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Bancos cortam juros após Copom; Vale é elevada, Ultrapar é rebaixada e mais 11 notícias no radar

Confira os destaques do noticiário corporativo desta quinta-feira (12)

Bradesco_Bloomberg

SÃO PAULO - O noticiário corporativo segue bastante movimentado nesta quinta-feira, com destaque para o anúncio dos bancos de corte de juros após o Copom. Recomendações também estão no radar, com destaque para Vale e Ultrapar. Confira o que deve mexer com o mercado na sessão desta quinta (12):

Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3)
O Bradesco anunciou na quarta-feira a redução das taxas de juros de linhas de crédito para pessoas físicas e para empresas, logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter cortado a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13 por cento ao ano. Para pessoa físicas, o Bradesco cortou a taxa mínima mensal do crédito pessoal de 2,84 para 2,78 por cento ao mês, e a máxima de 7,78 para 7,72 por cento. A taxa máxima do cheque especial passou de 13,55 para 13,49 por cento ao mês.

Na linha de capital de giro para micro e pequenas empresas, a taxa mínima do Bradesco caiu de 2,10 para 2,04 por cento ao mês, enquanto a máxima sai 4,27 para 4,19 por cento ao mês. As medidas entram em vigor na próxima segunda-feira, informou o banco.

O Banco do Brasil também anunciou queda de juros. Segundo o banco, a maior parte das linhas terá os juros reduzidos, sendo que em cinco delas a queda foi maior do que os 0,75 ponto porcentual de redução da Selic. As novas taxas entram em vigor também a partir da próxima segunda. A maior redução, de 4 pontos porcentuais, será no rotativo do cartão de crédito. De acordo com o BB, a queda já antecipa parte dos efeitos das medidas que serão implementadas em abril, quando o rotativo do cartão de crédito será transformado automaticamente em crédito parcelado depois de 30 dias.

Ainda sobre o BB, a Folha informa que o banco vai liderar um consórcio de bancos para fazer novos empréstimos ao governo do Rio com garantias do Tesouro. Caixa e Bradesco farão parte do grupo, que pode contar com mais instituições privadas. Os valores, que giram em torno de R$ 3 bilhões, ainda não foram definidos e devem ser fechados na próxima semana, pois ainda dependem da venda da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro).

Vale (VALE3;VALE5)
A Renaissance Capital elevou a recomendação da Vale de underperform para market perform, elevando o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) de US$ 9,30 para US$ 9,40.

Além disso, foi estendido até 19 de janeiro o prazo para que a companhia e a BHP Biliton depositem o valor de R$ 1,2 bilhão determinado por decisão judicial, em função da ação civil pública ajuizada pela União e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Os recursos serão destinados à reparação dos danos socioambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

 Ultrapar (UGPA3)
O Santander rebaixou a recomendação para as ações da Ultrapar de compra para manutenção, com o preço-alvo para 2017 passando de R$ 78,00 para R$ 75,60. A equipe de análise destaca que a Ultrapar tem sido muito bem-sucedida em oferecer resultados operacionais de alta qualidade e consistentes nos últimos anos, impulsionados principalmente pela Ipiranga e também pela Oxiteno e Ultragaz. No entanto, a combinação de: (i) Ebitda e crescimento de lucro esperado sem brilho devido à perspectiva pouco inspiradora para volumes na Ipiranga na primeira metade do ano e à fraca margem para a Oxiteno impactada pela volatilidade do real, (ii) valuation em linha com a média histórica apesar do menor crescimento, e (iii) a falta de catalisadores, levou os analistas a rebaixar a classificação.

Petrobras (PETR3; PETR4)
A estatal pode começar do zero a licitação da unidade de processamento de gás natural do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), apesar de já ter efetuado pagamento de R$ 500 milhões por ela. As informações foram dadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. O valor da obras está estimado em R$ 2 bilhões, o mesmo estipulado à construtora Queiroz Galvão, que abandonou o projeto com 30% da infraestrutura construída, em 2015.

JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3)
A processadora de carnes está prestes a desbancar a concorrente BRF e se tornar fornecedora exclusiva de hambúrguer ao McDonald's no Brasil. Conforme conta reportagem do jornal Valor Econômico, o contrato ainda não foi assinado, mas as tratativas estariam avançadas. Até então, as duas companhias forneciam a carne servida no Big Mac -- o lanche mais famoso da rede. No Brasil, a empresa de fast food consome, em média, 33 mil toneladas de hambúrgueres de carne bovina ao ano, segundo apuração do jornal.

Ainda sobre o setor de frigoríficos, o Valor Econômico destaca que os EUA relataram o primeiro foco de gripe aviária altamente patogênica em 2017 à OIE no condado de Fergus, no Estado de Montana, próximo à fronteira com o Canadá. Segundo o Itaú BBA, esta notícia pode gerar algum ruído entre os investidores do setor. Contudo, o banco aponta que este caso é pontual e não deve impactar as ações do setor no Brasil como BRF e JBS, que poderiam ser beneficiadas em caso dos EUA terem as suas portas fechadas para exportações. 

Aéreas
O governo já tem uma versão preliminar da nova medida provisória que retira as restrições ao capital estrangeiro nas companhias aéreas e também pretende relançar ainda neste mês o programa de aviação regional, com obras em 58 aeroportos e investimentos de R$ 300 milhões no ano. As informações foram confirmadas por três auxiliares do presidente Michel Temer ao jornal Valor Econômico. De acordo com a reportagem, o texto ajustará as regras para subsídios a voos regionais, com benefícios restritos apenas à Amazônia Legal, em um primeiro momento, com subvenções para até 60 assentos por voo. Sendo assim, aeronaves maiores, como os modelos Boeing 737-800 da Gol (GOLL4) ou Airbus A320 usados pela TAM, tornam-se menos competitivas para a aviação regional, já que teriam menos passageiros subsidiados proporcionalmente ao total de assentos.

Com relação a liberalização, o BTG Pactual destaca que, embora reconheça que isso poderia facilitar alternativas de fusões e aquisições no Brasil (o que seria positivo para GOL), existem formas criativas de viabilizar M&As com capital estrangeiro no setor mesmo com a legislação atual.

Braskem (BRKM5)
O UBS reiterou visão positiva para a Braskem, destacando recuperação do mercado, expansão internacional e um valuation atrativo. A recomendação para os papéis segue de compra com preço-alvo de R$ 45,00.  

BR Malls (BRML3)
A BR Malls informou que o diretor presidente Carlos Medeiros Silva Neto renunciou a assento no conselho em nome de melhores práticas de governança. O Santander vê a BR Malls tomando “mais um passo positivo” ao melhorar governança e espera reação positiva do mercado, com ação “também ajudada pelo corte maior que esperado de 75 pontos-base na Selic”.

 CCR (CCRO3)
A empresa de concessões de infraestrutura CCR tem interesse em eventual disputa pela concessão dos aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ), disse nesta quarta-feira o presidente-executivo da companhia, Renato Vale. "Com certeza, estamos interessados", disse Vale à agência Reuters.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse na quarta-feira que o governo estuda conceder à iniciativa privada os dois terminais, entre os mais movimentados do país, que são hoje administrados pela estatal Infraero. A Reuters publicou recentemente que o governo pode lançar uma nova rodada de concessões de ativos de infraestrutura em março, mesmo mês em que leiloará os aeroportos de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE). A CCR já afirmou que tem interesse em disputar a concessão desses dois últimos.

Ainda sobre a CCR, o jornal O Globo informa que o governo federal afastou a possibilidade de o grupo CCR promover mais de R$ 3 bilhões em novos investimentos na Rodovia Presidente Dutra, que liga Rio a São Paulo, da qual é concessionária. A hipótese em discussão era trocar esses investimentos por uma ampliação do contrato de concessão para além de 2021. Em outra frente, o Palácio do Planalto considera aportar R$ 1,325 bilhão em recursos da União na BR-040, de Juiz de Fora ao Rio, da Concer, que também não teria seu contrato ampliado. 

Vale destacar que a CCR ontem fechou em queda de 3,53% depois que a Folha publicou uma matéria dizendo que a ANTT arquivou o processo que discutia a extensão do contrato da NovaDutra e por causa disso, a concessão seria relicitada em 2021. Apesar da notícia ser negativa, o Credit Suisse avalia que o arquivamento aconteceu por um desconforto dos técnicos da ANTT em seguir com as negociações do contrato, já que o TCU se disse contrário durante as discussões sobre o Concer da Triunfo. No entanto, não há nenhum impedimento de que as negociações sejam retomadas a partir de onde pararam.  

Fibria (FIBR3)
A Fibria Overseas Finance precificou na quarta-feira a emissão no mercado internacional de US$ 700 milhões em Notes com vencimento em 10 anos e cupom de 5,50% a.a., segundo comunicado. A liquidação da operação está prevista para ocorrer em 17 de janeiro, com vencimento em janeiro de 2027. “Notes contam com garantia da companhia e sua emissão está em linha com a estratégia de fortalecimento da sua posição de caixa, considerando as condições favoráveis de mercado. Os recursos líquidos obtidos com a emissão das Notes serão utilizados para investimentos em projetos com benefícios ambientais que contribuem para o alcance das metas de longo prazo de sustentabilidade da companhia”, informa a companhia.

Usiminas (USIM5)
A Bloomberg detalha hoje a falta de consenso entre os controladores da Usiminas. A siderúrgica, que em setembro de 2016 conseguiu concluir seu processo de reestruturação financeira, vive agora um impasse entre seus controladores sobre uma proposta de alternância de poder na companhia. Um comunicado na noite da quarta-feira, em resposta a pedido de esclarecimentos pela CVM, mostra que Nippon Steel & Sumitomo e Ternium-Techint não conseguem chegar a um consenso sobre as regras para a nomeação de presidente e presidente do conselho da siderúrgica, destaca a agência. A Nippon Steel & a Sumitomo diz no comunicado que apresentou proposta em 8 de dezembro de 2016 na qual “pretende rapidamente resolver as atuais disputas em prol do turnaround da Usiminas, e evitar a recorrência de disputas entre as duas companhias no futuro”.

 Rossi (RSID3)
A Rossi Residencial vê a possibilidade de lançamentos entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões em VGV (Valor Geral de Vendas). Vale destacar que, na última segunda, a construtora anunciou que seu conselho de administração elegeu João Paulo Franco Rossi Cuppoloni novo presidente-executivo da companhia.A função vinha sendo exercida interinamente de forma compartilhada por Rodrigo Moraes Martins e por Renato Gamba Rocha Diniz.

 Sanepar (SAPR4)
A Sanepar informou, através de comunicado ao mercado, que a JGP elevou a participação nas ações preferenciais da companhia para 6,41%.  

 Copel (CPLE6)
 A Copel revisou a cronograma de UHE Colíder. A última geradora da hidrelétrica deve entrar em operação em abril de 2018. 

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

 

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