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Siderúrgicas e Petrobras lideram perdas em semana com 13 ações caindo mais de 5%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira

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(Peter Andrews/Reuters)

SÃO PAULO - Apesar da alta do Ibovespa nesta sexta-feira (10), o índice encerrou a semana com forte queda de 3,16%, aos 64.675 pontos. No período, 5 das 59 ações que fazem parte da carteira do benchmark registraram valorização superior a 2%, enquanto 13 papéis tiveram perdas maiores que 5%.

Na ponta positiva, destaque para as ações da MRV Engenharia, que lideraram com folga os ganhos da semana ao subirem 6,91%, cotadas a R$ 14,85, após a empresa divulgar seu resultado do quarto trimestre do ano passado. Na sequência ficaram as ações da Ultrapar (UGPA3, R$ 67,99, +4,97%) e Natura (NATU3, R$ 27,68, +4,14%) como as maiores altas.

Já entre as perdas, as siderúrgicas ocuparam as três piores posições, com Gerdau, Usiminas e CSN em semana agitada no setor, principalmente no caso da primeira empresa. Petrobras e Vale também recuaram mais de 5% nesta semana e pesaram para o desempenho final do Ibovespa no período.

Confira os destaques do pregão desta sexa-feira:

Ecorodovias (ECOR3, R$ 9,30, +6,16%)
A Ecorodovias liderou os ganhos do Ibovespa nesta sessão reagindo à notícia de que a empresa perdeu o leilão de "Rodovias Centro-Oeste Paulista" para a Pátria Investimentos. O leilão marca o quarto lote do programa de concessões de rodovias paulistas. Dos R$ 3,9 milhões em investimentos, R$ 2,1 bilhões terão de ser aplicados nos oito primeiros anos de concessão.

A Pátria venceu o leilão, com oferta de R$ 917,2 milhões para a primeira parcela da outorga, ágio de 131% em relação ao piso do primeiro pagamento. A proposta apresentada pela Ecorodovias foi de R$ 611 milhões, ágio de 54%. Apesar de não participar do leilão, a CCR (CCRO3, R$ 18,07, +4,09%) também subiu forte.

Segundo a XP Investimentos, os ganhos ocorreram em reflexo da percepção positiva do mercado sobre a disciplina de capital da companhia, cuja alocação de capital já gerou receio aos investidores no passado. "Seguimos com visão positiva sobre a empresa, que em nossa concepção está bem posicionada para participar de futuros leilões de rodovias e para surfar a melhora do cenário macroeconômico", disseram os analistas.

"Kit Selic"
As ações do chamado "Kit Selic" (leia mais aqui) dispararam na Bovespa após surpresa com o IPCA, que ficou em 0,33% em fevereiro, após avançar 0,38% em janeiro, resultando na inflação mais baixa para os meses de fevereiro desde 2000. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas da Bloomberg, que era de 0,43%. Com isso, os novos cenários projetados pelo Itaú Unibanco e Bradesco contemplam a Selic em 8,25% e a inflação abaixo dos 4,0% ao fim do ano, respectivamente. 

Na Bovespa, a reação mais forte hoje foi vista nas ações das construturas, concessionárias e varejistas, que subiam mais de 3% nesta tarde. São elas: Ecorodovias, CCR, Helbor (HBOR3, R$ 2,89, +2,85%), Eztec (EZTC3, R$ 20,10, +3,66%), Lojas Renner (LREN3, R$ 26,24, +1,31%) e a empresa de aluguel de veículos Localiza (RENT3, R$ 40,24, +5,31%).

Petrobras (PETR3, R$ 14,79, -0,14%; PETR4, R$ 14,31, -1,31%)
As ações da estatal viraram para queda, em meio à reviravolta dos preços do petróleo, que ofuscava a informação de que a Justiça liberou a Petrobras para concluir a venda da NTS. Neste momento, os contratos do petróleo WTI caíram 1,71%, a US$ 48,43 o barril, enquanto o Brent recuou 1,63%, a US$ 51,35 o barril.

Ontem, a estatal informou que foi suspensa, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª região, a liminar que determinava a paralisação da alienação de 90% da participação acionária detida pela companhia na Nova Transportadora do Sudeste (NTS). Com a decisão favorável da Justiça, a companhia poderá prosseguir com a operação de venda da fatia na transportadora de gás para um consórcio liderado pela Brookfield, em negócio de US$ 5,19 bilhões. A transação faz parte do programa de parcerias e desinvestimentos da Petrobras, que totalizou US$ 13,6 bilhões no biênio 2015-2016.

BRF (BRFS3, R$ 39,88, -2,25%)
O vice-presidente de finanças da BRF, José Carneiro Borges, renunciou, segundo comunicado enviado ao mercado pela gigante brasileira de alimentos na noite de quinta-feira. O executivo será substituído interinamente pelo administrador de empresas Elcio Mitsuhiro Ito, informou a companhia. A BRF informou ainda que até o final do mês deverá divulgar ao mercado a "evolução do modelo de gestão" da companhia.

Também nesta quinta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu para negativa a perspectiva para a nota de crédito da BRF, citando desafios às margens da empresa diante de volatilidade do câmbio e preços de grãos e consumo retraído no Brasil.

No fim de fevereiro, o presidente do conselho de administração da BRF, Abilio Diniz, afirmou a analistas do setor que a companhia vai corrigir erros e lidar com dificuldades que pressionaram os resultados da companhia no quatro trimestre e em 2016. A BRF teve prejuízo líquido de 460 milhões de reais no quarto trimestre, ante lucro de 1,415 bilhão de reais no mesmo período de 2015.

No comunicado desta quinta-feira, a BRF informou também que o vice-presidente de inovação, marketing e qualidade, Rodrigo Reghini Vieira, renunciou. A companhia não informou os motivos das renúncias.

Papel e celulose
Após duas sessões de ganhos, com contribuições positivas do dólar e preços da celulose, as ações da Suzano (SUZB5, R$ 12,96, +0,23%) e Fibria (FIBR3, R$ 26,23, -1,94%) ficaram entre perdas e ganhos. O dólar comercial registrou baixa de 1,60%, a R$ 3,1435 na venda. 

Embraer (EMBR3, R$ 18,77, -2,14%)
O mercado volta a ficar em paz com a Embraer. Depois de amargar perdas de 47% no ano passado, os papéis da fabricante de aeronaves começam a retomar terreno perdido. Ontem, as ações chegaram a subir 6% após balanço forte do 4° trimestre, mas fecharam em alta de 2%. Hoje, os papéis até caem pressionados pelo dólar, mas a mensagem da empresa segue positiva. 

Após conversas com a empresa, o BTG Pactual ressaltou que a empresa traz uma mensagem positiva de potencial de crescimento de receita, com visão "bullish" com o desenvolvimento do E2, campanhas nos Estados Unidos e China (melhorando momento de ordem), visão otimista no segmento de defesa e coom executivo tendo atingido o "bottom". No programa de corte de custos, a empresa também segue otimista, impactando margens a frente. Com isso, o banco manteve a recomendação de compra da ação. 

"Utilities"
A avalanche de vendas das ações da Sanepar (SAPR4, R$ 11,40, +2,24%) teve fim neste pregão: depois de desabarem 23% nos últimos 2 pregões, em meio à especulação e posterior confirmação de que o reajuste tarifário (leia mais aqui) será feito em 8 anos, as ações da companhia de saneamento do Paraná ressurgem na Bolsa com alta de até 5,5% na máxima do dia, depois de terem batido na mínima do dia queda de 8,07%, a R$ 10,25.

Apesar da derrocada das ações da Sabepar ontem (-17%), os gestores participantes que conversaram com o InfoMoney após a call realizada pela empresa ontem à noite ressaltaram que não venderam as ações pois seria "emocional demais" diante do preço atual do papel estar abaixo da "projeção mais pessimista" para a Sanepar, que seria apenas um reajuste nos próximos anos (este anunciado hoje). Um outro gestor, inclusive, disse que aproveitou as quedas da última hora de pregão para aumentar a exposição no ativo. Clique aqui para ler a notícia sobre a call. Vale menção que hoje a agência reguladora do Paraná abre audiência pública sobre revisão de tarifa da companhia às 9h (horário de Brasília).

Na esteira, as ações da Copasa (CSMG3, R$ 46,27, +0,02%) também tiveram recuperação na Bolsa, após terem afundado 12% ontem, com investidores apreensivos se a decisão da agência reguladora do Paraná pode abrir precedente em Minas Gerais. Hoje, os papéis refletem também o balanço do 4° trimestre, que, na avaliação do BTG Pactual, veio fraco. Na mínima do dia, esses papéis caíram 5,77%, a R$ 43,59. O movimento de recuperação foi visto também na Sabesp (SBSP3, R$ 31,88, +1,72%), que ontem caiu 4,5% na Bolsa.

No radar, a Copasa encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 131,75 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 40,77 milhões do mesmo período de 2015. No acumulado de 2016, por sua vez, a companhia reverteu o prejuízo de R$ 11,59 milhões do ano anterior para um lucro líquido de R$ 434,16 milhões. Além disso, a companhia anunciou o pagamento de R$ 120 milhões em dividendos referente a 2016, totalizando um dividend yield de 2,1%.

Vale menção que a companhia vai passar pelo processo de revisão tarifária em julho de 2017. Segundo o BTG Pactual, o reajuste da tarifa deve ser na casa de 9,2% real, porém os analistas lembram citam o que aconteceu com a Sanepar essa semana e que pode respingar na empresa, apesar de serem de estados diferentes. "O mercado está atribuindo uma chance relativamente alta de se repetir também em Minas Gerais", comentaram os analistas, que seguem com recomendação de compra. 

Multiplan (MULT3, R$ 65,29, +0,94%)
A gestora de shopping centers de alto padrão Multiplan teve lucro líquido de R$ 85,16 milhões no quarto trimestre, uma queda de cerca de 38% sobre o resultado positivo de um ano antes.

A companhia apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 239,8 milhões, alta de 5,5% sobre o quarto trimestre de 2015. Na mesma base de comparação, a receita líquida da administradora cresceu 3,8%, passando de R$ 227,3 milhões para R$ 311 milhões.

A redução dos ganhos ocorreu, principalmente, por conta de um aumento de R$ 37,6 milhões em imposto de renda e contribuição social, decorrente de uma menor distribuição de juros sobre capital próprio no trimestre.

O Itaú BBA espera reação neutra a resultados em linha; a companhia teve sólido crescimento de receita sustentado por recentes aquisições de participações, enquanto os custos operacionais mais elevados foram compensados por menores gastos relacionados ao programa de opções de ações. 

CSU CardSystem (CARD3, R$ 11,16, -2,96%)
As ações da CSU CardSystem fecharam em queda após chegarem a disparar até 11,30% nesta sessão, indo a R$ 12,80, após divulgar o seu balanço do 4° trimestre. Em meio à euforia, o volume financeiro movimentado com os papéis já atinge R$ 6,6 milhões, contra média diária de R$ 13,6 milhões nos últimos 21 pregões.

A small cap registrou lucro líquido de R$ 11,00 milhões no quarto trimestre de 2016, uma alta de 48,1% ante o mesmo período do ano anterior, quando o lucro foi de R$ 7,43 milhões. A receita líquida, por sua vez, caiu 4,1%, passando de R$ 116,63 milhões para R$ 111,81 milhões em um ano. Já o Ebitda fechou o período em R$ 21,76 milhões, uma alta de 10%. No acumulado do ano passado, o lucro líquido da companhia saltou 83,6%, passando R$ 19,01 milhões para R$ 34,91 milhões. Já a receita, teve leve alta de 0,5%, fechando 2016 em R$ 465,83 milhões, ao passo que o Ebitda avançou 30,2%, de R$ 69,84 milhões para R$ 90,90 milhões em um ano.

Em entrevista ao InfoMoney (veja aqui), Renata Oliva (diretora de relações com investidores) e Ricardo Ribeiro Leite (CFO, ou Chief Financial Officer) disseram ressaltaram que os resultados operacionais resilientes em 2016, mesmo com a perda de um grande cliente - o Banrisul, e que acreditam que o ciclo de crescimento não chegou ao fim: "teremos crescimento em 2017". Além disso, eles comentaram que a empresa deve fazer dois anúncios importantes ainda em março. 

Kroton (KROT3, R$ 13,40, +3,47%) e Estácio (ESTC3, R$ 15,45, +7,29%)
As ações da Kroton e Estácio subiram forte hoje, após de um relatório do Bradesco BBI. Na máxima do dia, as ações da Estácio - que sobem mais - atingiram valorização de 4,79%, a R$ 15,09. Para o Bradesco BBI, há uma chance de 75% de aprovação da fusão entre as duas empresas, enquanto os preços das ações implicam chance de aprovação de 18%. O banco vê um perfil de risco/recompensa atrativo para a Estácio, “com upside de 42% se o negócio for aprovado e de 1% se não for”. 

Segundo o banco, a Kroton e Estácio apresentaram resposta ao Cade com argumentos “convincentes”, como o aumento da concorrência no segmento de ensino à distância. Os analistas apontam que o próximo passo inclui reuniões para negociar a solução com a relatora do caso no Cade, Cristiane Alkmin, cuja opinião provavelmente terá forte influência sobre outros membros do Cade. A decisão final deve sair até 27 de julho. Os prováveis "remédios" para a fusão incluem alienação dos ativos de ensino à distância da Estácio e alguns de seus campi. 

Fleury (FLRY3, R$ 40,60, -1,88%)
As ações da Fleury amenizaram as perdas de até 4,88% na mínima do dia, a R$ 39,36, em reação ao balanço do 4° trimestre. A empresa reportou lucro líquido de R$ 74,9 milhões no quarto trimestre, quase triplicando os R$ 25,9 milhões registrados em igual período de 2015. A receita líquida cresceu 10,6%, totalizando R$ 523,2 milhões. Já o Ebitda foi de R$ 100,7 milhões no quarto trimestre, alta de 18,4%. 

De acordo com o Santander, os resultados mais suaves que o esperado “podem
levar a alguma correção na ação levando em conta seus múltiplos ricos”; “pressões de custos e despesas (especialmente as últimas) que afetaram o trimestre parecem ter uma natureza não recorrente, em nossa opinião”; “reiteramos nossa visão positiva sobre a empresa”. Já o Itaú BBA espera reação neutra a “resultados em linha”, “dado que os números positivos eram amplamente esperados pelo mercado”.

B2W (BTOW3, R$ 11,44, -5,84%)
O conselho de administração da B2W propôs na quinta-feira um aumento de capital de R$ 1,21 bilhão da companhia de comércio eletrônico controlada pela Lojas Americanas, por meio de emissão privada de 110 milhões de novas ações.

A proposta ocorre na sequência da oferta primária de ações da Lojas Americanas de R$ 2,405 bilhões, precificada na véspera. O preço de emissão do aumento de capital da B2W será de R$ 11.

O aumento de capital da B2W tem por objetivo "melhorar a estrutura de capital da B2W Digital, permitindo que a mesma siga investindo na sua plataforma digital", informou a companhia.

Alupar (ALUP11, R$ 19,37, -0,05%)
A Alupar registrou lucro de R$ 139,1 milhões no quarto trimestre, alta de 231%, ou mais de 3 vezes em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia lucrou R$ 42 milhões. A receita líquida totalizou R$ 364,4 milhões, alta de 6,8%, enquanto o Ebitda subiu 29% na comparação anual, a R$ 359,8 milhões. A margem Ebitda avançou de 81,6% para 98,7%. A companhia ainda propôs pagar dividendos no valor total de R$ 150,2 milhões.

Via Varejo (VVAR11, R$ 11,60, +6,52%)
Segundo o jornal O Globo, pelo menos 8 fundos e empresas disputam a Via Varejo. Carlyle e Advent estão entre os fundos de private equity interessados na dona das redes Ponto Frio e Casas Bahia, segundo o jornal, citando fontes. Controlador da Lojas Americanas, a 3G Capital, também estaria na disputa.

Carlyle, Advent e 3G não se manifestaram, segundo O Globo. Entre as empresas interessadas aparecem a chinesa Alibaba, a alemã Steinhoff e uma americana, que poderia ser a Best Buy, diz a reportagem, acrescentando que a chilena Falabella
chegou a olhar a Via Varejo, mas desistiu. As ofertas pela Via Varejo devem ser feitas até esta sexta-feira e não são vinculantes. 

Após esta fase, interessados terão cerca de 40 dias para analisar as informações da Via Varejo e, aqueles que mantiverem interesse devem confirmar sua oferta, em etapa que deve acontecer até a Páscoa, segundo o jornal, que diz que a conclusão do negócio só deve ocorrer até o fim do 1º semestre.

A família Klein, que detém 27,3% da Via Varejo, também estaria interessada em vender sua participação, segundo o jornal. O valor total da Via Varejo é estimado em R$ 4 bilhões, enquanto a fatia dos Klein é calculada em pouco mais de R$ 1 bilhão, diz O Globo.

 

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