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Ibovespa cai com correção e AGU tentando barrar impeachment; dólar sobe a R$ 3,50

Mercado indica mais um dia de alta para a Bolsa em meio ao rali do impeachment

Dilma Rousseff
(Lula Marques/ Agência PT)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (14), em um movimento de correção depois das fortes altas dos últimos dias. Por aqui, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para anular o processo de impeachment. De acordo com a ação, o processo contém vícios que impedem a sua continuidade. Enquanto isso, lá fora, as bolsas norte-americanas operam entre perdas e ganhos de olho nos resultados trimestrais de instituições financeiras e nos discursos de membros do Federal Reserve.

Às 14h30 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 0,99%, a 52.629 pontos. Mais cedo, o índice chegou a subir 1% refletindo as notícias de ontem, que mostravam uma chance maior de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O placar do Estado de S. Paulo revela que faltam apenas 10 deputados para que a oposição consiga maioria para aprovar o processo (332 de 342), enquanto o da Folha de S. Paulo mostra 308 a favor do impedimento e o Globo fala em 329. No radar, PP, PRB, PSB, PTB e agora o PSD anunciaram apoio à destituição.

Para Daniel Ximenes Almeida, trader da Daycoval Investimentos, a queda da Bolsa hoje é motivada principalmente pelo contra-ataque do governo para barrar o impeachment via Judiciário. "Como tinha muito prêmio na Bolsa, qualquer notícia negativa de curto prazo acaba causando um estrago", avalia. Contudo, ele ressalva que se os investidores realmente achassem que o impedimento está em risco, a queda seria bem maior.

Já o dólar comercial opera em alta de 1,08% a R$ 3,5171 na venda, enquanto o dólar futuro para maio tem leve alta de 0,13% a R$ 3,521. O câmbio se manteve em alta após o Banco Central vender todos os 80 mil contratos de swap reverso ofertados ao mercado. A venda totalizou US$ 4 bilhões. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera em leve alta de 2 pontos-base a 13,67%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra perdas de 11 pontos-base a 13,08%. 

AGU e PCdoB miram judiciário
A AGU (Advocacia-Geral da União) informou na manhã desta quinta que ingressará no STF com ação pedindo a nulidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, cuja votação ocorrerá no domingo (17), na Câmara dos Deputados. A ação pede nulidade dos atos do processo de denúncia por crime de responsabilidade, diz nota da AGU à imprensa. De acordo com o pedido, o processo contém vícios que impedem a sua continuidade. Entre os pedidos está a anulação da audiência dos denunciantes, que segundo a AGU "extrapolou" o que estava na denúncia, e por isso, o governo deveria ter mais tempo para se defender.

PTB e PSD apoiam impeachment
O líder do PSD na Câmara dos Deputados, Rogério Rosso (PSD-DF), disse na noite da última quarta-feira, que seu partido apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff a partir de agora. O líder do partido ainda disse que mais de dois terços dos deputados do PSD apoiam impeachment e que fala pelos parlamentares e não pelo ministro das Cidades e presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab (SP). Segundo ele, seriam cerca de 30 dos 38 votos da sigla a favor do impedimento.

Mais cedo, Wilson Santiago, líder do PTB em exercício na Câmara, confirmou que o partido irá encaminhar voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e que a bancada da sigla tem maioria expressiva pela saída da petista. A bancada do PTB na Câmara dos Deputados conta com 19 parlamentares em exercício e, de acordo com Wilson Filho, 15 se declararam favoráveis ao impeachment da presidente.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,41, -3,55%; PETR4, R$ 9,22, -3,05%), realizam ganhos recentes e se descolam dos preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) tem leve alta de 0,34% a US$ 41,90, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 0,34% a US$ 44,33, com o mercado atento à reunião entre os produtores da commodity do próximo domingo e após a AIE (Agência Internacional de Energia) destacar que pode haver uma redução na produção nos EUA. 

No Brasil, a agência prevê que a demanda por petróleo avance ao longo deste ano, porém abaixo do registrado em 2015. De acordo com o relatório mais recente da entidade, divulgado nesta quinta-feira, a demanda do País pela commodity deve ficar em 3,13 milhões de barris por dia em 2016, abaixo dos 3,19 milhões de barris por dia do ano anterior.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 1,97 -11,26
 CSNA3 SID NACIONALON 11,62 -10,75
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,72 -8,11
 GGBR4 GERDAU PN 7,69 -7,90
 VALE3 VALE ON 18,18 -7,10

 

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes operam em queda, corrigindo as altas recentes. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,68, -3,06%), Bradesco (BBDC3, R$ 31,89, -1,60%; BBDC4, R$ 28,54, -2,96%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,04, -1,30%) apresentam desempenho fraco. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 18,18, -7,10%; VALE5, R$ 13,83, -6,55%) segue a queda do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdaoteve baixa de 1,82% a US$ 59,38. Além disso, a companhia reflete o corte na sua recomendação de underperform para venda pela CLSA. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,76 +13,60
 JBSS3 JBS ON 9,82 +6,97
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 12,48 +3,48
 FIBR3 FIBRIA ON 30,70 +3,33
 VIVT4 TELEF BRASILPN 44,28 +3,22

 

Planalto procura dissidências
O Palácio do Planalto reuniu ministros e deputados contrários ao pedido de impeachment para discutir a estratégia para arquivar a acusação contra ela. A nova estratégia será discutir diretamente com deputados em vez de procurar bancadas inteiras. Assim, o governo estaria criando dissidências que podem decidir ao seu favor a votação. “Nessa reta final, é deputado por deputado, caso por caso”, afirmou o ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo. Hoje, os "placares" do impeachment foram atualizados: a Folha indica 308 deputados a favor do impeachment, o Estadão 332 e O Globo, 329. Vale destacar a notícia da Folha que já traça um cenário do que Michel Temer pretende fazer caso assuma a presidência. De acordo com o jornal, o vice promete reformas bruscas com mudanças nos ministérios. Já as bolsas europeias oscilam 

Bateria de dados da China
Hoje é dia de China. Às 23h saem ao mesmo tempo os dados de PIB (expectativa de avanço de 6,7% no primeiro trimestre de 2016 na comparação anual), produção industrial (economistas esperam 6% de expansão da atividade em março) e vendas do varejo (expectativa de 10,4% de crescimento em março). "Acho que a China vai voltar ao radar", opina Paulo Gomes, economista-chefe e estrategista da Azimut Brasil Wealth Management que ressalva que o impacto dos dados do país no mercado não serão do mesmo porte daqueles de janeiro. "Se o PIB vier em 6,7%, o mercado tende a encarar com maior normalidade do que fazia antes. O mundo hoje com mais liquidez mostra bancos centrais mais atentos e dispostos a evitar uma desaceleração da economia", conclui. 

Agenda dos EUA
A agenda dos EUA é bastante movimentada nesta sessão, com destaque para os números de auxílio desemprego da semana passada e o índice de preços ao consumidor de março. No caso dos pedidos do benefício, foram 253 mil pedidos na semana passada contra 270 mil esperados. 

Além disso, às 11h, o presidente da distrital do Federal Reserve em Atlanta, Dennis Lockhart, disse que dados fracos de inflação e de gastos dos consumidores o levaram a mudar de ideia e passar a se opor a um novo aumento de juros em abril. No mês passado, Lockhart havia sugerido a possibilidade de uma nova elevação de juros na reunião do Fed dos próximos dias 26 e 27. Em entrevista à Bloomberg News, no entanto, Lockhart disse que reviu sua opinião.

"Com base no que vi recentemente, não vou defender uma mudança em abril", afirmou Lockhart, que não tem poder de votos nas reuniões do Fed este ano. Por outro lado, Lockhart disse que ainda é possível que haja dois ou três aumentos de juros este ano, desde que os indicadores melhorem em relação aos do primeiro trimestre, que, segundo ele, foram decepcionantes.

Cenário externo
As bolsas chinesas avançaram para novas máximas em três meses nesta quinta-feira, com os investidores se preparando para uma surpresa positiva em relação aos dados sobre o crescimento econômico da China no primeiro trimestre, que são divulgados na sexta-feira; Xangai subiu 0,52% e Hang Seng 0,85%. 

Dados publicados na quarta-feira mostraram que as exportações chinesas voltaram a crescer em março pela primeira vez em nove meses, em um sinal encorajador antes da publicação dos números do Produto Interno Bruto (PIB). Os mercados do restante da região também subiram, atingindo o maior nível em mais de quatro meses. As altas foram lideradas pelo Japão, com o Nikkei subindo 3,23%, com os investidores interpretando a decisão de afrouxamento monetário do banco central de Cingapura como um sinal de mais estímulos nas economias voltadas para o comércio do Sudeste Asiático e de uma trajetória mais amena de aperto monetário nos Estados Unidos nos próximos meses.

As bolsas europeias, por sua vez, fecharam em alta, com o DAX subindo 0,67%, o FTSE em alta de 0,03% e o CAC 40 avançando 0,47%, em um dia de leve alta para os preços do petróleo. 

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