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Qualicorp dispara 7% e Natura salta 6% com "short squeeze"; Bradesco tem leve alta

Confira os destaques da Bovespa nesta quarta-feira (1)

Bradesco_Bloomberg

SÃO PAULO - Entre o dado do PIB do Brasil, que ficou acima das expectativas ao cair 0,3% no primeiro trimestre de 2016, e uma bateria de indicadores por aqui e nos EUA, o Ibovespa conseguiu registrar alta no primeiro pregão de junho, intensificando os ganhos no início da tarde.

Na ponta positiva, destaque para os papéis da Qualicorp, que dispararam 7,15% e lideraram os ganhos, seguidos pela Natura que subiu em um movimento que analistas apontaram como "short squeeze". Na sequência ainda apareceram as ações da Raia Drogasil e da JBS, que fechou maio como a maior alta do Ibovespa.

Já entre as maiores perdas, chamou atenção a CSN, que segue sua derrocada após registrar o pior desempenho do índice no mês passado. A Suzano foi outra que se destacou negativamente hoje após um incêndio destruir uma fábrica da companhia em Suzano, na Grande São Paulo.

Confira os destaques da Bovespa nesta quarta-feira (1):

Natura (NATU3, R$ 23,82, +5,77%)
As ações da Natura registraram alta em um movimento de "short squeeze" (pressão dos vendidos), segundo afirma o CEO da XP Gestão, Marcos Peixoto. Por conta do volume de ações alugadas com a ação, disparadas extremas podem desencadear o movimento conhecido como "short squeeze", que nada mais é do que uma pressão nos vendidos que os levam a desfazer de suas posições rapidamente para limitar as perdas que poderiam sofrer com a alta da ação, o que puxa mais para cima o preço das ações. Segundo Peixoto, há falta de papel para aluguel no mercado.

Qualicorp (QUAL3, R$ 16,34, +7,15%)
Dois motivos impulsionaram a alta das ações da companhia hoje, segundo Peixoto. Em primeiro lugar, os papéis ainda se recuperam após a notícia sobre a Operação Acrônimo da última sexta-feira que fez as ações despencarem. Naquela data, a coluna Radar On-line, da Veja, afirmou que o ministro Herman Benjamin, do STJ, homologou a delação premiada do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, na Operação Acrônimo, que investiga propina na campanha do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT). Na delação, ele implicaria 20 empresas, entre elas a Qualicorp, o que foi negado pela companhia. 

Além disso, hoje o JP Morgan revisou o setor de saúde, reiterando as ações da Qualicorp como uma das top picks do setor, em meio à combinação de um bom retorno com valuation barato, também em meio aos temores da deflagração de novas investigações.

RaiaDrogasil (RADL3, R$ 59,81, +3,59%)
Outra ação que registrou alta em meio a recomendações foi a Raia Drogasil. O JP Morgan também reiterou a ação como top pick do setor, destacando o papel preferido para operar no setor de farmácias. 

Além do JP, o Credit Suisse fez relatório nesta quarta-feira sobre RaiaDrogasil, respondendo perguntas de investidores sobre o potencial de valorização da ação, após ter subido 63% esse ano. Os analistas seguem com recomendação outperform (desempenho acima da média) para o papel, vendo oportunidades de crescimento imensas e acreditando que a companhia está muito bem preparada tanto na parte financeira quanto operacional para continuar a crescer.

No entanto, eles ressaltam que o papel já andou muito e que qualquer indicação de desaceleração ou pressão na margem poderia levar a um processo forte de revisão de recomendação. Porém, os analistas comentam que os fundamentos continuam sólidos e a visibilidade ainda parece muito boa.

Bradesco (BBDC3, R$ 24,78, +1,10%; BBDC4, R$ 23,22, +1,84%) 
As ações do Bradesco registraram alta após derrocada ontem com o indiciamento do presidente da instituição Luiz Carlos Trabuco. A notícia de que a Polícia Federal pediu o indiciamento do presidente do Bradesco, e de outros dois executivos do banco, no âmbito da Operação Zelotes, fez o banco perder cerca de R$ 6 bilhões em valor de mercado.

Com a queda das ações, o valor do banco caiu de R$ 136 bilhões para R$ 130 bilhões. Um novo desdobramento da Zelotes envolvendo o Bradesco já era esperado, mas o envolvimento do nome de Trabuco causou surpresa, segundo fontes ligadas ao banco. 

Em nota, o Bradesco negou a contratação de serviços do grupo investigado na Zelotes e que Trabuco tenha participado de conversas com os lobistas. O banco destacou que foi derrotado por seis votos a zero no julgamento do Carf. "O Bradesco irá apresentar seus argumentos juridicamente, por meio do seu corpo de advogados. O Bradesco reitera seus elevados padrões de conduta ética e reafirma sua confiança na Justiça", acrescentou o banco, em nota. O Deutsche Bank destacou, em relatório enviado hoje, que pode haver questionamento sobre a gestão da instituição - mesmo se ela se revelar injustificada - até que o assunto seja resolvido. 

Vale (VALE3, R$ 14,43, +1,48%; VALE5, R$ 11,34, +0,89%)
Após abrirem em forte baixa em um dia de queda do minério de ferro e com dados desanimadores da China, as ações da Vale conseguiram se recuperar. Hoje, o minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em queda de 3,49%, a US$ 48,40. A cotação do minério é um importante balizador para o desempenho das ações da Vale, já que é o seu principal produto.

No radar, a Vale e Cemig terão que comprar energia para compensar a paralisação da hidrelétrica de Candonga, que não produz desde novembro, quando foi tomada por lama na sequência do rompimento de barragem da Samarco no Rio Doce, em Minas Gerais. A decisão foi do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. 

A compra da energia deverá ser realizada para atender a contratos da hidrelétrica com seus clientes. Em despacho no Diário Oficial desta terça-feira, o diretor negou pedido das empresas para suspender decisão da Aneel que declarou no início de maio que a usina está sem condições para operar comercialmente.

Petrobras (PETR3, R$ 10,41, +2,26%; PETR4, R$ 8,18, +1,74%) 
Em dia da posse do novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, ocorrido nesta manhã no Palácio do Planalto, as ações da estatal tiveram alta de olho no petróleo. O brent diminuiu as perdas superiores a 2% da manhã e registra perdas de cerca de 0,44%. 

Segundo o BTG Pactual, a notícia de Parente na Petrobras é positiva. Apesar de reconhecer que a gestão anterior estava promovendo mudanças importantes na companhia, os analistas destacam que era em um ritmo lento vis-à-vis a necessidade da empresa. "A mensagem principal é que há muita coisa a ser feita e que se for propriamente endereçada - não temos dúvida que o Pedro Parente é a pessoa certa para tal -, a geração de valor pode ser bem relevante", comentaram. No entanto, eles disseram que, mesmo estando mais otimista com o case da companhia, reiteram recomendação neutra.  

Suzano (SUZB5, R$ 14,38, -1,91%)
As ações da Suzano registraram queda após incêndio em um dos centros de distribuição de papel. Na mínima do dia, os papéis caíram 3,48%. A companhia informou na noite de terça-feira que o foco de incêndio foi controlado por volta de 21h (horário de Brasília) o foco de incêndio. Ele atingiu a área de armazenagem de papel de um dos prédios de sua Unidade Suzano (SP).  

A companhia informou que a unidade de produção de celulose e as máquinas de papel não sofreram danos, mas que foram paralisadas por motivos de segurança e a produção está sendo retomada de acordo com a liberação da área. "Companhia possui flexibilidade de produção e estoques em outras unidades e está trabalhando para minimizar os impactos para os clientes", disse a Suzano em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

Segundo o BTG Pactual, ainda há poucas informações nesse momento, ficando difícil projetar os impactos financeiros. De qualquer forma, os analistas acreditam que o risco deva ser gerenciável. "Ainda ficam dúvidas sobre a questão do seguro, o que poderia mitigar efeitos. Se papel sofrer muito por conta disso, seríamos compradores", comentaram.

Metal Leve (LEVE3, R$ 23,93, +2,48%)
As ações da Metal Leve subiram forte após terem a recomendação elevada para outperform (desempenho acima da média do mercado).

Seguradoras
Dados de abril da Susep das seguradoras apontam melhora nos números para BB Seguridade (BBSE3, R$ 27,11, -0,55%), mas com deterioração no segmento de auto para Porto Seguro (PSSA3, R$ 25,83, -2,16%) e SulAmérica (SULA11, R$ 15,21, +1,54%).

Segundo o BTG Pactual, a Porto Seguro continua desacelerando mas ainda melhor que os seus pares, enquanto SulAmérica viu a sinistralidade aumentar um pouco com prêmios caindo 17% na comparação anual. Após a divulgação dos dados, o banco reiterou recomendação de compra para BB Seguridade e ParCorretora; neutro em PortoSeguro; e venda em SulAmérica

Eletrobras (ELET3, R$ 8,57, +7,13%; ELET6, R$ 12,98, +3,84%)
Ontem, o Senado aprovou a medida provisória 706 que contém 
diversas medidas que devem ajudar a Eletrobras a reduzir queima de caixa em geração e distribuição de energia na região Norte do país. A medida provisória também estende o prazo para a privatização de todas as empresas de distribuição da Eletrobras, dando a elas um período de 10 anos para alcançar os objetivos de eficiência e qualidade; e destina recursos do Tesouro para pagar as fornecedoras de energia termoelétrica na região Norte.

Segundo a Citi Corretora, a notícia é positiva para a elétrica em diversos aspectos. São eles: 1) a queima de caixa deve diminuir, com maiores tarifas e subsídios que devem diminuir os custos; 2) as distribuidoras da Eletrobras devem ter ajuda do Tesouro para pagar a dívida com as fornecedoras de combustíveis; 3) o maior prazo dado as distribuidoras para alcançar eficiência pode fazer com que os investidores não levem em conta caso elas sejam leiloadas.

Os analistas do banco ressaltaram que a aprovação da medida provisória é fundamental para a dinâmica do spread ações ONs versus PNs. "A melhora da rentabilidade e menor consumo de caixa para o segmento de distribuição de energia da Eletrobras devem suportar um spread reduzido entre as duas classes de ações", comentaram.

Embraer (EMBR3, R$ 18,75, -0,27%) 
A Embraer vai encerrar a produção dos jatos Legacy 650 na China, com o fim da parceria com as subsidiárias da chinesa Avic para fabricação de jatos executivos, informou a brasileira nesta quarta-feira. 
A companhia produzia o jato na China por meio da joint-venture Harbin Embraer Aircraft Industry(HEAI), em parceria com a Harbin Aviation Industry e a Harbin Hafei Aviation Industry.

Após 13 anos de parceria, a última entrega do Legacy 650 ocorreu em março. A fábrica localizada em Harbin também produzia anteriormente o jato regional ERJ-145. "A Embraer permanece totalmente comprometida e vai continuar a atender os mercados chineses de aeronaves comerciais e executivas", afirmou a empresa. A Embraer vai continuar oferecendo suporte aos consumidores existentes na China e à frota de 166 aeronaves da empresa no país por meio de sua equipe baseada em Pequim.

Contax (CTAX3, R$ 11,00, -3,00%)
As ações da Contax registraram queda acentuada nesta quarta-feira, após anunciar aumento de capital por meio de oferta de até 19,9 milhões de ações ordinárias. "
É um movimento clássico de mercado, aumento da oferta necessariamente faz o preço cair", disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. "O papel não tem muita liquidez, por isso acaba caindo forte", acrescentou.

 

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