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BTG mantém recomendação underweight para Brasil e justifica: "2018 parece muito próximo"

Instabilidade política pode manter os preços dos ativos sob pressão por algum tempo, apontam estrategistas do banco

Bandeira - Brasil
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Em relatório de estratégia, o BTG Pactual manteve recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado) para o Brasil, após ter cortado a recomendação no mês passado. Mais uma vez, a questão para manter a exposição baixa aos papéis brasileiros é a política, mesmo com a situação um pouco mais "controlada". 

"Embora a situação política no Brasil esteja um pouco mais controlada por enquanto e a economia esteja mostrando sinais de melhora gradual, pensamos que a instabilidade política pode manter os preços dos ativos sob pressão por algum tempo. E, à medida que as discussões avançam para as eleições presidenciais de 2018, com um resultado altamente imprevisível, um cenário de aguda volatilidade parece ser persistente", apontam os estrategistas.

A equipe de estrategistas aponta que o presidente Michel Temer provavelmente permanecerá no cargo, mas sua base de apoio político pode não ser suficientemente forte para aprovar mudanças-chave na legislação, como a reforma da Previdência. "Na verdade, continuamos a pensar que a aprovação dessa reforma, no seu formato atual, pode ser extremamente desafiadora no novo ambiente político". 

Além disso, a  necessidade absoluta do presidente organizar sua base de apoio político para lutar e bloquear as múltiplas denúncias que o Procurador Geral Rodrigo Janot pode fazer contra ele pode afetar a votação de assuntos mais sensíveis. 

"Com o presidente Temer no cargo, mas com influência política reduzida para pressionar por mudanças na legislação, a atividade do Congresso pode diminuir a sua velocidade. Talvez, mais preocupante, os protestos em massa poderiam devagar, mas certamente, corroer a capacidade do presidente Temer de governar", aponta a equipe do BTG Pacual.

Assim, com o governo politicamente mais fraco, as discussões sobre as eleições presidenciais de 2018 estão gradualmente ocupando um lugar central. "Em nossa opinião, as notícias relacionadas às eleições de 2018 tendem a ter um impacto maior nos preços dos ativos brasileiros a partir de agora. Novas revelações e, potencialmente, acusações decorrentes das várias investigações em andamento podem ser devastadoras para políticos e seus partidos. Na verdade, vários dos líderes mais influentes de ambos os lados do espectro - muitos dos quais são vistos como potenciais candidatos presidenciais - podem até não ser candidatos competitivos em 2018", apontam. 

Os estrategistas do BTG esperam que os mercados reajam positivamente a qualquer notícia que sugira um enfraquecimento da oposição, que mostra discurso contra o ajuste fiscal. No entanto, a verdade é que a visibilidade das eleições é extremamente limitada agora, com a perspectiva de surgirem "outsiders" até as eleições, com agendas desconhecidas
e experiência limitada (se houver) na política e na gestão. 

Neste sentido, o banco fez uma seleção de ações de empresas defensivas e de alta qualidade, substituindo BRF (BRFS3) por Multiplan  (MULT3) e mantendo Equatorial (EQTL3) e Klabin (KLBN11) no portfólio para a América Latina. O México segue sendo a top pick da região, com recomendação outperform (exposição acima da média), em meio aos dados macroeconômicos fortes e dados de empresas positivos. Chile é top pick na região andina, enquanto Peru e Colômbia possuem recomendação neutra. 

 

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