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JBS dispara 6% com estrangeiros, small cap dispara 21% com fusão mais perto e Vale cai 4%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

JBS - Bloomberg

SÃO PAULO - O Ibovespa ganhou força na reta final e encerrou seu 10° pregão seguido de ganhos, uma sequência que não se via desde julho de 2010, quando o índice subiu por 11 sessões consecutivas. O rali foi puxado pelas ações dos bancos e Petrobras, que se descolou dos preços do petróleo, e fechou em alta de 2%. Do lado oposto, as ações da Vale e siderúrgicas foram penalizadas pela queda do minério e preocupações de que a mineradora australiana Rio Tinto não conseguirá bater sua meta de produção este ano.

Fora do índice, chamou atenção as ações da Marcopolo, que dispararam 7% após a companhia passar a deter 100% da Neobus com a incorporação da L&M, enquanto a Oi desabou até 25% com a notícia de que o China Development Bank pediu à justiça brasileira para fornecer mais informações sobre a proposta aos credores pela Oi, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo. Além delas, as ações da Restoque - dona das marcas Le Lis Blanc, John John e Bo.Bô - fecharam na máxima do dia, com alta de 21,47%, após o Cade dar aval para possível aquisição com a InBrands.

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira (19):

Frigoríficos
As ações da JBS (JBSS3, R$ 10,33, +2,79%) encerraram o pregão na máxima do dia, em meio à onda de compras de investidores estrangeiros após relatórios positivos sobre a empresa. Quem intermediou as maiores compras com a ação foram as corretoras dos bancos Morgan Stanley, JPMorgan e Bank of America Merril Lynch. O saldo comprador deles ficou em R$ 6,3 milhões, R$ 4,8 milhões e R$ 3,6 milhões, respectivamente, segundo dados do ProfitChart.

No radar, analistas do BTG destacaram que o resultado da companhia deve ser favorecido pelo impacto do real fortalecido na sua dívida. Embora veja uma temporada fraca de balanços no 2° trimestre, eles ressaltaram que o resultado da JBS deve ser o melhor do setor. Já o Itaú BBA destacou uma visão positiva para JBS, citando possibilidade de recuperação das margens na maioria dos negócios e geração de caixa adicional após reestruturação. 

No fim do pregão, mais uma notícia positiva para o setor. A indústria de carne espera ingressar nos Estados Unidos ainda este mês. O anúncio da abertura do mercado de carne bovina in natura para o Brasil deve ser feita na próxima semana, durante visita do Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, aos Estados Unidos, disse Antonio Camardelli, disse o presidente da Abiec, em entrevista à Bloomberg por telefone.

Na Bolsa, no entanto, apenas as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 5,47, +1,30%) seguiram o desempenho positivo. Minerva (BEEF3, R$ 8,85, -1,12%) e BRF (BRFS3, R$ 50,96, -0,02%) caíram hoje. No relatório do BTG Pactual, os analistas disseram que esperam uma safra fraca de resultados, liderada pelas margens piores nas vendas de aves no Brasil por conta de preços elevados de milho e os preços de aves no ciclo de baixa. Para carnes, o real mais forte e uma demanda doméstica fraca também vão contribuir para margens sequenciais fracas, com uma melhora marginal das margens no segmento de carnes destinadas aos Estados Unidos.

No caso de BRF (que reporta balanço dia 28 de julho), eles esperam mais um resultado fraco, com volumes de aves e suínos caindo no Brasil, como resultado de uma base de comparação mais difícil e aumentos de preços recentes, o que deve levar a uma queda de volume de 2 dígitos. Para Minerva (que reporta balanço dia 2 de agosto), os analistas acreditam que deve vir com queda de margem na comparação trimestral, com câmbio ajudando no lucro e alavancagem que deve fechar o trimestre em queda.  Encerrando a temporda, eles esperam que a Marfrig (que reporta balanço dia 11 de agosto) apresente um resultado fraco, com o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) crescendo somente 2% na comparação anual, com a margem de carnes no Brasil mais fraca (caindo para 8%), enquanto o resultado forte de Keystone deve ser compensado por um real mais forte.

Petrobras (PETR3, R$ 13,83, +1,24%; PETR4, R$ 11,78, +1,99%) 
As ações da Petrobras tiveram mais um dia volátil. Após abertura em queda, os papéis ganharam força e viraram para alta, descolando dos preços do petróleo no mercado internacional, que fecharam na mínima desde 9 de maio à espera dos dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos, que serão divulgados amanhã. O contrato Brent caiu cerca de 0,5%, para US$ 46,64 o barril, enquanto o WTI recuou 1,44%, a US$ 44,65 o barril. 

No radar, o Conselho de Administração da Petrobras discutirá ofertas pela BR Distribuidora em julho, mas ainda não tomou nenhuma decisão. A venda desta parte da gigante estatal petrolífera faz parte de um grande programa de desinvestimentos para fazer caixa, já que a Petrobras é dona de uma dívida bilionária com grande parte desse débito atrelado ao dólar.

Segundo o Valor Econômico, o atual presidente da Fierj (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, e o irmão João Pedro vêm mantendo conversas com a Petrobras, e com fundos investidores, para apresentar uma proposta de compra de uma fatia da BR Distribuidora. O plano, se bem-sucedido, pode marcar o retorno dos Gouvêa Vieira ao mercado de distribuição de combustíveis, quase dez anos após a saída da família da Ipiranga, em 2007. A Advent, a GP e o Vitol estão na disputa pela BR Distribuidora, segundo o Estadão. 

Ainda no radar da companhia, a Petrobras confirmou que “iniciou ação judicial contra o grupo Astra nos Estados Unidos, a fim de obter indenização por prejuízos decorrentes de condutas ilícitas relacionadas à compra da refinaria de Pasadena”, de acordo com comunicado ao mercado. 

Por fim, destaque para a notícia da Folha de S. Paulo de que uma decisão judicial de caráter provisório a favor da Odebrecht Óleo e Gás (OOG), subsidiária do grupo Odebrecht, permite que ela participe de uma licitação da Petrobras, um ano e meio depois da inclusão do grupo e de outras empresas investigadas pela Operação Lava Jato na "lista negra" da estatal.  A OOG foi a primeira a derrubar o bloqueio da Petrobras via liminar e poderá concorrer a um contrato para serviços de manutenção das plataformas de petróleo P-55 e P-62. 

Marcopolo (POMO4, R$ 3,07, +7,72%)
As ações da Marcopolo dispararam até 9,12% nesta sessão, a R$ 3,11, após passar a deter 100% da Neobus com a incorporação da L&M. Com a forte demanda pela ação, o volume financeiro movimentado com o papel disparou para R$ 30,6 milhões, contra média diária de R$ 12,1 milhões nos úlitmos 21 pregões. 

Além da notícia da Neobus, a alta dos papéis acompanha também uma visão positiva de analistas de mercado para a ação. No programa Comprar ou Vender, que vai ao ar na InfoMoneyTV todas as segundas-feira, os analistas Pedro Galdi e Marco Saravalle, da Upside Investor, comentaram que o setor de autopeças devem performar bem com a retomada de crescimento da economia brasileira, destacando a Randon (RAPT4, R$ 4,61, -0,86%) - a ação preferida deles no setor - e Marcopolo (para conferir o programa na íntegra clique aqui).

Ontem, a Marcopolo informou que aprovou a incorporação da L&M Incorporadora, controladora da San Marino Ônibus (Neobus), pela Marcopolo (Incorporação). A deliberação sobre essa operação será realizada em Assembleia Geral Extraordinária de acionistas no dia 3 de agosto de 2016. Por meio da Incorporação, a totalidade das quotas da Neobus detidas pela L&M, que é titular de uma participação de 55% no capital total e votante da Neobus, passará a ser detida pela Marcopolo, que já detém uma participação minoritária de 45% do capital votante e total da Neobus. Assim, com a aprovação da Incorporação pela Assembleia da Companhia, a Marcopolo passará a deter o controle integral do capital da Neobus. 

Vale
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,84, -4,21%; VALE5, R$ 13,68, -2,84%) e Bradespar (BRAP4, R$ 10,04, -3,09%) - holding que detém participação na Vale - tiveram dia de correção e caíram forte hoje, seguindo o desempenho dos preços do minério de ferro e em meio às preocupações dos investidores com a Rio Tinto. A mineradora divulgou hoje seus números de produção em linha com o esperado e manteve o guidance para o ano, mas sua ação sofre na Bolsa hoje com acionistas preocupados se a companhia conseguirá entregar o guidance, segundo comentaram analistas do Credit Suisse. Além disso, hoje o minério de ferro cotado no Porto de Qingdao, na China, encerrou em queda de 1,5%, a US$ 56,02 a tonelada.   

Oi (OIBR3, R$ 2,79, -5,74%; OIBR4, R$ 2,12, -10,17%)
As ações da Oi chegaram a desabar até 25% na mínima desta sessão, indo a R$ 1,77, no caso das preferenciais, no menor patamar intradiário desde 13 de julho de 2016. A derrocada veio após o China Development Bank pedir à justiça brasileira para fornecer mais informações sobre a proposta aos credores pela Oi, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo. Pela manhã, Oi disse que não é possível ainda informar valor atualizado de sua dívida. 

Restoque (LLIS3, R$ 4,30, +21,47%)
A ação da Restoque - dona das marcas Le Lis Blanc, John John e Bo.Bô - dispararam até 11,86% na máxima do dia, indo a R$ 3,96, após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) dar aval a possível fusão com a InBrands. O volume financeiro movimentado com a ação atingiu R$ 1,4 milhão, contra média diária de R$ 249,9 mil dos últimos 21 pregões. 

Hoje, a superintendência-geral do Cade divulgou a aprovação, sem restrições, de um memorando de entendimento não vinculativo para uma possível fusão com a rival InBrands, que é dona das marcas Richards, Ellus, Alexandre Herchcovitch e VR. As duas empresas anunciaram em junho que avaliavam um fusão dos negócios, o que daria origem a uma companhia com mais de 720 lojas, entre próprias e franquias e receita de pouco mais de R$ 2 bilhões. A proposta de fusão ainda está em fase de negociação entre as empresas.

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas tiveram dia volátil, voltando para o terreno negativo nesta tarde, apesar das boas notícias para o setor. Nesta tarde, caíram as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 7,03, -1,40%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,51, -3,09%), CSN (CSNA3, R$ 10,41, -0,67%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,42, -4,35%).

No setor, os papéis reagiam aos dados da IABr, que apontavam para uma recuperação (mesmo que lenta) da demanda doméstica das siderúrgicas, com crescimento de 5% na comparação anual para aços planos, e 6% para aços longos, disseram os analistas do BTG Pactual. Eles destacaram também a importação dos aços longos, que caiu para o nível mais baixo com exportação bastante resiliente. Segundo eles, isso pode ajudar a Gerdau no segundo trimestre de 2016. O banco segue com visão mais positiva para o setor, reiterando Gerdau e Metalúrgica Gerdau como top picks.  

 

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