Em mercados / acoes-e-indices

Cielo desaba 6% após resultado e Itaú sobe; small cap dispara 123% em 2 dias, com volume atípico

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Cielo - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve um dia negativo nesta terça-feira, reagindo à temporada de balanços do 2° trimestre. Enquanto as ações da Cielo afundaram hoje após resultados, o Itaú Unibanco - que viu seu lucro recorrente cair 9,1% no período - teve alta nesta sessão. 

Fora do índice, o destaque ficou com as ações da MDias Branco, que dispararam com dados "surpreendentemente bons", enquanto Porto Seguro desabou. O mercado espera números fracos, mas conseguiram vir ainda piores, comentaram os analistas do BTG Pactual. Saindo da temporada, chamou atenção também os papéis da small cap Brasil Pharma, que já dispararam 117,6% nas últimas duas sessões, com volume financeiro atípico.  

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,85, +1,26%) 
O Itaú Unibanco subiu após balanço melhor do que o esperado, segundo avaliação do BTG Pactual. O banco teve lucro líquido contábil de R$ 5,518 bilhões no segundo trimestre de 2016, alta de 6,4% frente o primeiro trimestre, quando chegou a R$ 5,184 bilhões, mas uma queda de 7,8% frente ao mesmo período do ano passado. Já o resultado recorrente, ficou em R$ 5,575 bilhões, uma queda de 9,1% ante um ano antes. Neste trimestre, o banco passou a consolidar os dados do chileno CorpBanca. A despesa de provisão no segundo trimestre foi de R$ 6,34 bilhões ante R$ 5,77 bilhões na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o guidance para a provisão foi elevado para entre R$ 23 bilhões e R$ 26 bilhões.

O maior banco privado do país registrou ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) de 20,6% no segundo trimestre, ficando abaixo dos 24,8% no mesmo período de 2015, mas acima dos 19,6% dos três primeiros meses deste ano. Já a margem financeira gerencial ficou em R$ 16,588 bilhões, queda de 3,7% na comparação anual.

Após divulgar seu balanço, o Itaú publicou dois comunicados ao mercado. O primeiro trata da distribuição de juros sobre o capital próprio complementares aos dividendos pagos mensalmente, no valor de R$ 0,39900 por ação, que serão pagos em 25 de agosto, com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando em juros líquidos de R$ 0,33915 por ação. As ações passam a ser negociadas na forma "ex" em 12 de agosto. Além disso, o banco informou que em reunião do conselho foi feita uma proposta de aumento de capital no valor de R$ 12 bilhões, o que levaria o capital do Itaú de atuais R$ 85,15 bilhões para R$ 97,15 bilhões. Para isso, será feita a emissão de 598.391.594 novas ações, sendo 304.704.019 ordinárias e 293.687.575 preferenciais, que serão atribuídas aos detentores de ações, a título de bonificação, na proporção de 1 para 10, sendo que as ações em tesouraria também serão bonificadas.

Vale (VALE3, R$ 17,99, +0,50%; VALE5, R$ 14,66, +0,76%) 
A Vale informou que assinou um acordo com a Silver Wheaton (Caymans) Ltd., uma subsidiária integral da Silver Wheaton Corp. (SLW), empresa canadense com ações negociadas na Toronto Stock Exchange e New York Stock Exchange, para vender adicionais 25% do prêmio dos fluxos de ouro pagável contido no concentrado de cobre produzido na mina de cobre Salobo durante a vida útil da mina. Foi feito um aditivo ao acordo original de compra de ouro contido no concentrado de cobre para abranger a compra do referido fluxo adicional de 25% do prêmio relativo a esse ouro contido no concentrado de cobre produzido na mina de Salobo, alcançando o total de 75%. 

A mineradora poderá também receber um pagamento adicional em dinheiro, dependendo de sua decisão de expandir a capacidade de processamento do minério de cobre de Salobo acima de 28 Mtpa antes de 2036. Salobo I e Salobo II, que estão em ramp-up, terão capacidade de processamento total de 24 Mtpa de run-of-mine (ROM). Esse valor contingente adicional poderá variar entre US$ 113 milhões e US$ 953 milhões, dependendo do teor de minério, tempo e tamanho da expansão.

Ainda no radar da empresa, segundo a Reuters, a Samarco registrou a adesão de 923 empregados ao seu Plano de Demissão Voluntária (PDV), cujo período de inscrição terminou na última sexta-feira, abaixo da meta de 1.200 desligamentos, e irá avaliar na próxima semana as ações ainda necessárias para readequação do quadro de trabalhadores. A mineradora explicou, em e-mail enviado à Reuters, que os empregados que forem incluídos no processo de demissão involuntário, até 30 de setembro, também terão direito a benefícios, além dos definidos pela CLT, segundo o acordado com os sindicatos Metabase (MG) e Sindimetal (ES), para minimizar impactos.

Petrobras (PETR3, R$ 12,97, -1,67%; PETR4, R$ 11,36, +0,98%)
As ações da Petrobras fecharam entre perdas e ganhos, em dia de queda do petróleo no mercado internacional. Lá fora, o contrato futuro do Brent registrava baixa de 0,47%, a US$ 47,94 o barril, enquanto o WTI recuava 0,95%, a US$ 39,68 o barril.

Segundo o Estadão, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, o Petros, teve um rombo de R$ 6,7 bilhões em seus investimentos em empresas no ano passado, considerando apenas as maiores perdas. O valor representa 11% do total do patrimônio do fundo. Até o fechamento do balanço, que acontece no dia 31, esse valor poderá chegar a R$ 8 bilhões, o que elevará o déficit total da fundação. Isso porque o conselho fiscal questiona a valorização de mais de 300%, ou cerca de R$ 1,1 bilhão, contabilizada como investimento na Eldorado Celulose.

Papel e Celulose
Em um dia de queda para o dólar, com o contrato com vencimento para setembro em queda de 0,21%, a R$ 3,291, o movimento foi ainda mais expressivo para os papéis de empresas do setor de papel e celulose, também de olho nos dados ruins do preço da commodity, segundo a consultoria finlandesa Foex. Os preços na China tiveram queda de 2,65%, rompendo os US$ 500 a tonelada, a US$ 496,62 a tonelada. Com isso, as ações de Klabin (KLBN11, R$ 15,80, -4,82%), Fibria (FIBR3, R$ 19,33, -3,59%) e Suzano (SUZB5, R$ 9,91, -3,32%) tiveram uma das maiores quedas da Bovespa. 

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 13,00, +42,08%)
As ações da companhia voltaram a subir forte, dando continuidade ao movimento da véspera. Nesses últimos dois pregões, a alta acumulada foi de 123%. O volume financeiro também chamou atenção e atingiu R$ 14,79 milhões, contra média diária de R$ 1,42 milhão nos últimos 21 pregões. Em meio à forte oscilação de preços, as ações entraram diversas vezes em leilão neste pregão.

Embora a empresa não tenha divulgado nenhum fato relevante/comunicado ao mercado, aparece no radar da companhia uma recomendação de compra da ação dada pelo analista técnico da XP Investimentos, Danilo Zanini, durante a última edição do Visão Técnica, que vai ao ar todas as sextas-feiras na InfoMoneyTV. Durante o programaa, ele recomendou a compra de 7 ativos "não convencionais" para a semana, incluindo os papéis da Brasil Pharma. 

Hoje, Zanini atualizou seu call ao InfoMoney, informando que a ação confirmou nesta sessão o rompimento da resistência dos R$ 6,25 e abriu espaço para buscar o patamar dos 14,25, que se ultrapassada poderia destravar altas até R$ 20,00 e R$ 27,50 (uma valorização de 170% frente ao patamar atual). Confira a análise completa clicando aqui

Cielo (CIEL3, R$ 35,22, -5,65%)
A Cielo afundou apesar de resultado forte, mas em linha com o esperado, segundo o BTG Pactual. A companhia apresentou uma alta de 12,8% em seu lucro líquido do segundo trimestre, atingindo R$ 1,06 bilhão, enquanto a receita líquida consolidada ficou em R$ 3,07 bilhões, um aumento de 9,8% ante o mesmo período do ano passado. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) encerrou o trimestre em R$ 1,35 bilhão, queda de 0,5% em relação a um ano antes. Em comunicado, a empresa disse que "o acréscimo na receita líquida está relacionado a contínua expansão dos negócios do grupo Cielo, incluindo as receitas oriundas do Arranjo Ourocard na Cateno, as vendas de recarga de celular pela M4U e o efeito da apreciação do dólar na receita gerada nos EUA, da controlada Me-S, parcialmente compensado pela redução da taxa bruta de desconto (Gross MDR) na controladora".

Em relatório, os analistas Alexandre Spada, Thiago Bovolenta Batista e Vítor Corona, do Itaú BBA, ressaltam que apesar do lucro, algumas tendências operacionais chave mostraram uma deterioração crônica, como é o caso de credito e crescimento no volume de dívidas. De acordo com eles, o desempenho dos custos foi bem negativo, o que levou a uma revisão do guidance para este ano. Agora, espera-se um incremento nos custos na razão de 6% a 8% para a Cielo Brasil e a Cateno, contra o aumento de 4% a 6% projetado anteriormente. "Os custos totais e as despesas - considerando todas as subsidiárias - cresceram em 18% ano a ano, aproximadamente 5% acima da nossa expectativa para o trimestre", explica a equipe de análise do Itaú BBA. Além disso, eles citam outro fator preocupante, que é a decepção com o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, na sigla em inglês). Considerado como uma medida aproximada da geração de caixa de uma companhia, o Ebitda da Cielo veio em R$ 1,35 bilhão, estável na comparação anual e 8% abaixo da mediana das projeções dos analistas. 

Porto Seguro (PSSA3, R$ 28,00, -4,83%)
A Porto Seguro viu seu lucro líquido cair de R$ 273,26 milhões para R$ 171,59 milhões em um ano no segundo trimestre, com as despesas aumentando de R$ 3,52 bilhões para R$ 3,93 bilhões no período. Por outro lado, a receita líquida da companhia teve um avanço para R$ 3,93 bilhões, contra R$ 3,68 bilhões no segundo trimestre do ano passado.  

De acordo com o BTG Pactual, o mercado já esperava um resultado fraco, mas os números ainda assim decepcionaram. "O lucro líquido de R$ 175 milhões representou uma queda de 37% na comparação anual por conta do aumento grande de sinistralidade em automóveis", ressalta o banco. Após o balanço, o Bradesco BBI cortou a recomendação para a empresa para underperform (desempenho abaixo da média do mercado).

M.Dias Branco (MDIA3, R$ 123,61, +4,62%)
As ações da fabricante de alimentos M. Dias Branco, dona das marcas Adria e Basilar, dispararam com resultado "surpreendentemente forte", segundo analistas do BTG Pactual. A companhia registrou lucro líquido de R$ 184 milhões no segundo trimestre, uma queda de 3,5% em relação ao mesmo período de 2015, mas acima dos R$ 155,8 milhões projetados pelos analistas consultados pela Bloomberg. 

Analistas do BTG destacaram crescimento de 5,4 pontos percentuais na margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) na comparação trimestral, para 18% (ou de 19,1% se considerar "outras despesas operacionais"). As vendas da companhia cresceram 18% na comparação ano a ano, vindo 5% acima das expectativas do BTG, com preços aumentando em 9%. O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 26% na comparação anual, enquanto a geração de fluxo de caixa livre atingiu R$ 286 milhões, levando a alavancagem para 0 vez (menor nível histórico) no trimestre. 

A companhia lembra ainda que o balanço do segundo trimestre de 2015 foi levemente melhor do que o deste ano em decorrência de um reconhecimento de créditos tributários relativos a PIS e Cofins incidentes sobre importações. A receita líquida cresceu 18%, para R$ 1,32 bilhão, em reflexo do aumento nas vendas. Por outro lado, houve um crescimento de 22,9% nas despesas operacionais, incluindo uma perda de R$ 7 milhões em gastos não recorrentes.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,20, -2,37%
O Banco do Brasil informou que fará uma auditoria interna imediatamente para averiguar possíveis desvios de recursos em contratos com fornecedores de softwares e serviços de informática. No comunicado, o BB afirma "que o Conselho Diretor determinou a realização imediata de auditoria interna, além de constituir um grupo de acompanhamento composto pelas diretorias Jurídica, Suprimentos Corporativos e Patrimônio, Segurança Institucional e Tecnologia".

A coordenação será da vice-presidência de Controles Internos e Gestão de Riscos, que avaliará todas as medidas a serem adotadas, inclusive eventual necessidade de divulgação de fato relevante.

Lupatech (LUPA3, R$ 6,70, -27,96%)
Depois de dispararem até 530% em 9 pregões, em um movimento puramente especulativo (veja mais clicando aqui), as ações da small cap Lupatech têm leve correção na Bolsa hoje. O volume financeiro seguiu bem acima da média diária dos 21 pregões, atingindo R$ 4,124 milhões, frente os R$ 1,35 milhões que costumava registrar na Bovespa. 

Em comunicado enviado na semana passada, a Lupatech informou que não há nenhum fato que pudesse justificar a valorização recente das ações. "A companhia esclarece que desconhece qualquer motivo que possa justificar as oscilações registradas na cotação de suas ações. Adicionalmente, a Lupatech ressalta que, neste momento, não há qualquer fato consumado objeto de divulgação mandatória, conforme as previsões da instrução da Comissão de Valores Mobiliários n° 358/2002", disse a empresa em resposta ao pedido da BM&FBovespa sobre a movimentação atípica de suas ações.

Vale destacar que, no final de junho, a fabricante de equipamentos para a indústria de petróleo e gás informou que a justiça do Estado de São Paulo aceitou dois recursos de credores e anulou a homologação do plano de recuperação judicial da companhia. 

 

Contato