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Ibovespa sobe quase 6% em semana de foco na votação do impeachment; dólar avança

Mercado opera em alta refletindo o cenário de maior chance de impeachment da presidente

Investidor Telefone Trader
(Shutter Stock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (15) e terminou a semana em uma disparada de 5,84%. Desde o início do rali do impeachment, no dia 29 de fevreiro com os rumores de delação premiada da Odebrecht, a alta da Bolsa foi de 24%. Os últimos dias foram marcados por uma forte volatilidade na Bolsa e principalmente no dólar. Veja os destaques desses pregões: 

Na segunda-feira, o mercado teve uma leve queda, realizando os lucros do rali do impeachment em meio à percepção de que a economia real não sofrerá um impacto inicial pela mudança de governo. "Talvez o mercado comece a fazer essa análise de que há muitos problemas estruturais na nossa economia ainda", disse o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. 

Já na terça, a Bolsa ganhou força reagindo ao desembarque do PP da base aliada e à notícia de que uma juíza federal suspendeu a nomeação de Eugênio Aragão para o ministério da Justiça.

Na quarta, o índice fechou em alta, com a debandada geral de partidos da base, reforçando o coro dos deputados a favor do impeachment. PP, PSB e PRB anunciaram que iriam votar pelo impedimento após serem cortejados pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Na quinta-feira, por fim, veio uma correção potencializada pelo contra-ataque do governo ao impeachment, com o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, acionando o STF (Supremo Tribunal Federal) para anular o processo. A decisão, contudo, acabou desfavorável para o Planalto: 8 votos a 2 a favor da continuidade do processo. 

Nesta sexta
Ibovespa terminou este pregão em alta com todo o mercado à espera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados no domingo (17). O processo foi reforçado ontem após o governo ser derrotado no STF em ações que tentavam barrar o impedimento. Placares do Globo, da Folha e do Estado de S. Paulo, mostram a oposição com maioria para emplacar o processo. Além disso, especulações sobre nomes para a equipe econômica de um eventual governo Michel Temer animam investidores. Lá fora, as bolsas internacionais realizaram ganhos. 

O benchmark da bolsa brasileira subiu 1,56%, a 53.227 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 8,696 bilhões. Já o dólar comercial avançou 1,38% a R$ 3,5225 na compra e a R$ 3,5240 na venda, enquanto o dólar futuro para maio tem alta de 1,31% a R$ 3,546. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 4 pontos-base a 13,61%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 opera em alta de 4 pontos-base a 13,06%. 

Delação de Odebrecht
Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira que está sendo investigada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, começou a prestar depoimentos há duas semanas como delação premiada. Para que o acordo seja homologado pela Justiça, Marcelo Odebrecht precisa confessar todos os crimes que tenha praticado e revelar fatos relevantes ainda desconhecidos pela Lava Jato. Ele está preso na sede da PF em Curitiba.  

STF
Após sete horas de sessão, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou hoje (15) cinco ações contestando a votação do pedido de abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, previsto para domingo (17).  A sessão começou às 18h e terminou à 1h. Ações impetradas pela AGU (Advocacia Geral da União) e por partidos da base aliada tentaram barrar o andamento do processo do impeachment, marcado para ser votado neste fim de semana, mas a maioria do Supremo decidiu manter o processo. Além disso, destaque para outra notícia: de acordo com mapeamento feito pelo Estadão e o Globo, o impeachment tem 342 deputados a favor, o suficiente para passar na Câmara. 

Fazenda e BC sob Temer
Estão permanentemente na imprensa os nomes dos ex-presidentes do Banco Central Henrique Meirelles e Armínio Fraga -- por mais que o último negue disposição em aceitar eventual convite --, do ex-secretário de política econômica da Fazenda Marcos Lisboa ou até o presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Murilo Portugal para ocupar o Ministério da Fazenda sob Temer. O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, ganharia o Banco Central, no lugar de Alexandre Tombini. 

Plenário da Câmara
A permanência de Dilma à frente do país começa a ser debatida hoje pelo plenário da Câmara dos Deputados. A primeira sessão de análise da admissibilidade do processo de impeachment está marcada para as 8h55, com a exposição, por 25 minutos, do jurista Miguel Reale Junior, um dos autores da denúncia contra a presidente. Em seguida, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, fará a defesa de Dilma, também por 25 minutos. De acordo com o regimento da Casa, os tempos são improrrogáveis. Paralelamente às apresentações da acusação e da defesa, a partir das 9h será aberto prazo para que os deputados interessados em discursar sobre o processo se inscrevam na Mesa Diretora. As inscrições serão encerradas às 11h. Os inscritos poderão se manifestar da tribuna da Câmara, por três minutos, no sábado (16), em sessão marcada para ter início às 11h, conforme cronograma definido pelo presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os líderes partidários.

Bateria de dados da China
A economia chinesa desacelerou ainda mais no começo do ano, de acordo com dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (horário local), na mais nova indicação de que o governo pode precisar tomar mais medidas para impulsionar o crescimento. O produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 6,7% no primeiro trimestre de 2016, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. O número veio em linha com a média de crescimento prevista por 14 economistas consultados pelo The Wall Street Journal. Foi a expansão trimestral mais lenta para a China desde o primeiro trimestre de 2009, quando a economia cresceu 6,2%, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O banco central chinês cortou sua taxa de juros em seis ocasiões desde novembro de 2014, em um esforço para impulsionar a economia. O governo também acelerou projetos de infraestrutura e entrou com medidas para diminuir os fardos financeiro e fiscal das empresas do país.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,92, +3,92%; PETR4, R$ 9,69, +5,79%), fecharam em alta, descolando-se dos preços do petróleo. Em um dia de forte queda do preço do petróleo, com o brent em baixa de 1,64%, a US$ 43,08 o barril, a Petrobras teve ganhos, com todo o mercado à espera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados no domingo. O processo foi reforçado ontem após o governo ser derrotado no STF (Supremo Tribunal Federal) em ações que tentavam barrar o impedimento. Placares do Globo e do Estado de S. Paulo, mostram a oposição com maioria para emplacar o processo. 

No noticiário da companhia, segundo informações do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, a filial da Petrobras Argentina pode ser vendida por um valor bilionário. A nova proposta foi feita pela Pampa Argentina, que tem preferência pela negociação e o processo deve se estender até o fim do mês.  

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,85 +8,37 +71,69
 PETR4 PETROBRAS PN 9,69 +5,79 +44,63
 GGBR4 GERDAU PN 7,85 +5,09 +68,82
 ESTC3 ESTACIO PARTON 12,08 +5,04 -13,41
 USIM5 USIMINAS PNA 2,10 +5,00 +35,48

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes subiram, beneficiados pelo cenário político, que aumenta a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,94, +0,64%), Bradesco (BBDC3, R$ 31,81, -0,16%; BBDC4, R$ 28,83, +0,45%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,70, +3,51%) avançaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 18,60, +2,20%; VALE5, R$ 14,29, +3,55%), que caiu durante parte do pregão, superou a baixa do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve queda de 1,85% a US$ 58,28.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,75 -3,85 -39,90
 CESP6 CESP PNB 15,87 -2,34 +18,43
 CIEL3 CIELO ON EB 32,95 -1,14 +23,67
 JBSS3 JBS ON 9,65 -1,03 -21,86
 QUAL3 QUALICORP ON 15,50 -0,96 +9,70

 


Quem não performou tão bem foi o papel da Oi (OIBR4, R$ 0,99, 0,00%). Em meio às discussões sobre o fim do regime de concessão, a companhia pode ter de resolver dívida antes de migrar de contrato, de acordo com informações da Folha de S. Paulo. A operadora está em "vigilância econômica" pela agência desde o final do ano passado e, segundo a proposta do conselheiro Rodrigo Zerbone, empresas nessa situação não poderão migrar para o novo modelo de contrato na telefonia. Para a Oi, migrar para o novo modelo daria fôlego para buscar investidores e fazer a renegociação da dívida com credores a quem hoje a companhia deve mais de R$ 50 bilhões. Sem isso, a situação da tele ficaria ainda mais complicada.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 9,69 +5,79 895,81M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 32,94 +0,64 501,66M
 VALE5 VALE PNA 14,29 +3,55 428,33M
 BRML3 BR MALLS PARON 16,27 +1,43 385,02M
 BBDC4 BRADESCO PN 28,83 +0,45 333,73M
 BBAS3 BRASIL ON 22,70 +3,51 323,69M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 33,25 +2,62 320,45M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,99 +1,33 283,62M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 17,10 +0,59 237,21M
 CIEL3 CIELO ON EB 32,95 -1,14 214,42M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

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