Em mercados / acoes-e-indices

Acionistas "abandonam" Braskem após dividendos e ação desaba 9%; Petrobras sobe e Vale cai 2%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Braskem_petroquímico
(Divulgação)

SÃO PAULO - Após euforia na véspera, os ânimos dos investidores se acalmaram nesta terça-feira e o Ibovespa fechou em queda de 0,3%, a 59.293 pontos, entre alta da Petrobras e bancos e queda da Vale. 

Na ponta negativa, o Braskem desabou 9% nesta sessão, após dividendo de R$ 1 bilhão. Os papéis da companhia passarão a ser negociados nesta ex-proventos a partir desta terça-feira. 

Chamou atenção também as ações da Itaúsa - holding do Itaú -, que caiu forte após rumores apontarem que a empresa está interessada na BR Distribuidora. O mercado teme que a empresa perca seu diferencial com a operação: ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) e dividendos, disse o analista Marco Saravalle, da Upside Investor, durante o Comprar ou Vender desta terça-feira (para conferir a análise completa, clique aqui).

Veja abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão: 

Braskem (BRKM5, R$ 23,54, -9,01%)
Acionistas "abandonam" Braskem após dividendos de R$ 1 bilhão e ação afunda nesta sessão. A partir dessa terça-feira, as ações da petroquímica passarão a ser negociadas "ex-proventos". A petroquímica distribuirá R$ 1,25715870797 em dividendos por ação.A remuneração será feita com base na composição acionária da última segunda-feira. O pagamento dos dividendos será realizado a partir do dia 11 de outubro. Vale lembrar que o papel da companhia disparou 10,29% no dia que a empresa fez o anúncio sobre o provento. 

Além disso, segundo o Valor, ao mesmo tempo em que a Braskem negocia um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e com a SEC (Securities and Exchange Commission), a companhia segue ré em uma ação coletiva movida por investidores americanos e pede o indeferimento de todas as acusações. Uma audiência presencial deve decidir sobre a questão na quinta-feira da semana que vem, dia 20, em Nova York. A Braskem é acusada de violar as leis do mercado de capitais dos Estados Unidos ao se envolver em um esquema de pagamento de propina para obter preços mais favoráveis no contrato de nafta com a Petrobras. Na legislação americana, é considerado crime fazer comunicados falsos ao mercado, acusação também presente no processo.

Lojas Renner (LREN3, R$ 24,25, -2,88%)
As ações da Lojas Renner figuram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sessão. Ontem, o BTG Pactual retirou a ação de sua carteira do mês de outubro, em um movimento tático, antecipando o resultado do 3° trimestre, que deve vir mais fraco. A expectativa é que o segmento "mesmas lojas" (que considera lojas abertas há pelo menos 12 meses) venha próximo a zero, possivelmente levemente negativo, enquanto o lucro deve cair cerca de 5%.

Os analistas disseram que a ação pode sofrer por conta disso, o que abriria oportunidade de compra para quem está olhando para um horizonte mais de longo prazo (de 2 a 3 anos). Para os analistas, embora o 3° trimestre deva vir fraco, o 4° trimestre deve mostrar ligeira recuperação, até por conta da base fraca, e, por isso, reiteraram visão positiva para o case. 

Elétricas 
Notícias que saíram ontem sugerem novas condições impostas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) quanto à sua participação nos novos leilões de transmissão. Agora, o BNDES nao irá mais usar a TJLP como referência e sim a custo de mercado, o que deve elevar os custos comprimindo os retornos, comentaramos analistas do BTG Pactual.

Na Bolsa, as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 18,77, -3,74%; ELET6, R$ 23,08, -4,43%), AES Tietê (TIET3, R$ 3,30, -1,49%), Cemig (CMIG4, R$ 8,72, -0,91%) e Equatorial (EQTL3, R$ 50,86, -0,88%) apareciam entre as maiores quedas do setor.  

Natura (NATU3, R$ 32,78, +0,86%)
As ações da Natura disparam pelo terceiro dia, liderando hoje os ganhos do Ibovespa. No período, os papéis acumulam ganhos de 7%. Procurados pelo InfoMoney, operadores do mercado disseram que não havia nenhum fato novo que pudesse justificar a euforia.  

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 52,87, -0,96%)
A agência de classificação de risco Fitch cortou o rating nacional de longo prazo do Grupo Pão de Açúcar de "AA+" para "AA", com perspectiva estável. Segundo a agência, o rebaixamento reflete o enfraquecimento do modelo de negócios da companhia, com perda material da rentabilidade em todas as suas áreas, por diversos trimestres seguidos. 

Por outro lado, a perspectiva estável segue a expectativa de uma melhora gradual das margens consolidadas e das métricas de crédito para o ano de 2017, mais próximas às reportadas em 2015. 

"No período de 12 meses encerrado em junho de 2016, a divisão alimentar da companhia se mostrou menos resiliente, enquanto o negócio de bens de consumo duráveis mostrou-se significativamente mais frágil, em relação ao que a Fitch incorporava na avaliação", justifica a agência.

Anima (ANIM3, R$ 12,82, +4,65%)
A Anima Educação anunciou a compra de instituições mantenedoras de escolas politécnicas em Minas Gerais e Goiás, por R$ 24 milhões. A companhia comprou a Eurolatino Participações, controladora da Faculdade Politécnica de Uberlândia (MG) e o Instituto Politécnico, mantenedor da Faculdade Politécnica de Goiás. 

O pagamento prevê parcela de R$ 4,5 milhões ajustável dependendo de dívida e caixa líquido dos ativos comprados e o restante será quitado em 74 prestações mensais, corrigidas à taxa de 12% ao ano mais TR. 

O Santander espera reação “marginalmente positiva” ao ver a aquisição como “estrategicamente positiva, já que complementa a presença do Anima no interior do estado de Minas Gerais (principal mercado da empresa)".

A XP Investimentos comentou que segue acreditando no processo de consolidação do setor, devido ao crédito escasso e mais caro e problemas das universidades com o Fies. A corretora não recomenda exposição a nenhuma empresa do setor educacional. 

Itaúsa (ITSA4, R$ 8,22, -3,18%)
Após anos sem mexer no seu quadro de empresas que controla, a Itaúsa, holding de investimento das famílias Setubal e Vilella, e a Cambuhy Investimentos, empresa de private equity da família Moreira Salles, pretendem fazer uma oferta pela BR Distribuidora, disse a Bloomberg citando duas pessoas com conhecimento direto do assunto. Atualmente, a holding controla o Itaú (cerca de 95% da holding), Duratex, Elekeiroz e Itautec (desinvestindo). 

Além deles, a Vitol e as empresas de private equity GP Investimentos e Advent International também estudam fazer uma proposta, diz a agência de notícias. Segundo as informações, a operação pode envolver US$ 6 bilhões. Alguns dos investidores avaliam criar um consórcio, disseram as fontes.

Procuradas pela Bloomberg, Itaúsa, Cambuhy, Advent, Vitol e GP não quiseram comentar, assim como a Petrobras. Nesta segunda-feira (3), a petrolífera informou que deu início ao envio de prospecto sobre a BR Distribuidora a potenciais parceiros.

Bancos
As ações dos bancos seguem em forte alta hoje, ajudando a sustentar o dia positivo do Ibovespa, com Bradesco (BBDC4, R$ 30,12, +1,16%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,75, +1,10%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,48, +0,60%). 

O Bradesco sobe também com perspectiva de dividendos extraordinários. O banco informou na última sexta-feira que seu conselho de administração, em reunião realizada naquela data, aprovou proposta da diretoria para pagamento extraordinário, de juros sobre o capital próprio, relativos ao terceiro trimestre de 2016, no valor total de R$ 3,3 milhões, sendo R$ 0,571123466 por ação ordinária e R$ 0,628235813 por ação preferencial, aos seus acionistas. Serão beneficiados os acionistas que estiverem inscritos nos registros da Sociedade nesta data, passando as ações a ser negociadas “ex-direito” aos juros extraordinários a partir do dia 3 de outubro. O pagamento ocorrerá em 8 de março de 2017.

Vale e siderúrgicas
As ações da (VALE3, R$ 17,65, -2,49%; VALE5, R$ 15,55, -1,52%) viraram para queda nesta sessão, em meio ao feriado na China e queda nos preços do minério de ferro. A commodity caiu 2,68%, indo a US$ 55,11 a tonelada. Acompanharam o movimento as ações das siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 8,85, -1,67%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,48, -1,42%) e CSN (CSNA3, R$ 9,42, -0,95%). 

No radar, notícias do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apontavam que a CSN estava estudando aumento de preço de aço plano no Brasil em 5% para todos os produtos a partir de 1° de novembro. Ontem, as ações da companhia subiram quase 5%. Para o BTG Pactual, no entanto, esse reajuste seria bastante desafiador, dado o prêmio que está em 9% e parece justo. Os analistas lembram que esse seria o 4º aumento de preço neste ano (10% em Abril, 10% em Maio, 10% em Junho que não pegou). Segundo eles, dificilmente a companhia vai conseguir implementar aumento com preços de aço sendo reduzidos em diversas regiões do mundo. Além disso, eles veem risco de maior valorização do real frente ao dólar nas próximas semanas, citando ainda que o aumento anunciado em junho não foi completamente implementado. "Conversamos com outro player do setor que ainda não decidiu se vai aderir ao reajuste de preço", disseram. 

Já sobre a Vale, a mineradora negocia parcerias que irão ajudar a empresa a vender mais minério de ferro para clientes chineses menores, num esforço para tirar participação de mercado de seus rivais australianos BHP e Rio Tinto. A mineradora está finalizando acordos com companhias locais para melhorar a distribuição na China, disse Humberto Freitas, diretor-executivo de Logística e Pesquisa Mineral, em entrevista na segunda-feira à Bloomberg. A Vale criou uma empresa de distribuição para liderar esse processo. Freitas disse que a Vale já atingiu os grandes clientes e agora precisa alcançar os menores.

Segundo o Valor Econômico, está prevista para quarta-feira a retomada do julgamento, em audiência no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, de uma ação da Nippon Steel & Sumitomo que pede a anulação da eleição do presidente da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, feita em 25 de maio. A siderúrgica japonesa impetrou logo após a decisão do conselho de administração da siderúrgica com um agravo de instrumento na Justiça mineira.

Gol (GOLL4, R$ 6,60, +3,61%)
As ações da Gol subiram com o anúncio da Receita Federal de excluir o setor aéreo do aumento de impostos ocasionado pela decisão do governo federal de incluir a Irlanda na lista de países considerados paraísos fiscais. Pelos cálculos do Bradesco BBI, a ação da Gol poderia ser penalizada em R$ 1,40 sem essa isenção. 

"Vemos essa isenção fiscal para as companhias aéreas brasileiras como positivo. Sem isso, o impacto sobre a ação da Gol teria sido de R$ 1,40, ou cerca de R$ 480 milhões para 2017 e 2018", comentaram os analistas do banco. A decisão de incluir a Irlanda na lista de paraísos fiscais, além de Curaçao e São Martinho, elevaria para 25% a alíquota de imposto pago pelas companhias aéreas sobre o valor dos aluguéis das aeronaves. Hoje, a frota das quatro maiores aéreas nacionais reúne pouco mais de 500 aviões, dos quais cerca de 250 são alugados de empresas sediadas na Irlanda. 

Em função do temor de que a Receita Federal não acatasse o pedido da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), de excluir o setor aéreo, a ação da Gol caiu 17% nos últimos 17 pregões.

Petrobras (PETR3, R$ 15,61, +0,13%; PETR4, R$ 14,02, +0,36%) 
As ações da Petrobras fecharam em leve alta, apesar do dia negativo nos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato futuro do Brent caía 0,14%, a US$ 50,83 o barril, enquanto o WTI recuava 0,37%, a US$ 48,63 o barril. 

No radar, a Petrobras informou que deu início ao envio de prospecto sobre a oportunidade para potenciais parceiros na venda da BR Distribuidora. A seleção de empresas que receberam o chamado Teaser foi, segundo a estatal, "realizada com base em critérios objetivos, em conjunto com a instituição financeira especializada em fusões e aquisições e contratada para assessorar o processo de venda".

A petrolífera lembrou que iniciou um novo processo competitivo visando ao compartilhamento de controle, em uma estrutura societária que visa a assegurar à Petrobras a maioria do capital total da BR, mantendo 49% do capital votante. "Esse novo modelo de venda atrai maior interesse do mercado e tem como objetivo maximizar o valor do negócio de distribuição de combustíveis, atender aos objetivos estratégicos da Petrobras e manter a operação integrada na cadeia do petróleo", disse a estatal.

Saraiva (SLED4, R$ 3,68, -0,27%)
Segundo coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, um grupo de investidores se reuniu para fazer uma oferta pelos 30% que o investidor coreano Mu Hak You, dono da gestora de recursos GWI, detém na Saraiva. 

 

Contato