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Estatais de Minas disparam até 7% com rumor; Fibria afunda 7% e gestor alerta para "oportunidade de compra"

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Cemig 04 - Hidrelétrica
(Divulgação Cemig)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve sessão de recuperação, após queda de 2,62% ontem, quando teve seu pior pregão do ano. O índice fechou esta terça-feira (31) em alta de 0,57%, a 64.670 pontos, encerrando o mês em alta de 7,38%, no seu primeiro mês no positivo desde outubro de 2016, quando subiu 11,23%.

Nesta sessão, os destaques ficaram com BR Malls, que saltou 8% após o Itaú BBA colocar a ação na lista das que mais podem ganhar com Selic menor, enquanto a Cemig disparou 7% em meio a notícias sobre privatização. Acompanharam o movimento outras estatais, como Copasa, que também pertence ao estado de Minas Gerais, e a Light, cuja Cemig detém uma participação. 

Do outro lado, as ações da Fibria desabaram 7% após balanço fraco, puxando as demais empresas do setor de papel e celulose Suzano e Klabin. Apesar dos bancos UBS, Bradesco BBI e Itaú BBA terem destacado que os números decepcionaram, William Castro Alves, chefe de investimentos da Valor Gestão de Recursos, viu essa queda como uma "oportunidade de compra" na Bolsa. Ele esteve nesta tarde no programa Comprar ou Vender, da InfoMoneyTV (veja aqui). Apesar do cenário de queda do dólar frente ao real, Alves ainda vê valor no ativo, em meio às perspectivas de custos menores e preços de celulose mais altos na China até o segundo semestre de 2017. Além da Fibria, chamou atenção hoje também a Cielo, que trouxe um balanço sem brilho e viu suas ações caírem após registrarem alta de até 2,2% nesta manhã. 

Já no acumulado do mês, apenas 13 das 59 ações do Ibovespa encerraram janeiro no negativo, com Eletrobras ON, Klabin e Fibria liderando o movimento com perdas de 8% a 9%. Do outro lado, as ações da Bradespar, Vale e Usiminas figuraram como as maiores altas de 40%, 31% e 28%. 

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Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira:

Fibria (FIBR3, R$ 29,37, -7,06%)
As ações da Fibria desabaram nesta sessão, figurando como a maior queda do Ibovespa, após o resultado da empresa decepcionar o mercado. Apesar da maioria dos bancos terem destacado cautela com o case, o gestor William Castro Alves, da Valor Gestora de Recursos, comentou hoje que o movimento como "oportunidade de compra". Alves, que antecipou em agosto o fundo da ação, esteve hoje no programa Comprar ou Vender, da InfoMoneyTV (veja aqui). 

 A Fibria reverteu o lucro líquido de R$ 910 milhões do quarto trimestre de 2015 e registrou um prejuízo líquido de R$ 92 milhões nos três últimos meses do ano passado. O resultado foi impactado tanto pelo lado operacional, com queda do preço da celulose em dólar e desvalorização da moeda norte-americana, quanto por piora na linha financeira. Acompanham o movimento as demais ações do setor: Suzano (SUZB5, R$ 13,40, -3,74%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,24, -1,04%).  

Dos 5 relatórios de bancos compilados pelo InfoMoney, três destacam "resultados fracos"; um diz que veio em linha, mas desapontou investidores mais otimistas; enquanto apenas um considerou os números "fortes" - o BTG Pactual -, que reiterou recomendação de compra na ação. 

Do lado pessimista...

O UBS destacou que os resultados do último trimestre de 2016 decepcionaram, com preços e vendas abaixo do esperado e custos mais elevados que as projeções indicavam. Para a equipe de análise do banco, os fatores de suporte dos preços permanecem temporários e existe um risco de baixa no segundo semestre de 2017. Com isso, os analistas recomendam a venda dos papéis da empresa.

O Bradesco BBI comentou que o resultado veio "mais fraco que o esperado, indicando que o "momentum dos lucros pode permanecer pouco excitante já que a recente apreciação do real morde nos últimos aumentos do preço da celulose". 

Já o Itaú BBA disse que os números vieram "sem brilho", com o Ebitda de R$ 804 milhões no trimestre vindo 11% abaixo do estimado, em meio à queda nas vendas de celulose no período. 

Vendo o copo nem cheio nem vazio...

O Santander trouxe uma leitura um pouco mais "neutra": o Ebitda da empresa veio em linha com as estimativas, mas pode ter desapontado os investidores mais "otimistas". 

E, por fim, a única voz otimista...

BTG Pactual considerou como "fortes" os números da Fibria no período, com o Ebitda vindo 12% acima das expectativas no período. O desempenho foi reflexo de vendas acima do estimado, comentaram os analistas, uma vez que eles esperavam maior impacto da parada de manutenção de Arabruz A, B e Três Lagoas. Segundo eles, os fundamentos do setor continuam melhorando com a demanda na China, aumento de preços e preocupação menor com a oferta. O banco manteve a recomendação de compra para a ação. 

Cielo (CIEL3, R$ 26,49, -0,86%)
As ações da Cielo viraram para queda nesta sessão, após atingirem alta de 2,21%, em reação ao balanço do 4° trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 1,064 bilhão no quarto trimestre, alta de 18,3% ante o mesmo período de 2015, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação, na sigla em inglês) atingiu R$ 1,396 bilhão de outubro a dezembro, aumento de 5% na comparação ano a ano. A receita, por sua vez, alcançou R$ 3,120 bilhões, alta de 2,1% ante os R$ 3,056 bilhões do fim de 2015.

Segundo o Itaú BBA, os resultados da Cielo misturam “volumes pouco inspiradores com entrada de receitas sucessivamente menores”. A corretora manteve sua avaliação neutra para a empresa assim como preço-justo de R$ 34,00 por ação para o fim de 2017. “Do ponto de vista de valuation, a ação não parece cara, mas no nosso ponto de visto isso não é suficiente para justificar um upgrade”, diz o relatório.A equipe de análise do Bradesco BBI considera que os resultados foram "fracos em termos gerais, apesar de melhores do que já estava precificado após a recente fraqueza da ação". 

Petrobras (PETR3, R$ 16,19, +0,31%;PETR4, R$ 15,02, +1,21%)
As ações da Petrobras avançaram com o movimento de alta do petróleo, que subiu no mercado internacional em meio às notícias de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) cortaram a produção em mais de 1 milhão de barris por dia, apontando para um forte início do acordo dos países membros para corte da produção da commodity pelos próximos 8 anos. O contrato futuro do Brent registrava alta de 0,81%, a US$ 55,68 o barril, enquanto o WTI subia 0,32%, a US$ 52,80 o barril.

Em destaque, a Petrobras realizou hoje uma assembleia geral extraordinária para os acionistas deliberarem sobre a venda da Liquigás, da Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica Suape) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe). Contudo, a estatal informou hoje que foi intimada da decisão da 2ª Vara da Justiça Federal de Sergipe que concedeu liminar, em ação popular, determinando a suspensão da alienação das ações de Suape e Citepe. A Petrobras disse que “está tomando as medidas judiciais cabíveis em prol dos seus interesses e de seus investidores”.

Destaque ainda para a notícia do Valor Econômico de que, quatro meses após iniciar as negociações salariais com os petroleiros, a estatal está mais próxima de chegar a um acordo com a categoria. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) disse ontem que os 13 sindicatos associados à entidade aprovaram, em assembleias, a última proposta apresentada pela estatal, que ofereceu um reajuste de 8,57%, retroativo a setembro.

A Petrobras e a BP Energy pediram análise de operação de cessão de direitos e obrigações para exploração e produção de petróleo e derivados, segundo edital de divulgação
de ato protocolado no Cade publicado no Diário Oficial.

Por fim, o Itaú BBA fez relatório de prévia do quarto trimestre para o setor de óleo e gás, destacando que a Petrobras e a Cosan serão os destaques positivos no setor. "Esperamos outro conjunto de resultados saudáveis para a Petrobras, excluindo os efeitos extraordinários relacionados ao processo de reestruturação. É provável que os custos recorrentes continuem a cair como resultado das iniciativas de redução de custos. Além disso, a produção maior de petróleo ajudará a reduzir os custos de extração, enquanto o refino deverá permanecer estável”, afirmam os analistas. 

Cosan (CSAN3, R$ 40,27, +0,40%)
Sobre a Cosan, o Itaú BBA destacou no relatório sobre o setor de óleo e gás que a Raízen Combustíveis deverá registrar resultados robustos, com margem Ebitda/m3 de R$ 135, apesar da redução de 3% a/a nos volumes. "Esperamos que a Raízen Energia continue apresentando resultados positivos, sustentados pelos preços do açúcar e do etanol”, afirmam. Já sobre a Braskem, os resultados devem ser afetados negativamente pela redução de 3% na comparação trimestres nos spreads de PP- e PEnaphtha, o estreitamento dos spreads de PP-propileno na América do Norte, a redução sazonal da demanda doméstica e a parada de manutenção no complexo petroquímico de Camaçari.

Cemig (CMIG4, R$ 9,14, +6,90%)
As ações da Cemig dispararam neste pregão, lideram os ganhos do Ibovespa, em meio à notícia da Revista Época de que o Ministério da Fazenda deverá exigir a privatização da Cemig para socorrer o governo de Minas Gerais. O volume financeiro movimentado com o papel foi de R$ 101,7 milhões, contra média diária de R$ 53,8 milhões nos últimos 21 pregões. 

Para o BTG Pactual, não parece algo que o governo de Minas vá ceder facilmente, mas, caso ocorra, a notícia seria muito positiva tanto pra Cemig quanto para a Light (LIGT3, R$ 19,67, +4,24%), sendo melhor até para segunda, pela agressiva alavancagem do ativo a melhorias de valuation. Ainda assim, os analistas acreditam que as chances disso ocorrer no curto prazo são bem baixas.

Acompanharam o movimento positivo ainda as ações da Copasa (CSMG3, R$ 43,16, +5,40%), empresa que também pertence ao estado de Minas Gerais. Na máxima do dia, essas ações chegaram subir 6,81%, a R$ 43,74. O giro financeiro movimentado com as ações foi de R$ 57,3 milhões, contra média diária de R$ 16,7 milhões nos últimos 21 pregões. 

Construtoras 
As ações da MRV Engenharia (MRVE3, R$ 12,76, +4,16%) apareceram entre as maiores altas do Ibovespa, após o Santander ter elevado a recomendação da ação de manutenção para compra, enquanto subiu o preço-alvo de R$ 15,10 para R$ 15,50. Além disso, os acionistas da MRV aprovaram o pagamento de dividendos intermediários, em caráter extraordinário, no montante aproximado de R$ 150 milhões, o que representa R$ 0,34 por ação. O pagamento será feito com base na posição acionária de 3 de março, com o pagamento ocorrendo em 30 de março.

Enquanto isso, ainda dentro do setor de construção civil, as ações da Eztec (EZTC3, R$ 18,26, +2,24%) foram cortadas pelo Santander de compra para manutenção, com o preço-alvo revisado de R$ 20,30 para R$ 20,90.  

Vencedoras com Selic em queda
O Itaú BBA, por sua vez, destacou em relatório que a BR Malls (BRML3, R$ 14,67, +7,71%) está entre as ações que podem ganhar com a Selic menor. As ações de empresas de shoppings, de serviços públicos e de administração de rodovias estão entre as mais propensas a se beneficiar da flexibilização monetária. A BR Malls é top pick entre shoppings; Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,53, +3,27%), Copasa (CSMG3, R$ 43,16, +5,40%), Energisa (ENGI11, R$ 20,37, +0,64%), Sabesp (SBSP3, R$ 31,30, +0,38%) e Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 46,67, +1,39%) também na lista de empresas do Itaú BBA com maior probabilidade de se beneficiar de cortes na taxa básica de juros. O Itaú BBA destaca que a taxa Selic pode cair para níveis de um dígito nos próximos anos e permanecer lá, sem comprometer a convergência da inflação para a meta. Confira a análise especial do InfoMoney sobre as impactadas com a queda da Selic clicando aqui.

 

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