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Ibovespa sofre, mas tem leve alta com Petrobras e bancos ofuscando queda da Vale

Mercado termina com leves ganhos apesar da volatilidade que tomou conta do pregão

Petrobras - Bloomberg
(Dado Galdieri)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em leve alta nesta terça-feira (7), dia de alguma volatilidade com as altas de Petrobras e bancos ofuscando o cenário político indefinido, que prejudicou outras blue chips. No cenário doméstico, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do ex-presidente, José Sarney. Os pedidos foram baseados em indícios de que Renan, Sarney e Jucá agiram para tentar barrar a Operação Lava Jato. 

Lá fora, as bolsas internacionais fecharam em alta ainda refletindo a fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, que minimizou o relatório de emprego fraco da sexta-feira, mas não sinalizou uma data para o aumento de juros. 

O benchmark da bolsa brasileira teve leve alta de 0,11%, a 50.488 pontos. Foi a segunda baixa consecutiva do índice. O volume financeiro negociado da Bovespa foi de R$ 5,064 bilhões. Já o dólar comercial teve queda de 1,20% a R$ 3,4479 na compra e a R$ 3,4486 na venda, enquanto o dólar futuro para julho tem baixa de 1,28% a R$ 3,492. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 avança 3 pontos-base a 13,60%, enquanto o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 9 pontos-base a 12,39%. 

Banco Mundial
O Banco Mundial estima que a recessão do Brasil vai se arrastar pelo 3° ano consecutivo, segundo relatório divulgado nesta terça. A estimativa do Banco Mundial para Brasil é pior do que a de 30 dos 34 economistas consultados pela Bloomberg e inferior também à de outros organismos multilaterais como FMI e OCDE, que preveem estagnação em 2017. 

Segundo o relatório, Brasil e Venezuela vão arrastar América Latina para a 1ª contração por 2 anos seguidos em mais de 30 anos. Para 2016, a estimativa para a AL é encolhimento de 1,3% em 2016, após retração de 0,7% em 2015. Sem o Brasil, a região cresceria 0,5%. 

Prisões de Renan, Sarney, Jucá e Cunha
Os pedidos foram baseados em indícios de que Renan, Sarney e Jucá agiram para tentar barrar a Operação Lava Jato. De acordo com a fonte ouvida pelo jornal O Globo, não há dúvida de que, se a trama não fosse documentada pelas gravações de Sérgio Machado, a legislação seria modificada de acordo com o interesse dos investigados. Renan, Jucá e Sarney estão entre os políticos mais influentes do Congresso enquanto Sarney, mesmo sem mandato, controla bancadas na Câmara e no Senado. O ex-presidente teria tido, inclusive, papel decisivo no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. 

Se for confirmada a saída de Renan do Senado, o novo presidente do Congresso será o senador Jorge Viana (PT-AC), o que deve elevar o temor de uma possível volta da presidente afastada, Dilma Rousseff, após a votação definitiva do impeachment no plenário do Senado em agosto. Com 15 dias para as alegações da defesa e mais 15 para a acusação, a votação ocorrerá perto da abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro. 

Já sobre Cunha, segundo informações obtidas pela Folha de S. Paulo, a Procuradoria avalia que a determinação de suspender o peemedebista do mandato e da Presidência da Câmara não surtiram efeito, sendo que ele continuaria tentando atrapalhar as investigações contra ele na Justiça e no Conselho de Ética da Câmara, que discute sua cassação. Há ainda relato de um integrante do conselho à Procuradoria de que estaria sendo ameaçado pelo grupo de Cunha.

Ações em destque
Os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 11,13, +3,06%; PETR4, R$ 8,62, +1,89%) fecharam com ganhos em mais um dia de alta do petróleo no mercado internacional. Neste momento, o contrato Brent subia 1,90%, a US$ 51,51 o barril, enquanto o WTI marcava alta de 1,59%, a US$ 50,48 o barril. 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes subiram. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,07, +1,62%) e Bradesco (BBDC3, R$ 25,51, +0,24%; BBDC4, R$ 24,24, +1,30%) avançaram e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,92, -1,17%) recuou. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 TIMP3 TIM PART S/AON 7,16 +4,07 +7,16
 QUAL3 QUALICORP ON 17,39 +3,27 +30,02
 PETR3 PETROBRAS ON 11,13 +3,06 +29,87
 PETR4 PETROBRAS PN 8,62 +1,89 +28,66
 ESTC3 ESTACIO PARTON 14,79 +1,72 +9,50

 

Os papéis do setor siderúrgico, por outro lado, operam em alta hoje, com Gerdau (GGBR4, R$ 6,31, -0,63%) e CSN (CSNA3, R$ 6,99, -5,41%) terminando em alta. As ações da Usiminas (USIM5, R$ 1,88, -2,08%), por sua vez, fecharam sem direção.  

No radar da Vale, o presidente interino Michel Temer quer tirar Murilo Ferreira do comando da mineradora, enquanto os acionistas controladores resistem a fazer uma mudança agora, diz Valor Econômico. Os sócios da Vale têm receio de que troca seja vista pelo mercado como interferência política, com efeitos negativos sobre a imagem da companhia. A Valepar, holding que comanda a Vale, é controlada pelos fundos de pensão Funcef, Previ, Petros e Funcesp, além de Bradespar, holding do Bradesco, Mitsui e BNDESPar.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 CSNA3 SID NACIONALON 6,99 -5,41 +74,75
 RENT3 LOCALIZA ON 32,34 -3,46 +31,92
 BRKM5 BRASKEM PNA 20,55 -2,84 -21,33
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,16 -2,70 +30,12
 RUMO3 RUMO LOG ON 4,93 -2,38 -20,99

 

As ações da Vale (VALE3, R$ 16,57, -1,89%; VALE5, R$ 12,99, -0,15%) recuaram apesar do movimento de alta do minério de ferro. A commodity fechou em valorização de 2,80% no porto de Qingdao, na China, a US$ 52,54 a tonelada. Acompanhou o movimento a Bradespar (BRAP4, R$ 7,96, -0,13%) - holding que detém participação da mineradora. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 VALE5 VALE PNA 12,99 -0,15 375,21M
 PETR4 PETROBRAS PN 8,62 +1,89 294,42M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 30,07 +1,62 264,55M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,09 -1,70 241,65M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 24,24 +1,30 176,23M
 PETR3 PETROBRAS ON 11,13 +3,06 144,58M
 KROT3 KROTON ON 12,85 +1,18 142,16M
 ITSA4 ITAUSA PN ED 7,35 +1,38 140,02M
 BBAS3 BRASIL ON 16,92 -1,17 114,31M
 BRFS3 BRF SA ON 47,88 -0,04 107,36M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Sabatina de Ilan Goldfajn
A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) realiza nesta terça-feira a sabatina do economista Ilan Goldfajn, indicado para a presidência do Banco Central (BC). É provável que a votação no plenário do Senado ocorra ainda hoje à tarde. 

Goldfajn afirmou que o seu objetivo no BC será cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo CMN, mirando seu ponto central. Ele afirmou que o limite de tolerância da meta serve para acomodar choques inesperados que não permitam volta de inflação centro da meta em tempo hábil. "É fundamental gerenciamento expectativas de inflação", afirmou.

PIB da zona do euro
O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu mais do que inicialmente estimado no primeiro trimestre, de acordo com a segunda estimativa publicada hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. Entre janeiro e março, a economia do bloco avançou 0,6% ante o último trimestre de 2015 e registrou aumento de 1,7% na comparação anual. Com isso, a expansão anualizada do PIB da zona do euro no primeiro trimestre foi de 2,2%. Os dados do quarto trimestre em comparação com o terceiro foram revisados de +0,3% para +0,4%. Na comparação anual, o resultado passou de +1,6% para +1,7%. 

Início da Reunião do Copom
Hoje começa a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) sob a presidência de Alexandre Tombini. A expectativa dos economistas é que o BC mantenha a taxa básica de juros, Selic em 14,25%, de modo que Tombini não deixe uma mudança de direção na política monetária para o próximo presidente da autoridade monetária. 

Destino de Cunha e novidades da Lava Jato
Depois de seis meses em tramitação, pode ser concluído hoje o processo contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Os 21 integrantes do colegiado começam a discutir e votar o parecer favorável a seu afastamento na manhã desta terça-feira.

Mas, o desfecho pode ocorrer apenas na quarta ou quinta-feira, caso os debates se estendam por horas e seja iniciada a Ordem do Dia no plenário da Casa, o que impede que qualquer votação ocorra nas comissões. Cunha é acusado de ter mentido à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, quando negou a existência de contas no exterior em seu nome, o que poderia caracterizar quebra de decoro parlamentar.

Havia a expectativa de que o relator do caso, Marcos Rogério (DEM-RO), também incluísse em seu parecer as acusações de recebimento de propina para viabilizar contratos com estatais brasileiras. Mas, por orientação da Mesa Diretora, Rogério não considerou essas denúncias no voto. 

Ainda sobre o caso, já foi feita uma manobra por aliados de Cunha para livrá-lo de uma punição mais grave. O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Arthur Lira (PP-AL), aliado de Cunha, autorizou emenda que pede uma pena mais branda ao presidente afastado da Câmara, como a suspensão do mandato do parlamentar por 60 ou 90 dias. A ideia é atrair o voto da deputada Tia Eron (PRB-BA), decisivo para livrar Cunha da cassação.

 

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