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DIs disparam e dólar faz mínima no ano após discurso de Ilan; Bolsa sobe 1,6%

Mercado avança com correção internacional e segue sinalizações políticas por aqui

Ilan Goldfajn
(Lula Marques/Agência PT)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (28), mas ficou longe da máxima do pregão, quando bateu uma valorização de 2,14%. Com a alta de hoje, a Bolsa recuperou parte das perdas dos últimos dois pregões, em que registrou perdas consideráveis com a aversão a risco depois do "Brexit". O movimento daqui se espelhou na trajetória das bolsas internacionais, principalmente dos índices Dow Jones e S&P 500, que tiveram altas de 1,57% e 1,78% respectivamente. Assim como as bolsas, commodities e moedas emergentes também mostraram ganhos, a exceção do minério de ferro. 

Por aqui, o presidente interino Michel Temer, pediu para que os seus ministros privatizem tudo o que for possível e disse querer uma diferença menor entre a idade de aposentadoria dos gêneros, segundo jornais. Além disso, também causou impacto o tom mais "hawkish" (agressivo, no sentido de subir ou manter juros) do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central. 

O benchmark da bolsa brasileira subiu 1,55%, a 50.007 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,828 bilhões. Já o dólar comercial caiu 2,61% a R$ 3,3045 na compra e a R$ 3,3060 na venda, enquanto o dólar futuro para julho tem queda de 2,59% a R$ 3,309. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 teve alta de 15 pontos-base a 12,69%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registrou perdas de 11 pontos-base a 12,09%.

As taxas de DIs disparam depois do presidente do BC, Ilan Goldfajn, reforçar que 4,5% é o objetivo para a inflação no fim de 2017 e descartar uma meta ajustada, algo que alguns economistas aventaram como possibilidade recentemente. 

Discurso de Ilan Goldfajn
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, concede entrevista coletiva nesta manhã após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, que teve tom hawkish (duro) sobre a inflação. Ilan afirmou que a meta de 4,5% do IPCA é o objetivo em 2017. Ele afirmou que o ano de 2015 foi de choque devido à depreciação, alta dos preços administrados. Desde então o regime busca convergência ao regime de metas em um período não muito distante e 2017 parece apropriado.

Sobre câmbio flutuante, ele leu novamente trecho do discurso de posse, que afirmou que continua válido: "o BC aprecia regime de câmbio flutuante dentro do tripé macroeconômico". Contudo, Goldfajn ressaltou que, uma vez dito isso, poderá usar todas as ferramentas que dispõe, especificamente swap reverso, dentro do funcionamento normal do mercado. 

Relatório Trimestral de Inflação
Divulgado nesta terça-feira, o Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central afirmou que não há espaço para hipótese de flexibilização monetária. O relatório ainda afirmou que o avanço no combate à inflação depende do ajuste fiscal e não apenas da política monetária, mas reconhece que há avanços no combate à inflação. 

Entre as projeções, o BC revisou sua expectativa para a inflação em 2016 de 6,9% para 7%. Ao fim de 2017, a autoridade monetária vê o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 5,5%, contra os 5,4% projetados anteriormente. Já para o PIB (Produto Interno Bruto), a projeção foi melhorada de uma retração de 3,5% em 2016 para uma menor, de 3,3%. 

Governo Central
A queda das receitas em meio ao crescimento de gastos obrigatórios fez o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrar o maior déficit primário da história para meses de maio. No mês passado, o resultado ficou negativo em R$ 15,494 bilhões, déficit 91,9% maior que o registrado em maio de 2015 (R$ 8,074 bilhões).

O déficit primário é o resultado negativo das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. Com o desempenho de maio, o Governo Central acumula déficit de R$ 23,770 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, o primeiro resultado negativo da história para o período. De janeiro a maio de 2015, a conta estava positiva em R$ 6,488 bilhões.

UBS eleva Brasil para "mais preferidos"
O UBS elevou o Brasil e a Turquia para a lista dos países "mais preferidos" entre os emergentes, enquanto rebaixou a Polônia para os "menos preferidos". No Brasil, a equipe de análise do banco suíço cita um cenário de melhora econômica e expectativa de crescimento no lucro das empresas a partir do segundo semestre deste ano. Já no caso da Turquia, eles comentam que veem um valuation atrativo e ganhos resilientes, contra um pano de fundo de menor volatilidade política. 

Na América Latina, os analistas preferem o Brasil em vez do México, acreditando que o peso mexicano deve seguir sob pressão. Em relatório desta semana, o UBS manteve China e Índia na lista dos "mais preferidos" entre os emergentes, e Taiwan, Coreia do Sul e México como os mercados "menos preferidos". 

Brasil e Rússia viram paraísos improváveis
De acordo com a Bloomberg, com um novo governo no Brasil e o isolamento na Rússia, há oportunidade de compra para o maior gestor de ativos da Europa enquanto o caos político em toda a zona do euro corrói o status das economias desenvolvidas como mais seguras. “Certamente agora alguns mercados emergentes estão mais seguros do que partes do mundo desenvolvido”, disse Sergei Strigo, chefe de mercados emergentes da Amundi Asset Management em Londres, maior empresa de investimentos do continente. Strigo avalia adicionar mais títulos do Brasil e da Rússia em sua carteira.

E ele não está sozinho. Enquanto os mercados globais despencavam na sexta-feira após o resultado do referendo do Reino Unido, o BNP Paribas ampliou sua posição em Rússia, Colômbia e África do Sul através de credit-default swaps, que são uma espécie de seguro contra o calote em algum título de dívida.

Ações em destaque
Segundo o jornal Valor Econômico, uma das ideias apresentadas pelo "núcleo econômico" do governo interino de Michel Temer é aproveitar a munição da Petrobras (PETR3, R$ 11,21, +3,80%; PETR4, R$ 9,20, +4,78%) como importadora de petróleo e equipamentos para negociar a abertura de mercados para produtos brasileiros no exterior. A proposta foi colocada à mesa pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra, mas ainda não há decisão tomada pelo governo sobre o assunto, que se encontra em etapa inicial de análise. 

Isso ajudou a petroleira a subir, assim como a alta do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) avançou 3,56% a US$ 47,98, ao mesmo tempo em que o barril do Brent registrou ganhos de 3,22% a US$ 49,31. 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes subiram. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,96, +3,50%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,21, +2,30%; BBDC4, R$ 24,45, +2,47%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,03, +2,49%) registraram ganhos. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 PETR4 PETROBRAS PN 9,20 +4,78 +37,31
 VALE5 VALE PNA 12,56 +4,75 +22,54
 VALE3 VALE ON 15,46 +4,46 +18,65
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,53 +4,02 +70,94
 CMIG4 CEMIG PN 6,75 +4,01 +19,04

 

 

Já a Vale (VALE3, R$ 15,46, +4,46%; VALE5, R$ 12,56, +4,75%) teve alta apesar da queda do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 0,39% a US$ 53,65 a tonelada seca.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 25,95 -8,47 +20,51
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 15,12 -4,00 -35,11
 FIBR3 FIBRIA ON 22,48 -3,52 -55,91
 QUAL3 QUALICORP ON 18,13 -2,53 +35,55
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 17,40 -2,30 -42,14

 

 

A maior queda do dia, contudo, ficou com o Grupo Hypermarcas (HYPE3, R$ 25,95, -8,47%) após o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, Nelson Mello, afirmar em delação premiada que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas para que eles repassassem a propina para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Hypermarcas afirmou que não teve nenhum benefício dos atos praticados pelo executivo. "Após a saída do ex-executivo, a Companhia contratou assessores externos renomados para conduzirem uma auditoria, já finalizada, que concluiu que o Sr. Mello autorizou, por iniciativa própria, despesas sem as devidas comprovações das prestações de serviços", diz a nota.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 9,20 +4,78 407,46M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 28,96 +3,50 345,89M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 11,48 -1,46 254,91M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 24,45 +2,47 250,10M
 VALE5 VALE PNA 12,56 +4,75 237,31M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 25,95 -8,47 236,29M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,75 +0,21 234,88M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,19 +2,86 199,59M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 17,15 +2,57 124,34M
 BBAS3 BRASIL ON 16,03 +2,49 112,38M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

PIB dos EUA
No primeiro trimestre de 2016, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi de 1,1%, na comparação anual, de acordo com a terceira prévia divulgada nesta terça. O crescimento foi, portanto, acima dos 0,8% de avanço registrados na segunda prévia, e acima da mediana das expectativas do mercado, que eram de que o crescimento fosse de 1,0% segundo o consenso da Bloomberg. 

 

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