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Mapa Mundi InfoMoney: o roteiro do mercado para junho após a desilusão de maio

Veja a íntegra do "Mapa Mundi InfoMoney", relatório enviado aos seguidores da Carteira InfoMoney no último dia 6 de junho

Michel Temer
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO - Confira abaixo a íntegra do "Mapa Mundi InfoMoney", relatório enviado aos seguidores da Carteira InfoMoney no último dia 6 de junho, trazendo o resumo do que foi maio e o que esperar dos principais eventos de junho.

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Mapa Mundi InfoMoney: O fim do “Brazilian Dream” ou um novo começo virá?

BRASIL: Até onde vai a paciência do mercado com um “Temer decorativo”?
Se abril foi o mês do choque de realidade, maio foi o mês da total desilusão. Após vislumbrar um cenário de grandes dificuldades para a aprovação da reforma da previdência, o governo do presidente Michel Temer conseguiu diminuir as resistências e estava construindo uma base considerável para que ela passasse na Câmara. O mercado mostrava receios com relação à diluição da proposta, mas já se mostrava conformado que uma reforma relativamente robusta, apesar de longe da proposta original. Com isso, caso 70% da proposta original passasse na Câmara, os mercados reagiriam positivamente.  Afinal, mesmo sem popularidade, o governo passaria uma reforma complicada e polêmica, levando a uma grande economia aos cofres públicos. Ademais, além da reforma da Previdência, outras estariam no radar, com destaque para a reforma trabalhista. Na primeira quinzena do mês, a expectativa era de que a reforma da Previdência fosse votada na Câmara em primeiro turno ainda em maio. Se a votação ocorresse antes do Copom, a expectativa do mercado era de que o corte da Selic pudesse chegar a 150 pontos-base, o que poderia guiar um novo ânimo para a economia, balizado pela baixa inflação. Além disso, os últimos indicadores mostravam que o Brasil, após a mais longa e profunda recessão da história, finalmente voltaria a crescer no primeiro trimestre de 2017. Os bancos mostravam cada vez mais otimismo com o nosso País, apontando as potencialidades que o Brasil possuía em meio ao cenário de reformas e de forte queda dos juros, além da retomada econômica. A grande dúvida apontada por eles e que limitavam uma exposição ainda maior no Brasil era a incerteza para 2018. Afinal, um populista poderia ser eleito no ano que vem e ameaçar a agenda de reformas?

 Pois bem, maio passou - e nada de reforma da Previdência na Câmara. Aliás, a perspectiva do que passará da Reforma não chega nem perto do que já foi duas semanas atrás. Enquanto isso, Michel Temer passou de presidente gerenciador das reformas a potencial inibidor de uma aprovação mais robusta delas, enquanto a cada dia que passa o seu foco é em sobreviver à tempestade que tomou conta do seu governo. Já o Copom “pisou no freio”: cortou a Selic em 100 pontos-base e indicou cortes menores nas próximas reuniões. Todo o cenário mudou com  a noite de 17 de maio. Naquela noite, o colunista do jornal O Globo Lauro Jardim soltou uma reportagem apontando que um dos donos da JBS, Joesley Batista, teria gravado Temer dando aval para que o empresário comprasse o silêncio do ex-deputado, atualmente preso, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ameaçava há muito delatar (e implodir o mundo político). Além de Temer, o então presidente do PSDB (agora licenciado) Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 bilhões a Joesley. A notícia surgiu como uma bomba no mundo político e, apesar das gravações divulgadas posteriormente não se mostrarem conclusivas especificamente sobre o assunto "compra de silêncio", o diálogo era grave e o estrago já tinha sido feito. Na manhã após a divulgação da notícia do O Globo, a bolsa entrou em “circuit breaker” pela 1ª vez desde 2008 e o dólar registrou a sua maior alta em 14 anos, refletindo o total ambiente de incertezas com as reformas.

 Assim, ao longo dos dias, o mercado passou a ver com bons olhos a saída de Temer do poder. Isso, claro, com uma condição: que um nome pró-mercado e que prosseguisse com a agenda de reformas (de preferência, não implicado com a Operação Lava Jato ou similares) fosse alçado ao poder. Provavelmente, isso ocorreria por meio de eleições indiretas. Contudo, Temer mostra que suas décadas na política têm valor, conseguindo conter a debandada da base aliada, com destaque para a manutenção do PSDB e do DEM. Porém, o entusiasmo com o governo nem de longe é o que foi na primeira quinzena de maio e o mercado ainda parece um tanto perdido sobre quais serão os próximos passos na economia e na política. Temer conseguiu fazer um acordo com o PSDB para que as reformas sejam votadas, mas o presidente não tem mais tanto poder de fogo; além disso, os tucanos esperam pelo posicionamento do TSE na ação que julga a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer de 2014 para decidir se seguem ou não na base aliada do governo. Desta forma, Temer ganha certo fôlego, mas continua na corda-bamba e enfrenta diversas ameaças por todos os lados. Enquanto isso, o mercado tenta ponderar: afinal, é melhor que Temer siga no poder e faça as reformas de uma forma anêmica ou que um novo governo, com todas as suas incertezas, seja alçado ao comando do País?

 As apostas estão na mesa - e o mercado mostra tanto resiliência quanto apatia em meio a esse cenário nebuloso.

 Assim, em um cenário em que o médio prazo dura apenas poucas semanas, os próximos eventos serão cruciais. O PIB do primeiro trimestre de 2017 marcando o fim da recessão segue ofuscado pelo noticiário político-econômico. Os próximos dias serão de tensão, com os olhos do mercado e da política voltados para o TSE, que volta a se reunir entre os dias 6 e 8 de junho. A expectativa de Temer é que algum ou alguns dos ministros apresentem pedidos de vista, o que postergaria uma decisão - mas a aposta é arriscada.  Sobre as reformas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que vai colocar em "poucas semanas" o texto da Previdência para votação no plenário da Casa e que isso vai ocorrer "com certeza antes do fim do primeiro semestre". Já a reforma trabalhista avança no Senado com algum atraso - e muitas confusões entre a oposição e a situação. Desta forma, a agenda de reformas tenta resistir e andar com certos ares de normalidade. Mas, repetindo, nada será como antes - e o mês de junho será crucial para entender quais são os limites do governo.

 Principais eventos do Brasil no mês:
06 a 08 - julgamento da cassação de chapa no TSE
15 - Feriado de Corpus Christi (mercado fechado no Brasil)
a confirmar - votação da reforma da Previdência

EUA: Not so much better
Se Temer está na corda-bamba, não se pode dizer que a situação do presidente americano, Donald Trump, esteja muito melhor. O republicano se fragilizou fortemente após a decisão de demitir abruptamente o diretor do FBI, James Comey, que liderava a investigação da agência sobre alegações de intromissão russa nas eleições presidenciais  de 2016 e possível conluio com a campanha de Trump. A decisão chocou Washington e as informações que foram divulgadas posteriormente aumentaram ainda mais a pressão sobre o presidente. Relatos de que o Trump teria pedido em fevereiro a Comey para encerrar uma investigação sobre o ex-assessor de segurança nacional do presidente despertaram especulações de que acusações de obstrução de Justiça podem ser impostas contra Trump - e muitos passaram a defender o impeachment do presidente.

 As ações globais e o dólar passaram a registrar turbulência, mostrando que o Brasil está fazendo escola. A efetividade das políticas de Trump, que vêm guiando a alta dos mercados, passou a ser questionada. Isso após o governo do republicano conseguir a primeira grande vitória no início do mês, ao aprovar na Câmara dos Deputados por uma margem apertada a reforma de saúde. Depois dos momentos de vitória, veio a turbulência. O mês de maio também marcou a primeira viagem internacional do americano, que teve como pontos principais a visita à Arábia Saudita e a reunião do G7 - grupo dos países mais ricos do mundo. O evento do G7 não trouxe tantos sinais, mas o que viria depois mostra que há muitas rusgas entre Trump e os demais líderes mundiais - com destaque para as alfinetadas entre o americano e a chanceler alemã Angela Merkel.

 Principais eventos dos EUA no mês:
dia 14 - Reunião do Fomc com novas projeções e discurso de Yellen 

EUROPA: Expectativa no Reino Unido e na Itália
Uma Europa mais confiante. Mas, nem por isso, sem ameaças no radar. A vitória do centrista e pró-euro Emmanuel Macron na França aumentou a confiança e a tranquilidade na União Europeia após grandes reveses com o Brexit e até com a eleição de Trump no ano passado. Em meio a essa "quase virada", no final do mês, Angela Merkel afirmou que a Europa deve "viver por conta própria" com os novos desafios, como o crescente isolacionismo do governo Trump e a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Porém, os novos desdobramentos geopolíticos estão no radar e seguem desafiando a unidade do euro, ainda mais levando em conta a maior probabilidade da Itália convocar eleições antecipadas para este ano. Em análise no mês de maio, o banco alemão Commerzbank destacou que há sinais de que os políticos italianos podem realmente chegar a um consenso sobre reformas eleitorais no país. Porém, há riscos de que  a eleição antecipada mostre aos participantes do mercado que há um número considerável de eurocéticos e anti-União Europeia na Itália. 

O mercado também segue atento às eleições no Reino Unido. As eleições antecipadas para o dia 8 de junho pareciam ser uma garantia de que a premiê britânica Theresa May ganharia cadeiras no parlamento, dando legitimidade ao seu governo. Porém, após o atentado em Manchester reivindicado pelo Estado Islâmico, o que parecia garantido já não é mais tanto, em meio à queda na intenção de votos para o pleito de 8 de junho. Agora, há receio de que a legenda de May perca a maioria no parlamento. 

Já na agenda econômica, o BCE (Banco Central Europeu) fez um alerta após a zona do euro apresentar o melhor desempenho em uma década: os riscos à estabilidade financeira na região estão contidos, mas seguem sendo sendo significativos e até mesmo aumentaram em algumas regiões nos últimos seis meses. Dentre os fatores de preocupação, estão a sustentabilidade da dívida, além de dúvidas sobre o setor bancário e risco de reprecificação continua significativo. Assim, mesmo em meio ao otimismo econômico e o aumento da confiança para uma Europa unida levarem a expectativas de que o BCE poderá em breve desfazer as suas medidas de estímulo à economia, o cenário segue de cautela.

 Principais eventos da Europa no mês:
dia 08 - Reunião do BCE
dia 08 - eleição parlamentar no Reino Unido

ÁSIA: do corte de rating chinês à derrocada do minério
O grande acontecimento no mês na Ásia ficou por conta do primeiro corte de rating da China pela Moody's desde 1989, passando de A1 para Aa3. Apesar da decisão ter surpreendido muitos, os motivos apontados para o rebaixamento já eram sinalizados há muito e muito tempo por economistas e analistas de mercado. A expectativa de que a força financeira está em vias de se desgastar em meio à desaceleração do crescimento e ao aumento da dívida foram razões para a redução da nota. O rebaixamento ocorreu em um momento em que o governo da China enfrenta os desafios do aumento de riscos financeiros de anos de estímulo por meio de crédito. A decisão foi, inclusive, bastante contestada pela China: o ministério das Finanças questionou a metodologia usada pela agência de classificação, afirmando que ela é "inapropriada" e reiterou que os riscos relacionados à dívida do governo estão sob controle.

 Enquanto isso, dados de diferentes setores apontavam números mistos durante o mês. Mas o PMI Caixin/Markit, utilizado como referência por muitos analistas para indicar o ritmo de crescimento do país, decepcionou o mercado ao contrair em maio pela primeira vez em onze meses. Mesmo se concentrando em empresas menores, que não se beneficiam tanto do boom da construção como grandes empresas estatais e indústrias, como as siderúrgicas, os dados ligam o sinal amarelo no mercado. O cenário de incertezas e desaceleração também foi sentido no mercado de commodities: o minério de ferro acumulou perda de mais de 16%, o maior declínio mensal desde maio de 2016. Do topo de quase US$ 100 obtido em meados de março, a queda já se aproxima de 40%!!

 O Japão também esteve no radar neste mês, com a economia do país ganhando forças e apresentando um novo desafio de comunicação ao Bank of Japan sobre como ele abordará a redução dos fortes estímulos à economia sem desequilibrar o mercado de títulos, ao mesmo tempo que a inflação resiste a subir.

 Maio também foi marcado pela sinalização de que os dois países asiáticos devem reforçar a cooperação econômica e financeira, em meio às ameaças de que um EUA mais protecionista e as tensões na Coreia do Norte possam influenciar as perspectivas para a economia da Ásia. Aliás, o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, fez neste mês uma vigorosa defesa da globalização, em contraponto ao presidente americano. Para a Ásia, o protecionismo americano segue sendo uma grande ameaça.

Principais eventos na Ásia:
dia 16 - Reunião do Bank of Japan

 

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