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Holding da Vale dispara 5%, Petrobras sobe 3% e small cap salta até 21% com renegociação de dívidas

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa ganhou força nesta segunda-feira (3), puxado por bancos, Petrobras e Vale. O papel do Bradesco subiu mais de 2% com a perspectiva de pagamento de dividendos extraordinários. Por aqui, investidores reagiram ao cenário externo menos tenso e a expectativa de aprovação do teto dos gastos, após a derrota do PT nas eleições municipais. A PEC é considerada o primeiro passo concreto para a reforma fiscal de Michel Temer e as urnas não criaram empecilho, apesar de o PMDB ter sofrido derrotas em São Paulo e Rio de Janeiro.

Em meio ao otimismo dos investidores, apenas três das 58 ações do Ibovespa caíram hoje. O papel da Ambev foi um deles, penalizado pela queda na produção de cerveja no 3° trimestre. As ações da Fibria também recuaram afetadas pela queda do dólar frente ao real. O dólar futuro, negociado na BM&FBovespa, registrava desvalorização de 1,54%, a R$ 3,231. 

Já na ponta positiva, as ações ligadas a commodities dispararam, com os papéis da Bradespar - holding que detém participação na Vale, fechando em alta de 5,5%. As ações da Petrobras também subiram forte hoje (PETR4, +2,97%), sustentadas pela alta do petróleo no mercado internacional. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 15,59, +2,97%; PETR4, R$ 13,97, +2,95%)
O dia foi instável para os preços do petróleo, que engataram alta mais forte apenas nesta tarde. Mesmo assim, as ações da Petrobras figuraram durante todo o pregão em terreno positivo, seguindo o desempenho do mercado doméstico. Lá fora, o contrato futuro do Brent fechou em alta de 1,2%, a US$ 50,81 o barril, enquanto o WTI registrou alta de 1,2%, a US$ 48,81 o barril. 

No radar, a estatal encontrou petróleo de boa qualidade e com volume significativo no campo Albacora, no pré-sal da Bacia de Campos, diz O Globo, citando Solange Guedes, diretor de Exploração e Produção da estatal.

É a maior descoberta de petróleo no pré-sal já feita na Bacia de Campos, segundo o jornal. A Petrobras pretende fazer o 1º Teste de Longa Duração no campo em 2017 e tem expectativa de que poço atinja, em testes, vazão da ordem de 15.000 barris por dia de petróleo. A Bacia de Campos produz cerca de 280.000 barris por dia de petróleo e gás natural no pré-sal, pouco mais de 20% da produção total a essa profundidade, diz o jornal.

Natura (NATU3, R$ 32,50, +4,07%)
As ações da Natura disparam 7% em dois pregões, sem nenhum motivo aparente. Neste pregão, os papéis figuraram entre as maiores alta do Ibovespa. Procurados pelo InfoMoney, operadores do mercado disseram que não há nenhum fato novo que puxar essa valorização recente. 

A única justificava encontrada foi dada por Adeodato Volpi Netto, head de mercados de capitais, da Eleven Financial, que acredita que pode ser um rali fruto de um aquecimento das recentes especulações sobre as movimentações de ampliação internacional. "Pode ser um mais um caso de precificação antecipada, o que pode representar risco para o investidor médio. A empresa é ótima, mas dificilmente acelera em ritmo tão intenso na 'realidade das suas performances', comentou.

Hypermarcas e Raia Drogasil
Foi divulgado no Diário Oficial de sexta-feira o Fator X (redutor) para reajuste de medicamentos em 2017. O número ficou em 3,4%, o maior desde 2014. Segundo o BTG Pactual, de forma resumida, implica que o fundo da faixa de reajuste de medicamentos a ser divulgado em 31 de março de 2017 deve ser em torno de 3,5%, bem abaixo dos 12,5% e 5,0% do ano passado e retrasado, respectivamente (ano passado tiveram dois componentes relevantes que afetaram o Fator Y: cambial e de energia).

Para Hypermarcas, eles esperam que o reajuste de preços fique em linha ou levemente abaixo da inflação para 2017, visto que praticamente dois terços dos produtos da empresa está na faixa 1 (produtos com alta competição), que não é afetada pelo fator X. O efeito prático para Hypermarcas e Raia Drogasil, no entanto, não é muito relevante. "Óbvio que um aumento de preço maior seria excelente, mas o aumento de 2015 foi muito fora da curva. A atualização em 2016 foi relevante, mas o potencial de queda, caso esse aumento abaixo de inflação seja confirmado é limitado para ambas as empresas", comentaram. Eles mantiveram recomendação de compra para Hypermarcas (HYPE3, R$ 28,65, +2,80%) e neutra em RaiaDrogasil (RADL3, R$ 66,67, +0,59%). 

Ambev (ABEV3, R$ 19,75, -0,35%)
As ações da Ambev aparecem entre as poucas quedas do Ibovespa nesta segunda-feira, após dados de produção de cerveja divulgados pelo Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas). No mês de setembro, a produção ficou estável, na comparação com o mesmo período de 2015, totalizando 1,207 bilhão de litros. Já no acumulado do trimestre, a produção de cerveja ficou 0,9% abaixo do volume apresentado no mesmoperíodo do ano passado. De julho a setembro deste ano, a produção somou 3,259 bilhões de litros. 

Para analistas do BTG Pactual, os dados não foram tão fracos, levando em consideração que os dado de setembro de 2015 foram os mais altos para esse mês desde 2010. Além disso, eles comentaram que seguem achando que a Ambev tem perdido participação no mercado, o que reforça a projeção de volumes decrescendo 2,4% na comparação anual no Brasil no 3° trimestre de 2016. 

Cosan (CSAN3, R$ 38,31, +1,59%)
A Cosan subiu após vender por R$ 1,065 bilhão sua fatia de negócio de terras. Em fato relevante, o Grupo Cosan informou a venda de uma fatia não revelada na Radar – empresa de terras do grupo – à Mansilla Participações Ltda., veículo de investimento do fundo de pensão dos professores americanos (TIAA). O fechamento definitivo da operação está condicionado à aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Segundo o Santander, a venda representa mais um passo da companhia na direção da desalavancagem e simplificação de sua estrutura corporativa. "Nós acreditamos que os recursos podem ser usados para redução da dívida líquida na holding da empresa", disseram os analistas. Para eles, a notícia pode ser um dos principais catalisadores para a perspectiva positiva para os negócios de açúcar e álcool da Cosan, que pode persistir não somente no 4° trimestre de 2016, mas também para 2017. 

Os analistas do BTG Pactual também interpretaram a notícia como positiva. Primeiramente, uma vez que a Cosan não divulgou a fatia vendida, eles acreditam que o valor total da participação na Radar parece ser ainda maior, dado que a fatia remanescente também possui algum valor, comentaram. Além disso, eles veem dois usos potenciais para os recursos levantados: desalavancagem ou pagamento de dividendos. No primeiro caso, a companhia poderá amortizar seu endividamento no nível da holding e diminuir sua ineficiência fiscal (já que a holding não é geradora de resultados). Eles reiteraram recomendação de compra para a ação.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,10, +1,63%; VALE5, R$ 15,79, +2,53%), Bradespar (BRAP4, R$ 10,30, +5,53%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 9,00, +1,58%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,53, +2,92%), CSN (CSNA3, R$ 9,51, +4,62%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,57, +1,13%) acompanham o dia de alta do mercado doméstico. 

No radar, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, iniciou uma contraofensiva para se manter no cargo, informa o jornal O Globo. Nas últimas semanas, Clovis Torres, diretor de Recursos Humanos, Sustentabilidade, Integridade Corporativa e Consultoria Geral da mineradora, circulou por gabinetes de Brasília numa tentativa de conquistar a simpatia dos parlamentares do PMDB e do PSDB. Integrantes da bancada mineira, insatisfeitos com demissões feitas pela empresa no estado em 2015 e com o impacto do acidente da Samarco — na qual a Vale tem 50% —, articulam a substituição de Ferreira. Um dos cotados para uma eventual mudança na cadeira da presidência é José Carlos Martins, ex-diretor de Ferrosos da mineradora e que hoje é conselheiro da NovaAgri.

Os detentores de eurobônus da Samarco contrataram Houlihan, afirmaram fontes à Bloomberg. As conversas entre a companhia e os credores ainda não começaram, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas

A Samarco, controlada em partes iguais entre Vale e BHP Billiton, tem US$ 2,2 bi em títulos de dívida externa em circulação. As operações da companhia estão paralisadas desde o rompimento das barragens em novembro passado, que provocaram a morte de 19 pessoas e o derramamento de bilhões de galões de lama no Rio Doce. A empresa deixou de pagar US$ 500 milhões em juros da dívida de uma emissão de títulos de 2024; empresa ainda está no período de carência de 30 dias antes de ser declarada inadimplente. Houlihan não respondeu aos pedidos de comentários.

Já a CSN congelou venda de fatia em Sepetiba Tecon, segundo informou o jornal Valor Econômico. A siderúrgica decidiu congelar a venda de participação no terminal de contêineres diante das ofertas apresentadas ficarem abaixo do esperado e porque CSN não quer sair do negócio e pretende investir em outros terminais; a CSN não se manifestou, segundo o jornal. Em agosto, o Valor disse que CSN analisa as últimas 3 propostas por Sepetiba Tecon.

Bancos
As ações dos bancos subiram forte em dia de euforia no mercado doméstico, com Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,35, +2,38%), Bradesco (BBDC4, R$ 29,79, +2,24%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,34, +2,37%) e Santander (SANB11, R$ 22,11, +0,50%).

O Bradesco sobe também com perspectiva de dividendos extraordinários. O banco informou na última sexta-feira que seu conselho de administração, em reunião realizada naquela data, aprovou proposta da diretoria para pagamento extraordinário, de juros sobre o capital próprio, relativos ao terceiro trimestre de 2016, no valor total de R$ 3,3 milhões, sendo R$ 0,571123466 por ação ordinária e R$ 0,628235813 por ação preferencial, aos seus acionistas. Serão beneficiados os acionistas que estiverem inscritos nos registros da Sociedade nesta data, passando as ações a ser negociadas “ex-direito” aos juros extraordinários a partir do dia 3 de outubro. O pagamento ocorrerá em 8 de março de 2017.

Braskem (BRKM5, R$ 25,87, +3,03%)
As ações da Braskem figuraram entre as maiores altas do Ibovespa. O movimento ocorreu após euforia por dividendo bilionário ter sido apagada na última sexta-feira, depois de notícias apontarem que a Operação Lava Jato investiga se a petroquímica, que tem como sócios a Odebrecht e Petrobras, pagou propina ao ex-ministro Antonio Palocci.  

Na semana passada, a Braskem anunciou que seu Conselho de Administração aprovou o pagamento de dividendos no valor de R$ 1 bilhão aos seus acionistas, o que corresponde a R$ 1,25715870797455 por ação (seja ela ordinária ou preferencial classe "A") e R$ 2,5143174159491 por ADR (American Depositary Receipt). Só vai ter direito ao provento o investidor que detiver ações da Braskem em carteira no fechamento do pregão da segunda-feira, 3 de outubro. O pagamento dos dividendos será realizado a partir do dia 11 de outubro.

Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 15,41, +20,58%) 
As ações da Vanguarda Agro dispararam até 21,28% nesta sessão, a R$ 15,50, após anunciar na sexta-feira passada que obteve as aprovações para concluir uma renegociação de dívidas bancárias e propôs mudar de nome pela segunda vez. O volume financeiro movimentado com a ação foi de R$ 2,25 milhões, bem superior à média diária de R$ 221,02 mil dos últimos 21 pregões. A empresa disse em nota que a renegociação de dívidas, no montante de R$ 653,6 milhões, contempla a adequação do fluxo financeiro à geração de seu caixa operacional. 

Para 69% do montante renegociável, obteve-se uma carência de 2 anos e 5 anos para pagamentos. O custo das linhas foi mantido. A companhia, que estreou na BM&FBovespa em 2006 como Brasil Ecodiesel, passou a se chamar Vanguarda em 2011. A Vanguarda se disse confiante de que a conclusão desse processo marcará uma nova fase e submeteu ao conselho de administração a mudança do nome para Terra Santa Agro.

 

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