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Ibovespa afunda até 500 pontos após pesquisa mostrar "Brexit" liderando no Reino Unido

Mercado registra perdas em um pregão de extrema volatilidade tanto aqui como lá fora

David Cameron - primeiro ministro do Reino Unido
(Wikimedia)

SÃO PAULO - O Ibovespa firma queda nesta quarta-feira (22), pregão de muita volatilidade, seguindo as bolsas dos Estados Unidos. Responsável pelo movimento mais forte de queda esteve a divulgação de uma pesquisa da TNS mostrando o "Brexit" liderando por 43% a 41% faltando poucas horas para a votação do referendo. Outra pesquisa, do instituto Opinium, mostrava a saída do Reino Unido da União Europeia vencendo por 45% a 44%. O mercado antes já caía pressionado pela derrocada do petróleo e pelo discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. 

Às 14h59 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha perdas de 0,78%, a 50.422 pontos. Em 1 hora, a queda foi de mais de 500 pontos. Já o dólar comercial cai 0,75% a R$ 3,3808 na venda, enquanto o dólar futuro para agosto registra perdas 1,04% a R$ 3,389. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera estável a 13,74%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 2 pontos-base a 12,46%. 

Por aqui, o Senado aprovou a lei de responsabilidade das estatais um dia depois da Câmara dos Deputados aprovar a lei que eleva a cota de capital estrangeiro permitida nas companhias aéreas para 100%. 

De acordo com o diretor da mesa de trade da corretora Mirae Asset, Pablo Stipanicic Spyer, o movimento da Bolsa seguiu a queda dos índices nos EUA. Este último movimento estando intimamente ligado à pesquisa que colocou o "Brexit" na frente do "Bremain". Com bancos a queda foi motivada principalmente pelo risco de contágio por conta da exposição das instituições financeiras à Oi, que pediu recuperação judicial na segunda. Pela manhã, a Bolsa já ameaçava recuar pressionada pelo petróleo, que caiu com os estoques caindo menos que o esperado e com o tom um pouco mais "hawkish" da presidente do Fed. 

"Brexit"
Um novo levantamento divulgado pelo instituto TNS mostra que as intenções de voto em favor da saída do Reino Unido da União Europeia lideram com 43%, contra 41% dos que defendem a permanência no bloco. A pesquisa entrevistou 2.320 pessoas entre os dias 16 e 22 de junho, e mostrou também que 16% ainda estão indecisos ou não deverão votar. 

Antes dela, uma pesquisa publicada pelo instituto Opinium mostrou um resultado que ia na mesma direção, com 45% das intenções de voto à favor do "Brexit", 44% pelo "Bremain" e 9% de indecisos. 

De acordo com a equipe de análise do Credit Suisse, o mercado financeiro e os de aposta estão precificando uma chance maior de o “remain” (permanência) vencer. Considerando a margem de erro das pesquisas e potenciais mudanças no ultimo minuto, pode ser que esse seja o cenário. "No entanto, na nossa opinião ainda há muita incerteza. Como já temos destacado, a correlação entre os mercados de aposta e o índice do global risk apetite tem sido alta. Assim, esperamos que se o “leave” (saída) ganhar, a medida de apetite de risco pode ir para pânico", afirmam os analistas. 

Janet Yellen fala
A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, apresenta relatório de política monetária à Câmara dos Deputados dos EUA nesta quarta. Yellen disse que segue confiante na atividade econômica do país apesar do relatório de emprego extremamente fraco de maio. Segundo ela, o Fed está começando a ver uma aceleração no crescimento dos salários. Ela ainda repertiu que o bc dos EUA não considera usar taxas de juros negativos em caso de uma piora na economia, ao contrário do que diversos bancos centrais têm feito no mundo desenvolvido. 

Antes disso, o vice do Fed, Stanley Fischer, participou de conferência

Estoques de petróleo
Os estoques semanais de petróleo, divulgados pela EIA (Energy Administration Information) dos Estados Unidos caíram em 917 mil barris na semana passada, ante estimativas de queda de 1,29 milhão. Na semana anterior houve uma redução de 933 mil no número de barris nos estoques de Cushing, Oklahoma. 

Ações em destaque
Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes operam entre perdas e ganhos. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,05, -1,16%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,21, +0,23%; BBDC4, R$ 25,02, +0,48%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,93, +0,50%) não têm uma direção definida. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RENT3 LOCALIZA ON 35,03 -4,71
 KROT3 KROTON ON 13,29 -3,63
 JBSS3 JBS ON 9,16 -3,48
 FIBR3 FIBRIA ON 26,22 -3,39
 RADL3 RAIADROGASILON 60,36 -3,13

 

 

As ações da Marfrig (MRFG3, R$ 5,72, -2,72%) operam como a maior queda do pregão junto com a JBS (JBSS3, R$ 9,16, -3,48%). 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,82, -1,01%; PETR4, R$ 9,46, -0,73%) passam a cair depois que os estoques de petróleo vieram abaixo do esperado nos EUA e derrubaram os preços do petróleo no mercado internacional. Neste momento, o contrato Brent registrava baixa de 2,63%, a US$ 49,91 o barril, enquanto o WTI recuava 2,77%, a US$ 48,47 o barril. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CMIG4 CEMIG PN 6,25 +6,84
 QUAL3 QUALICORP ON 18,50 +4,82
 VALE5 VALE PNA 12,88 +3,54
 VALE3 VALE ON 16,15 +3,53
 USIM5 USIMINAS PNA 2,18 +3,32

 

Na esteira da alta do minério de ferro, as ações da Vale (VALE3, R$ 16,15, +3,53%;VALE5, R$ 12,88, +3,54%) e Bradespar (BRAP4, R$ 8,62, +3,11%) - holding que detém participação na mineradora - saltam nesta quarta-feira. Os papéis seguem a alta de 2,79%, a US$ 52,29 a tonelada, nesta sessão no porto de Qingdao, na China.  

Cunha no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar hoje (22) denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por supostas contas atribuídas a ele na Suíça. A partir das 14h, os ministros vão decidir se abrem a segunda ação penal contra o parlamentar nas investigações da Operação Lava Jato. 

Entrevista de Temer
O presidente interino da República, Michel Temer, disse ontem acreditar que não terá mais desfalques na equipe ministerial daqui para frente. Em entrevista ao jornalista Roberto D Ávila, da Globo News, Temer descartou, novamente, a possibilidade de concorrer à reeleição em 2018 caso seja mantido no poder e que aguardará o desfecho do processo de impeachment para “pleitear” mudanças conjunturais, como a reforma da previdência. 

 “Evidentemente que, depois da decisão do Senado [pelo impeachment], abre-se um campo muito mais vasto para a governabilidade. Então, certas questões que neste momento ainda não deu tempo de tratar, eu tratarei depois, como a questão da reforma da previdência. Acho que só poderei pleitear uma reforma da previdência se tiver a efetivação”, disse Temer.

Ainda no campo político, vale destacar a aprovação pelo Senado da Lei de Responsabilidade das Estatais. Uma semana após a Câmara esvaziar o projeto que busca inibir casos de corrupção e ingerência política nas empresas públicas, o Senado desfez mudanças que haviam sido aprovadas pelos deputados. O texto, aprovado nesta terça-feira, 21, em votação simbólica que durou menos de dez minutos no plenário, segue agora para sanção presidencial.

Assista ao InfoMoney na Bolsa desta quarta-feira: 

 

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