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Petrobras cai 3%, JBS salta 6% com recomendação e PDG desaba 9% com recuperação judicial mais próxima

Confira os destaques da Bovespa na sessão desta quinta-feira (17)

Petrobras - Bloomberg
(Dado Galdieri)

SÃO PAULO - O Ibovespa perdeu força na reta final no pregão desta quarta-feira (17), com a notícia de que o banco central do México subiu a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 5,25% ao ano. Investidores esperavam uma elevação mais forte e a decepção acabou pesando sobre os mercados. O índice recuou 1,67%, a 59.756 pontos, na mínima do dia, depois do benchmark ter atingido alta de 1,21%, a 61.492 pontos. As ações da Petrobras, Vale e bancos figuravam como as maiores contribuições negativas. 

A Petrobras viraram para forte queda, após subir quase 4% no intraday, pressionadas pelo dia turbulento dos preços do petróleo. Já as ações da Vale descolaram dos preços do minério e deram sequência à forte queda vista no último pregão. 

Do lado dos ganhos, as ações da Rumo lideravam o movimento positivo, com alta de 7%, em meio a especulações sobre venda de participação no Porto de Santos, seguidas pelos papéis da JBS, que saltavam 6%, após ter sua recomendação elevada pelo JPMorgan.   

Confira abaixo os principais destaques de ações desta quinta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 16,46, -2,89%; PETR4, R$ 14,29, -3,05%)
As ações da Petrobras viraram para forte queda na reta final do pregão, em meio à turbulência dos preços do petróleo, que perderam força durante esta tarde e fecharam em desvalorização. O petróleo brent encerrou o dia em queda de 0,45%, a US$ 46,42, e o WTI com recuo de 0,55%, a US$ 45,32 o barril. 

Além disso, o noticiário para a companhia é movimentado, com destaque para a notícia do  Valor Econômico de que a estatal fechou a venda da Liquigás para o grupo Ultra. A Ultrapar (UGPA3, R$ 68,00, -0,67%), que abriu em alta, virou e registra leves perdas. Em meados do mês passado, as empresas confirmaram que estavam em negociações avançadas. Procuradas, informaram que não se pronunciaram sobre o assunto. A operação deve ficar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. 

Segundo o BTG Pactual, a notícia é bastante positiva para ambas as companhias. "A Petrobras está vendendo mais um ativo num múltiplo bom, acima de 10 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda e se aproximando da meta de desinvestimentos para 2015-2016 e a Ultrapar compra um ativo menos eficiente do que a sua própria operação de gás, com upside relevante de Ebitda por sinergias e pelo maior poder negocial que terá por subir sua participação de mercado para algo perto de 45%", avaliam os analistas. A grande questão é se o Cade terá um papel determinante no processo. 

Antes disso, a Petrobras afirmou em comunicado na noite de quarta-feira que está avaliando novos acordos com investidores com a intenção de eliminar incertezas, ônus e custos associados à continuidade das disputas judiciais contra a companhia. "A conclusão de qualquer acordo dependerá da aprovação da Diretoria Executiva e do Conselho de Administração e, tão logo seja confirmada, será objeto de divulgação", disse a estatal. A nota foi divulgada para esclarecer uma notícia do Valor Econômico de hoje, que afirma que a Petrobras avançou nas negociações com investidores individuais que reclamam de prejuízos com ações da companhia e deverá fechar novos acordos até o fim do ano que representam cerca de 70% do volume reclamado por acionistas que dizem ter sido prejudicados por fraudes na companhia que foram reveladas no âmbito da Operação Lava-Jato.

Além disso, a estatal informou que renovou financiamento de R$ 3,7 bilhões com a Caixa. A operação tem novo prazo de vencimento para novembro de 2023 e não contempla garantias reais (unsecured), disse a companhia em comunicado ao mercado.

Vale (VALE3, R$ 24,74, -1,63%; VALE5, R$ 22,52, -1,66%)
Após a derrocada de 7,4% das ações da Vale na última quarta-feira, em meio à forte queda do minério de ferro (após um forte rali), os papéis da mineradora tentaram uma sessão de recuperação, mas perderam força nas horas finais de pregão. minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 1,56%, a US$ 73,55. A cotação do minério é um importante balizador para o desempenho das ações da Vale, já que é o seu principal produto. 

Já as ações de siderúrgicas fecharam entre perdas e ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 12,81, +1,67%), Usiminas (USIM5, R$ 3,94, -0,51%) e CSN (CSNA3, R$ 10,57, +0,67%).

Contudo, vale destacar a frase do presidente da BHP Billiton Andrew Mackenzie. Ele ressaltou que o rali que proporcionou a alta de 66% do minério e de 295% do carvão seja mais moderada com os esforços da China na reestruturação de sua indústria siderúrgica. 

 Cesp (CESP6, R$ 13,91, +1,46%)
As ações da Cesp subiram após o Itaú BBA elevar a recomendação para a companhia de energia de underperform para outperform com a avaliação de que a companhia negocia com um bom risco/retorno após a recente queda das ações. Entre os destaques, os analistas do banco esperam que o fluxo de notícias sobre a possível privatização da empresa crie um impulso positivo para os papéis.

JBS (JBSS3, R$ 10,20, +6,81%)
As ações da JBS tiveram sua terceira alta seguida, acumulando no período ganhos de 12%. O rali se estende após o
 JP Morgan ter elevado a recomendação dos papéis da companhia para overweight (desempenho acima da média), com preço-alvo de R$ 15,00, destacando o valuation atrativo e afirmando que "o pior para a companhia ficou para trás". 

Na semana passada, o lucro da empresa do 3° trimestre, apesar da queda de 74% na comparação anual, superou as estimativas dos analistas, com aumento das margens da unidade americana. Os analistas do Bradesco BBI disseram, em nota aos clientes, que a teleconferência da companhia reforçou visão otimista sobre a unidade da JBS nos EUA. 

 Bancos
As ações de bancos abriram em alta, mas viraram para forte queda, em meio à fala de Yellen e com impacto de elevação de juros do México. No setor, todas as ações fecharam em forte desvalorização, com Banco do Brasil (BBAS3, R$ 25,52, -1,85%), 
Bradesco (BBDC3, R$ 27,87, -1,69%; BBDC4, R$ 28,78, -3,13%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,06, -2,99%) e Santander Brasil (SANB11, R$ 26,29, -1,39%). 

Sobre o Santander, o Itaú BBA elevou o preço justo para os papéis de R$ 16,50 para R$ 23,30, apesar de manter a recomendação underperform. Segundo os analistas, o banco continua a negociar com bons múltiplos, mas que estão próximos do que está o Bradesco, o que torna a ação do Santander mais cara. "Acreditamos que o forte desempenho das ações do banco está ligeiramente relacionado ao baixo flutuador do banco, bem como ao fato de ele fazer parte do MSCI LatAm, além do fato do influxo de investimentos passivos terem aumentado nos últimos anos", explicam os analistas do Itaú.

Já o Itaú Unibanco realizou nesta quinta uma reunião com analistas e investidores em São Paulo. Segundo o presidente do banco, Roberto Setúbal, as ações do banco deveriam ser negociadas a níveis mais altos do que a média das ações do Ibovespa. O banco se mostrou confortável com níveis atuais de provisão e disse que não pretende atuar com capital elevado e pode eventualmente rever política de dividendos. 

Rumo (RUMO3, R$ 5,76, +6,04%)
Outra ação que foi destaque foi a Rumo, em nova sessão de forte recuperação após a derrocada da semana passada. Segundo fontes disseram à Bloomberg ontem, a empresa 
avalia vender uma participação em seus terminais no maior porto do país. A empresa chegou a iniciar conversas com a Raízen, maior produtora brasileira de açúcar, e com a trading Czarnikow, sediada em Londres.

Ambas abandonaram as negociações na sequência, afirmaram duas das fontes. A venda de ativos ajudaria a Rumo a financiar seu plano de investimento, que prevê o desembolso de aproximadamente R$ 7 bilhões (US$ 2 bilhões) nos próximos anos e com o qual os acionistas da Rumo contam para impulsionar o crescimento da companhia. Ao mesmo tempo, ajudaria a manter a bilionária dívida da companhia sob controle. A Rumo teve a sua recomendação elevada de neutra para compra pelo UBS. 

Smiles (SMLE3, R$ 45,84, -4,02%) e Multiplus (MPLU3, R$ 35,00, -0,54%)
As ações da Smiles e Multiplus registraram leves quedas após o UBS rebaixar a recomendação para neutra, destacando a relação mais balanceada entre risco e retorno e o valor justo.  

Fibria (FIBR3, R$ 28,61, +3,70%)
As ações da Fibria tiveram a recomendação elevada para compra pelo Bank of America Merrill Lynch, com os analistas revisando as estimativas para o dólar para R$ 3,60 em 2016 e para R$ 3,90 em 2017. Além disso, eles apontam que os preços de celulose estão se recuperando e pode se sustentar no primeiro semestre de 2017. O BofA também manteve a recomendação de compra para Suzano (SUZB5, R$ 12,01, +3,27%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,58, -0,48%).  

Copel (CPLE6, R$ 27,85, -4,43%)
A estatal paranaense Copel já se prepara para disputar leilões de concessão para a construção de novas linhas de transmissão de energia em 2017, afirmou o presidente da divisão de geração e transmissão da companhia em teleconferência com investidores nesta quarta-feira.

De acordo com Sérgio Lamy, o retorno desses empreendimentos está "extremamente mais favorável" após as últimas elevações de receita autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ele disse que a Copel só não participou de um certame realizado no final de outubro porque prevê que haverá linhas mais adequadas a seu planejamento nas licitações de 2017.

Localiza (RENT3, R$ 33,66, -4,13%)
As ações da Localiza figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa, indo ao seu menor nível desde 7 de julho. Com notícias recentes de capitalização de principais concorrentes, o mercado começa a criar dúvida sobre fôlego financeiro de competidores para manter disputa por preço acirrada, disse Lucas Marquiori, analista do banco Safra, em entrevista à Bloomberg. "Recentemente, após resultado, houve percepção um pouco mais negativa do mercado com a troca de mix de produtos da companhia", comentou o analista.    

Empresas "X"
As ações "X", como ficaram conhecidas as empresas fundadas por Eike Batista por terem em comum essa letra no nome, têm forte alta nesta sessão. Os papéis da MMX Mineração (MMXM3, R$ 7,60, +38,18%) dispararam 40% na máxima do dia, a R$ 7,70. Já as ações da CCX Carvão (CCXC3, R$ 1,75, +20,69%) atingiram alta de 24,14% no melhor momento do dia, a R$ 1,80, com forte volume financeiro de R$ 1,3 milhão, contra média diária de R$ 1,7 milhão dos últimos 21 pregões. Ambas as ações têm enfrentado forte volatilidade no último mês, principalmente desde o fim de outubro, quando a MMX anunciou a venda de duas minas para o grupo formado pelos fundos Mubadala e Trafigura. 

PDG Realty (PDGR3, R$ 1,63, -9,44%)
As ações da PDG Realty deram continuidade à derrocada na Bovespa. Em 5 pregões, os papéis desabaram 35%, renovando hoje a mínima desde janeiro de 2016. Segundo uma fonte disse à Bloomberg, a PDG Realty planeja entrar com pedido de recuperação judicial até o final no ano após meses tentando reestruturar sua dívida. A companhia 
ainda está coordenando o pedido com bancos, o que tem atrasado o processo, disse a pessoa, pedindo anonimato pelo fato de as discussões serem privadas. 

Em agosto do ano passado, a PDG contratou a Rothschild para ajudar a reestruturar R$ 5,8 bilhões de dívida após as vendas despencarem, de acordo com um comunicado da empresa. Procurada pela Bloomberg, a empresa não quis se pronunciar sobre o assunto. 

No 3° trimestre deste ano, o prejuízo líquido da companhia aumentou para R$ 1,72 bilhões, ante R$ 403 milhões registrados no mesmo período no ano passado. A receita líquida ficou negativa em R$ 4 milhões à medida que cancelamentos aumentaram.

Em relatório, o Bradesco BBI disse não ver mais nenhum valor patrimonial restante na companhia. As mudanças recentes no comando da empresa são um sinal de que “é improvável sobreviver em sua forma atual”, comentou o banco em um relatório intitulado “Pedido de recuperação judicial cada vez mais perto”. 

 

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