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Jucá pretende indicar CEO da Vale, Oi deve demitir 2 mil, 10 balanços e mais no radar

BB Seguridade, Via Varejo e mais 8 empresas divulgaram balanços; veja os destaques no noticiário corporativo

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O noticiário segue movimentado também no radar corporativo, com a bateria de resultados e notícias sobre mudanças em um eventual governo Michel Temer. Confira os destaques desta terça-feira (10):

Vale
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o escolhido para comandar o Ministério do Planejamento do eventual governo Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) quer levar a mineradora Vale para sua área de influência e participar da escolha do próximo presidente da companhia.  Embora seja privada, a Vale sofre forte influência dos fundos de pensão estatais Previ, Funcef e Petros, que estão no bloco de controle da empresa. Procurado pelo jornal, o atual CEO da empresa, Murilo Ferreira, não quis comentar, assim como Jucá. 

Ainda no radar da empresa, a Capital Group reduziu participação para 9,98% das PNs da mineradora.  

Oi
Endividada, a Oi (OIBR4), a maior operadora de telefonia fixa do Brasil, demitirá esta semana cerca de dois mil funcionários de um total de 16.700, segundo o jornal O Globo. A medida é centrada na área administrativa e abrange empregados de nível gerencial, inclusive diretores. Os cortes representam entre 15% e 20% do total da folha de pagamentos da operadora. 

BRF
A Tyson Foods, maior empresa de carnes dos EUA, anunciou ontem que pretende voltar a investir no exterior. Nesse contexto, segundo o Valor Econômico, há cerca de um mês executivos da companhia visitaram fábricas da BRF (BRFS3) no Brasil. Procurada pelo jornal, a BRF não respondeu.

BB Seguridade
A queda na emissão de prêmios em importantes áreas de negócios e a alta no pagamento de indenizações a segurados pesaram sobre a BB Seguridade (BBSE3), cujo lucro do primeiro trimestre ficou praticamente estável na comparação com um ano antes. A BB Seguridade anunciou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de 958 milhões de reais no período, alta de 0,9 por cento ante mesma etapa de 2015. A variação ficou bem abaixo do crescimento previsto pela companhia para o acumulado deste ano, de 8 a 12 por cento. Na base sequencial, o lucro teve queda de 5,5 por cento.

Segundo a BB Seguridade, o resultado foi afetado também pelo pagamento de alíquotas maiores de PIS/Pasep e Cofins sobre receitas financeiras e da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL). Esses efeitos foram parcialmente compensados por um aumento de 33,1 milhões de reais do resultado financeiro combinado. Ainda assim, a rentabilidade ajustada sobre o patrimônio líquido teve queda de 5 pontos percentuais sobre um ano antes, para 49,9 por cento.

Índice combinado, que mede quanto dos prêmios ganhos são gastos com despesas operacionais e pagamento de indenizações a segurados, piorou, passando de 69,7 para 73,1 por cento. Segundo a companhia, contribuiu para a piora do índice o aumento da sinistralidade, concentrada no segmento de prestamista em razão da contabilização de avisos que não haviam sido processados em decorrência de inconsistências cadastrais.

De acordo com o diretor financeiro e de Relações com Investidores da BB Seguridade, Werner Suffert, consideradas bases mais equivalentes de alíquotas de tributação nos próximos trimestres, a tendência é que o lucro da companhia convirja para números mais próximos da faixa estimada para o ano. "Na média, nossos resultados financeiros podem ser até melhores do que em 2015 por causa da Selic média maior", disse Suffert à Reuters. "Além disso, esperamos reduzir os níveis de sinistros".

Segundo o Bradesco BBI, os resultados foram fracos, com deterioração operacional na área de underwriting, embora cheia de itens extraordinários; "ainda é início de ano, e guidance
está agora sob pressão", destacam analistas. 

Direcional
A Direcional (DIRR3) teve lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 29,6 milhões no primeiro trimestre, 18,2% menor frente ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 1,5%, para R$ 405,8 milhões, enquanto a margem bruta foi de 20,5%.

O Itaú BBA espera reação neutra, destacando que margem bruta menor que esperada foi compensada por menores impostos e despesas de vendas.

JSL
A JSL (JSLG3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 milhões no primeiro trimestre de 2016, o que representa uma queda de 53,1% em relação ao reportado em igual período de 2015. Já o lucro líquido reportado, que consolida os resultados financeiros da JSL Logística, JSL Concessionárias, Movida e Leasing, já considerando as eliminações das operações entre os negócios, atingiu R$ 11,2 milhões, recuo de 46,9% na mesma comparação. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no critério recorrente alcançou R$ 293,5 milhões, alta de 14,5% sobre o primeiro trimestre de 2015. A margem Ebitda recorrente avançou 2,1 p.p., atingindo 22,9%.

Dentro do Ebitda recorrente, a JSL Logística contribuiu com R$ 223,4 milhões (+15,5%) e margem Ebitda de 24,6% (+1,8 p.p.), enquanto a Movida obteve R$ 71,5 milhões (+21,2%) e margem de 34,4% (queda de 10 p.p.) A receita líquida cresceu 11,5% nos primeiros três meses desse ano, para R$ 1,545 bilhão. O resultado financeiro da companhia ficou negativo em R$ 147,1 milhões no trimestre, acima dos R$ 102,1 milhões negativos entre janeiro e março de 2015.

A JSL encerrou o primeiro trimestre de 2016 com uma dívida líquida de R$ 4,97 bilhões, acima dos R$ 4,65 bilhões anotados ao final de dezembro. A dívida bruta total alcançou R$ 6,207 bilhões, enquanto o montante em caixa e aplicações perfazia o total de R$ 1,237 bilhão. A companhia ainda detinha outros R$ 150 milhões em linha compromissada, totalizando R$ 1,387 bilhão de liquidez.

LINX
A Linx (LINX3) registrou lucro líquido de R$ 15 milhões no primeiro trimestre, estável em relação ao mesmo período de 2015. A receita líquida subiu 12%, a R$ 118 milhões. Na medida pelo lucro caixa - usado por conta do impacto contábil de benefícios fiscais que não afetam o caixa - o resultado registrou queda de quase 5%, para R$ 22,9 milhões. 

O Itaú BBA espera reação neutra a mais um conjunto de resultados “resilientes, apesar do cenário macro insustentável”, enquanto o Bradesco BBI vê bons resultados, com crescimento sólido orgânico de receita. O Santander destaca, por sua vez, que os resultados representam recuperação em relação ao quarto trimestre de 2015. 

Santos Brasil
A Santos Brasil (STBP11) reverte lucro e registra prejuízo de R$ 12,6 milhões no primeiro trimestre. A receita líquida R$ 197,2 milhões, queda de 33,6% na base de comparação anual. A estimativa era de uma receita de R$ 229,3 milhões.

O Bradesco BBI destaca que a nova estratégia comercial para armazenamento de contêiner e menor importação de contêiner explicam Ebitda no primeiro trimestre de 2016. O Ebitda teve queda de 83,7% no período, para R$ 11,6 milhões.

Aliansce
A Aliansce (ALSC3) registrou prejuízo de R$ 2,98 milhões, enquanto a receita líquida totalizou R$ 117,4 millhões. O Ebitda sompou R$ 91,1 milhões no primeiro trimestre de 2016. 

Itaúsa
 A holding Itaúsa (ITSA4) encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de 1,968 bilhão de reais, avanço de 2 por cento sobre o mesmo período do ano anterior, informou nesta terça-feira. A área de serviços financeiros teve aumento de 2 por cento no resultado, a 2,13 bilhões de reais. O resultado vem após o Itaú Unibanco divulgar lucro líquido de 5,184 bilhões de reais no primeiro trimestre.

A área industrial, composta pelas empresas Duratex, Elekeiroz e Itautec, passou de resultado positivo de 6 milhões a resultado negativo de 34 milhões de janeiro a março deste ano, principalmente afetada pelo desempenho da Duratex, que tem sido atingida pela crise no mercado imobiliário. A rentabilidade recorrente sobre o patrimônio líquido médio consolidada da Itaúsa ficou em 16,3 por cento, ante 18,5 por cento um ano antes.

Lopes Brasil
A Lopes Brasil (LPSB3) registrou prejuízo atribuído aos sócios de R$ 630 mil, enquanto o Ebitda ficou em R$ 4,98 milhões.  

Sonae Sierra
A Sonae Sierra (SSBR3) teve lucro líquido de R$ 18,7 milhões no primeiro trimestre, enquanto a receita líquida totalizou R$ 83,5 milhões, alta de 2,9% em relação ao primeiro trimestre de 2015. O Ebitda foi de R$ 64 milhões, alta de 10,7% na comparação anual. 

Via Varejo
A Via Varejo (VVAR11), rede de comércio de eletromésticos e móveis do Grupo Pão de Açúcar, anunciou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de R$ 3 milhões, uma queda de 98,7 por cento sobre um ano antes. O resultado operacional da companhia, medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação, na sigla em inglês), somou 112 milhões de reais entre janeiro e março, declínio de 78,3 por cento na comparação anual. A margem Ebitda caiu 7,2 pontos percentuais, para 2,4 por cento.

A receita líquida da Via Varejo no período caiu 12,7 por cento, para 4,7 bilhões de reais. Segundo a companhia, as vendas de janeiro refletiram a forte base de comparação. A Via Varejo também fechou lojas consideradas de baixo desempenho. A companhia disse ter implementado campanhas de vendas e, embora a margem de lucro tenha caído, a participação de mercado subiu.

"Para os próximos trimestres a Via Varejo continuará com o foco no aumento da produtividade das lojas e melhoria no nível de serviço para os clientes e espera com isso fortalecer cada vez mais seus diferenciais competitivos e avançar nos ganhos estruturais de market share", diz trecho do relatório divulgado nesta segunda-feira.

O Itaú BBA ressalta que os resultados foram fracos; “em termos de fluxo de caixa, o desempenho operacional fraco foi ao encontro de uma piora do ciclo do capital de giro, levando a uma deterioração significativa do fluxo de caixa livre”. O Bradesco BBI ressalta que as vendas foram “impactadas severamente” pela piora das condições macroeconômicas. O BTG Pactual ressalta que, apesar de uma leve recuperação nas vendas no trimestre, os números confirmaram a fraca dinâmica operacional da Via Varejo, com a margem EBITDA caindo mais do que as expectativas já pessimistas. "Vemos um forte balanço patrimonial, mas, dado o conflito de interesses inerente com o braço de e-commerce do Casino no Brasil, consideramos que ainda é cedo para apostar na Via Varejo".

Rumo
A Rumo (RUMO3) atualizou as suas projeções operacionais e financeiras para o período entre 2016 e 2020.

O Ebitda deve ficar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões este ano e deve chegar a intervalo entre R$ 4,5 bilhões e R$ 4,7 bilhões em 2020. Os volumes devem crescer em média 9% ao ano no período, enquanto o capex deve ficar entre R$ 1,7 bilhão e R$ 2,1 bilhão este ano. Em 2017, o capex deve ficar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões e, em 2020, deve ficar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado) 

 

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