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Ibovespa sobe 2% e tem 4ª alta semanal consecutiva; dólar desaba a R$ 3,29

Mercado seguiu o otimismo do exterior após os fortes dados nos Estados Unidos, enquanto a inflação por aqui ficou abaixo do esperado

Ações em alta
(ShutterStock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (8) e terminou a semana com ganhos de 1,74%. Foi a quarta semana consecutiva de alta do Ibovespa, a melhor sequência do índice desde fevereiro, quando o benchmark subiu por 5 semanas consecutivas fazendo um rali de 27,5%. No radar, os últimos cinco dias foram marcados por uma disputa entre os investidores que ficaram preocupados com o fechamento de resgates por fundos imobiliários ingleses e os que se animaram com estímulos pelos bancos centrais dos países desenvolvidos para conter os efeitos negativos do "Brexit". No fim, esses últimos venceram, levando o índice acionário norte-americano, S&P 500 à sua máxima histórica. 

Nesta sexta
Hoje, as ações brasileiras subiram impulsionadas pelo exterior. Elas já haviam acelerado a alta mais cedo depois que a agência de classificação de risco, Standard & Poor's, elevou a projeção de crescimento do Brasil em 2017 de 0,5% para 1%. O mercado ainda repercutiu a surpresa com o relatório de emprego nos Estados Unidos, que ficou bem acima do esperado.

O Ibovespa fechou esta sexta com alta de 2,16%, aos 53.139 pontos. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 5,860 bilhões. Com a alta de hoje, o índice atingiu o seu maior patamar desde 12 de maio, quando fechou aos 53.241 pontos. 

Com o resultado dos dois indicadores, o dólar comercial teve forte queda de 2,12%, cotado a R$ 3,2930 na compra e R$ 3,2945 na venda, enquanto o dólar futuro para agosto recua 2,12%, aos R$ 3,320 na venda no after-market. Os juros futuros também registram queda: o contrato para janeiro de 2018 recua 10 pontos, para 12,69%, enquanto o de janeiro de 2021 cai 22 pontos, a 12,07% também no after.

No caso dos juros futuros, boa parte da queda se deve ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado nesta manhã, com números de inflação abaixo do esperado. O IPCA registrou alta de 0,35% em junho.  

S&P
A S&P disse que as condições econômicas continuaram fracas na maior parte da América Latina no segundo trimestre, mas que o crescimento está se estabilizando na maioria dos casos. A equipe de análise da agência de rating ainda disse que o efeito do "Brexit" na dinâmica macroeconômica da região continua incerto. 

O Brasil foi o único país, junto com o Peru, que teve seu PIB (Produto Interno Bruto) para 2017 revisado para cima. Os vizinhos peruanos devem ver uma expansão da sua economia de 4% no ano que vem, contra 3,5% estimados anteriormente, de acordo com a S&P. 

Do outro lado, a Argentina teve a sua projeção de crescimento cortada de retração de 0,5% para um recuo ainda maior, de 1%. A Venezuela por sua vez, teve um dos cortes mais expressivos: de -5% para -7,5%. O Chile teve suas expectativas de aumento da atividade econômica cortadas de 2,4% para 1,8%. 

Relatório de emprego dos EUA
O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou que 287 mil novos postos de trabalho foram criados na maior economia do mundo em junho, ante expectativas de 180 mil vagas, enquanto em maio o resultado foi de 38 mil vagas. Foi o melhor resultado em oito meses. A taxa de desemprego, por sua vez, subiu de 4,7% para 4,9%, enquanto estimava-se 4,8%.

Os números surpreenderam as expectativas dos especialistas, que já apontavam para uma evolução mais robusta em comparação com os números apresentados nos meses anteriores. No setor manufatureiro, os payrolls apresentaram uma alta de 14 mil postos depois de queda de 16 mil no mês anterior.

O economista da Garde Asset Management, Daniel Weeks, destaca que o dado anterior de maio, mostrou um número muito abaixo do esperado. Caso essa previsão se confirmasse em junho, haveria uma grande preocupação sobre uma forte desaceleração da economia norte-americana, o que seria ruim para os mercados e geraria uma forte preocupação sobre a maior economia do mundo em um cenário de instabilidade.

O payroll forte, com a criação de quase 300 mil vagas, ajuda a limpar as dúvidas. Porém, ao mesmo tempo que não gera tanta preocupação, não mostra um cenário de geração de empregos tão forte que antecipe a expectativa para alta de juros pelo Federal Reserve. Isso leva ao "melhor dos mundos": um cenário de política expansionista por boa parte dos Bancos Centrais em meio ao cenário de incerteza com o Brexit, ao mesmo tempo que o Fed deve continuar com a política de juros baixos por um bom tempo.

IPCA fica abaixo do esperado
Enquanto isso, por aqui, a inflação medida pelo IPCA avançou 0,35% em junho, frente à alta de 0,78% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado, de 0,37%, segundo compilação da Bloomberg.

O primeiro semestre do ano fechou em 4,42%, abaixo dos 6,17% registrados em igual período de 2015. Na ótica dos últimos doze meses, o índice desceu para 8,84%, enquanto se situava em 9,32% nos doze meses imediatamente anteriores, mas ainda bem acima da meta de 6,5%. Em junho de 2015, o IPCA registrou 0,79%.

Destaques de ações
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,30, +2,76%; PETR4, R$ 9,84, +2,93%) subiram pelo segundo pregão, acompanhando hoje o movimento do petróleo. O contrato Brent subiu 0,50%, a US$ 46,63 o barril, enquanto o WTI avançou 0,16%, a US$ 45,21 o barril. No radar da companhia, a Petrobras confirmou a emissão de US$ 3 bilhões com a reabertura de bônus 2021, com cupom de 8,375% ao ano (a.a.), e 2026, com cupom de 8,750% a.a..

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 CMIG4 CEMIG PN 7,79 +6,42 +37,38
 CSNA3 SID NACIONALON 9,06 +6,09 +126,50
 QUAL3 QUALICORP ON 19,35 +5,33 +44,67
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 27,75 +4,80 +17,99
 LREN3 LOJAS RENNERON 25,50 +4,29 +51,35

 

 

 

Seguindo o bom humor dos mercados globais, as ações da Vale (VALE3, R$ 16,19, +1,06%; VALE5, R$ 13,02, +1,88%) e Bradespar - holding que detém participação na mineradora - avançaram, acompanhando também o desempenho do minério de ferro hoje, que fechou em alta de 0,2% no porto de Qingdao, na China, indo a US$ 55,17 a tonelada.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 FIBR3 FIBRIA ON 21,23 -3,94 -58,36
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 15,10 -3,27 -35,19
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,80 -3,23 -40,96
 SMLE3 SMILES ON 46,56 -1,34 +43,59
 MRFG3 MARFRIG ON 5,60 -0,53 -11,81

 

 

O setor de papel e celulose seguiu em queda livre na Bolsa, em meio às preocupações dos investidores quanto aos balanços dessas companhias, que vêm sendo afetados pela desvalorização do dólar frente ao real e dos preços da celulose. Hoje, o dólar comercial registrou forte queda. 

As ações da Fibria (FIBR3, R$ 21,23, -3,94%) renovaram hoje sua mínima desde setembro de 2014, acumulando nos últimos 5 pregões queda de 8%. Já as ações da Suzano (SUZB5, R$ 10,80, -3,23%) e Klabin (KLBN11, R$ 15,10, -3,27%) caíram pelo quarto pregão seguido, registrando no período perdas de 9,2% e 6,7%, respectivamente, indo para seus menores patamares desde abril e o final de junho. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 9,84 +2,93 416,98M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 31,94 +2,70 379,81M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 26,51 +2,75 295,89M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,40 +1,57 241,54M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 27,75 +4,80 198,63M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,80 +2,90 180,51M
 VALE5 VALE PNA 13,02 +1,88 159,25M
 CCRO3 CCR SA ON 16,60 +2,79 156,18M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 24,71 +1,23 152,53M
 CIEL3 CIELO ON 35,00 +1,33 136,44M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Meta fiscal para 2017
Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou um déficit primário de R$ 139 bilhões para 2017. Segundo ele, para chegar ao valor, a equipe econômica terá não apenas de cortar despesas, mas obter receitas adicionais por meio de concessões, venda de ativos, outorgas de campos de petróleo e possíveis aumentos de tributos. Além do déficit de R$ 139 bilhões para a União, a equipe econômica estabeleceu meta de déficit de R$ 3 bilhões para as estatais e de R$ 1,1 bilhão para estados e municípios.

A meta foi vista como positiva pelos analistas: a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, afirmou que "os R$ 139 bilhões mostram uma vitória do time econômico, que conseguiu convencer o outro lado da importância de sinalizar algo mais duro, mais ambicioso”. Já na avaliação de Raul Velloso, especialista em contas públicas, os números são positivos, mas ele reforça que é complicado dar o resultado como certo. O governo precisa ter em mente que elevar receita com venda de ativos não é uma medida instantânea e previsível, como subir impostos.

Repercussão da renúncia de Cunha
Após a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara, o presidente interino da Casa Waldir Maranhão marcou nova eleição para quinta-feira (14). Porém, em uma reunião tumultuada, líderes partidários anteciparam a eleição para presidência da Câmara dos Deputados para terça-feira (12).

Durante a reunião foi anunciado o cancelamento da reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de segunda-feira (11) e sua transferência para terça, no mesmo horário da sessão para escolha do novo presidente da Casa. Em razão disso, líderes do PT, PSDB, PSB, DEM, PDT e Rede se posicionaram contrários à escolha da data. Houve votação e por 280 votos a 134 venceu a maioria formada pelos líderes do chamado Centrão.

 

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