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Ibovespa vira para queda após renovar máxima do ano no intraday; dólar sobe

Mercado tem desempenho errático em semana crucial para os juros nos EUA

Trader
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em leve baixa nesta segunda-feira (1), pressionado por Petrobras, apesar da alta da Vale. O índice acompanha o movimento das bolsas europeias, que caem com ceticismo sobre a saúde dos bancos da zona do euro mesmo após a maioria das instituições financeiras da região passar nos testes de estresse. Já nos Estados Unidos, as expectativas de que o Federal Reserve não eleve as taxas de juros este ano, reforçadas pelo PIB (Produto Interno Bruto) mais fraco na sexta-feira, ajudam a manter as ações no terreno positivo. 

Às 12h48 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira cai 0,27%, a 57.162 pontos. No intraday, mais especificamente às 10h23, o índice chegou a bater 57.729 pontos, renovando a máxima do ano e o seu maior nível desde 6 de maio de 2015, quando atingiu os 58.574 pontos. 

Já o dólar comercial sobe 0,67% a R$ 3,2647 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro tem alta de 0,58% a R$ 3,295. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 tem queda de 3 pontos-base a 12,80%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 7 pontos-base a 11,93%. 

O diretor da mesa de trade da corretora Mirae Asset, Pablo Stipanicic Spyer, diz que o dia hoje é de correção global frente às fortes altas do mês passado. "A bolsa lá fora está bem esticada e aqui cai como consequência dessa realização internacional", afirma, ressaltando que faltam notícias para que o mercado acionário dispare tanto para alta quanto para queda. Na sua avaliação, para o Ibovespa chegar até 60.000 pontos é necessário um pouco mais de cautela. 

PMI Brasil
O índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) da indústria brasileira subiu para 46,0 pontos em julho, de 43,2 pontos em junho, informou a Markit. Este é o maior nível do indicador em quatro meses. Apesar da melhora, trata-se do 18º mês consecutivo de contração da atividade, mostrada quando o indicador fica abaixo do patamar de 50 pontos. 

Ações em destaque
Já a Vale (VALE3, R$ 18,43, -0,38%; VALE5, R$ 15,13, +0,80%) vai na contramão e sobe beneficiada pela alta do minério de ferro. O minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao chegou a US$ 62,27 a tonelada seca nesta segunda-feira. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 NATU3 NATURA ON 31,96 -4,02
 PETR3 PETROBRAS ON 13,48 -3,78
 SBSP3 SABESP ON 30,03 -2,50
 MRVE3 MRV ON 13,24 -2,29
 PETR4 PETROBRAS PN 11,62 -2,11

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes operam entre perdas e ganhos. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,64, -0,40%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,30, +0,31%; BBDC4, R$ 28,61, +0,88%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,00, -0,24%) terminam sem direção. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 23% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 4,04 +7,73
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,90 +6,62
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,26 +3,43
 BRKM5 BRASKEM PNA 19,16 +3,34
 GGBR4 GERDAU PN 8,00 +3,23

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,48, -3,78%; PETR4, R$ 11,62, -2,11%) viram para queda nesta manhã, junto com o recuo dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato Brent registrava queda de 1,40%, a US$ 42,92 o barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) caía 1,49%, a US$ 40,98 o barril.

No radar da companhia, a mexicana Alpek pode gerar até US$ 700 milhões por ativos petroquímicos da Petrobras, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto à Reuters nesta sexta-feira. A estatal anunciou na quinta-feira o início de um período de exclusividade de 60 dias para negociar com a Alpek a venda da PetroquímicaSuape e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco, conhecida como Citepe. O período de exclusividade é prorrogável por outros 30 dias. A Petrobras não comentou o assunto à Reuters. A Alpek não respondeu a um e-mail pedindo comentários.

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 melhorou de uma contração de 3,27%, para uma menor, de 3,24%. Já para 2017, a previsão foi mantida em 1,10%. No caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,21% este ano, estável ante o previsto na semana passada. Para 2017, as projeções foram cortadas de 5,29% para 5,20%, ainda acima do centro da meta do Banco Central, de inflação em 4,5% ao ano. 

Volta do recesso
Depois de duas semanas sem atividades legislativas, em virtude do recesso branco, a Câmara dos Deputados retoma nesta segunda-feira suas atividades normais com votações em plenário e trabalhos em comissões. O primeiro projeto a ser apreciado pelos deputados neste segundo semestre de 2016 é o que trata da renegociação das dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União (PLP 247/16). O projeto está tramitando em regime de urgência constitucional.

Calendário do impeachment
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, definiram que o julgamento final do impeachment terá início em 29 de agosto, com o término previsto para 3 de setembro. A condenação da presidente afastada Dilma Rousseff dependerá da manifestação favorável de pelo menos 54 senadores.

Esse cronograma atende ao desejo de Temer de viajar para o encontro do G20 em 6 de setembro como presidente efetivo. Além disso, permitirá ao ministro Lewandowski comandar esse processo antes do término de seu mandato como presidente do STF em 10 de setembro. 

Protestos pró e contra o impeachment
Em 20 estados e no Distrito Federal, ocorreram protestos a favor do impeachment, e em 15 contra o governo Temer. A proporção dos protestos foi menor do que em outras ocasiões, e não foram divulgadas estimativas oficiais. Além de pedir a saída de Dilma e a prisão de Lula, os protestos exaltaram o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato e criticaram o projeto contra abuso de autoridade apoiado por Renan. 

Temer candidato em 2018? 
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o presidente interino Michel Temer será candidato à Presidência da República em 2018 se estiver bem nas pesquisas de intenção de voto. Segundo informações do Estado de S. Paulo, Maia previu que Temer pode vencer em uma disputa no segundo turno contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se o Michel for confirmado presidente, e o governo chegar a 50% de ótimo e bom, ele é que será o candidato do nosso campo, quer queira, quer não”, disse.

O discurso de Maia vai contra o que o próprio Temer tem dito de que não é candidato à reeleição. “Eu sei que ele vai brigar comigo por estar dizendo isso, mas, olhando o cenário de hoje, e projetando 2018, o Michel vai ter dificuldade em negar esse pleito por parte dos partidos que compõem a base. É a única candidatura que pode unificar a base do governo.”

Petróleo
Entre as commodities, o petróleo segue em queda apesar dos ataques do Estado Islâmico aos campos de petróleo e gás do Iraque. Quatro homens-bomba atacaram o campo de petróleo de Bai Hassan , um dos maiores da região de Kirkuk e que produz mais de 175 mil barris por dia. Três dos autores do ataque morreram, um deles conseguiu escapar. Um incêndio começou poucas horas depois que o primeiro homem se explodiu, destruindo dois tanques.

Relatório de emprego na sexta
Principal indicador observado pelo Fed antes de subir os juros nos EUA, o relatório deve registrar uma criação de 185 mil vagas, de acordo com a expectativa mediana do mercado. Ainda vale a pena olhar para os ganhos por hora trabalhada, que devem ter um novo avanço de 0,2% e para a taxa de desemprego, que economistas projetam que cairá para 4,8%. O indicador será divulgado às 9h30 da sexta-feira (5).

Segundo José Faria Jr., diretor técnico da Wagner Investimentos, os nonfarm payrolls podem enterrar de vez a possibilidade dos EUA subirem os juros este ano. Na sua visão, a conjunção de comunicado menos "hawkish" (agressivo, no sentido de elevar juros) do Fomc (Federal Open Market Committee) na quarta, PIB (Produto Interno Bruto) mais fraco que o esperado e payroll decepcionando pode reduzir a praticamente zero as apostas de alta de juros, o que deve levar o dólar a cair. 

Reunião do BoE na quinta
A reunião da autoridade para definir sua política monetária ganha mais atenção por ser a segunda após o "Brexit". Na primeira, a autoridade monetária sinalizou que precisava avaliar a situação antes de tomar alguma atitude. Agora, os investidores esperam um corte na taxa de juros britânica dos atuais 0,5%. Na terça-feira, o Financial Times noticiou que Martin Weale, membro do comitê que decide a política monetária do BOE (Bank of England), disse que agora está a favor de um estímulo imediato. A reunião do BOE sai na quinta-feira (4) às 8h (horário de Brasília). 

 

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