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De olho nas propostas de Temer, 2 ações disparam até 10%; Vale sobe 4%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

Michel Temer
(Beto Barata/PR)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve pregão de leve alta nesta quarta-feira (25), acompanhando o desempenho das bolsas internacionais e na esteira da primeira vitória do governo de Michel Temer, com a aprovação da nova meta fiscal no Congresso. Segundo a Moody's, a revisão da meta fiscal "ilustra a severidade da crise que o governo interino enfrenta" e que as medidas ressaltam opções limitadas. 

Diante das incertezas políticas, os ganhos foram limitados no Ibovespa hoje, apesar da forte alta da ação de peso da Vale, que atingiu ganhos de 5% nesta tarde. A maior alta do índice, no entanto, foi da ação da Rumo, com alta de até 9%, reagindo à expectativa de concessões a serem anunciadas pelo governo Michel Temer. Os papéis da small cap Vanguarda Agro também dispararam hoje (até 10,5%) com medidas do novo governo, defendendo o fim das restrições para venda de terras para investidores internacional. 

Na ponta oposta, os papéis da Kroton, MRV Engenharia e Lojas Renner caíram mais de 3%. Destaque para a Kroton, que subiu 4% mais cedo, em meio à notícia positiva para o setor. Estácio, que disparou até 8% hoje, também amenizou os ganhos. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa neste pregão:

Siderúrgicas
Na esteira da recuperação da Bolsa, as ações das siderúrgicas subiram hoje, com Gerdau (GGBR4, R$ 5,83, +2,46%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,74, +2,35%). A exceção foi a CSN (CSNA3, R$ 6,75, -1,46%), que virou para o negativo nesta tarde. Além do movimento de alta generalizado da Bolsa hoje, os papéis da Usiminas reagiram positivamente à entrada de um presidente mais alinhado com a companhia. 

Sérgio Leite, que era diretor vice-presidente comercial da siderúrgica, foi indicado CEO por 6 votos a 3. Membros do conselho representantes da Nippon Steel votaram contra a mudança do gestor. A CSN, com dois membros no conselho de administração, se absteve. A informação, que foi adiantada por diversos sites de notícia mais cedo, foi confirmada pela Usiminas. 

Em relatório enviado a clientes hoje, o analista Rodolfo Angele, do JPMorgan, disse que, com a eleição de Sérgio Leite para o cargo de CEO, parece que a Ternium e a Techint estão ganhando mais espaço dentro da Usiminas, depois de anos de disputa com sua sócia Nippon Steel. "Apesar não marcar o fim das discordâncias entre Ternium/Techint e Nippon, a eleição do novo CEO deveria ser vista como um desenvolvimento positivo para Usiminas", disse. 

Vale (VALE3, R$ 14,66, +4,56%; VALE5, R$ 11,63, +2,47%)
As ações da Vale dispararam hoje, acompanhando o dia positivo do Ibovespa, mas descolando do movimento do minério de ferro desta sessão. O minério de ferro à vista, negociado no porto de Qingdao (na China) com 62% de pureza, fechou em queda de 1,85%, a US$ 50,41 a tonelada seca. As ações da Bradespar (BRAP4, R$ 7,04, +4,14%) - holding que detém participação na Vale - também subiram hoje. 

No radar da companhia, a Vale informou que aprovou o encerramento do seu programa de listagem na Bolsa de Valores de Hong Kong. Os ativos da companhia serão deslistados efetivamente às 9h (horário de Hong Kong) do dia 28 de julho. Em comunicado enviado ao mercado, a mineradora disse que o encerramento do programa de listagem dos ativos na Bolsa de Hong Kong está em linha com sua estratégia de simplificação.

Em entrevista para o jornal Valor Econômico, o ministro de Minas e Energia Fernando Coelho Filho, afirmou que vê alíquota dos royalties do minério, de 2%, defasada. A Austrália cobra 7,5% de seus produtores, a Rússia impõe uma alíquota de 4,8% e a China estabelece esse valor em 2,5%. Ele afirmou que quer o novo código mineral com "menos interferência e mais regulação".

Rumo (RUMO3, R$ 4,37, +7,37%)
As ações da Rumo lideraram os ganhos do Ibovespa nesta tarde, reagindo a expectativas de concessões a serem anunciadas pelo governo Michel Temer, com a criação de um fundo de R$ 500 milhões para garantir leilões. A companhia também ganha com o fim da obrigatoriedade da participação em leilões da Valetec, que pode abrir espaço para a empresa nas próximas concessões de ferrovia. Na máxima do dia, as ações da empresa atingiram alta de 7,62%, a R$ 4,38.  

Petrobras (PETR3, R$ 11,10, +0,09%; PETR4, R$ 8,67, +1,64%)
As ações da Petrobras subiram, acompanhando a alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Lá fora, o petróleo Brent subiu 2,59%, a US$ 49,87 o barril. Entre os destaques para a estatal, a ANP informou que a estatal encontrou petróleo no campo de Libra, na Bacia de Santos, no poço offshore  3BRSA1339ARJS. A descoberta ainda não foi declarada comercialmente viável. 

A estatal comunicou ainda que a refinaria Pasadena, próxima a Houston, paralisou unidade para manutenção para resolver problema de vibração no compressor de gás úmido. A refinaria reportou “flaring” na unidade FCC durante a paralisação.

 Além disso, a superintendência-Geral do Cade avalia que há configuração de infração da ordem econômica pela Petrobras, White Martins e GNL Gemini consistente em discriminação anticompetitiva no fornecimento de gás natural, segundo despacho
publicado no Diário Oficial. A decisão é desdobramento de denúncia feita pela Comgás, que alega que Petrobras estaria fornecendo gás natural a condições mais benéficas para Consórcio Gemini, o que não estaria sendo ofertado à Comgás e outras empresas de distribuição de gás natural.

Por fim, segundo o jornal Folha de S. Paulo, a ANP retomará o processo de revisão da fórmula de cálculo dos royalties do petróleo no país, interrompido em janeiro por determinação do governo. A proposta apresentada pela agência pode representar um aumento de cerca de R$ 1 bilhão no valor pago pelas petroleiras a União, Estados e municípios, diz o jornal. 

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,45, +2,94%)
As ações do BB tiveram dia de correção após derrocada de 5% na véspera, diante da possibilidade de extinção do Fundo Soberano. Exatos oito anos depois de ser criado pelo ex-presidente Lula, o Fundo Soberano do Brasil (FSB) deverá ser extinto pelo governo Michel Temer. Ao anunciar ontem o saque de cerca de R$ 2 bilhões que ainda restam no patrimônio dele, o presidente em exercício informou que ideia da equipe econômica é acabar com o fundo.

Pela proposta apresentada, o governo vai utilizar o patrimônio restante do fundo - formado por ações do Banco do Brasil (BB) - para reduzir o endividamento público e ajudar a melhorar as contas públicas deste ano. Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o BB informou que o fundo possui 105.024.600 ações do banco, representantes de 3,67% do seu capital social. 

Santander (SANB11, R$ 17,90, -0,33%)
No final do pregão, o terminal Bloomberg noticiou que o banco Santander está vendendo carteira de créditos vencidos, com valor de R$ 1,77 bilhão. As informações foram obtidas com duas pessoas familiarizadas com o assunto. Segundo as fontes, os empréstimos são parte de carteira de pessoa física e de pequenas empresas do banco. A Caixa Econômica Federal também consultou possíveis compradores para a carteira de créditos vencidos antes de suspender a operação com a mudança de governo, disseram as pessoas. 

Marfrig (MRFG3, R$ 6,46, +0,94%)
A Marfrig lançou emissão de US$ 750 milhões a yield de 8,25%, segundo fonte disse à Bloomberg. Os bancos coordenadores da oferta foram BB, HSBC, Morgan Stanley e Santander, segundo a pessoa familiarizada com a transação que pediu para não ser identificada porque a informação é privada. Essa é a primeira emissão externa de uma empresa brasileira privada desde junho de 2015.O frigorífico disse que vai usar os recursos da venda para financiar sua oferta de recompra de dívida.  

Ultrapar (UGPA3, R$ 70,34, -0,31%)
A Ipiranga, controlada pela Ultrapar, emitiu R$ 500 milhões em debêntures nesta quarta-feira, a 105% do CDI. A oferta, que teve como coordenador líder o banco Safra, foi realizada para investidores qualificados. As debêntures têm vencimento em maio de 2021.  

Players de terras 
Relatório do BTG Pactual de hoje trouxe na pauta discussões das medidas propostas pelo novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defendendo o fim das restrições para venda de terras para investidores internacionais. Vale dizer que a regra, válida até hoje que foi reintroduzida em 2010, estipula que estrangeiros só podem deter no máximo 25% das terras por município.

Segundo o banco, players detentores de terras, como SLC (SLCE3, R$ 14,74, -0,34%), VanguardaAgro (VAGR3, R$ 8,56, +7,00%), BrasilAgro (AGRO3, R$ 11,55, -1,28%), São Martinho (SMTO3, R$ 51,90, -0,63%) e até Cosan (CSAN3, R$ 33,59, +0,39%) seriam altamente impactados por essas medidas, pois tem na sua capacidade monetizar as terras de forma bastante limitada. "Qualquer mudança nesse sentido é notícia positiva para esses players de terras", comentaram os analistas do banco. 

Educacionais
As ações das educacionais tiveram outro dia de forte alta, com destaque para Estácio (ESTC3, R$ 11,44, +2,88%) que apareceu durante boa parte do pregão como um dos maiores ganhos do Ibovespa. Depois desses papéis terem sido penalizados na segunda-feira - quando saiu notícia de que o governo iria suspender novos contratos do Fies, Prouni e Pronatec para o segundo semestre deste ano -, essas companhias registraram ganhos desde ontem, seguindo a fala do Ministro da Educação, Mendonça Filho, que recuou e decidiu novas inscrições.  

Além disso, as companhias do setor reagiram ao anúncio do Ministério da Educação de que o número de inscritos no Enem desse ano (9,28 milhões de estudantes) cresceu 9,4% na comparação com 2015 - após uma queda de 11% no ano passado. "Uma indicação de que a demanda por ensino superior permanece forte no Brasil, o que parece consistente com o que ouvimos das empresas listadas na Bovespa e não listadas", comentaram os analistas do Santander.

Segundo o BTG Pactual, essa é uma boa proxy para ver o interesse por educação superior no Brasil (lembrando que do total dos inscritos no Enem, 79% estão formados ou se formando no ensino médio - sendo os mais propensos a entrar no ensino superior). "Sabemos que nem todos os inscritos farão o pagamento da taxa mas ainda assim o número é bastante expressivo e um bom indicator de demanda na nossa visão", comentaram os analistas. 

 Eles, no entanto, expressaram que seguem preocupados com o lado de preço com renda disponível decrescente e o tamanho do Fies menor, que deve seguir pressionando o crescimento da receita líquida e alavancagem operacional.

Além da Estácio, os papéis da Anima (ANIM3, R$ 10,49, +2,34%) subiram forte hoje. Por sua vez, as ações da Kroton (KROT3, R$ 10,89, -3,80%) viraram para a maior queda do Ibovespa, após alta de 4% mais cedo, enquanto a Ser Educacional (SEER3, R$ 12,02, -2,28%) perdeu força e também fechou no negativo. 

Telecomunicações
O Credit Suisse divulgou hoje um relatório sobre o setor de telecomunicações. O banco cortou a recomendação das ações da Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 41,60, -0,95%) de "outperform" (desempenho acima da média) para neutra, com preço-alvo de R$ 46,00 por papel. Segundo os analistas, a redução foi tática, principalmente por acreditar que uma eventual proposta do governo de acabar com os juros sobre capital próprio (JCP) pode excluir em cerca de 13% seu preço-alvo para a ação. "Esse período inicial de novo governo pode trazer uma certa insegurança para quem tem posição no papel", acrescentaram.

Para as ações da TIM (TIMP3, R$ 6,95, 0,0%), eles seguiram com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7,00 por ação. "A empresa ainda não está em um momento que pode ser considerado bom, mas, por outro lado, não seria impactada por um eventual anúncio de JCP", comentaram. Sobre a companhia, aparece no radar também notícia de que o presidente-executivo da Telecom Italia, Flavio Cattaneo, disse em reunião de acionistas que avalia possibilidades de parcerias em e-commerce para a TIM no Brasil. Ele também comentou que continua acreditando no potencial do País. 

Já em relação à operadora Oi (OIBR4, R$ 0,93, 0,0%), o Credit Suisse voltou a cobrir o papel depois de um período de restrição, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 0,80 por ação. "Continuamos a enxergar um cenário operacional complicado para o papel que enfrenta uma competição bastante agressiva. Uma recuperação econômica ajuda menos do que os concorrentes, mas vale destacar que em alguns cenários daria para achar um potencial de alta razoável para o papel", comentaram.

Paranapanema (PMAM3, R$ 1,64, +1,23%)
A Paranapanema teve rating rebaixado de "B+" para "B" pela Standard & Poor's. A perspectiva foi mantida em estável. Com demanda doméstica fraca e intensa competição nos mercados internacionais, a companhia deve manter alta alavancagem e baixa e volátil geração de caixa, comentou a agência de classificação de risco. 

 

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