e maiores custos, mas ainda está em níveis saudáveis, afirma o banco. A maior contribuição do carvão (maiores preços e volumes) compensou os resultados mais baixos de metais básicos (preços menores de níquel e cobre). O analista aponta que a Vale espera uma redução nos custos à luz de maiores ganhos de produção e produtividade. Já para o BTG Pactual, a primeira leitura do balanço da Vale também é de um balanço em linha, com destaque para a boa geração de fluxo de caixa livre, mas boa parte vindo de ganho de capital de giro.  

Os investimentos da Vale no segundo trimestre somaram US$ 894 milhões, o menor para um trimestre desde o terceiro trimestre de 2006 e uma queda de US$ 219 milhões frente ao trimestre anterior, quando investiu US$ 1,113 bilhão. O segmento de Minerais Ferrosos representou cerca de 95% do total investido na execução de projetos no período. Já a dívida líquida teve queda de 2,87%, passando de US$ 22,777 bilhões no fechamento do primeiro trimestre para US$ 22,122 bilhões no fechamento de junho.

Ontem, a mineradora ainda anunciou Alexandre Pereira para o cargo de diretor executivo de Suporte aos Negócios, posição que engloba as áreas de Tecnologia da Informação, Suprimentos, Energia, Melhorias Operacionais e Projetos de Capital. Pereira ocupava o cargo de diretor global de Tecnologia da Informação da mineradora desde 2011, informou a Vale. O executivo começou a carreira na própria Vale, em 1992, e já passou por outros cargos de direção na mineradora.

Bradesco (BBDC3, R$ 29,45, -1,01%; BBDC4, R$ 29,71, -0,13%)
Em dia de reação ao balanço do 2° trimestre, as ações do Bradesco fecharam em queda apesar de analistas terem destacado que os números do banco foram positivos no período.

O Bradesco reportou lucro líquido ajustado de R$ 4,704 bilhões, avanço sequencial de 1,2% e de 13% na comparação ano a ano, resultado favorecido pelo controle nas despesas administrativas e nas provisões para perdas com inadimplência. O lucro líquido não ajustado foi de R$ 3,911 bilhões no segundo trimestre, queda de 3,9% na base trimestral e de 5,4% ante mesma etapa do ano passado. 

Para o BTG Pactual, os números foram bons, com todas as linhas do balanço próximas às estimativas dos analistas do banco. Destaque positivo mais uma vez para a melhora na qualidade dos ativos, um ponto destacado também pelo Itaú BBA, que viu o resultado como positivo.

O BTG Pactual comentou ainda que o Bradesco revisou guidance e está esperando agora uma receita líquida um pouco mais fraca, embora tenha revisado para melhor as despesas e provisões para devedores duvidosos. "Sendo assim, vemos um pequeno potencial de valorização para as nossas projeções em 2017. Visão positiva para Bradesco continua, com recomendação de compra", disseram os analistas. O Itaú BBA também manteve a recomendação da ação em compra, como sua top pick para América Latina e preço justo estimado para 2017 em R$ 32,70. 

Ainda sobre o balanço do Bradesco, a despesa com PDD (provisão para devedores duvidosos) foi de R$ 4,970 bilhões, baixa de 1,1% ante o segundo trimestre de 2016. Já a inadimplência acima de 90 dias foi de 4,9%, baixa de 0,7 ponto percentual ante 5,6% no primeiro trimestre, mas alta de 0,3 ponto percentual ante os 4,6% registrados no segundo trimestre de 2016. 

A carteira de crédito expandido totalizou R$ 493,6 bilhões no fim de junho, 1,8% menor em três meses e alta de 10,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O retorno sobre patrimônio líquido médio foi de 18,2% no segundo trimestre.

O total de ativos no trimestre foi de R$ 1,291 trilhão, ante R$ 1,294 trilhão no primeiro trimestre e R$ 1,105 trilhão no segundo trimestre de 2016. A alta anual deve-se, em parte, à consolidação do HSBC a partir de julho do ano passado. A margem financeira de juros atingiu R$ 31,678 bilhões no primeiro semestre de 2017, apresentando crescimento de 7,3% em relação a um ano antes.

O banco alterou a maior parte de suas estimativas para 2017, incluindo uma revisão para a carteira de crédito de expansão para contração. A instituição cortou ainda previsão de margem financeira de juros e as projeções de receitas com prestação de serviços ainda que tenha melhorado as estimativas para despesas operacionais e as provisões para despesas com créditos de liquidação duvidosa, de acordo com o balanço.

 O banco agora espera que sua carteira de crédito "pró-forma" tenha contração de 1% a 5%, ante previsão anterior de crescimento de 1% a 5%. Já a comparação "Pro-forma" inclui todos os números do HSBC para o período anterior, como forma de melhorar as comparações. No balanço, banco vê cenário de "recuperação bastante gradual e não linear da economia", segundo o balanço. 

A margem financeira de juros "pro-forma" deverá ter contração de 1% a 5%, ante estimativa anterior entre -4% e estabilidade. O crescimento da receita com prestação de serviços foi projetada para 2% a 6%, de um crescimento prévio esperado de 7% a 11%. Do lado das despesas operacionais, que incluem despesas administrativas e de pessoal, banco prevê queda entre 4% e estabilidade, de uma estimativa entre queda de 1% a crescimento de 3%. A provisão para créditos de liquidação duvidosa, líquida de recuperações, foi revista para R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões, de uma estimativa anterior de R$ 21 bilhões a R$ 24 bilhões. A estimativa de crescimento dos prêmios de seguro manteve-se entre 4% e 8%.

Ambev (ABEV3, R$ 19,11, +1,49%)
A Ambev viu seu lucro líquido cair 2,2% no segundo trimestre de 2017 na base de comparação anual, para R$ 2,125 bilhões. Já o lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora, base para a distribuição de dividendos, caiu 1,6%, para R$ 2,013 bilhões.  O Ebitda registrou baixa de 6,2%, a R$ 3,943 bilhões.

A receita líquida do segundo trimestre de 2017 somou R$ 10,267 bilhões, em queda de 1,0% ante os R$ 10,377 bilhões no segundo trimestre de 2016.

As despesas operacionais foram de R$ 3,175 bilhões, praticamente estável em relação às despesas de R$ 3,183 bilhões registrados no mesmo período de 2016.

A Ambev afirmou segue "cautelosamente otimista para o segundo semestre", dado que a economia brasileira se recupera em ritmo lento, o que representa um desafio para a indústria de cerveja no curto prazo.

De acordo com o Itaú BBA, do lado positivo, o Ebitda veio 3,6% acima das estimativas do banco e 2,6% acima do consenso. Além disso, há notícias boas vindo do maior controle de despesas. O desempenho na América Latina, excluindo o Brasil, foi uma surpresa positiva, enquanto o desempenho nacional ainda decepciona, apontam os analistas. 

O Bradesco BBI aponta que o resultado foi fraco, como esperado. "No entanto, acreditamos que este trimestre tenha ficado para trás e a empresa tem capacidade de entregar melhores números nos próximos períodos. Apesar do atual valuation, as ações da Ambev ainda oferece um potencial retorno interessante, indicadas especialmente para investidores que buscam ativos mais defensivos: (i) resiliência de ganhos; (ii) boa política de dividendos, e (iii) direcionadores positivos de crescimento nos próximos três anos", afirmam os analistas.

Natura (NATU3, R$ 23,97, +6,11%)
A Natura viu seu lucro subir 79,8% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, atingindo R$ 163,5 milhões. Segundo a companhia, esta evolução está relacionada à menor despesa financeira. Desconsiderados os custos relacionados à aquisição da Body Shop, o lucro seria de R$ 139,1 milhões, contra ganho líquido de R$ 90,9 milhões um ano antes.

Já a receita líquida ficou em R$ 2,025 bilhões entre abril e junho, ficando estável em um ano, enquanto o número de unidades vendidas caiu 12,6% no Brasil no segundo trimestre.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) fechou o período em R$ 298,6 milhões, uma queda de 13,4% em um ano. A margem Ebitda caiu de 17% para 14,7% no mesmo período.

Após o resultado, a Natura teve a recomendação elevada de underperform para market perform pelo Itaú BBA. O melhor lucro líquido ajustado na comparação anual e gastos menores com operações financeiras compensaram resultados fracos, disseram os analistas do banco em relatório. 

Por outro lado, o BTG Pactual destacou que o resultado do 2° trimestre reforça sua visão cautelosa no case, que se baseia em: 1) desafios para retomada das vendas no canal de venda direta no Brasil; 2) integração da The Body Shop; e 3) maturação de iniciativas (bem-vindas), como lojas próprias e franquias. "Mesmo com as recentes quedas da ação e múltiplo abaixo da média do varejo (14 vezes o P/L, ou Preço sobre Lucro, estimado para 2018), os riscos de execução, somados ao aumento da alavancagem nos próximos trimestres para o financiamento da compra da The Body Shop justificam nossa recomendação neutra", comentaram. 

Klabin (KLBN11, R$ 16,23, -0,61%)
A Klabin registrou um prejuízo líquido de R$ 378 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro líquido de R$ 1,27 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. Já a receita líquida foi de R$ 1,98 bilhão, alta de 17% na base de comparação anual, mas frustrando as estimativas de mercado, segundo compilação da Bloomberg, que apontava para receita de R$ 2,02 bilhões. 

O Ebitda ajustado foi de R$ 595 milhões, alta de 11% na base de comparação anual, enquanto a margem Ebitda ajustada caiu 1 ponto percentual, passando de 31% para 30%. 

Já o volume vendido de celulose no trimestre foi de 337 mil toneladas, aumento de 12% em relação ao trimestre anterior. Impulsionado pelo volume de vendas de celulose, o total de vendas atingiu 777 mil toneladas no período, crescimento de 23% na base anual, destacou a companhia. 

OdontoPrev (ODPV3, R$ 13,00, +5,69%)
As ações da OdontoPrev subiram até 8,97%, a R$ 13,40, forte após balanço do 2° trimestre. A companhia encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 252,46 milhões, ante lucro de R$ 43,97 milhões um ano antes. Este resultado considera a reversão das provisões de R$ 45,55 milhões relativas ao INSS Bradesco Dental, com ingresso caixa dos depósitos judiciais ocorrendo no terceiro trimestre. Desconsiderando este efeito, a companhia registrou lucro líquido de R$ 51,63 milhões.

Já a receita líquida da companhia fechou entre abril e junho em R$ 354,29 milhões, ante R$ 338,77 milhões no segundo trimestre de 2016. A companhia destacou os segmentos massificados, com PME expandindo 17,1% e planos individuais acelerando 20,6%. O tíquete médio, 6,4% superior ao mesmo período do ano anterior, subiu em todos os segmentos de negócio.

Em relatório, o BTG Pactual comenta que os números vieram melhores do que o esperado, mas que foi basicamente por conta de um DLR (sinistralidade odontológica) do segmento corporate e PDA (provisão de despesas administrativas) melhores, que levaram a um Ebitda 8% maior (de R$ 86 milhões, crescimento de 13% na comparação anual).

Segundo os analistas, o crescimento da receita líquida desacelerou para 4,6% na comparação anual, refletindo preocupações recorrentes sobre o segmento corporativo, que continua sofrendo com perdas de membros (competição mais rígida: -36 mil no 2 semestre) e menores aumentos de preços (cerca de 2% na comparação anual). As receitas individuais também desaceleraram (crescimento mais lento de vidas), enquanto as PME apresentaram bom desempenho (+17% de receita, 2,4 mil de adições líquidas).

"Vemos o papel negociando a um múltilplo de 22 vezes o P/L (Preço sobre o Lucro) estimado para 2018 (ex-INSS), o que nos parece esticado, com problemas estruturais como perda de participação no segmento corporativo e pior DLR no individual, pressionando os números", comentaram. Por conta disso, os analistas do BTG Pactual decidiram manter a recomendação de venda para a ação. 

Além do balanço, o conselho da companhia aprovou a distribuição de R$ 100 milhões em dividendos intercalares. O valor corresponde a R$ 0,188367425 por ação.Farão jus aos dividendos os detentores de ações da companhia em 31 de julho, com os papéis sendo negociados na forma "ex" a partir de 1 de agosto, com o pagamento ocorrendo em 5 de setembro deste ano.

Energias do Brasil (ENBR3, R$ 14,70, +1,73%)
A EDP Energias do Brasil somou um lucro líquido de R$ 142 milhões no segundo trimestre, 45,1% superioro ao mesmo período de 2016.

Já o Ebitda totalizou R$ 533,55 milhões no período, 13,7% acima do segundo trimestre de 2016. 

Light (LIGT3, R$ 22,85, -3,55%)
Depois do forte desempenho da Light em 25% sobre o Ibovespa, o Bradesco BBI reduziu a recomendação para as ações da companhia para neutro, reduzindo o preço-alvo de R$ 29,00 para R$ 25,00.

Além do valuation, os analistas destacam 1) um cenário mais cauteloso para a venda da Light, com probabilidade 50%-50% de: (a) venda ainda esse ano com distribuidora a 1.2 vez EV/RAB (EV = enterprise value, ou "valor de mercado + dívida líquida"; RAB = base de ativos regulatórios) e (b) atraso da venda, com a distribuidora a 0.75 vez EV/RAB; e (2) com a visão de que a companhia tem um desafio operacional significativo pela frente.

A equipe de análise questiona o real apetite dos potenciais compradores, ENEL, Energisa e Equatorial, sendo que os três mencionados tem capex relevante já comprometido nos próximos anos e cenário de fusões e aquisições pode ficar mais aquecido (com a potencial privatização de distribuidoras em vários estados pós eleições de 2018).

QGEP (QGEP3, R$ 7,19, -1,51%)
A QGEP teve a recomendação reduzida de equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para underweight (exposição abaixo da média do mercado) pelo Morgan Stanley. O preço-alvo foi elevado de R$ 6,00 para R$ 7,30. 

Embraer (EMBR3, R$ 15,84, +1,86%) 
A Aerocentury aprovou aumento de crédito de US$ 150 milhões para US$ 170 milhões e anunciou a finalização da compra de três jatos Embraer 175 como arrendamento para uma transportadora norteamericana.,.

Essa compra recente somada à aquisição, no início do ano, do Embraer 145, resulta em um total de seis jatos da Embraer no portfólio da companhia, disse o CEO da Aerocentury, Michael G. Magnusson. "Com mais de 1.100 jatos da Embraer operando pelo mundo, a demanda e a versatilidade fazem com que a Embraer seja incontestável", disse ele.

Eneva (ENEV3, R$ 14,00, +0,36%) 
A Eneva informou que a oferta de ações é uma das possibilidades em estudo. A companhia afirmou, em comunicado ao mercado, que avalia constantemente alternativas de captação de recursos para fortalecer sua estrutura de capital e financeira e financiar seus investimentos.

As alternativas incluem potencialmente a captação de recursos por meio de operação de mercado de capitais, disse. Apesar de a companhia estar em tratativas com seus assessores, até esta data não há aprovação societária ou mesmo garantia de que uma oferta pública irá ocorrer ou seria viável, a depender das condições dos mercados de capitais nacional e internacional, destacou. Ontem de manhã, o Valor Econômico informou que o relançamento da Eneva na bolsa pode movimentar R$ 1,5 bilhão. 

Indústrias Romi (ROMI3, R$ 4,28, +1,66%)
As ações da Indústria Romi amenizaram ganhos após subirem 9,26% na máxima do dia, a R$ 4,60. Ainda assim, os papéis fecharam no positivo, no quarto pregão seguido de ganhos, acumulando no período valorização de 17%. O movimento ocorre após a companhia ter anunciado ontem que conseguiu reverter prejuízo de R$ 4,8 milhões um ano antes em lucro líquido de R$ 11,9 milhões no 2° trimestre deste ano (veja mais). 

A receita operacional líquida da empresa teve alta de 9,1% na base anual, somando R$ 163,775 milhões. O Ebitda subiu 251,1% na mesma base de comparação, para R$ 19,865 milhões.

De acordo com o Santander, o balanço da companhia foi positivo, com destaque para as margens mais altas do que esperado (margem Ebitda de 12,1%, 390 pontos-base acima do estimado pelo banco). "Olhando para o segundo semestre, esperamos que a empresa continue a colher os benefícios de seu forte processo de reestruturação que ocorreu nos últimos anos, resultando em uma potencial alta em nossas expectativas", apontam os analistas do banco. Eles comentaram ainda que veem a ação como muito descontado (negociando a 0,4 vez o P/BV, ou preço sobre book) e um player de recuperação tardia da indústria brasileira. 

A ação será um dos destaques do "Especial Setores" do 2° trimestre da semana que vem, que terá como foco o segmento industrial. O convidado será o gestor João Paulo Reis, da Venture Investimentos. A transmissão ocorrerá na terça-feira (1) às 15h (horário de Brasília) na InfoMoneyTV. 

Clique aqui e assista a todo o conteúdo do "Especial Setores" do 2° semestre

Unipar (UNIP6, R$ 13,07, +5,15%)
Alheia à OPA (Oferta Pública de Aquisição), as ações PNs da Unipar disparam 30% nos últimos 3 dias. Com a arrancada, Isso porque acionistas minoritários insatisfeitos com o valor proposto na OPA (Oferta Pública de Aquisição) têm feito coro para barrar a oferta - cujo leilão ocorre amanhã.

Em meio à briga societária e as incertezas sobre o futuro da empresa, os preços das ações da companhia - que tem entre suas principais atividades a fabricação de cloro, derivados de cloro e soda cáustica - se distanciam cada vez mais do valor oferecido pelo acionista controlador, a holding Vila Velha, da família Geyer, para fechamento de capital. Com a alta de hoje, os papéis UNIP6, que possuem maior liquidez na bolsa, estão 74% distantes do preço oferecido na proposta, de R$ 7,50 por ação (sem considerar o ajuste dos dividendos).

Para os acionistas minoritários, o preço não condiz com o valor justo da empresa. Na mais recente carta, Luiz Barsi - que possui 15,7% do capital total da empresa - e a Lis Capital argumentam por que a oferta deveria ser de pelo menos R$ 20,00 por ação (ou R$ 25,00 sem descontar os dividendos). Clique aqui para ler mais.   

 

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