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Elétricas e holding da Vale disparam até 10% com chineses; ex-OGX salta 70%

Confira os destaques da Bovespa nesta segunda-feira

OGX Petróleo EBX
(RI OGX)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve nesta segunda-feira (4) sua quinta sessão seguida de ganhos, acumulando no período alta de 6,8%, na maior sequência de alta desde o início de março.

Na maior alta de hoje, as ações da CPFL Energia dispararam até 13%, após a Camargo Corrêa assinar a venda de sua particiapação acionária na empresa para a State Grid, por R$ 25,00 por ação. As demais elétricas subiram na esteira do otimismo. Outra ação que ganhou com a notícia foi a Bradespar - holding que detém participações na Vale e CPFL.

Na ponta oposta, 20 das 59 ações do Ibovespa caíram, com as educacionais Estácio e Kroton entre as maiores quedas. Por sua vez, a Ser Educacional - também do setor de educação -, que não é negociada no índice subiu até 7,6% nesta sessão, na esteira da notícia da Agência Estado de que a empresa ainda está avaliando seus próximos passos e não descarta uma nova oferta pela Estácio. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira:

CPFL (CPFE3, R$ 22,37, +8,80%) 
As ações da CPFL Energia disparam após a Camargo Corrêa comunicar que aceitou a proposta da chinesa State Grid para comprar totalidade de suas ações, que representam 23,6% da elétrica, por R$ 25,00 por ação - representando um prêmio de 22% sobre o fechamento de sexta-feira. Na máxima do dia, as ações da CPFL chegaram a subir 12,84%, a R$ 23,20. A Bradespar (BRAP4, R$ 9,53, +6,87%), que possui participação na CPFL, também registra alta forte hoje. 

O valor atribuído às ações da CPFL Energias Renováveis (CPRE3, R$ 11,20, +2,75%) detidas direta ou indiretamente pela CPFL Energia é de R$ 12,20 por ação. A celebração do acordo de compra de ações se dará após conclusão de due diligence a ser conduzida pela compradora na CPFL Energia e em suas subsidiárias. 

Em relatório, o Credit Suisse destacou que o setor deveria reagir positivamente à magnitude do negócio e levar em conta que existem outros ativos à venda. Porém, os chineses não terão interesse por todos os ativos, fazendo mais sentido acompanhar empresas que têm sido foco de desinvestimentos. Esses são os casos de Cemig (CMIG4, R$ 7,75, +5,59%) e Eletrobras (ELET3, R$ 13,25, +3,60%; ELET6, R$ 18,18, +4,36%). 

Segundo o BTG Pactual, a dúvida agora é se os outros acionistas controladores (leia-se Previ e Bonaire – Funcesp, Petros, Sistel e Sabesprev) irão exercer o tag along. "Acreditamos que eles deverão acompanhar uma vez que recentemente a Bonaire fez uma emenda no acordo de acionistas para que tivesse direito ao tag along, passando uma mensagem clara de que numa eventual mudança de controle, eles estariam aptos a exercer", afirmam os analistas do banco.

O acordo impulsiona outras ações do setor elétrico, caso de Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,30, +9,93%), Light (LIGT3, R$ 11,41, +5,16%) e Cesp (CESP6, R$ 12,25, +3,73%). 

Nesta manhã, o conselho de administração da CPFL Energia aprovou um aporte de até R$ 56 milhões na controlada CPFL Serviços, Equipamentos, Indústria e Comércio. Pelo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a injeção de recursos será feita por meio de um adiantamento para futuro aumento de capital, devido à necessidade de caixa da controlada.

Dentro do setor, o noticiário da Cemig também merce destaque. Segundo a Reuters, o governo federal pretende realizar até o fim do ano o leilão de pelo menos três hidrelétricas da companhia cujos contratos venceram ou estão para vencer, além de usinas menores de outras empresas, o que poderia gerar uma arrecadação de cerca de R$ 10 bilhões em outorgas na licitação, segundo três fontes que acompanham de perto o processo.

Apesar da expectativa de realizar o leilão ainda este ano, os recursos obtidos com a cobrança de bônus de outorga junto aos vencedores ajudariam as contas do governo de 2017, disseram duas das fontes.

Vale (VALE3, R$ 16,97, +2,11%; VALE5, R$ 13,51, +2,04%)
Seguindo o dia positivo para o minério de ferro com a expectativa de novos estímulos na China, as ações da Vale e Bradespar - holding que detém participação na mineradora - tiveram dia de ganhos. A Bradespar ganhou também com a notícia da CPFL Energia (como pode ser visto acima), já que a holding detém fatia na elétrica. minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 3,47%, a US$ 56,22 a tonelada seca. A cotação do minério é um importante balizador para o desempenho das ações da Vale, já que é o seu principal produto. 

Acompanharam o desempenho as ações das siderúrgicas, com CSN (CSNA3, R$ 9,30, +6,16%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,30, +1,78%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,11, +1,93%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,12, +1,92%). 

Petrobras (PETR3, R$ 12,02, -0,33%PETR4, R$ 9,87, +0,51%)
Em dia de reviravolta dos preços do petróleo, que registravam alta mais cedo, mas encerraram o pregão em queda, as ações da Petrobras perderam força ao longo do dia para fecharem entre perdas e ganhos. Nesta sessão, o contrato B
rent registrou queda de 0,62%, a US$ 50,04, enquanto o petróleo WTI marcou desvalorização de 0,47%, a US$ 48,76 o barril. 

No noticiário da estatal, o ex-presidente da petroleira britânica BG no Brasil, Nelson Silva, foi indicado para ocupar a nova diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão a ser criada, confirmou na sexta-feira a Petrobras em nota.

Na véspera, duas fontes disseram à Reuters que Silva havia sido indicado para ocupar a diretoria, cuja a criação precisa ainda ser aprovada em Assembleia Geral. Silva assumiu recentemente o cargo de consultor sênior da Diretoria Executiva da Petrobras, com atribuições de coordenar o processo de revisão estratégica da empresa.

Além disso, destaque para a entrevista do presidente interino Michel Temer para a Veja; ele defendeu privatização em seu governo, mas garantiu que a Petrobras, por exemplo, está blindada desse processo, por estar ligada "à ideia de nacionalidade, patriotismo". 

Óleo e Gás Participações (OGXP3, R$ 5,58, +58,07%)
As ações da antiga-OGX, a Óleo e Gás Participações, dispararam até 69,97% nesta sessão, indo a R$ 6,00, após a companhia retomar a produção de Tubarão Martelo. O volume financeiro negociado com a ação bateu R$ 5,4 milhões, contra média diária de R$ 235,6 mil dos últimos 21 pregões.

A antiga OGX informou ter recebido ofício da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizando a retomada imediata da produção do Campo de Tubarão Martelo (“Campo TBMT”), por meio da FPSO OSX-3. "Informam, ainda, que mediante a autorização mencionada acima, a OGX já retornou à operação no Campo TBMT e permanece monitorando o processo, aguardando a estabilização da produção. Com a retomada da produção, os resultados mensais voltarão a ser divulgados ao mercado até o 15º dia do mês subsequente", informou a empresa. 

As ações da MMX (MMXM3, R$ 4,78, +17,44%) - também fundada pelo empresário Eike Batista e que fazia parte do "Grupo X" na Bovespa - disparou hoje, mas sem notícia específica sobre a empresa. O giro financeiro movimentado com o papel atingiu R$ 249,3 mil neste pregão, frente média diária de R$ 29 mil dos últimos 21 pregões. 

JBS (JBSS3, R$ 9,91, +4,32%)
As ações da JBS tiveram um movimento de recuperação após caírem 5% na última sexta-feira. A última sessão foi marcada por aversão ao risco com a deflagração da Operação Sépsis da Polícia Federal, que contou com mandados de busca e apreensão na J&F, controladora da JBS. Em comunicado, a companhia disse que não era alvo da operação e sim a Eldorado, braço de celulose. 

Gol (GOLL4, R$ 3,20, -5,88%)
As ações da Gol caíram forte após a empresa informar ter encerrado em 1 de julho o prazo para as ofertas de permuta de bônus, com uma adesão equivalente a 22,4% dos titulares elegíveis até o prazo de vencimento — US$ 174,745 milhões oferecidos de um total de US$ 780 milhões em negociação.  O objetivo original da Gol era conseguir negociar em torno de 95% dos títulos submetidos à oferta.

Em teleconferência a jornalistas, o diretor financeiro Edmar Lopes disse que a Gol resolveu o covenant com os bancos brasileiros e que a companhia continua em negociação com os bancos, que incluem empréstimo novo. Segundo ele, a companhia continua buscando alternativas para a dívida no médio prazo e que vai procurar soluções de marcado para equacionar a dívida. A Gol está avançando em todas as negociações e está cada vez mais longe de recuperação judicial, disse. 

Eneva (ENEV3, R$ 11,28, -5,21%)
As ações da Eneva - empresa fundada por Eike Batista em 2001 e que saiu de recuperação judicial na semana passada - caíram forte, após a Prumo (PRML3, R$ 6,45, -0,92%), ex-LLX Logística, informar que encerrou todos os acordos com a companhia no Porto de Açu. O acordo estabelece também que sejam encerradas todas as ações judiciais, discussões e pleitos existentes entre as partes, segundo fato relevante ao mercado. 

Quanto à licença prévia detida pela Eneva e a UTE para a possível futura instalação de uma usina termelétrica a gás natural com capacidade de geração de 3,3 GW, as partes acordaram que será submetido ao Instituto Estadual do Ambiente pedido de transferência à Gás Natural Açu Ltda., subsidiária da companhia, disse a Prumo. Com o acordo, a Prumo espera ter mais flexibilidade e segurança para atração de novos parceiros comerciais para projetos de geração de energia no complexo portuário, segundo o fato relevante. 

Educacionais
A Ser Educacional (SEER3, R$ 13,10, +4,80%) recebeu na sexta-feira um balde de água fria, diante da sinalização de Kroton (KROT3, R$ 14,08, -1,40%) e Estácio (ESTC3, R$ 16,87, -1,98%) de que estão mais perto de uma fusão. Porém, segundo a Agência Estado, fontes próximas à Ser dizem que a empresa ainda estava avaliando os próximos passos, mas não descarta uma nova oferta pela Estácio. Mas, caso a fusão de Estácio e Kroton se confirme, a Ser deve trabalhar para indicar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) os riscos que a operação traz para a concorrência neste mercado, "exigindo que todos os procedimentos legais sejam cumpridos", disse uma fonte próxima à empresa. Na máxima do dia, as ações da Ser dispararam 7,6%, indo a R$ 13,45. 

Caso a fusão entre Kroton e Estácio se concretize, a Ser estará, provavelmente, na ponta de compra de ativos que venham a ser vendidos após as exigências do Cade. Procuradas, Kroton, Estácio e Ser não comentaram.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,08, -0,98%)
A Ecorodovias acertou a venda de 100% do capital da Elog Sul para a Multilog por R$ 115 milhões, informa comunicado divulgado nesta segunda-feira. A venda das unidades da Elog Sul é consistente com estratégia do grupo de focar nos ativos de concessões rodoviárias, disse a empresa. A conclusão de venda está sujeita à comunicação e/ou aprovação prévia da Receita Federal e aprovação do Cade. 

Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 14,85, +20,15%)
As ações da Vanguarda Agro disparam e atingem o maior patamar desde novembro de 2015, após a companhia informar que fechou acordo com Itaú, Bradesco para reestruturação da dívida. O volume financeiro também chamou atenção e bateu R$ 1,34 milhão nesta sessão, bem acima da média diária de R$ 412,4 mil dos últimos 21 pregões.

O prazo para pagamento da maior parte de uma dívida total de R$ 743 milhões em dívidas com vencimento concentrado no curto prazo será prorrogado até 2022, disse a Vanguarda Agro em comunicado. O acordo com Itaú BBA e Bradesco cobre cerca de 60% das dívidas da empresa e as condições pendentes incluem aprovação de outros credores responsáveis por ao menos mais 19% do total da dívida, somando 79% dos R$ 743 milhões. As conversas com outros bancos estão avançadas e o acordo será concluído em 90 dias. O acordo ajustará fluxo de pagamento de dívida à capacidade de geração de caixa da empresa, disse Cristiano Rodrigues, diretor financeiro da Vanguarda, em entrevista por telefone para a Bloomberg. A completa processo de reorganização iniciado em 2013.

 

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