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Holding da Vale afunda 4%, Rumo dispara 6% e Braskem salta 5% com recomendações de compra

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa seguiu o exterior e caiu nesta terça-feira (11), pressionado pelas ações ligadas a commodities. O mercado aproveitou o tom negativo no exterior para realizar os ganhos acumulados nos últimos pregões, em meio à aprovação, em primeiro turno na Câmara dos Deputados, do texto-base da proposta que limita o crescimento dos gastos públicos.

Os papéis da Petrobras fecharam em queda pela primeira vez após sete pregões seguidos de ganhos, penalizados pelos preços do petróleo no mercado internacional. Na ponta negativa, figuraram os papéis da Bradespar - holding que detém participação na Vale -, seguidos pelos ativos da Metalúrgica Gerdau e Pão de Açúcar, afetados pelos dados operacionais do 3° trimestre.

Na ponta oposta, as ações da Rumo dispararam 6%, após receber ontem correspondência do BNDES, informando que R$ 3,5 bilhões em projetos da companhia estão enquadrados para concessão de financiamento. Na sequência, vieram as ações da Braskem, que saltaram 5% após recomendação de compra de dois bancos. Fora do índice, destaque para os papéis da OSX, de Eike Batista, que dispararam até 16,76% nesta sessão, a R$ 17,49, com forte volume financeiro. A euforia ocorria após a empresa anunciar aluguel de terminal no Porto do Açu. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira:  

Petrobras (PETR3, R$ 17,08, -2,34%; PETR4, R$ 15,39, -2,16%)
As ações da Petrobras caíram na esteira dos preços do petróleo no mercado internacional. Ontem, o petróleo WTI atingiu U$51,48, seu maior preço em 15 meses, após Putin comentar que a Rússia está pronta para seguir a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e limitar a produção. Porém, a commodity cai hoje após CEO da Rosneft, maior empresa russa de petróleo, comentar que a empresa não irá reduzir a produção. Além disto, o presidente da Agência Internacional de Energia disse que alta do petróleo a U$60 estimulará a produção dos EUA. Hoje, o petróleo Brent caiu 1,5%, a US$ 52,36 o barril, enquanto o WTI recuou 1,1%, a US$ 50,79 o barril. 

No radar, a Petrobras e a Nova Infraestrutura FIP submeteram ao Cade análise da operação que envolve a aquisição de ações no setor de transporte de gás natural, segundo documento de divulgação do documento na seção 3 do Diário Oficial.

Ainda no radar das estatais, segundo notícia do Valor Econômico, o governo vai estimular a realização de PDVs (Programas de demissão voluntária) para reduzir o número de funcionários e salários em empresas estatais federais. Neste ano, a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Ministério do Planejamento já analisou quatro pleitos de PDV, sendo que um deles já foi implementado. Outras seis empresas pretendem fazer o pedido à secretaria. A Petrobras foi uma das empresas que encerrou recentemente um Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário. Segundo balanço de 31 de agosto, 11.704 empregados fizeram adesão ao programa, número que ainda poderia sofrer ajuste.

Vale (VALE3, R$ 18,60, -2,36%; VALE5, R$ 16,69, -1,77%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 10,74, -3,76%) - holding que detém participação na Vale - caíram forte após euforia na véspera, indo na contramão dos preços do minério de ferro. A commodity negociada no Porto de Tianjin, na China, subiu 1,3% no mercado à vista, a US$ 56,50 a tonelada seca, segundo dados do The Steel Index. 

Acompanharam o movimento os papéis das siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,50, -2,56%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,80, -1,81%), Usiminas (USIM5, R$ 3,71, -1,85%). A exceção foi CSN (CSNA3, R$ 10,20, 0,0%), que encerrou o pregão estável.

Braskem (BRKM5, R$ 26,10, +4,95%)
As ações da Braskem dispararam até 5,83% nesta sessão, a R$ 26,32, após com recomendações de compra por dois bancos. O HSBC elevou hoje a recomendação da ação de manutenção para compra, enquanto o Brasil Plural revisou o papel de equalweight (desempenho em linha com a média) para overweight (desempenho acima da média). O preço-alvo foi rolado de R$ 28,00 para R$ 31,00 por ação até o fim de 2017. Para o analista Caio Carvalhal, do Brasil Plural, os riscos estão diminuindo, o que pode destravar valor para a ação, que parece entregar um potencial de valorização atrativo.

Telefônica (VIVT4, R$ 43,89, +0,67%)
As ações da Telefônica, dona da marca Vivo, estancaram a forte derrocada ontem, após a companhia ter anunciado mudança de CEO (Chief Executive Officer). Eduardo Navarro, atual presidente do Conselho de Administração da empresa no Brasil, assumirá a presidência da companhia no lugar do israelense Amos Genish, que ocupava o cargo desde 2015 e foi encarregado de executar o processo de integração da Telefônica com a GVT, adquirida pela empresa.

Em entrevista à Bloomberg, o novo CEO da Vivo afirmou que “sua gestão será de continuidade, não vamos querer inventar nada”. Navarro assumirá a partir de 1º de janeiro de 2017, e afirmou que a nova gestão estará comprometida com a melhoria de eficiência e da rentabilidade, através da busca de sinergias. A companhia estará atenta no movimento de consolidação que poderá acontecer nos próximos anos.

Raia Drogasil (RADL3, R$ 67,10, -0,59%) e Fleury (FLRY3, R$ 39,20, +0,03%) 
A Raia Drogasil teve a recomendação elevada de neutra para outperform e Fleury teve recomendação rebaixada de outperform para neutra, segundo relatório assinado por Marcio Osako, do Banco Safra de Investimento.

A Raia Drogasil tem “fundamentos únicos bem conhecidos” que, “em nossa opinião justificam seus múltiplos ricos”

“Nossa visão mais cautelosa sobre a recuperação macro no próximo ano (crescimento do PIB de 0,4%) também favorece a preferência por Raia Drogasil”. A ação é a nova “top pick” do setor junto com Qualicorp.

Já a Fleury foi rebaixada “devido ao potencial limitado de ganho após o forte rali recente (alta de 46% em três meses) e o receio de um crescimento mais fraco da receita no próximo ano por conta do aumento do desemprego”.

Analista mantém recomendação outperform para Qualicorp, neutra para Hypermarcas e underperform para Odontoprev e espera resultados do terceiro trimestre positivos em termos gerais para o setor, com Fleury, Raia Drogasil e Hypermarcas “mostrando crescimento de receita de dois dígitos e expansão da margem”. A Odontoprev “por sua vez, deve apresentar números fracos novamente sobre o volume negativo e queda da margem”.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 53,24, -2,72%)
As ações do Pão de Açúcar afundaram após dados operacionais do 3° trimestre. Segundo a XP Investimentos, as vendas melhoraram, mas não cresceram a inflação do período. Os analistas da corretora seguem não recomendando exposição ao ativo. 

No período, a receita líquida consolidada do grupo atingiu R$ 15,094 bilhões, alta de 4,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme dados divulgados nesta terça-feira pela maior companhia de varejo do país. A receita líquida do grupo no conceito "mesmas lojas" cresceu 1,9% no período. 

OSX Brasil (OSXB3, R$ 15,80, +5,47%)
As ações da OSX amenizaram bem após dispararem 16,76% na máxima do dia, a R$ 17,49. A companhia informou que celebrou um acordo para locação de área de cais e instalações localizada próxima à entrada do canal do Terminal 2 do Porto do Açu. "Tal acordo prevê a celebração de um contrato definitivo de aluguel por 20 anos renováveis por igual período", informou a companhia em nota.

"No âmbito do Plano de Recuperação Judicial, a OSX confirma a execução de um de seus pilares – a re-adequação do plano de negócios da unidade no Açu – assegurando a continuidade de suas operações e a geração de caixa para fazer frente às obrigações previstas", completou a OSX.

Rumo (RUMO3, R$ 6,52, +6,19%)
As ações da Rumo encerraram como a maior alta do Ibovespa nesta sessão, próximas a máxima do dia (+6,35%, a R$ 6,53). O BNDES enquadrou os projetos de melhoria da malha apresentados pela companhia para análise de viabilidade de apoio financeiro na ordem de R$ 3,5 bilhões. Trata-se basicamente de umas das principais etapas para aprovação do funding de longo prazo pelo BNDES. De acordo com a empresa, os demais procedimentos regulamentares devem ainda ser efetivados em outras áreas do BNDES. "Uma vez que o funding de longo prazo é condição necessária para a execução do plano de investimento de longo prazo (o qual também é condicionado a renovação do contrato de concessão da Malha Paulista) vemos essa notícia como positiva, muito embora fosse bastante esperada (a empresa já vem pleiteando esse financiamento há mais de um ano)", comentaram os analistas do BTG Pactual. 

 

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