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Petrobras, Vale e siderúrgicas afundam; Bradesco salta 4% e Raia Drogasil cai 2% com corte de recomendação

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta quarta-feira

SÃO PAULO - O Ibovespa passou por forte turbulência nesta tarde após a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, reforçar otimismo com a retomada da economia dos Estados Unidos. O índice, que chegou a cair 0,52% na mínima do dia, fechou em leve alta de 0,14%, a 61.918 pontos nesta sessão, enquanto os contratos futuros do dólar caíram 1,13%, a R$ 3,292. 

Os investidores ficaram de olho nesta tarde à elevação da taxa de juros pelo Fed nos Estados Unidos - que subiu em 25 pontos-base (como já era amplamente esperado pelo mercado); as indicações de Yellen sobre a retomada da economia dos EUA; e o comentário sobre a redução gradual do balanço de pagamentos do Fed de US$ 4,5 trilhões neste ano.

Entre as maiores quedas do índice, figuraram as ações ligadas a commodities, que possuem beta elevado e acentuaram as perdas com o aumento da aversão ao risco do mercado. Os papéis da Petrobras caíram mais de 2%, pressionados também pelos preços do petróleo, que afundaram nesta manhã com dados piores do que o esperado dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. 

Confira abaixo os principais destaques de ações desta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 13,54, -2,38%; PETR4, R$ 12,62, -2,47%)
As ações da Petrobras acentuaram as perdas nesta tarde, entre Fed e dados piores do que o esperado dos estoques de petróleo nos Estados Unidos.

Segundo o Departamento de Energia dos EUA, os estoques da commodity caíram em 1,66 milhões de barris na semana encerrada em 9 de junho, contra expectativa de queda de 2,7 milhões de barris. Os estoques de gasolina subiram em 2,1 milhões de barris, frente projeções compiladas pela Reuters de queda de 457 mil barris. Com isso, os contratos futuros do WTI desabaram 3,7% nesta quarta-feira, a US$ 44,73 o barril. 

No radar da estatal, o conselho de administração da Petrobras aprovou a criação da função não estatutária de diretor adjunto de Governança e Conformidade. "A medida é mais um avanço no sistema de governança da companhia, dado que o diretor adjunto concentrará seu foco de atuação em ações internas, especialmente aquelas ligadas a demandas de controles internos, governança corporativa e governança societária, assim como prevenção e investigação", destaca a empresa, em comunicado. Para a nova função foi designado o atual gerente executivo de Contabilidade e Tributário Paulo José Alves. A nova função é temporária, inicialmente até 31 de dezembro de 2019, quando será realizada avaliação sobre a necessidade de prorrogação da função por mais dois anos.

Vale (VALE3, R$ 26,10, -1,02%; VALE5, R$ 24,41, -1,37%)
As ações da Vale caíram e se descolaram dos preços do minério de ferro nesta sessão. Hoje, o minério de ferro à vista negociado no porto de Qingdao, na China, subiu 2%, a US$ 54,43 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian subiram 1,17%, a 432 iuanes. 

Destaque aqui para as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 18,18, +5,39%) - holding que detém participação da Vale -, que se descolaram do movimento da mineradora e figuraram como a maior alta do índice, com o mercado de olho na AGE (Assembleia Geral Extraordinária) que votará o novo acordo de acionistas da Vale e está marcado para o dia 27 de junho. 

Em relatório, o Credit Suisse destaca que os investidores estão muito mais concentrados neste momento na AGE do que nos preços do minério de ferro. Os analistas comentam que tanto a proposta que a Vale recebeu da Valepar quanto a mudança no Estatuto Social e a conversão de todas as classes de ações em apenas uma sejam um marco importante para a empresa e que oferecem benefícios de longo prazo para todos os acionistas.

De volta às quedas do dia, destaque também para as ações das siderúrgicas, com com Gerdau (GGBR4, R$ 9,23, -2,64%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,35, -1,36%). Exceção para a Usiminas (USIM5, R$ 3,96, +0,51%) e CSN (CSNA3, R$ 6,47, +0,47%). 

RD, ex-Raia Drogasil (RADL3, R$ 71,35, -2,47%)
O Bank of America Merrill Lynch cortou hoje a recomendação das ações da RD, antiga Raia Drogasil, para neutra, mas elevou o preço-alvo de R$ 77,00 para R$ 80,00, implicando em um potencial de valorização de 12%.

Segundo compilado da Bloomberg, atualmente, 10 casas de análise têm recomendação de compra para a ação; 7 estão "neutras" ;  e nenhuma indica venda. 

Cesp (CESP6, R$ 16,05, -4,80%)
As ações da Cesp afundaram, após o Estado de São Paulo não conseguir chegar a um acordo com o governo federal para uma renovação por 30 anos de suas concessões, como era anteriormente ventilado, embora a empresa tenha informado que o Estado deve seguir com o processo de privatização. 

Em relatório, o Credit Suisse comenta que esse renovação era parte do seu cenário-base para o investimento em Cesp e que, com a notícia, a ação perde não apenas 'upside' financeiro, mas também parte de sua atratividade relativa num cenário de concessões mais curtas. Com isso, os analistas do banco decidiram cortar a recomendação da ação para neutra e reduziram o preço-alvo de R$23 para R$ 20,00.

Na mesma linha, o Bradesco BBI cortou a recomendação para neutra, com preço-alvo de R$ 19,00, ante target anterior de R$ 24,00. 

Bradesco (BBDC3, R$ 27,00, +3,37%;BBDC4, R$ 27,14, +3,87%)
As ações do Bradesco figuraram entre as maiores altas do Ibovespa, após o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ser inocentado pelo TRF na Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção junto ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf). A decisão foi tomada por unanimidade pela quarta turma que concedeu habeas corpus para o trancamento da ação por falta de justa causa.

Trabuco era acusado de, juntamente com outros executivos do banco, ter relação com o grupo acusado de corromper integrantes do Carf para tentar anular um débito do banco junto à Receita Federal. Na época do anúncio de eventual envolvimento do banco, o Bradesco negou as conversas entre os executivos da instituição e também a contratação da empresa investigada na Zelotes. 

Ainda no radar do banco, o Itaú BBA reafirmou a recomendação "outperform" (desempenho acima da média) para as ações do Bradesco e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 27,39, -0,04%), com os valuations vistos como baratos, mas cortou as estimativas de lucros. A projeção para lucro do Bradesco em 2018 foi cortada em 5%, enquanto a estimativa para lucro do Banco do Brasil foi reduzida em 9%. Para a revisão, o banco citou crescimento de empréstimos mais lento. O Itaú BBA destacou, contudo, que o Bradesco é nome preferido entre bancos brasileiros que estão em sua cobertura.

BRF (BRFS3, R$ 40,73, -1,50%)
Em relatório, o Bradesco BBI apontou a BRF como "um dos melhores ativos do Brasil", uma vez que é uma empresa altamente integrada e atua em um setor com fortes barreiras de entrada. A BRF tem sido uma ação defensiva em um mercado volátil, já que poderia se beneficiar de dois cenários possíveis: a depreciação do real devido à incerteza macro, ou uma recuperação de volume com base em uma recuperação macroeconômica, destaca o relatório.

Segundo o analista Gabriel Lima, a BRF está tendo alívio de custos, enquanto os concorrentes não integrados estão enfrentando pressões de custos. "A empresa se beneficiou de preços mais baixos, o milho caiu 35% a/a, enquanto outros concorrentes enfrentam custos mais altos, já que os preços da carcaça de porco subiram 30% a/a devido a maiores exportações de carne de porco", aponta. 

 A margem Ebitda da BRF no mercado doméstico, que responde por 50% das vendas, "deve permanecer forte", acima de 14% nos próximos trimestres, de acordo com Lima. A BRFS3 caiu cerca de 10% nas últimas duas semanas, "refletindo a fraqueza esperada no mercado de exportação". Contudo, a fraqueza das exportações da BRF é temporária e reflete preços mais baixos no Oriente Médio e África do Norte devido ao excesso de oferta por pequenos produtores brasileiros de frango, diz Lima. Desta forma, a BRF continua a ser uma das top picks do Bradesco BBI, juntamente com M. Dias Branco (MDIA3, R$ 49,83, -0,74%).

Klabin (KLBN11, R$ 16,99, -0,64%) e Fibria (FIBR3, R$ 37,15, +0,84%)
Ainda no radar de recomendações, a Fibria foi elevada de neutra para "overweight" (exposição acima da média), com o preço-alvo sendo elevado de R$ 34,00 para R$ 46,00. Já a Klabin foi rebaixada de "overweight" para neutra, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 18,00 para R$ 19,00, ambos pelo JPMorgan.

Cemig (CMIG4, R$ 7,73, +2,66%)
De acordo com a coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, o programa de desinvestimentos da Cemig está movimentando os principais bancos do País. O Bradesco BBI comandará a venda da Cemig Telecom, que deve ser leiloada em novembro. Já o BTG Pactual está à frente da venda da Light Energia e das usinas hidrelétricas de Cachoeirão, Pipoca e Paracambi, prevista para este ano, já que há tratativas em andamento para vender os ativos para a Aliança Geração de Energia, joint venture da própria Cemig com a Vale. Ela  também está contratando um assessor para estruturar a venda de sua participação na Norte Energia, responsável pela usina Belo Monte. 

OSX (OSXB3, R$ 12,00, 0,0%)
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou o empresário Eike Batista a pagar multa de R$ 21 milhões por uso de informação privilegiada com ações da OSX, empresa do setor naval de seu antigo império EBX. Segundo informações do órgão regulador do mercado de capitais, Eike foi condenado por ter vendido ações da OSX antes do anúncio de informações envolvendo a companhia que resultaram em queda das ações na bolsa.

A decisão da CVM foi tomada pela maioria dos diretores. Cabe recurso da decisão ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), o chamado conselhinho.

Vale destacar que a OSX apresentou seu resultado de 2016, registrando um prejuízo de R$ 1,4 bilhão, 127,5% acima dos R$ 655,5 milhões negativos do ano anterior. 

Unicasa (UCAS3, R$ 1,91, -2,05%)
A CVM condenou Frank Zietolie e Juvenil Antônio Zietolie, na qualidade de administradores da Unicasa Indústria de Móveis S.A., por negociação de ações da companhia com posse de informação sigilosa ainda não divulgada ao mercado. O diretor presidente e o ex-vice-presidente do conselho de administração da empresa vão pagar multa individual de R$ 200 mil.

A acusação de 'insider trading' se referia ao fato relevante divulgado em 16 de dezembro de 2013, informando ao mercado da adesão da Unicasa ao Programa de Parcelamento de Débitos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal (Refis). A CVM identificou que Frank e Juvenil, também acionistas integrantes do bloco de controle da companhia, adquiriram ações da Unicasa antes dessa divulgação.

A diretoria do órgão regulador concluiu que a decisão de aderir ao Refis é relevante, já que a renegociação de dívidas tem reflexos importantes para a companhia, como por exemplo nas condições de acesso a financiamentos.

De acordo com o relator do caso, o diretor Henrique Machado, a adesão também faz surgir diferenças entre saldos consolidados e valores registrados na contabilidade, tendo por isso potencial de afetar a decisão de investimento do mercado. Os dois ainda podem recorrer da decisão ao CRSFN.

Marfrig (MRFG3, R$ 6,64, +2,79%)
A assessoria de imprensa da Marfrig enviou e-mail à Bloomberg em resposta a perguntas sobre possíveis aquisições ou planos para reabrir frigoríficos no rescaldo do escândalo JBS, afirmando que avalia oportunidades no Brasil. A companhia informou que  não fornecerá mais detalhes sobre os planos porque está em período de silêncio, segundo a assessoria. 

Em 2015, a Marfrig fechou cinco plantas de carne bovina no Brasil, representando cerca de 30% de sua capacidade de abate, diante da oferta reduzida de gado. Vale ressaltar que, ontem, notícias destacaram que a Minerva, concorrente da Marfrig, planeja reabrir unidade de carne bovina em Mato Grosso depois de acertar a compra de algumas plantas da JBS na América do Sul. 

Cosan (CSAN3, R$ 31,70, +1,28%)
A Cosan informou que a Raízen, joint venture entre a companhia e a Shell, fez proposta vinculante de R$ 823 milhões por usinas da Tonon.

Taesa (TAEE11, R$ 21,78, -0,32%)
A ISA adquiriu 41,6% das ações do bloco de controle, ou 14,88% do capital social por R$ 1,02 bilhão, disseram a ISA e a Taesa em comunicados aos seus órgãos reguladores. A compra foi feita pela filial brasileira ISA Investimentos e Participações do Brasil, segundo os comunicados. A companhia adquiriu as ações vendidas por Fundo de Investimento em Participações Coliseu e Fundo de Investimento em Ações Taurus. Após a transação, a Cemig se mantém como a maior acionista da Taesa, com 31,54% do capital, seguida pela ISA, com 14,88%. As ações em circulação no mercado respondem por 53,58% do capital. 

Azul (AZUL4, R$ 22,90, -1,93%)
O Estadão destaca que, após se desfazer de 34 aviões nos últimos três anos por causa da queda de demanda, a Azul começa a trazer de volta parte dessas aeronaves. Duas delas, que haviam sido arrendadas para a portuguesa TAP e cujos retornos estavam programados para 2018 e 2019, chegarão no Brasil neste ano – a primeira já em julho. A empresa tem ainda ampliado sua oferta introduzindo aviões maiores na frota. A estratégia, diz o presidente da companhia, Antonoaldo Neves, é “criar demanda”. 

Manguinhos (RPMG3, R$ 9,30, -0,96%)
A Refinaria de Petróleos de Manguinhos assinou acordo de confidencialidade com VTTI com objetivo de discutir ao longo dos próximos 6 meses “projetos visando a exploração do negócio de armazenagem de líquidos em seu parque de tancagem anexo à refinaria”, segundo comunicado.

 

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