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Ata do Fomc, Temer na CCJ e avanço da reforma trabalhista: os 3 fatores que mexem com o mercado nesta 4ª

O mercado fica à espera da ata do Fomc, enquanto repercute aprovação da urgência da reforma trabalhista e escolha de relator da denúncia de Temer na CCJ

SÃO PAULO - Após duas sessões bastante mornas com o feriado da Independência nos EUA, o Ibovespa também registra uma sessão pouco animada nesta quarta-feira. No início da sessão, o índice buscou forças para subir; contudo, após a abertura dos EUA, virou para queda, de olho na baixa de commodities, a cautela externa e o ambiente político nacional ainda nebuloso.

Às 10h44 (horário de Brasília), o índice registrava perdas de 0,28%, a 63.053 pontos. No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em 2019 operavam em baixa de 3 pontos-base, aos 8,78%, enquanto com vencimento em 2021 registravam queda de 4 pontos-base, cotados a 9,98%. Já o dólar futuro com vencimento em agosto tem leve alta de 0,33%, a R$ 3,3395, enquanto o comercial sobe 0,14%, a R$ 3,3149 na venda. 

O mercado fica à espera da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) às 15h  (horário de Brasília), que pode dar sinais sobre a redução do balanço de ativos, enquanto repercute o noticiário de Brasília.  No radar político, a aprovação do Senado de um pedido de urgência para acelerar o voto sobre a reforma trabalhista animou o governo e contribui para a queda dos juros futuros, ao mesmo tempo em que a escolha do relator da CCJ Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) sobre a denúncia contra Michel Temer foi vista como uma incógnita pelo Planalto (veja mais clicando aqui). 

Commodities e destaques da bolsa
Atenção ainda para commodities: após a Rússia se opor a cortes maiores de produção, os contratos de petróleo negociados em Nova York e Londres recuam cerca de 1%, sendo a primeira queda da commodity em em nove sessões. Além disso, os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian recuaram 1,67%, contribuindo para a pressão de venda imposta pelas commodities nesta manhã. Assim, após abrirem em leve alta, Vale e Petrobras viraram para queda. 

Contudo, o grande destaque de ação fica para os papéis da Eletrobras, após notícia de que a empresa pode privatizar usinas e subsidiárias.  Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo pretende apresentar ao Congresso uma proposta que vai permitir a privatização de usinas e subsidiárias da Eletrobras. O projeto, que ainda vai a consulta pública, autoriza a venda de usinas antigas que tiveram as concessões renovadas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. A proposta prevê que a Eletrobrás poderá escolher quais usinas pretende privatizar e, se desejar, poderá até vender subsidiárias inteiras, como Furnas, Eletronorte, Eletrosul e Chesf.

O dinheiro a ser obtido com a venda das usinas será dividido igualmente entre o governo, Eletrobras e os consumidores, que poderão ter abatimento da conta de luz no futuro. Segundo fontes do governo, uma parte desse dinheiro obtido com a privatização das usinas vai ficar com o Tesouro Nacional e deve ajudar no resultado fiscal de 2018. Outra parte deve ficar com a Eletrobras, dona dessas instalações e que tem enfrentado dificuldades financeiras. A terceira parte deve ficar com o consumidor, abatendo custos da chamada Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que banca os subsídios e programas sociais do governo.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE3 VALE ON 29,09 -1,79 +25,09 30,98M
 LREN3 LOJAS RENNERON EJ 27,05 -1,21 +29,10 6,34M
 KROT3 KROTON ON 14,83 -1,13 +12,80 10,64M
 VALE5 VALE PNA 27,07 -1,10 +28,08 87,81M
 JBSS3 JBS ON 6,54 -1,06 -42,45 19,60M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 ELETROBRAS ON 13,20 +4,35 -37,49 7,63M
 BRKM5 BRASKEM PNA 34,77 +1,22 +1,52 7,75M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,95 +1,16 +5,14 960,13K
 TIMP3 TIM PART S/AON 9,98 +1,11 +28,22 2,36M
 EMBR3 EMBRAER ON 15,43 +1,11 -2,48 11,33M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)



Mais detalhes da política
Pelo placar de 46 a 19, foi aprovado o regime de urgência para a tramitação da Reforma Trabalhista. Assim como na votação do texto, a margem de votos pode ser considerada demonstração de força de Temer, que, ao contrário da CAS (Comissão de Assuntos Sociais), fez a lição de casa e colheu os frutos da articulação política. Agora, o projeto vai para o Plenário do Senado e a votação deve ficar para a próxima semana. O governo precisa de pelo menos 41 votos e o governo já garante ao menos 43.

Porém, a escolha do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), como relator da denúncia de corrupção contra Michel Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, não foi comemorada pela base aliada. De acordo com jornais, a escolha foi recebida com apreensão e frustração pelo Planalto, já que se trata de um parlamentar independente, mas também está sendo relativizada pelo governo. Parte importante da base aliada na Câmara demonstrou abatimento, inclusive chegaram afirmar que “agora acabou” (veja mais clicando aqui). Vale destacar que a defesa de Temer será entregue às 15h00 na CCJ pelo  advogado de Temer, Antônio Mariz.

Federal Reserve
Neste mesmo horário que a defesa de Temer irá entregar sua defesa, o Federal Reserve apresentará a ata da última reunião, quando elevou a taxa de juro e sinalizou que irá começar a reduzir, gradualmente, sua participação na compra de títulos e em outros ativos neste ano, o programa de estímulos monetários batizado de Quantitive Easing.

Os investidores vão procurar entender como será esse processo de retirada de estímulos e as expectativas dos membros do Fed com relação as principais variáveis macroeconômicas, principalmente sobre a inflação, que vem sendo o "calcanhar de aquiles" para o aumento dos juros.

Bolsas mundiais
A sessão é de leve alta para as principais bolsas mundiais, com o mercado também de olho na ata do Fomc na tarde desta quarta-feira e também na expectativa pelo documento da última reunião do BCE que sairá na próxima quinta. O dólar se valoriza contra maioria das demais moedas com mercado esperando sinais das autoridades monetárias, que recentemente adotaram tom hawkish, enquanto ativos tidos como mais seguros como iene e ouro perdem força após serem beneficiados ontem por receios com teste de míssil norte-coreano.

Na Ásia, as blue chips da China encerraram nesta sessão uma série de três dias de perdas, impulsionadas por um documento do gabinete do país promovendo o uso do dinheiro de pensões nos mercados de capital. O restante dos mercados da região também apresentou ganhos, com os investidores apostando que a recente tensão na península coreana perderá força como tantas outras. Já no radar econômico, o PMI Caixin de serviços em junho na China mostrou desaceleração para 51,6, de 52,8 em maio. 

No mercado de commodities, o petróleo tem 1ª baixa em nove sessões após Rússia se opor a cortes maiores de produção. Os metais recuam em Londres, enquanto aumentam estoques de cobre monitorados pela LME na Ásia. Já o minério de ferro tem queda em Dalian.

 

 

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