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Exportadoras caem 3% e só 8 ações sobem no Ibovespa; small cap vai de alta de 10% para queda

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

Vale
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Após semana positiva, o Ibovespa caiu nesta segunda-feira, acompanhando a sessão de maior aversão ao risco no mercado internacional. Somente 8 das 58 ações do índice fecharam em alta hoje, com Kroton, Qualicorp, Klabin, Multiplan, Copel, Lojas Americanas e TIM. 

Na ponta oposta, as empresas de perfil exportador lideraram as perdas, com Embraer, JBS e Fibria. Apesar da queda de cerca de 3% desses papéis, o dólar comercial encerrou praticamente estável nesta sessão, a R$ 3,2469 na compra e R$ 3,2474 na venda. 

Fora do índice, destaque para as ações da Brasil Pharma, que chegaram a subir 9,49% na máxima do dia, com a notícia da venda da Drogaria Rosário para a Profarma, por R$ 173 milhões, mas fecharam estáveis. As ações da Profarma encerraram em ganhos de 5,26%, a R$ 10,20 - perto da máxima desta sessão. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira:

Vale e siderúrgicas
As ações de Vale (VALE3, R$ 17,44, -1,19%; VALE5, R$ 15,18, -0,98%), Bradespar (BRAP4, R$ 9,79, -1,51%) e siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 8,68, -0,12%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,54, -2,48%), Usiminas (USIM5, R$ 3,53, -1,12%) e CSN (CSNA3, R$ 8,67, -0,46%) caíram em dia de aversão ao risco nos mercados globais. 

No radar das siderúrgicas, a CSN está próxima de vender a mineradora Casa de Pedra a um grupo chinês, segundo informações da coluna Radar, da Veja. O desfecho da transação deve ocorrer nas próximas semanas. O BTG Pactual lembra que a companhia tem falado há algum tempo na venda de ativos - inclusive "core assets". "A CSN está com fluxo de caixa livre negativo, alavancada em 8 vezes e precisa começar a destravar venda de ativos rapidamente. Seguimos aguardando os próximos passos", comentaram os analistas. Eles ressaltaram que a situação da siderúrgica é crítica e mantém recomendação de venda.

Além disso, o jornal O Estado de S. Paulo informa que, prestes a completar dois anos, a briga societária entre os sócios controladores da Usiminas - Techint/Ternium e Nippon Steel - se mostra longe de um desfecho. Logo após a siderúrgica ter conseguido alongar sua dívida, ponto crucial para a reestruturação da empresa, a Nippon evidenciou a falta de acordo com sua sócia ítalo-argentina e voltou a bater na sua falta de concordância sobre a eleição de Sérgio Leite para a presidência da Usiminas, no lugar de Rômel de Souza, nome de confiança da empresa japonesa.

Souza substituiu Julian Eguren em setembro de 2014, quando o até então presidente da Usiminas foi afastado com outros dois diretores, todos indicados pela Ternium. Desde então, os dois conglomerados siderúrgicos travam brigas, inclusive na esfera judicial. A posse de Leite, que está há 40 anos na Usiminas e que antes ocupava o cargo de vice-presidente comercial, vem sendo questionada pela Nippon na esfera judicial, em um processo que tramita em segredo de Justiça e que teve pedido de intervenção realizado pela japonesa.

Na semana passada, a Nippon Steel jogou um balde de água fria naqueles que achavam que a Usiminas vivia dias mais tranquilos, com uma carta publicada na imprensa. O texto, que acabou não sendo bem recebido pelo mercado, tratava dos feitos de Souza e ainda de Paulo Penido, ex-conselheiro da Usiminas indicado pela Nippon, que faleceu no mês passado. "Sem a dedicação e o empenho demonstrados pelos srs. Rômel e Penido, a Usiminas não teria concluído o refinanciamento das dívidas, crucial para superar a crise histórica que enfrenta", diz a carta, citando um provérbio sobre gratidão. Uma fonte próxima à Nippon Steel ouvida pelo jornal disse que a intenção dessa publicação foi exaltar a importância de Penido para a trajetória da Usiminas.

Depois de um longo período de briga e sem acordo à vista, a única saída vislumbrada seria a separação da Usiminas, com Nippon Steel ficando com a usina de Ipatinga (MG) e Ternium com a unidade de Cubatão, na Baixada Santista, que está com a atividade primária paralisada desde o início do ano. Mas nada foi feito para viabilizar esse divórcio até aqui e o assunto está parado. 

Construtoras
O Ministério das Cidades decidiu que a Caixa Econômica Federal está desautorizada a usar recursos do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço) para financiar a compra de imóveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo analistas do Bradesco BBI, a medida anunciada sobre parece ser mais um passo necessário com objetivo de prevenir novos lançamentos sem o exigido orçamento para respaldá-lo. Para eles, a notícia não deve trazer impacto nas principais empresas com foco na baixa renda. No pregão de hoje, no entanto as ações da MRV Engenharia (MRVE3, R$ 11,56, -1,87%) e Direcional (DIRR3, R$ 5,73, -3,37%) encerraram em queda, pressionadas pelo movimento negativo do mercado doméstico

A instrução normativa, publicada hoje no Diário Oficial da União, refere-se à orientação dada à Caixa para que, não havendo repasse da União para contratação de novos empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, fica vedada a utilização de recursos do FGTS para suprir a cota de responsabilidade da mesma, evitando-se uma contratação de operação de crédito.

Segundo esclareceu o Ministério das Cidades, em nota divulgada à imprensa nesta tarde, não há qualquer tipo de alteração no planejamento e no ritmo de contratação do Minha Casa, Minha Vida. "Todas as linhas de contratação, incluindo o FGTS, permanecem inalteradas", disse.

Profarma (PFRM3, R$ 10,20, +5,26%) e Brasil Pharma (BPHA3, R$ 10,79, -1,55%)
As ações da Brasil Pharma viraram para queda após subirem até 9,49% nesta manhã, a R$ 12,00, enquanto os papéis da Profarma fecharam próximos da máxima do dia de alta de 5,37%, a R$ 10,09. A euforia ocorreu na esteira da notícia de que a Nice RJ Participações, subsidiária da Profarma, celebrou com a Brasil Pharma  contrato para comprar a totalidade das ações ordinárias de emissão da Drogaria Rosário S.A. A transação tem valor de R$ 173 milhões, a serem pagos em duas parcelas: a primeira, em setembro, e a segunda, 36 meses após o fechamento da compra. A operação está sujeita à aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O contrato, celebrado no dia 25 de setembro, também inclui totalidade das quotas de emissão da COF (Centro Oeste Farma Distribuidora de Medicamentos Ltda).

Petrobras (PETR3, R$ 14,93, -0,27%; PETR4, R$ 13,63, -0,44%)
As ações da Petrobras caíram apesar da alta dos preços do petróleo nesta sessão e elevação de preço-alvo pelo Credit Suisse. Lá fora, o contrato futuro do petróleo Brent registrava alta de 1,59%, a US$ 46,62 o barril, enquanto o WTI avançava 1,39%, a US$ 45,10 o barril. 

No radar, o Credit Suisse analisou o plano estratégico da Petrobras publicado na semana passada e aumentou o preço-alvo da Petrobras de US$ 8,60 para US$ 11 por ADR (American Depositary Receipt), o que representa um potencial de valorização de 20%, mas mantendo recomendação neutra por causa dos riscos de execução.

"No novo cenário base, estamos assumindo: (1) plano de desinvestimento mais agressivo, mas mais longo do que o guidance; (2) aumento da produção, chegando a 2,5 milhões barris por dia em 2021 (versus 2,4 milhões anteriormente); (3) capex menor (US$ 74 bilhões versus 85 bilhões antes); (4) menor custo de rolagem da divida (5.5% de 6.5%); e (5) aumento de preços em 2018, seguindo a paridade de importação. Os analistas acreditam que o plano está na direção correta, mas também é desafiador e deve demorar um tempo para os resultados serem verificados. No nivel de preço atual, para ter mais upside, vai depender da vontade dos investidores pagarem por (1) preço do petróleo acima de US$ 70 ou (2) o plano de negócio ser muito bem executada. Se incorporassemos o plano de negocios exatamente como foi anunciado, o nosso modelo traria 44% do nivel de preco atual (US$13.8 por ADR)", afirmam os analistas.

Em entrevista à Bloomberg, o diretor financeiro da Petrobras Ivan Monteiro afirmou que a venda da participação que a estatal tem na Braskem está incluída na meta de desinvestimento de US$ 19,5 bilhões entre 2017 e 2018.

“Temos interesse de vender, mas ainda não temos data”, disse Monteiro. Ele ainda afirmou que a reação ao plano de negócios 2017-2021 apresentado na última semana "foi nitidamente positiva”. O CEO da Petrobras, Pedro Parente, irá apresentar o plano durante evento na Fiesp em São Paulo, às 14h desta segunda-feira.

Segundo Monteiro, há mais "opções de financiamento agora, é o melhor
cenário em muito tempo” para a Petrobras; opções “melhoraram muito”. “Sempre vamos avaliar oportunidades de mercado, mas o
custo financeiro será chave”. De acordo com o CFO, as dívidas a vencer em 2017 e 2018 estão mais gerenciáveis, mas afirmou que a gestão da empresa ainda não está satisfeita. "O tamanho da dívida é um problema”. 

"Apesar de rolagem ter melhorado, e volume maior de dívidas passar a vencer em 2019, o vencimento de dívidas ainda é uma preocupação”. De acordo com ele, a Petrobras vai atingir métricas para voltar a ser investment grade até 2018. O corte de 18% nos custos previsto no plano de negócios, de US$ 153 bilhões para US$ 126 bilhões, virá de nova metodologia interna para aprovação de orçamento, assim como corte de custos já em andamento, a exemplo dos programas de demissão voluntária e de três rodadas de renegociação com fornecedores.  Ivan Monteiro não quis comentar política de preços e como ela afeta a venda da BR Distribuidora. 

Além disso, destaque para a notícia do jornal Valor Econômico de que, mesmo com corte de investimento, a Petrobras tem conseguido evitar uma queda maior na produção de petróleo e gás graças ao aumento significativo da produtividade dos campos do pré-sal. Em 2017, a produção diária de barris de petróleo vai cair de 2,145 milhões para 2,070 milhões, mas, nos anos seguintes, a curva de produção vai crescer, apesar dos desinvestimentos e do declínio da extração na Bacia de Campos.

"A produtividade está bem maior. Em média, antecipava-se que [no campo de Lula, da camada pré-sal] seria de 15 mil barris diários por poço. O que estamos encontrando são 25 mil barris por dia, chegando 40 mil barris", disse, em entrevista ao Valor, Pedro Parente. Ele também destacou a necessidade da estatal reduzir a sua dívida rapidamente. 

CPFL Energia (CPFE3, R$ 24,39, +0,37%)
A CPFL Energia informou que a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, venderá sua participação de 29,4% na empresa para a State Grid. Em fato relevante a companhia disse que o fundo exerceu o direito de venda conjunta previsto no acordo de acionistas, a fim de vender com a ESC Energia e Camargo Corrêa a totalidade de sua participação para a State Grid Brazil Power, subsidiária da chinesa State Grid.

Segundo o BTG Pactual, a venda deve acionar o direito de "tag along" aos acionistas minoritários de R$ 25,00 por ação da CPFL e R$ 12,20 por ação da CPFL Renováveis, sem ajustes. Os analistas lembram que o acordo ainda está sujeito a aprovação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a expectativa é que seja concluída no início de 2017.

Embraer (EMBR3, R$ 14,65, -3,30%)
As ações da Embraer figuraram entre as maiores perdas do Ibovespa, embora o dólar tenha ficado estável frente ao real nesta sessão. Durante a tarde, a companhia negou veementemente qualquer possibilidade de venda de sua área de defesa. O comunicado veio em resposta a uma notícia da coluna de Lauro Jardim, de O Globo, que apontava que a empresa se preparava para vender sua área de defesa. "Unidade de Defesa & Segurança é lucrativa e a Embraer continua expandindo sua atuação no segmento tanto no Brasil quanto no exterior", disse a companhia em comunicado ao mercado. 

Mais cedo, o BTG Pactual já comentava que a transação não fazia sentido. Após 2015 de perdas, o negócio está entrando em uma tendência de melhora de resultados e as vendas do KC-390 devem contribuir positivamente para o backlog (carteira de pedidos) e vendas no longo prazo. "A notícia não deveria fazer preço uma vez que achamos pouco provável que um acordo como esse aconteça no médio prazo", comentaram.

Oi (OIBR3, R$ 3,52, +2,92%; OIBR4, R$ 2,72, +7,09%)
A Oi deu entrada nesta sexta-feira (23), na 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, com um requerimento solicitando a instauração de processo de mediação com a Anatel, que está entre os maiores credores da companhia, com R$ 11 bilhões dos R$ 65 bilhões em passivos que a Oi tem.

Segundo o Valor Econômico, a advogada Ana Teresa Basilio, do Basilio Advogados, que representa a Oi no pedido, afirmou que foi incluída no plano de recuperação judicial, assim como para os demais titulares de multas administrativas, para facilitar a discussão da proposta alternativa apresentada no plano. Na mediação, o objetivo é discutir a conversão das multas em obrigações como investimentos em infraestrutura, benefícios aos consumidores e utilização de valores já depositados judicialmente para os processos relativos a essas multas administrativas.

Rumo (RUMO3, R$ 6,16, -2,07%)
O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, disse que nesta semana as operadoras ferroviárias vão anunciar um investimento de R$ 15 bilhões e menciona que a Rumo vai desembolsar R$ 9 bilhões desse total.

A Rumo já anunciou o seu plano de investimentos no ano passado. O que espera-se agora é o processo de negociação com o governo avançar. O próximo passo teoricamente seria o lançamento de uma audiência pública com a minuta do contrato desenhado entre a Malha Paulista e a ANTT, comentaram analistas do BTG Pactual.

Segundo eles, a dúvida atualmente é se esse processo sofrerá atrasos relevantes ou não. Semana passada o Valor reportou que a Medida Provisória que trata de renovações poderia trazer mecanismos que causariam atrasos para os processos de renovação de ferrovia. "Nossa visão é que Malha Paulista será repactuada e renovada, a grande questão é quando, o que dependerá de decisões do governo sobre como o processo será dado", disseram. Para eles, a notícia não deve fazer preço. 

 

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