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Com 4 surpresas positivas e duas decepções, analistas comentam 13 resultados desta quinta-feira

Temporada de resultados se aproxima do fim e ganha força, com dezenas de resultados divulgados entre a noite de quarta e a manhã de quinta

Analistas
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Se aproximando da reta final, a temporada de balanços corporativos do primeiro trimestre ganha força e nesta quinta-feira (11) pelo menos 13 ações reagem aos números apresentados entre a noite de ontem e esta manhã. Entre os dados reportados, diversas companhias desapontaram os analistas, enquanto outras surpreenderam. Confira as análises:

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 34,61, +3,78%) 
O banco teve lucro líquido ajustado de R$ 2,515 bilhão no primeiro trimestre, uma alta de 95,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro contábil avançou 3,6%, para R$ 2,443 bilhões. A margem financeira bruta cresceu 1,4% em um ano, chegando a  R$ 14,476 bilhões. Contudo, houve forte queda nas despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), que recuou 26,6%, para R$ 6,713 bilhões.

De janeiro a março, a instituição gerou um ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado, na sigla em inglês) de 10,4%, acima dos 5,6% obtidos um ano antes e dos 7,2% apresentados nos últimos três meses de 2016.

Para os analistas do BTG Pactual, o resultado veio misto. Do lado positivo, as despesas com provedores duvidosos do banco, que eram a grande preocupação do mercado, não veio alta suficiente para afetar o lucro. Por outro lado, os analistas comentaram que a qualidade dos ativos ficou mista, com piora no NPL (non-performing loans ou "crédito problemáticos") no segmento de agronegócios e pessoa física. Eles mantiveram a recomendação neutra para a ação. 

Já a XP Investimentos disse que os números vieram bons, com destaque no lucro líquido ajustado. Olhando para o guidance de 2017, os analistas citam que algumas linhas ainda precisam melhorar, sobretudo na expansão das carteiras de crédito, que devem mostrar evolução já nos próximos trimestres. Eles destacaram também que o banco apresentou satisfatória evolução no retorno ajustado, praticamente dobrando a rentabilidade.

No cenário-base, eles acreditam que o banco deva apresentar expansão de cerca de 20% do lucro líquido de 2017 em relação a 2016, devendo entregar um ROE entre 12% e 13%. Neste cenário, eles acreditam que as ações ainda teriam cerca de 20% de potencial de valorização em bolsa. Contudo, eles lembram que um cenário otimista é possível de ser concretizado, podendo se traduzir em expansão do lucro ainda maior, levando o ROE para a casa dos 15% no final do ano. Neste cenário as ações apresentam cerca de 40% de potencial de valorização nos próximos 12 meses. Eles reforçam recomendação de compra para as ações.

O Credit Suisse, por sua vez, viu um resultado em linha com o esperado, com destaque para o crescimento das receita de "fees" e core opex, que vieram melhores do que o estimado. Assim como os bancos privados reportaram, as métricas dos ativos de qualidade do BB também melhoraram, com o NPL "formation" - incluindo o portfólio de renegociação - caindo 30 pontos-base na comparação trimestral. Outras despesas operacionais, por outro lado, vieram acima das estimativas não permitindo um lucro maior do que o esperado, comentaram.

Ultrapar (UGPA3, R$ 74,71, -1,36%)
A Ultrapar teve quedas na receita e no lucro do primeiro trimestre, diante de menores vendas de combustíveis na rede de postos Ipiranga, seu principal braço de negócios. O grupo viu seu lucro líquido no período somar R$ 370,3 milhões, queda de 5% ante mesma etapa de 2016. Aa vendas de combustíveis da Ipiranga, que responde por 85% da receita líquida total, que caiu 4% contra o primeiro trimestre do ano passado, a R$ 18,7 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação, na sigla em inglês) caiu 8% ano a ano, para R$ 973 milhões. A Oxiteno, unidade de produtos químicos, também teve queda de 9% na receita líquida, a R$ 912 milhões. Os fracos desempenhos de Ipiranga e Oxiteno foram parcialmente compensados por aumento nas vendas das demais subsidiárias, como a Ultragaz, cuja receita líquida subiu 10% no comparativo anual, para R$ 1,35 bilhão.

Segundo o Credit Suisse, a Ultrapar reportou, mais uma vez, números acima do esperado, com destaque para o Ebitda e lucro. No entanto, os analistas destacam que se o balanço for ajustado por eventos não recorrentes (reversão do PIS/Cofins, despesa com Ultracargo no terminal de Santos e transferência de um CS da Extrafarma), os números ficariam em linha com o projetado.

Randon (RAPT4, R$ 5,38, +7,17%)
A Randon registrou um lucro líquido de R$ 1,579 milhão no primeiro trimestre deste ano, revertendo prejuízo de R$ 9,556 milhões de igual intervalo de 2016. O Ebitda consolidado, por sua vez, somou R$ 48,226 milhões no primeiro trimestre, alta de 3,8%, enquanto a margem Ebitda consolidada ficou em 8,3%, ante 6,3% de um ano antes.

A empresa divulgou também um Ebitda ajustado, que totalizou R$ 56,474 milhões, representando uma queda de 36,1%. A margem Ebitda ajustada somou 9,6% no primeiro trimestre, contra 11,7% de igual intervalo do ano passado. A receita líquida consolidada atingiu de janeiro a março R$ 579,736 milhões, representando uma retração de 21,1% sobre o mesmo período do ano passado.

Os analistas do Credit Suisse disseram que a companhia entregou um trimestre bom, com forte recuperação da margem Ebitda ajustada na parte de semi-trailers. Os menores custos com despesas de reestruturação também ajudaram a Randon a ter um pequeno ganho, diferente do que foi visto em 2016. Os pontos negativos ficaram para a performance de Fras-le, com câmbio desfavorável.

Wiz (WIZS3, R$ 20,89, 7,96%)
O lucro líquido da Wiz, ex-Par Corretora, teve alta de 39,9% em um ano, atingindo R$ 47,5 milhões, ficando 11% acima da projeção do BTG Pactual. "Para o segundo trimestre consecutivo, a receita foi uma surpresa positiva, com receitas brutas 15% acima do consenso", apontam os analistas do banco.

A receita líquida da Wiz, ex-Par Corretora, avançou 32%, passando de R$ 92,8 milhões no primeiro trimestre de 2016 para R$ 122,5 milhões nos três primeiros meses deste ano. Enquanto isso, o Ebitda atingiu R$ 68,6 milhões, uma alta de 41,4% em um ano.

Para o Credit Suisse, a companhia reportou um resultado bastante forte. "Quase todas as linhas de receita tiveram forte crescimento e vieram acima do esperado, principalmente o seguro de vida, que foi ajudado pelos resgates do FGTS, e crédito de seguro de vida, que tem crescido a penetração significativamente", disseram os analistas. O banco elevou o preço-alvo de R$ 20 para R$ 24, reforçando um atrativo valuation da companhia. Porém, os analistas dizem que a renovação do contrato de exclusividade entre a Caixa e CNP continua entre os principais riscos para a empresa.

Oi (OIBR4, R$ 3,36, +0,60%)
A Oi teve prejuízo líquido de R$ 200 milhões no primeiro trimestre, queda de 89% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o resultado foi de R$ 1,8 bilhão. A redução do prejuízo líquido se deve à uma diminuição da despesa financeira da companhia, que é o quanto ela gasta com juros.

O resultado financeiro da Oi fechou o trimestre no vermelho em R$ 115 milhões, 94% de redução em relação ao resultado do primeiro trimestre de 2016. A variação do dólar também justificou um custo menor para manter a dívida em moeda estrangeira neste trimestre. A receita líquida, por sua vez, caiu 8,8% no trimestre, para R$ 6,16 bilhões.

O Credit Suisse viu um trimestre um pouco acima do esperado para a companhia. "A surpresa do Ebitda veio do menor custo com interconexão e provisão. As despesas com marketing também vieram baixas", analisou o banco. "Enxergamos o resultado como marginalmente positivo mas nosso analista destaca que a empresa precisa melhorar o top line para conseguir manter os recentes ganhos de margem", completou.

Tecnisa (TCSA3, R$ 2,56, -1,54%)
A Tecnisa reverteu o lucro líquido de R$ 3,55 milhões do primeiro trimestre do ano passado e registrou prejuízo de R$ 64,39 milhões no início de 2017. A queda é reflexo de uma menor composição da receita, de menos diluição sobre a receita de despesas gerais e administrativas e de gastos com vendas, e da piora na equivalência patrimonial do Jardim das Perdizes.

Este último piorou com a necessidade de mais provisões para distratos no Jardim das Perdizes e com a revenda das unidades distratadas com margens menores do que as das rescisões do trimestre. A receita líquida da companhia teve queda de 36,3%, para R$ 100,35 milhões.

Para o BTG, o balanço foi fraco, mas ficou em linha com o esperado, com a receita ainda pressionada e margens baixas. Os analistas destacaram ainda que não houve nenhum lançamento no trimestre, mas que as vendas e distratos foram melhor que o esperado. De qualquer forma o banco acredita que o balanço não deve fazer preço e manteve recomendação neutra.

Valid (VLID3, R$ 21,28, -9,06%)
A Valid teve um balanço considerado "muito fraco" pelo BTG Pactual. A companhia reportou lucro líquido de R$ 7,6 milhões no período, 35,6% menor do que o registrado no mesmo trimestre de 2016, impactado pelo desempenho mais fraco das operações no exterior. A receita líquida somou R$ 359 milhões, queda de 19,1% na mesma base de comparação. 

Os analistas do BTG comentaram que o balanço veio decepcionante e decidiram colocar o modelo e preço-alvo da ação sob revisão. Do lado negativo, eles destacaram os meios de pagamentos, com volumes fracos e Ebitda negativo, e telecom, com volumes em queda e impactando as margens. Do lado positivo, os analistas destacaram a melhora em ID’s (volumes e eficiência fizeram margem voltar aos 35%) e certificação digital (recuperando volumes e margens).

Anima (ANIM3, R$ 15,74, +4,65%)
A Anima registrou um lucro líquido de R$ 49,9 milhões, enquanto a receita líquida foi a R$ 255,2 milhões, ante estimativa de R$ 259,7 milhões. O Ebitda ajustado foi a R$ 73,9 milhões, acima das estimativas de R$ 67,1 milhões, enquanto a margem Ebitda foi a 29%. De acordo com os analistas do BTG Pactual, os números foram positivos e mostram sinais de recuperação, "mas ainda há um longo caminho a ser seguido". A recomendação para os papéis segue neutra. 

Os analistas do banco ressaltam que, neste trimestre, a companhia parou de divulgar a margem bruta por marca, mas que eles seguem acompanhando o custo de professor por estudante, que para eles "é uma métrica que deve ser acompanhada bem de perto, já que é a melhor proxy para refletir alavancagem operacional", dado que mostrou o primeiro sinal de melhora em muito tempo ao cair 4%.

CVC (CVCB3, R$ 31,83, -1,18%)
O Grupo CVC, maior operadora de turismo do país, teve lucro líquido ajustado de R$ 68,5 milhões no primeiro trimestre, alta de 8,1% ante lucro pró-forma no mesmo período de 2016, em meio a crescimento de vendas tanto no segmento de lazer quanto no corporativo.

A receita líquida da companhia subiu 4,7% na base anual, para R$ 298 milhões, com crescimento de vendas medido pelas reservas confirmadas de 11,9%, para R$ 2,34 bilhões. Os dados incluem o desempenho de Submarino Viagens e da RexturAdvance. O Ebitda ajustado subiu 12% no terceiro trimestre sobre o resultado pró-forma um ano antes, para R$ 166,5 milhões.

Para o BTG Pactual, o resultado veio forte, confirmando que o "modelo é vencedor" da empresa. Os analistas destacaram que em março a companhia teve a melhor performance de vendas de sua história, atingindo R$ 554 milhões. Eles afirmaram ainda que o ROIC veio menor com a maior necessidade de capital de giro, mas ainda bem acima da média das varejistas. O banco segue otimista com a companhia.

Aliansce (ALSC3, R$ 15,86, +2,59%)
A Aliansce registrou lucro líquido de R$ 14,761 milhões no primeiro trimestre de 2017, um valor 11 vezes acima do R$ 1,280 milhão reportado no mesmo período do ano passado. A empresa também divulgou um lucro líquido ajustado de R$ 13,976 milhões, ante um prejuízo de R$ 4,850 milhões em 2016.

O Ebitda ajustado subiu 2,7%, para R$ 89,133 milhões. A margem Ebitda foi de 65,8% para 66,1%. A receita líquida avançou 2,1% de janeiro a março de 2017 ante igual intervalo de 2016, para R$ 149,943 milhões. O resultado financeiro foi negativo em R$ 43,158 milhões, uma queda de 26,7% ante o número também negativo em R$ 58,875 milhões no primeiro trimestre de 2016. Segundo o BTG Pactual, o resultado veio um pouco abaixo das estimativas, mantendo sua recomendação neutra.

Cosan (CSAN3, R$ 37,90, +0,66%)
O grupo Cosan teve lucro líquido de R$ 205 milhões no primeiro trimestre, queda de 17% sobre o mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta quarta-feira. A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de cerca de R$ 974 milhões, queda de aproximadamente 36% sobre os três primeiros meses de 2016.

Para o BTG Pactual, a empresa continua a entregar bons resultados, com destaque para o Ebitda e bons números em todas as divisões. Por outro lado, o lucro desapontou por conta de uma despesa financeira maior na Raízen. A alavancagem fechou em 2x graças à forte geração de caixa no período, mas poderia ter sido ainda melhor se não tivesse tido a estratégia de estoques da Raízen de postergar as vendas de açúcar e etanol. Os analistas seguem bem animados com o case e mantiveram a recomendação de compra.

Rumo (RAIL3, R$ 9,90, +2,06%)
O prejuízo líquido da Rumo caiu 34,3%, passando de R$ 185,1 milhões para R$ 248,6 milhões. O Ebitda atingiu R$ 493 milhões no primeiro trimestre de 2017, 11% maior na base anual. Já a receita líquida subiu 1,1% na base anual, para R$ 1,2 bilhão. O BTG apontou um resultado forte no período, com outlook positivo para os papéis e recomendação de compra.

Santos Brasil (STBP3, R$ 2,40, +6,19%)
A Santos Brasil encerrou o primeiro trimestre com Ebitda ajustado de R$ 32,8 milhões, uma forte alta de 182,8% em relação ao mesmo período de 2016. A margem ficou em 15,1%. A companhia voltou a apresentar lucro líquido de R$ 1,9 milhão, revertendo o resultado do início de 2016, em função do aumento no volume de contêineres movimentados, da readequação da estrutura operacional com redução de custos fixos e despesas e do aumento de volume no TEV.

A empresa registrou ainda crescimento de 10,3% na movimentação de contêineres em seus três terminais localizados nos portos de Santos (SP), Vila do Conde (PA) e Imbituba (SC), totalizando 251.807 unidades operadas no período. Para o Bradesco BBI, o balanço superou as expectativas, com uma performance operacional bem mais forte que o esperado. Apesar de uma recomendação neutra para as ações, os analistas projetam um upside de 71% para a companhia.

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