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Petrobras e Vale impulsionam "despertar" da Bolsa, mas dólar sobe em meio a temor com fiscal

Mercado brasileiro fica de olho no exterior, que registra baixa aversão ao risco com commodities, resultados e atento à reunião do Fomc

SÃO PAULO - O Ibovespa segue em alta expressiva na sessão desta terça-feira (25), puxado principalmente pelas ações do setor de commodities, com Vale, siderúrgicas e Petrobras com fortes ganhos na esteira das altas do minério de ferro e do petróleo. Às 14h36 (horário de Brasília), o índice registrava ganhos de 0,71%, a 65.564 pontos. 

 As ações da Vale sobem cerca de 4%, seguindo a alta de 3,33% do contrato do minério futuro na bolsa de Dalian e os ganhos de 2,39% do minério spot no porto de Qingdao, a US$ 69,48. Além disso, o setor também fica de olho no anúncio do governo sobre o marco regulatório da mineração, que acontecerá hoje às 16h. Já a Petrobras avança mais de 2% em meio aos fortes ganhos - superiores a 3% - do WTI e do brent, em meio à sinalização da Opep de que pode punir os integrantes da organização que não cumprirem o acordo de limitação das quantidades na venda do combustível.

O mercado também segue na expectativa pelos encontros de política monetária, que serão concluídos na próxima quarta-feira: Fomc (Federal Open Market Committee) e Copom (Comitê de Política Monetária) darão suas decisões sobre juros amanhã. Enquanto não se espera mudanças de diretrizes da autoridade monetária americana, a expectativa é de que o Copom corte os juros em 100 pontos-base, para 9,25%. 

Por outro lado, o mercado fica de olho nas notícias sobre mudança da meta fiscal do governo para 2017, atualmente em um déficit de R$ 139 bilhões, reportadas pelo jornal O Globo nesta manhã. A discussão, contudo, não contaria com apoio do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, para quem um aumento do rombo nas contas públicas seria um golpe na credibilidade de política econômica. Além disso, de acordo com o jornal, a própria permanência do ministro no cargo poderia ficar condicionada à preservação da meta. 

A preocupação com a meta entra no radar do mercado, o que leva à alta do dólar e dos contratos mais longos de juros futuros. O dólar com vencimento em agosto tem ganhos de 0,56%, a R$ 3,167, enquanto o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 tem alta de 6 pontos-base, a 9,50% (o com vencimento em janeiro de 2018 opera praticamente estável). Contudo, o mercado vê com ceticismo uma eventual saída de Meirelles, já que ele é um dos pilares do atual governo. 

Cabe destacar ainda o noticiário da véspera, em meio aos possíveis avanços de um programa de demissão voluntária de servidores públicos, antecipado ontem pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira. As expectativas são de que a medida reduza no longo prazo as despesas com folha de pagamentos, o que tende a contribuir na saúde das contas públicas, na avaliação do governo.

Enquanto isso, o mercado não repercutiu fortemente a notícia de suspensão da alta do imposto sobre combustível pela Justiça do Distrito Federal (veja mais clicando aqui), decisão esta que poderia aprofundar o rombo fiscal. Segundo afirmou à Bloomberg Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor da Modal Asset, a notícia gerou pouca reação já que não deve perdurar, com a expectativa de instâncias superiores revertendo a decisão. A Advocacia Geral da União já afirmou que vai recorrer da medida que barrou a alta do PIS/COFINS.

Destaques da Bolsa
Do lado acionário, os destaques ficam para as ações de commodities, com a alta de 3,33% do contrato do minério futuro na bolsa de Dalian e alta de 2,39% do minério spot no porto de Qingdao, a US$ 69,48. Com isso, Vale e siderúrgicas registram ganhos. Também com alta, mas bem menos expressiva, está a ação da Gerdau, após a notícia do jornal O Estado de S. Paulo de que o MPF (Ministério Público Federal) prepara denúncia contra a companhia no âmbito da Operação Zelotes. 

No radar da Vale, destaque para a notícia de que a bancada mineira no Congresso pressiona o Governo Federal para elevar para 3% a alíquota de royalties cobrada sobre a exploração mineral. O tema foi discutido em reunião na noite desta segunda-feira, 24, no Palácio do Planalto. Nesta terça-feira, o presidente Michel Temer anuncia, em cerimônia marcada para as 16h, o novo marco regulatório do setor de mineração, que deve trazer definição sobre os royalties, o principal ponto do projeto, destaca o Estadão.

Já as ações da Petrobras sobem na esteira de mais um dia de alta dos preços do petróleo no mercado internacional. 

Atenção ainda para a Fibria, que passou de ganhos para perdas nesta tarde.  A companhia registrou um prejuízo de R$ 259 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 745 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida foi de R$ 2,775 bilhões, alta de 16% na base anual, superando a maior estimativa de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 2,72 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,07 bilhão, alta de 16% na base anual, enquanto a margem Ebitda foi de 45%, alta de 2 pontos percentuais na mesma base de comparação. 

Entre as maiores quedas, destaque para a Hypermarcas, que teve a recomendação cortada de outperform para neutra pelo Bradesco BBI, com o preço-alvo passando de R$ 34,00 para R$ 33,00. Vale apontar ainda que a companhia divulga seu resultado do segundo trimestre no próximo dia 28 de julho.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRAP4 BRADESPAR PN 22,30 +4,74 +53,88 32,63M
 VALE3 VALE ON 30,40 +4,36 +30,72 252,66M
 VALE5 VALE PNA 28,45 +3,91 +34,60 564,53M
 CSNA3 SID NACIONALON 7,85 +3,29 -27,65 39,62M
 PETR3 PETROBRAS ON 13,77 +2,53 -18,71 44,44M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 30,86 -2,96 +63,88 34,91M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 27,54 -2,86 +7,81 75,53M
 FIBR3 FIBRIA ON 32,98 -2,74 +5,96 39,33M
 RADL3 RAIADROGASILON 69,28 -2,22 +13,76 33,66M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,43 -1,83 -2,72 2,45M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)



 

Noticiário político 
Mesmo em meio ao recesso parlamentar, o noticiário político é movimentado. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o procurador-geral Rodrigo Janot avalia apresentar apenas mais uma denúncia contra o presidente Michel Temer, e não mais duas, como chegou a ser cogitado no mês passado. O Ministério Público tem o objetivo de reforçar a narrativa da acusação contra Temer, explorando duas vertentes: uma na qual aponta o envolvimento dele com o grupo político do PMDB da Câmara, suspeito de praticar desvios na Petrobras e na Caixa; e outra que trata de eventual ligação de Temer com a suposta tentativa de Joesley Batista de barrar os acordos de delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do corretor Lúcio Funaro. Enquanto isso, governo e oposição traçam estratégias para votar a primeira denúncia, no próximo dia 2 de agosto.

Destaque ainda para o encontro entre o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, realizado na noite de ontem. Segundo o Estadão, a cúpula do DEM informou ao tucano que o partido espera contar com pelo menos 50 deputados federais na janela de transferência partidária prevista para ocorrer no início de 2018. Ao menos 12 deles viriam do PSB, partido do vice-governador Márcio França, um dos principais aliados de Alckmin. Um dos presentes falou ao jornal que a reunião, que durou cerca de uma hora e meia, foi uma "deferência" ao governador, visto como um aliado "histórico" da sigla, e também serviu como uma sinalização de que o DEM pode apoiar a candidatura de Alckmin em 2018.

Agenda econômica
 A terça marca o primeiro dia da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no Brasil e do Fomc (Federal Open Market Committee) nos EUA. 

Em destaque, está ainda o noticiário econômico do governo brasileiro. Em busca do ajuste fiscal, o governo prepara PDV (Programa de Demissão Voluntária) que deve gerar economia de R$ 1 bilhão ao ano após alta de imposto para cumprir meta fiscal. Mesmo assim, a revisão da meta de 2017 começou a ser discutida dado risco de paralisia da máquina, segundo O Globo (veja mais acima). 

Atenção ainda para as falas de Henrique Meirelles: o ministro afirmou ontem que um novo aumento de imposto é uma discussão "que não se coloca no momento". Ele ressaltou, no entanto, que "tudo é possível, se necessário". As declarações foram dadas após participação do ministro em evento da XP Investimentos.  Sobre a possibilidade de rever a alta nas alíquotas dos combustíveis, Meirelles disse que isso vai depender dos impactos da medida. "Evidentemente que esse é um processo dinâmico, tudo está sujeito a uma reavaliação, que depende da avaliação dos fatos e de determinados impactos econômicos", afirmou o ministro.

Especial IMTV
O InfoMoney dá continuidade nesta terça-feira ao "Especial Setores" do 2º semestre, com foco nas ações de programas de fidelidade - Smiles e Multiplus -, as seguradas e empresas ligadas ao setor de saúde. Os convidados desta edição serão: Mário Avelar, gestor de portfólios da Avantgarde Capital, e o analista Shin Lai, da Upside Investor.

Na quarta-feira às 14h, o programa comentará sobre as ações de frigoríficos e do setor de educação.

(Com Agência Brasil, Agência Estado e Bloomberg)

 

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