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Ibovespa cai 1,8% pressionado por dados da China e indefinição política; dólar sobe

Mercado opera em baixa após dados chineses e em meio a expectativas sobre a equipe de Michel Temer

bolsas chinesas
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (9), enquanto as bolsas europeias e os índices dos Estados Unidos têm leves altas com uma correção das perdas recentes. Trazendo pressão às commodities, os dados da balança comercial chinesa divulgados no fim de semana foram piores do que o esperado, com uma retração de 10,9% nas importações. Por aqui, as críticas ao vice-presidente Michel Temer crescem com o vaivém na formação da sua equipe. Também impactam o mercado as falas da agência de classificação de risco Fitch, que disse que, sem reformas, o Brasil poderá ter seu rating rebaixado de novo. 

Às 11h24 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 1,71%, a 50.771 pontos. Já o dólar comercial registra ganhos de 0,45% a R$ 3,5186 na venda, enquanto o dólar futuro para junho tinha alta de 0,48% a R$ 3,542. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 avança 4 pontos-base a 13,72%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 12 pontos-base a 12,70%. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao fechou em queda de 5,66% a US$ 54,99 a tonelada seca nesta segunda.

Recessão na China?
A China pode sofrer uma crise financeira e uma recessão econômica se o governo se apoiar demais nos estímulos alimentados pela dívida, disse uma importante fonte segundo o People's Daily, jornal oficial do Partido Comunista, desta segunda-feira.

A fonte disse em uma entrevista de perguntas e respostas ao jornal que o crescimento excessivo do crédito pode aumentar os riscos e levar a uma crise financeira se não for controlado adequadamente.

"Árvores não podem crescer até o céu. A elevada alavancagem vai, inevitavelmente, trazer riscos altos, o que pode levar a uma crise financeira sistêmica, crescimento econômico negativo e até comprometer a poupança das pessoas comuns", disse a pessoa sob anonimato, respondendo à pergunta sobre se os estímulos devem ser usados nas futuras políticas econômicas.

Ações em destaque
As ações da Vale registram um dia de expressiva queda, com duas más notícias para a companhia. Além do dia de forte queda do minério de ferro, com a commodity negociada em Qingdao em queda de 5,66%, a US$ 54,99 a tonelada, a Vale (VALE3, R$ 15,43, -8,59%; VALE5, R$ 12,62, -6,66%) repercute o rebaixamento das ações pelo Société Générale de compra para manutenção. O preço-alvo do ADR foi cortado de US$ 8,00 para US$ 4,60. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 VALE3 VALE ON 15,41 -8,71
 BRAP4 BRADESPAR PN 7,21 -6,85
 CSNA3 SID NACIONALON 10,38 -6,82
 VALE5 VALE PNA 12,62 -6,66
 PETR3 PETROBRAS ON 12,20 -5,65

 

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,19, -5,72%; PETR4, R$ 9,68, -3,97%) registram queda, em um dia volátil para o preço do petróleo. Após uma manhã de alta, o brent é negociado em baixa de 1,43%, a US$ 44,72 o barril, com o mercado registrando cautela após altas com o incêndio no Canadá, que está comprometendo a produção da commodity no país.

O noticiário da estatal também segue movimentado. Com a proximidade de um novo governo comandado por Michel Temer, mais cotados entram na lista para comandar a Petrobras. Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, é um dos cotados. Inclusive, ele já é alvo do setor, sendo chamado de “irresponsável” em carta da associação dos engenheiros da estatal.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 ESTC3 ESTACIO PARTON ED 11,40 +3,64
 FIBR3 FIBRIA ON ED 30,80 +1,58
 KROT3 KROTON ON 11,97 +1,53
 EQTL3 EQUATORIAL ON 43,64 +1,37
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 56,98 +1,30

 

Entre as altas, os dois melhores desempenhos dentro do Ibovespa são das educacionais Kroton (KROT3, R$ 11,92, +1,10%) e Estácio (ESTC3, R$ 11,40, +3,64%).

O recuo do recuo de Temer
Criticado depois de dizer que talvez só pudesse cortar três ministérios após ter prometido reduzir o número de pastas de 33 para 20, o vice-presidente, Michel Temer, recuou do recuo e comunicou a aliados que irá mesmo fazer um corte substancial nos ministérios. O plano original de ter uma estrutura mais enxuta havia sido abandonado diante dos pleitos de partidos fisiológicos por cargos em troca de apoio no Congresso. Até mesmo aliados de Temer o acusaram de estar incorrendo nos mesmos erros da presidente Dilma Rousseff. 

Nas novidades sobre o ministério de Temer, o vice-presidente teria aceitado o deputado Ricardo Barros (PP-PR) como ministro da Saúde. Também se especula sobre o advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira no Ministério da Defesa, segundo informações do Estado de S. Paulo, e Marcos Pereira (PRB-SP) no Ministério da Ciência e Tecnologia. 

"Esqueletos fiscais"
De acordo com informações do Estado de S. Paulo, podem passar de R$ 250 bilhões as contas ocultas, incluindo possíveis capitalizações de estatais, perdas na negociação da dívida dos Estados e em fundos públicos.  

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores. No caso do PIB (Produto Interno Bruto), a projeção subiu de uma contração de 3,89% para uma menor, de 3,86%, sendo elevada para 2017 de um avanço de 0,40% para 0,50%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 6,94% este ano, contra 7,00% projetados anteriormente. Para a Selic, os economistas esperam que a taxa termine 2016 em 13%, contra 13,25% esperados na semana passada. 

Balança da China
As importações chinesas tiveram uma retração de 10,9% em abril na comparação anual. Pior do que o dado de março, que foi uma queda de 7,6% e do que a previsão dos economistas, que era de uma queda de 4%. Já as exportações caíram 1,8%, revertendo a alta de 11,5% em março e frustrando as projeções de estabilidade. Assim, a China teve superávit comercial em abril de US$ 45,56 bilhões.  

 

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