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Ibovespa chega a 58 mil pontos puxado por Petrobras com petróleo subindo 4,5%

Mercado registra leves ganhos na esteira de um forte fluxo de capital em direção ao Brasil

Trader
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa dispara nesta quinta-feira (11), acompanhando o desempenho dos índices acionários globais, que sobem impulsionados pelo petróleo. A commodity passou a ter fortes ganhos depois da divulgação de um relatório da AIE (Agência Internacional de Energia), que previu o crescimento da demanda global em 1,4 milhão de barris por dia. Por aqui, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que pode antecipar o julgamento definitivo do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff para o dia 25 deste mês. 

Às 15h22 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 1,94%, a 58.026 pontos. Já o dólar comercial registra ganhos de 0,43% a R$ 3,1455 na venda, enquanto o dólar futuro para setembro tem alta de 0,48% a R$ 3,165. Das 9h30 às 9h40 o BC conseguiu colocar todo o lote de 15.000 contratos de swaps reversos ofertados, no valor de US$ 750 milhões. A oferta, além de ajudar a conter a apreciação do real também tem a função de reduzir o estoque de swaps do BC, que passou de US$ 100 bilhões em 2015 e hoje está em aproximadamente US$ 48 bilhões. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 operava com leve baixa de 1 ponto-base a 12,67%, ao passo que o DI para janeiro de 2022 avançava 5 pontos-base a 11,92%. 

De acordo com o trader da H.Commcor, Ari Santos, a Bolsa hoje acompanha o petróleo, que foi o principal responsável pela queda de ontem e agora corrige, impulsionando a alta da Petrobras. Junto com isso, resultados corporativos interpretados como positivos, caso do balanço do Banco do Brasil, ajudam a puxar ações específicas e contribuem para o clima de otimismo no pregão. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao cai 2,01% a US$ 59,36 a tonelada seca. Já o petróleo opera em disparada de 4,75%, a US$ 46,14 o contrato futuro do barril do Brent.

Cenário político
Além disso, destaque para a notícia do jornal O Globo de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, admitiu nesta quarta-feira que a sessão final de julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff pode ser antecipada do dia 25 para dia 23, se todos os prazos da acusação, da defesa e da citação da ré forem respeitados. Como os advogados de acusação anteciparam entrega do libelo acusatório para esta quarta-feira, ganhando 48 horas, e a defesa tem mais o prazo de 48 horas para entregar contrariedade do libelo acusatório, vencendo nessa sexta-feira, o presidente do processo, Ricardo Lewandowski pode definir com líderes um rito em que sessão final seja marcada dia 23, ou 10 dias depois desses prazos, segundo o jornal. Lewandowski, segundo Renan, já pediu reunião com líderes para o início da próxima semana para definir rito do julgamento final, de acordo com o jornal.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,65, +3,72%; PETR4, R$ 11,95, +3,37%) têm alta após tombo de quase 4% na véspera. O movimento positivo hoje acompanha os preços do petróleo no mercado internacional. Neste momento, o contrato futuro do Brent registrava alta de 4,75%, a US$ 46,14 o barril, enquanto o WTI avançava 4,60%, a US$ 43,63 o barril.

O petróleo passou a subir após relatório da AIE (Agência Internacional de Energia), que previu que a demanda global crescerá 1,4 milhão de bdp/dia (barris de petróleo por dia) em 2016. A agência também comentou que não há excesso de oferta neste segundo semestre e que o mercado continua em rebalanceamento com o aumento da demanda das refinarias, que absorvem a produção recorde de países do Golfo Pérsico. Emirados Árabes, Arábia Saudita e Kuwait estão em sua produção máxima histórica e o Irã retornou aos níveis de 2008 (3,8 milhões de bdp/dia).

Ainda no radar, o Conselho de Administração da Petrobras elegeu Nelson Silva como diretor da diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão. Silva é ex-presidente da petroleira BG no Brasil e havia sido indicado para ocupar o posto. Ele já estava na Petrobras atuando como consultor sênior da Diretoria Executiva, com a atribuição de coordenar o processo de revisão estratégica da empresa.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 6,75 +5,63
 BBAS3 BRASIL ON 21,87 +4,79
 GGBR4 GERDAU PN 8,96 +4,19
 LAME4 LOJAS AMERICPN 19,21 +3,89
 PETR3 PETROBRAS ON 13,65 +3,72

 

 

Já a Vale (VALE3, R$ 18,29, +1,11%; VALE5, R$ 15,61, +1,36%) sobe apesar da queda do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 2,01% a US$ 59,36 a tonelada seca.

Quem também sobe é o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,87, +4,79%). Ele avança após uma queda de 18% no lucro líquido no segundo trimestre de 2016, para R$ 2,465 bilhões na comparação com o mesmo período de 2015. No primeiro semestre do ano, o lucro totalizou R$ 4,824 bilhões, 45,3% menor em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na base ajustada, o lucro do maior banco do país em ativos somou R$ 1,8 bilhão no período, queda de 40,8% sobre o segundo trimestre do ano passado. O índice de inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias foi 3,27% em junho, alta em relação aos 2,6% registrados no fim do primeiro trimestre.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SMLE3 SMILES ON 50,05 -2,78
 MRFG3 MARFRIG ON 5,41 -1,46
 CYRE3 CYRELA REALTON 10,50 -1,41
 CSAN3 COSAN ON 33,83 -0,94
 MRVE3 MRV ON 12,65 -0,47

 

Por outro lado, a Marfrig (MFRG3, R$ 5,41, -1,46%) cai após prejuízo líquido de R$ 131,9 milhões, piora ante o resultado negativo de R$ 6,5 milhões no mesmo período um ano antes. O resultado foi influenciado pelo cenário desafiador para a operação de bovinos e itens financeiros, informou nesta quinta-feira. Além disso, a empresa sofreu com a operação de bovinos devido ao menor preço no mercado internacional e, no Brasil, por conta da alta do preço de gado e apreciação do real.

A piora do resultado líquido também ocorreu por conta da base de comparação um pouco melhor do mesmo período do ano anterior e pela maior despesa financeira devido à recompra de bônus da companhia. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 520 milhões, ante despesa financeira de R$ 390 milhões do mesmo período de 2015.

Preocupação com a meta
Em meio às concessões feitas pelo governo Temer para garantir a aprovação de medidas como a renegociação das dívidas dos estados, já começam as preocupações de que o Executivo não consiga cumprir a meta fiscal de déficit de R$ 170,5 bilhões. Ontem, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitiu que as contas estão estourando. Segundo ele, a programação orçamentária deste ano já atingiu o saldo negativo de R$ 169 bilhões.

 Henrique Meirelles disse em encontro com congressistas e empresários que o aumento de impostos seria uma "última alternativa" para fechar o ano dentro da meta.  

Agenda econômica
Os Estados Unidos tiveram 266 mil pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, em linha com a expectativa mediana dos economistas e abaixo dos 269 mil pedidos feitos no período imediatamente anterior. No entanto, o principal destaque da agenda de indicadores desta quinta fica mesmo com a China que às 23h divulga sua produção industrial no mês de julho, para a qual espera-se que tenha havido um crescimento de 6,2%, e as suas vendas no varejo no mesmo período, para as quais a expectativa é de que tenha havido um avanço de 10,50%. 

Especial InfoMoney
Um fluxo "colossal" de dinheiro está pronto para ingressar no Brasil nos próximos dias, acredita o gestor Bruno Marques, que administra R$ 50 milhões no fundo multimercado XP Macro da XP Gestão. Isso porque uma combinação de juros negativos no mundo e a visibilidade de uma retomada da economia brasileira, com uma possível confirmação do impeachment, criará um ambiente propício para investimento no País.
"Uma conta que gostamos de fazer é: se você deixar dinheiro na Alemanha por 30 anos, você teria um retorno equivalente de 10 meses de CDI no Brasil. Então, por que não investir aqui, um País que está se ajustando e tem um dos maiores juros do mundo?", questionou Marques, em entrevista ao InfoMoney. Há uma quantidade colossal de dinheiro no mundo pronta para ser trabalhada, comenta, citando que atualmente aproximadamente US$ 15 trilhões em títulos têm rentabilidade negativa e cerca de 65% de todos os títulos do mundo apresentam retorno abaixo de 1%. Clique aqui para ler a entrevista completa

Cenário externo
O dia é de alta para as bolsas mundiais, que também refletem a alta do petróleo, enquanto as ações em Hong Kong subiram com especulações sobre início iminente da ligação com a bolsa de Shenzhen. O mercado aguarda ainda pelos dados da produção industrial da China, que serão revelados nesta noite. Na Europa, destaque para a fala do Ministério da Economia da Alemanha nesta quinta-feira, que destacou que a economia do país perdeu um pouco de fôlego no segundo trimestre após um forte desempenho nos primeiros três meses do ano, citando o consumo privado mais fraco e um setor de construção pior que o esperado. A economia alemã cresceu 0,7% no primeiro trimestre. Os números preliminares do segundo trimestre serão divulgados na sexta-feira.

 

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