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Vale e siderúrgicas desabam até 8%; Itaú cai 6% e Cielo sobe 4% após balanços

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Banco Itaú - Bloomberg

SÃO PAULO - O Ibovespa teve sua quarta queda seguida nesta terça-feira (3), pressionado pelas ações ligadas a commodities e os bancos, que afundaram após balanço abaixo do esperado do Itaú Unibanco. O índice caiu 2,43%, indo aos 52.260 pontos. Em dia extremamente negativo na Bolsa, apenas 9 das 59 ações do benchmark subiram - sendo que somente duas subiram mais de 3%.

Na ponta positiva, o destaque era Cielo, que reportou números melhores do que o estimado pelo mercado, vendo seu lucro líquido atingir cerca de R$ 1 bilhão no 1° trimestre. Na sequência, os papéis voltados a exportação também tiveram dia de alta, puxados pela valorização do dólar frente ao real. Em mais um dia de atuação do Banco Central no câmbio, o contrato futuro do dólar, com vencimento em maio, subia 1,71%, a R$ 3,593. 

Confira também: "Esqueça" a ação da Vale essa semana; Bolsa pode corrigir até os 51.000 pontos

Do lado negativo do índice, as ações da Usiminas, Metalúrgica Gerdau e Vale lideraram as perdas. Mais abaixo vieram as ações dos bancos, com Itaú como a maior queda do setor. Fora do Ibovespa, a Marcopolo desabou até 9% nesta sessão, de forte volume financeiro para a ação, mas fechou em queda de 6%. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa desta terça-feira:

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,11, -5,76%)
As ações do Itaú Unibanco tiveram queda forte após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, que mostraram alta da inadimplência e da provisão de devedores duvidosos. Para analistas do BTG, os números vieram fracos, com a carteira de crédito encolhendo rapidamente, o que atrapalhou a receita do banco. Segundo eles, o balanço do Bradesco veio melhor do que o do Itaú. Na mesma linha, o Credit Suisse também disse que o balanço veio pior que o esperado. 

No 1° trimestre, o banco teve lucro líquido de R$ 5,184 bilhões, queda ante os R$ 5,733 bilhões em igual período de 2015 e ante os R$ 5,689 bilhões referentes aos três últimos meses do ano anterior. Em bases recorrentes, o lucro do maior banco privado do país foi de R$ 5,235 bilhões no período, praticamente em linha com a previsão média de analistas consultados pela Reuters, de R$ 5,195 bilhões, em queda de 9,6% frente a igual período de 2015. 

O índice de inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias cresceu 0,4 ponto percentual sobre o trimestre anterior e 0,9 ponto percentual ante o mesmo período
de 2015, a 3,9%. A despesa com provisão no primeiro trimestre passou de R$ 5,5 bilhões para R$ 7,23 bilhões. Os ativos totais encerram o período a R$ 1,28 trilhão, enquanto a carteira de crédito caiu 4,8% na comparação anual, a R$ 517,5 bilhões. 

Cielo (CIEL3, R$ 34,93, +4,02%)
Por outro lado, as ações da Cielo subiram forte após o balanço. A combinação de fortes resultados com antecipação de recebíveis com crescimento maior do que o previsto do ritmo de compras com cartões levou a companhia a apurar lucro acima das expectativas do mercado para o primeiro trimestre. Comentando sobre "números muito fortes", o BTG Pactual destacou como positivo: aumento do market share no período, forte resultado de pré-pagamento, boa dinâmica de preço e bom controle de custos. O banco reiterou a ação como sua "top pick" no setor financeiro e disse que pode revisar para cima seus números após balanço.

Maior empresa de meios eletrônicos de pagamentos do país, a Cielo informou que teve lucro líquido de R$ 1,038 bilhão de janeiro a março, alta de 12,1% ante mesma etapa de 2015. A previsão média de analistas consultados pela Reuters era de R$ 926,5 milhões. O lucro líquido contábil ficou em R$ 995,4 milhões no período, crescimento de 9,2%. 

Por um lado, a companhia viu sua receita operacional líquida subir 29,6% ano a ano, a R$ 3,05 bilhões. O volume financeiro de transações no país somou 139,5 bilhões, foi 10,2% maior. Com cartões de crédito, o volume de 79,6 bilhões cresceu 5,4%. Com cartões de débito, o volume chegou a 59,9 bilhões, avanço de 17,4%. O  Bradesco BBI destaca que "estes resultados, finalmente, viram a página sobre as preocupações que acompanharam os dados do quarto trimestre de 2015”. 

Petrobras (PETR3, R$ 12,82, -3,39%; PETR4, R$ 9,78, -3,83%)
Acompanhando o dia de queda do Ibovespa, as ações da Petrobras registraram perdas na Bolsa, pressionadas também pela desvalorização do petróleo lá fora. O contrato Brent registrava queda de 1,81%, a US$ 45,00 o barril, enquanto o WTI caía 2,52%, a US$ 43,66 o barril. 

Com balanço dia 12 de maio, o Credit Suisse divulgou sua prévia do 1° trimestre para a Petrobras. Para os analistas do banco, a petroleira deve registrar uma receita líquida de US$ 19,6 bilhões no período, Ebitda de US$ 4,3 bilhões e prejuízo líquido de R$ 300 milhões.

Segundo eles, a companhia deve ser impactada por diversos fatores, entre eles: 1) a média de preço do Brent, que foi de US$36 o barril (contra US$ 45 no trimestre anterior); 2) demanda fraca, com a taxa utilização das refinarias em 87% (com estimativa de perda de market share, refletindo queda de volume); e 3) o dólar médio frente ao real de R$ 3,90, uma pequena depreciação em relação ao 4° trimestre, quando ficou em R$ 3,84. Os analistas lembram que a empresa reduziu sua exposição ao dólar no 4° trimestre de 2015 e, por isso, o impacto da valorização do real no final do 1° trimestre deste ano contra o fim de 2015 deve ser apenas marginalmente positivo. 

Vale (VALE3, R$ 18,66, -6,09%VALE5, R$ 14,61, -6,53%
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 7,99, -6,00%) - holding que detém participação na Vale - caíram forte seguindo os preços do minério. Os contratos futuros do minério de ferro na China afundaram nesta terça-feira, acompanhando uma queda do aço e perdendo força após ganhos acentuados, com siderúrgicas chinesas elevando a produção e as bolsas atentas aos mercados de commodities após as fortes oscilações recentes. A queda dos preços foi acompanhada por fortes baixas nos volumes negociados e contratos em aberto, com os investidores em retirada após uma disparada de compras levantar temores de que os mercados caminhavam para um perigoso ciclo de formação e estouro de bolhas.

O contrato de minério de ferro para setembro, mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 3 por cento, a 442,50 iuanes a tonelada, após tocar uma mínima da sessão de 431 iuanes.

Sobre a Vale, destaque para a notícia de que os investidores da mineradora nos Estados Unidos querem um ressarcimento de mais de US$ 1 bilhão na ação coletiva movida contra a mineradora no país, afirma o Valor Econômico. O montante refere-se à desvalorização das ADRs preferenciais e ordinárias da companhia no período abordado pelo processo, que vai de novembro de 2013 a novembro de 2015.

Além disso, o Ministério Público Federal pediu R$ 155,1 bilhões em uma ação civil contra a Vale, a Samarco, a BHP, a União e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A ação contém mais de 200 pedidos de reparação integral de danos ambientais, econômicos e sociais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão. 

Siderúrgicas
As siderúrgicas também tiveram forte baixa, com a Usiminas (USIM5, R$ 2,30, -7,63%) , CSN (CSNA3, R$ 12,22, -5,27%), Gerdau (GGBR4, R$ 7,10, -6,46%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,63, -6,74%).

No radar das empresas, o Credit Suisse elevou nesta terça-feira o preço-alvo das ações da Gerdau em 88% - um dia antes da companhia divulgar seu balanço. O target passou de R$ 4,50 para R$ 8,50, com a recomendação sendo mantida em "neutra". Apesar da proximidade com a divulgação do balanço, os analistas comentam que a revisão deve-se à expectativa de aumento de 8% nos preços do aço no Brasil no segundo semestre deste ano. Sobre o balanço, eles aguardam dados fracos - 20% abaixo do consenso da Bloomberg. 

Para saber mais: Antes da divulgação do balanço, Credit eleva preço-alvo da Gerdau em 88% 

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose subiram nesta sessão, em meio à alta do dólar frente ao real e dos preços da celulose no mercado internacional. Segundo a consultoria finlandesa Foex, os preços na Europa seguiram praticamente estáveis na semana (-0,3%) e pequena alta na China (+0,6%). Para o BTG Pactual, o dado confirma a expectativa do banco: de que os preços podem estar próximos do "fundo" na China.

Na Bolsa, apareceram entre as poucas altas do Ibovespa as ações da Suzano (SUZB5, R$ 13,47, +3,38%) e Fibria (FIBR3, R$ 30,36, +0,50%) - ambas do setor de papel e celulose. Outra exportadora - a Embraer (EMBR3, R$ 20,25, +0,25%) - também foi beneficiada pela alta do dólar hoje. Essa foi a primeira alta dessas ações depois de três quedas seguidas (-8%) após balanço do 1° trimestre.  

Marcopolo (POMO4, R$ 2,30, -5,74%)
Os números apresentados pela Marcopolo também não agradaram o mercado e as ações afundaram na Bolsa hoje. Na mínima do dia, os papéis caíram 9,02%, a R$ 2,22. Não só a variação chamou atenção, mas o volume financeiro movimentado com o ativo: de R$ 31,22 milhões, contra média diária de R$ 10,69 milhões nos últimos 21 pregões. 

Ontem, a companhia registrou lucro líquido de R$ 8,85 milhões no 1° trimestre, queda de 74% na comparação com o mesmo período de 2015. A estimativa dos analistas consultados pela Bloomberg era de R$ 11 milhões. A receita líquida da companhia caiu 35% no trimestre, indo para R$ 428,3 milhões - também abaixo das projeções de R$ 518,3 milhões. O Ebitda recuou 98% no período, indo para R$ 1,5 milhão, contra expectativa de R$ 25,5 milhões. Já margem Ebitda afundou de 10% para 0,4% entre os meses de janeiro a março deste ano.

Após o balanço, o Credit Suisse cortou o preço-alvo das ações da companhia de R$ 3,50 para R$ 1,70, assim como a recomendação, que passou de neutra para "underperform" (desempenho abaixo do esperado). 

O Itaú BBA ressaltou dados "muito fracos" no trimestre, enquanto os analistas do BTG Pactual destacaram que os próximos trimestre podem ser novamente afetados pela fraqueza da demanda, o que impactará na alavancagem e lucratividade. O preço-alvo da ação foi cortado de R$ 2,10 para R$ 2,00 pelo BTG, enquanto a recomendação seguiu neutra. 

Energias do Brasil (ENBR3, R$ 12,38, -3,43%)
Também entre os destaques de queda após a divulgação do balanço, a Energias do Brasil afundou nesta sessão após mostrar lucro líquido de R$ 302,1 milhões no 1° trimestre de 2016, contra R$ 84 milhões registrados no mesmo período do ano passado. A receita líquida atingiu R$ 2,12 bilhões, abaixo da estimativa de R$ 2,72 bilhões dos analistas consultados pela Bloomberg. O Ebitda subiu 98% na comparação anual, indo para R$ 806,8 milhões, enquanto a margem Ebitda saltou de 19,5% um ano antes para 39,3% neste período.

Apesar da forte queda dos ativos, o banco Haitong ressalta que os resultados, após os ajustes, foram em linha com as estimativas, com destaque negativo para o número de provisões (34% superior), enquanto o Ebitda e o lucro líquido foram melhores do que o esperado. 

Juntamente com o balanço, a companhia anunciou um aumento de capital de até R$ 1,499 bilhão, com a emissão de 130,4 milhões de ações. A emissão sairia a R$ 11,50 por ação. Do total que será emitido, a Energia do Brasil subscreverá 66,6 milhões de ações. Segundo o BTG Pactual, isso significa a boa visão sobre a companhia e o País. Para o banco, a ação da companhia segue "interessante", com TIR (Taxa Interna de Retorno) de 12%.  

Lojas Marisa (AMAR3, R$ 8,75, -2,78%)
A ação da Lojas Marisa também caiu forte após o balanço. O prejuízo da varejista aumentou em mais de três vezes no 1° trimestre de 2016, passando de R$ 5,3 milhões um ano antes para R$ 17,2 milhões. Apesar da alta, ficou abaixo do estimado pelos analistas pesquisados pela Bloomberg: de R$ 25,5 milhões. A varejista encerrou o trimestre com receita líquida de R$ 608,5 milhões, queda de 10,5% quando comparado ao 1° trimestre de 2015. A projeção dos analistas era de R$ 618,5 milhões.

Para o BTG, o balanço veio fraco, mas sem surpresas. No trimestre, o Ebitda das Lojas Marisa caiu 21% na mesma base de comparação, indo para R$ 51,3 milhões - um pouco acima dos R$ 49,3 milhões estimados pelo mercado. A margem Ebitda passou de 9,6% para 8,4%, queda de 1,2 ponto percentual no ano.  Os analistas do BTG mantiveram visão negativa para a ação, não vendo ponto de inflexão de resultados ainda. 

Ambev (ABEV3, R$ 19,59, +0,41%)
Hoje, dados da Sicobe apontaram forte crescimento de 10,4% na produção de cerveja em abril, na comparação anual, por conta da base fraca e ajuste de estoques após desaceleração agressiva em março (queda de 18%). Para o BTG, o número pode até ser forte mas, se olhar para a produção bimestral e a acumulada no ano, a produção segue em queda de 5,1% e 3,2% respectivamente. "A conclusão é que a tendência de queda continua", disseram os analistas. A boa notícia, segundo eles, é que a indústria continua repassando os preços. A Ambev divulgará seu balanço amanhã antes da abertura do pregão. O Itaú BBA comentou que espera resultados negativos da Ambev, com volume fraco de bebidas. 

M. Dias Branco (MDIA3, R$ 84,88, +6,67%
As ações da M. Dias Branco subiram após balanço. 
A fabricante de massas e biscoitos M.Dias Branco apresentou no primeiro trimestre lucro líquido consolidado de R$ 94,6 milhões, 24,6% abaixo do verificado no mesmo período de 2015. A receita líquida da companhia cresceu 11,7% no trimestre, chegando a R$ 1,2 bilhão, refletindo aumento de preços. Já o Ebitda caiu 22%, para R$ 133,9 milhões, enquanto a margem Ebitda recuou de 16,6% para 11,6% no período.

Segundo o BTG Pactual, a companhia registrou um novo trimestre fraco, com queda forte do Ebitda e da margem; por outro lado, as receitas subiram por meio de uma combinação de melhores volumes e preços. "As melhores notícias são de que o pior pode ter ficado para trás", afirmam os analistas. A recomendação para os papéis segue neutra após a alta forte desde a mínima, "o que só faz sentido se a companhia entregar um crescimento maior". Já o preço-alvo subiu de R$ 65 para R$ 85. 

O Bradesco BBI, por sua vez, ressaltou que os resultados foram melhores que esperado, com o primeiro trimestre sendo ponto de virada” para companhia, que deve se beneficiar da recente apreciação do real.

Porto Seguro (PSSA3, R$ 27,74, +0,33%)
A Porto Seguro viu suas ações registrarem leve alta após mostrar lucro líquido no critério com business combination - que considera o valor de todo o intangível - marca, canal de distribuição - com o Itaú Unibanco - de R$ 238,5 milhões no primeiro trimestre de 2016, o que representa uma alta de 4,1% na comparação com o mesmo período de 2015. O lucro líquido sem business combination teve mesma variação, de 4,1%, alcançando R$ 240,4 milhões.

O patrimônio líquido com business combination ficou em R$ 6,597 bilhões, 10,1% maior na mesma comparação, e a rentabilidade (ROAE) caiu para 14,6%, de 15,3% no primeiro trimestre de 2015. O total de prêmios auferidos cresceu 5,3% para R$ 3,495 bilhões, ao passo que o total de prêmios ganhos teve um aumento de 6,7%, para R$ 3,410 bilhões ante igual período do ano passado.

 (Com Reuters e Agência Estado)

 

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