Em mercados / acoes-e-indices

Eletrobras dispara 16% em 3 dias e quebra recorde; Braskem salta até 7% e small cap desaba 67% em 29 dias

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa não sustentou a alta registrada nesta manhã e virou para queda nesta terça-feira (30), entre desvalorização da Vale e alta da Petrobras. Os papéis dos bancos também ajudaram a empurrar o índice para baixo. Depois de manhã de ganhos, as ações do setor financeiro viraram para queda. 

Na ponta positiva, as ações da Braskem chamaram atenção, atingindo ganhos de até 7% entre rumor de venda e alta do dólar frente ao real, que também contribuiu para a valorização dos papéis do setor de papel e celulose, Suzano e Fibria. Eles subiram mesmo após dados divulgados pela consultoria Foex mostrarem queda nos preços da celulose na China durante semana encerrada hoje. Já entre as quedas, figuraram as ações do setor educacional. A Estácio, que liderou as perdas do Ibovespa, reagiu hoje à renúncia do diretor-presidente Gilberto Teixeira Castro. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Braskem (BRKM5, R$ 23,21, +5,64%)
As ações da Braskem dispararam até 7,33%, a R$ 23,58, em meio a rumores de que a parte da Petrobras poderá ser colocada à venda após um acordo de leniência da Odebrecht na Operação Lava-Jato, segundo o Valor Econômico. O volume financeiro movimentado com a ação atingiu R$ 53,4 milhões, contra média diária de R$ 26,2 milhões nos últimos 21 pregões. Procurada pela publicação, a Petrobras e a Braskem não comentaram a informação. A Petrobras tem como meta vender US$ 15 bilhões em ativos entre 2015 e 2016 com o objetivo de reduzir a alavancagem. 

A partir de um acordo de leniência, que agora está mais próximo de acontecer, a venda da fatia da Petrobras ficaria mais fácil, na avaliação de um interlocutor ao jornal, uma vez que um dos obstáculos à alienação do ativo é o fato da Odebrecht, uma das suas controladas, ser investigada pela Lava Jato. Haveria ao menos cinco interessados na fatia da Petrobras na Braskem, diz o jornal, citando fontes. A canadense Brookfield, a Saudi Arabian Oil, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) e as americanas Dow e ExxonMobil são apontadas como candidatas.

Eletrobras (ELET3, R$ 28,65, +1,06%; ELET6, R$ 22,17, +7,15%)
As ações ONs da Eletrobras dispararam pelo terceiro pregão, acumulando no período ganhos de 18,7% e atingindo hoje sua máxima de fechamento desde janeiro de 2010. O volume financeiro movimentado com essas ações hoje ficou bem acima da média diária dos últimos 21 pregões: em R$ 73,29 milhões, contra R$ 40,56 milhões. Nesses mesmos três dias, os papéis PNs da estatal subiram 15,7%, renovando nesta sessão sua máxima histórica na Bolsa. 

O rali da elétrica ocorre na esteira de um comentário do diretor financeiro da companhia, Armando Casado, que afirmou, na semana passada, que se a companhia apurar lucro líquido em 2016, mesmo resultante de contabilização das indenizações por ativos antigos de transmissão, vai ser obrigado a distribuir proventos aos acionistas. No primeiro semestre deste ano, a companhia acumulou lucro de R$ 8,9 bilhões, refletindo a contabilização das indenizações por ativos de transmissão anteriores a maio de 2000, que tiveram as concessões renovadas antecipadamente nos termos da Medida Provisória 579 en 2012. 

Papel e Celulose
As ações do setor de papel e celulose subiram forte em dia de alta do dólar frente ao real, com Suzano (SUZB5, R$ 10,10, +2,43%), Fibria (FIBR3, R$ 22,09, +0,41%) e Klabin (KLBN11, R$ 17,08, +1,36%) também registravam ganhos. O dólar comercial avançou 0,24%, a R$ 3,2393 na compra e R$ 3,2402 na venda. 

Em relatório divulgado hoje, analistas do Credit Suisse atribuíam os ganhos recentes dessas ações à alta do dólar, enquanto os preços da celulose seguem em queda. Hoje, a consultoria Foex mostrou que os preços da commodity caíram 0,3% na China na semana encerrada em 30 de agosto, indo a US$ 488,50 a tonelada, enquanto na Europa os preços ficaram estáveis, a US$ 670,40 a tonelada. "A depreciação do real na última semana contribui de certa maneira para que as empresas do setor se afastassem das minimas recentes, principalmente no caso de Fibria. Na Suzano, tivemos 2 dias atrás um estrangeiro reportando 10% das PNAs da companhia", ressaltaram os analistas.

Estácio (ESTC3, R$ 16,61, -4,76%)
As ações da Estácio desabaram após o conselho de administração comunicar sobre a renúncia do diretor-presidente Gilberto Teixeira Castro. A empresa elegeu interinamente Pedro Thompson para o cargo. Segundo o comunicado enviado ao mercado, Thompson passará a acumular a função com o cargo de diretor financeiro e de relações com investidores. Outras ações do setor registraram queda na Bolsa hoje também: Kroton (KROT3, R$ 13,85, -3,69%) e Anima (ANIM3, R$ 14,08, -1,54%).  

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 18,10, +1,34%)
A BM&FBovespa reiterou, em comunicado divulgado ao mercado, que pretende recorrer à Justiça se for derrotada no julgamento do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) sobre a amortização do ágio referente à fusão entre a BM&F e a Bovespa. O comunicado atende a um pedido de esclarecimento feito pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre as declarações dadas ontem pelo presidente da Bolsa, Edemir Pinto, que disse que irá à Justiça caso a Bolsa seja derrocada na esfera administrativa. 

Ultrapar (UGPA3, R$ 75,00, -0,53%)
A Ultrapar teve a recomendação reduzida para neutra pelo Bradesco BBI, com preço-alvo de R$ 75,00 (elevação frente aos R$ 73,00). De acordo com o analista Filipe Gouveia, a integração da Alesat em uma economia conturbada e a Oxiteno perdendo momentum em um cenário de real mais forte representa um cenário de grandes desafios. "Vemos alguns perigos à frente na estrada da companhia", afirma Gouveia.  

Petrobras (PETR3, R$ 15,18, -0,07%; PETR4, R$ 13,09, +1,71%)
As ações ONs da Petrobras perderam força nesta tarde e encerraram no negativo, enquanto os papéis PNs seguiram em ganhos. Lá fora, os preços do petróleo também mostraram volatilidade hoje e viraram para queda, com o contrato futuro do Brent registrando baixa de 1,66%, a US$ 48,44 o barril, enquanto o WTI caía 1,19%, a US$ 46,42 o barril. 

Durante seu programa de estreia na InfoMoneyTV, na última segunda-feira, o analista técnico da Clear Corretora, Bo Williams, disse que a ação da Petrobras era uma das que constam na sua lista de "proibidas vender", vendo como alvo o patamar dos R$ 20,00. Nos preços atuais, sua projeção entregaria um ganho de mais de 50% ao investidor (confira o programa "Tendências" na íntegra clicando aqui). 

Ainda no radar da empresa, a Petrobras e a Statoil anunciaram ampliação da cooperação nas Bacias de Santos e Campos. O memorando assinado não tem cláusulas vinculantes, mas indica a intenção das duas empresas em trabalhar conjuntamente, em um horizonte de dois anos, para viabilizar esses projetos, informou a Petrobras em comunicado. Os valores envolvidos dependerão das negociações que serão feitas a partir da assinatura do documento. 

"As companhias trabalharão para avançar em propostas para participação conjunta em futuras licitações na área de exploração. Isso dá continuidade à parceria que as empresas já têm no Brasil e no exterior, além de capturar valor por meio do uso de novas tecnologias de aumento de recuperação de petróleo e da simplificação de atividades operacionais. 'Os resultados que já alcançamos nas nossas parcerias na área de exploração são prova de que a Petrobras é capaz de manter seus interesses estratégicos ao mesmo tempo em que encontra formas de contornar as evidentes restrições de capital nesse momento'”, explicou Parente. Atualmente, a Petrobras e a Statoil estão consorciadas em 13 blocos, em fase exploração ou de produção, sendo 10 no Brasil e 3 no exterior.

Vale (VALE3, R$ 17,65, -2,49%; VALE5, R$ 15,12, -2,01%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 10,66, -1,02%) - holding que detém participação na mineradora - acentuaram queda nesta tarde. Depois de migrar para o terreno positivo nesta manhã, os papéis da companhia voltaram a cair forte apesar da alta da commodity. Hoje, o minério de ferro com pureza de 62% negociado em Qingdao, na China, subiu 0,29%, a US$ 59,31 a tonelada. Ontem, a Vale teve dia de alta, mesmo em pregão de queda da commodity. 

Os papéis do setor de siderurgia, por sua vez, fecharam entre ganhos e perdas, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,20, -1,08%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,71, +0,27%), Usiminas (USIM5, R$ 3,38c, -1,46%) e CSN (CSNA3, R$ 8,77, -3,09%).

O BTG Pactual ressaltou nesta manhã um relatório da consultoria Platts, apontando para uma visão mais "bullish" (otimista) para o setor de siderurgia, com leitura de preço de minério podendo ficar ao redor de US$ 55 a tonelada no fim do ano (acima do consenso). Os analistas do banco ressaltaram que também estão menos preocupados com a sazonalidade este ano – sentimento muito melhor do que no ano passado - e acreditam que o barulho de cortes de capacidade na China pode continuar sustentando preços de aço no gigante asiático. Eles também estão relativamente "bullish" em sucata.

Já o Credit Suisse atualizou suas projeções para o setor de mineração, constatando que no último semestre as mineradoras outperformaram muito o preço das commodities com investidores ainda relutando em realizar ganhos no setor. "Apesar do momento ainda indicar certa resiliência de preços, nosso time começa a ficar mais cauteloso dado que os 'leading indicators' de China não estão mais subindo e que estamos entrando em um período historicamente de demanda mais fraca do maior comprador de minério do mundo", comentaram os analistas. Além disso, eles comentaram que estão se aproximando de 2017, ano em que é esperada entradas relevantes de capacidade de minério de ferro, como também de cobre e carvão. Olhando 12 meses para frente, eles disseram que seguem acreditando em uma correção do minério (vendo a commodity a US$ 45 a tonelada em 2017) e, por isso, acreditam que as 3 grandes empresas australianas do setor - Rio Tinto, BHP Billiton e Fortescue Metals -  estão muito próximas do seu preço-alvo de 12 meses.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,73, -0,32%)
As ações dos bancos perderam força e viraram para queda, se afastando do rali da véspera. Hoje, o HBSC atualizou suas projeções para o BB, após resultado misto no segundo trimestre. A atualização está baseada em receitas mais altas, controle de custo e menor taxas de juros. Eles elevaram a estimativa para LPA (Lucro por Ação) do banco, revisando assim o preço-alvo do papel de R$ 19,00 para R$ 22,00. A recomendação segue em manter. As demais ações dos bancos fecharam entre perdas e ganhos, com Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,66, +0,66%), Bradesco (BBDC4, R$ 29,25, +0,31%) e Santander (SANB11, R$ 22,88, -0,78%). 

Prumo Logística (PRML3, R$ 6,70, +0,60%)
O Terminal de Petróleo (T-OIL) do Porto do Açu, da Prumo Logística, iniciou hoje sua primeira operação de transbordo de petróleo, informou a companhia por meio de sua assessoria de imprensa. A operação é referente ao contrato com a empresa BG E&P Brasil Ltda., subsidiária da Royal Dutch Shell, assinado em junho de 2015. 

A operação, que está sendo realizada com as embarcações Bossa Nova Spirit e SKS Sinni, está transcorrendo dentro de todos os padrões de normalidade e requisitos de segurança adotados pelo terminal, e tem expectativa de duração total de 36 horas até a desatracação de ambas as embarcações envolvidas, disse a empresa. 

Atualmente, o canal do T-OIL possui 20,5 metros de profundidade, e pode receber inicialmente navios Suezmax. Até o final de 2017, a previsão é que a profundidade do terminal seja ampliada para até 25 metros. Com a ampliação da profundidade, o Porto do Açu poderá receber no T-OIL navios da classe VLCC (Very Large Crude Carrier), que carregam até 320 mil toneladas. Os berços Norte e Central do terminal serão capacitados para transbordo entre navios tipo VLCC e SuezMax e o berço Sul, apenas para transbordo entre navios SuezMax.

Embraer (EMBR3, R$ 14,30, +0,35%) 
A China, através da empresa Tianjin Airlines, poderá encomendar mais 32 jatos regionais da Embraer esta semana, valendo algumas centenas de milhões de dólares, durante a visita do presidente Michel Temer ao país, segundo fontes próximas das discussões ouvidas pelo jornal Valor Econômico.  

Segundo o BTG Pactual, o mercado já vinha especulando sobre novas ordens da China recentemente. A notícia não traz detalhes sobre as aeronaves, mas os analistas do banco estimam preliminarmente que poderiam representar algo como 4% a 5% de adição ao backlog (carteira de pedidos). "Apesar da underperformance (desempenho abaixo da média) recente da ação e valuation relativamente barato, mantemos nossa recomendação neutro", comentaram os analistas. Para eles, o momento é ruim, com segmento de aviação executiva ainda fraco e real apreciado frente ao dólar trazendo riscos de queda. 

Vitalyze.Me (VTLM3, R$ 2,40, -8,40%)
As ações da Vitalyze.Me afundam com renúncia do diretor presidente. O c
onselho de administração da companhia elegeu, nesta data, em substituição a Lasaro do Carmo Júnior, Messias Alexandre Lopes dos Santos como diretor presidente da empresa, de forma interina. Ele também acumulará as funções já atualmente exercidas de diretor financeiro e de relações com investidores. A Vitalyze.Me já iniciou processo de seleção para ocupar a posição de diretor presidente de forma definitiva, informa o comunicado da companhia enviado à CVM.

IdeiasNet (IDNT3, R$ 2,31, -11,49%)
As ações da small cap IdeiasNet, gestora de investimentos focada em empresas de tecnologia, renovaram hoje seu menor patamar na Bovespa desde maio de 2003. Os papéis, que não sabem o que é subir há três dias, afundam 67% desde o dia 20 de julho (ou 29 pregões). Um dia após o início da derrocada, a empresa informou ao mercado que pediu à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a dispensa da oferta pública de aquisição de ações (OPA) para realizar o fechamento de capital. A diretoria da empresa decidiu propor aos acionistas o cancelamento do registro de companhia aberta, com consequênte saída do Novo Mercado, segmento máximo de governança da Bolsa, com a intenção de que seus acionistas passassem a ser cotistas de um fundo negociado na Bovespa.

Um dia após anunciar o fechamento de captal, a empresa publicou edital de convocação de assembleia geral extraordinária (AGE) para o dia 31 de agosto para que os acionistas pudessem deliberar sobre a reestruturação proposta pela diretoria. Estavam na pauta itens como o fechamento de capital, com consequente saída do Novo Mercado, segmento máximo de governança da BM&FBovespa, e redução do capital social, no montante de R$ 67,34 milhões, por ter sido julgado "excessivo". No entanto, no dia 19 de agosto, a companhia cancelou essa AGE, sem data definida para nova realização. 

AtomPar (ATOM3, R$ 2,56, -10,18%)
As ações da AtomPar viraram para queda, deixando para trás a disparada da véspera, quando fecharam em alta de 35% em meio à possível resolução de uma dos principais problemas da companhia. A euforia veio com a informação de que o Santander pode deixar de "travar" sua saída da recuperação judicial. 

A questão começa quando a companhia entrou na Bolsa, que não foi por meio de um IPO, mas sim com a compra da Inepar Telecomunicações, que estava em recuperação judicial. Com isso, a companhia "herdou" os problemas da antiga empresa, e mesmo conseguindo diversos pareceres favoráveis, o Santander (um dos credores da Inepar) travou o processo após um juiz em segunda instância acatar o pedido do banco e evitar a evolução do processo para saída da recuperação judicial.

Acontece que no último dia 26 de agosto, sexta-feira, o relator do caso, Enio Zuliani, publicou um despacho pedindo para que o Santander se pronuncie se concorda em desistir do recurso que trava o processo da Atompar em um prazo de 5 dias. Caso o banco aceite, a companhia estará livre da situação de recuperação judicial e poderá encaminhar seus planos para o mercado. Recentemente, durante a divulgação de seu balanço do segundo trimestre, a companhia culpou a si mesma pelos problemas com a recuperação judicial. "Quando compramos a Companhia, talvez nós não tenhamos imaginado que seria essa a parte mais difícil de todo o processo de construção do nosso negócio [...] A culpa é nossa por não saber entender o quanto pode ser lento, ineficiente e errático um processo judicial", disse a Atompar. Confira mais informações clicando aqui. 

 

Contato