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De "quebradas" em 2016 para altas de até 300% em 2017: dá para confiar no rali das construtoras?

Segundo analista da Eleven Financial, essas empresas estavam muito descontadas em Bolsa, em alguns casas sendo precificadas como insolventes, e qualquer melhora já justificaria uma alta de 100%; e, por isso, apesar do rali, esses papéis ainda têm muito espaço para subir, explica

Construção - Bloomberg
(Krisztian Bocsi)

SÃO PAULO - As ações das construtoras seguem como as grandes estrelas da Bovespa neste início de 2017, com ganhos acumulados no período de até 300%, em meio às apostas de Selic mais baixa e expectativas por uma decisão sobre as regras de distratos, que são o grande problema do setor.

Essa disparada, contudo, tem levantado dúvidas se esse moviemento será consistente, dado à valorização impressionante em poucos pregões e por ela ser puxada principalmente por empresas consideradas "problemáticas". O trio que lidera os ganhos do setor no ano é composto pelas ações da PDG Realty (PDGR3, R$ 4,58, +284,87%), Rossi (RSID3, R$ 8,36, +209,63%) e Viver (VIVR3, R$ 25,09, +120,51%), que até o ano passado eram cotadas pouco acima de R$ 1,00 na Bolsa, quando operavam nas suas mínimas históricas. 

Segundo o analista Guilherme Vilazante, da Eleven Financial, é normal que esse movimento mais forte venha das empresas mais alavancadas, como PDG Realty e Rossi, por dois motivos: primeiro, porque a redução da Selic beneficia mais essas ações que têm dívidas atreladas ao CDI; e segundo, porque a expectativa de receber caixa mais rápido reduz muito o risco de solvência. "O mercado precificava essas ações como ativos insolventes a 0,1 vez/0,2 vez o patrimônio líquido. Qualquer melhora já justifica 100% de ganho", disse o analista que acompanha o setor de construção civil há uma década e participou recentemente do Especial Setores 2017 do InfoMoney (confira aqui).  

Para Vilazante, o mercado não acreditava que as construtoras conseguiriam vender suas unidades em estoque e, portanto, não transformariam seu principal ativo em caixa e, por isso, eram negociadas a uma fração do valor patrimonial. Mas, com a perspectiva de queda dos juros reais, o poder de compra melhora junto com a confiança do consumidor. "Com isso, o investidor passou a atribuir uma maior probabilidade de venda eficiente do estoque e a vislumbrar a geração de caixa surpreendente. Apesar do rali desse início do ano, ainda tem muito espaço para subir", comentou.

Além das três empresas mencionadas acima, outras 7 ações do setor acumulam ganhos entre 20% e 70% no ano: JHSF (JHSF3, +71,63%), Helbor (HBOR3, +53,25%), Gafisa (GFSA3, +34,41%), Tecnisa (TCSA3, +32,41%), Cyrela (CYRE3, +26,97%), Eztec (EZTC3, +24,35%) e Direcional (DIRR3, +21,05%). 

A dupla: Selic + novas regras para os distratos
As construtoras ganham o holofote do mercado neste início de 2017, em meio às projeções de juros em queda livre, reforçadas ontem pela divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que reforçou a expectativa de corte de 0,75 ponto percentual na próxima reunião e a perspectiva de uma Selic a um dígito ainda esse ano (confira mais projeções clicando aqui). 

Nesta quarta-feira, o presidente Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que 75 pontos-base é nosso novo ritmo de corte, que pode mudar com novas informações. "Se expectativas inflacionárias estão ancoradas e economia, fraca, é possível intensificar corte de juros", disse.

Além da Selic, outro fator tem levado à disparada das ações do setor: a expectativa de uma decisão sobre as regras de distratos. Segundo disseram três fontes para a agência Reuters, o governo e representantes da indústria de construção estão perto de um acordo sobre novas regras que dão às empresas o direito de manter uma parcela do valor do imóvel no caso de cancelamento da venda. 

 

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