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Ibovespa dispara 4% com parecer de Janot, alta do petróleo e inflação mais baixa em março

Mercado tem dia de alta em meio a notícias negativas para o governo e recuperação das bolsas internacionais

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira (8) seguindo o desempenho das bolsas internacionais, que corrigem as perdas recentes e refletem a forte alta do petróleo em meio à queda da produção da commodity pelos Estados Unidos. No cenário doméstico, o parecer revisto do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contrário à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Civil e acusando a presidente Dilma Rousseff de tentar "obstruir a justiça", atrapalha os planos do governo de tentar conter o impeachment. 

Às 15h22 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 3,95%, a 50.432 pontos. Já o dólar comercial cai 1,92% a R$ 3,6228 na venda, enquanto o dólar futuro para maio tem queda de 2,03% a R$ 3,642. No caso do câmbio, o dólar reflete o leilão de swaps reversos do governo, que rolou apenas 3.000 dos 11.500 contratos colocados à venda. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 8 pontos-base a 13,80%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuava 39 pontos-base a 13,79%. 

Ainda no cenário político, o novo presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), negocia cargos com partidos que ainda não desembarcaram da base do governo para um futuro governo do vice-presidente Michel Temer. Ele falou com PP, PR, PSD e PTB, justamente os partidos que foram cobiçados pelo Planalto nos últimos dias com Lula prometendo cargos em troca de votos contrários ao impedimento. Jucá teria até tentado convencer o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI) a mudar de ideia depois dele anunciar que o partido continuaria ao lado de Dilma. 

“O mercado continua comprado com a ideia do impeachment. O noticiário ficou favorável, com Gilmar no TSE e placar do Estadão”, diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora

Janot é contra o Lula ministro
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reviu seu entendimento anterior e enviou ontem novo parecer ao STF (Supremo Tribunal Federal) contrário à nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil. Janot acusa Dilma de ter cometido “desvio de finalidade” e tentativa de “obstrução da justiça”. Diz ainda que a nomeação de Lula para o ministério teve o objetivo de “afetar a competência do juiz Moro”. O documento foi enviado ao Supremo para instruir duas ações que estão sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes. Com o parecer da PGR, Mendes poderá levar o caso para uma decisão definitiva do plenário da corte constitucional e tribunal de última instância. O julgamento deve ocorrer no dia 20 deste mês. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,45, +5,13%; PETR4, R$ 8,22, +6,75%) sobem forte seguindo os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) dispara 5,48% a US$ 39,30, enquanto o barril do Brent avança 5,35% a US$ 41,54. No radar da estatal, segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o governo segue pressionando a diretoria da empresa para que ela reduza o preço da gasolina e do diesel, como uma forma de reduzir a inflação. Analistas acreditam que a medida seria extremamente prejudicial à companhia, que precisa de caixa para fazer frente aos seus quase R$ 500 bilhões de dívida.

Além disso, a Petrobras se posicionou para tentar evitar o pedido de recuperação judicial de uma de suas fornecedoras, a Sete Brasil. Para isso, a estatal propõe a contratação de um mediador externo para negociar um acordo entre os sócios. Parte dos acionistas da Petrobras defende o pedido de recuperação judicial da Sete.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,15 +16,67
 USIM5 USIMINAS PNA 1,64 +11,56
 GGBR4 GERDAU PN 6,83 +11,42
 BBAS3 BRASIL ON 20,83 +11,15
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,43 +9,95

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes sobem, prejudicados pelo cenário político, que aumenta a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,87, +6,87%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,69, +4,28%; BBDC4, R$ 27,57, +5,55%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,83, +11,15%) avançam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 16,17, +7,73%; VALE5, R$ 12,10, +7,56%) vai na contramão do minério de ferro e registra ganhos. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 0,33% a US$ 54,57.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 FIBR3 FIBRIA ON 28,56 -5,52
 JBSS3 JBS ON 9,66 -5,29
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,88 -3,54
 EMBR3 EMBRAER ON 22,19 -2,29
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 11,05 -2,21

 

Entre as quedas estavam apenas as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 28,58, -5,46%) e Suzano (SUZB5, R$ 11,05, -2,21%) operam em fortes quedas por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

IPCA
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,43% em março, frente à alta de 0,90% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira. O resultado ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado -- 0,46%, segundo compilação da Bloomberg. Em março do ano passado, o indicador mostrou aumento de 1,32%. Com isso, no acumulado de 12 meses, o IPCA tem alta de 9,39%, bem acima do teto da meta do governo de 6,5%. No ano, a inflação oficial do país soma elevação de 2,62%.

Placar do impeachment
Elaborado pelo jornal Estado de S. Paulo, o placar do impeachment já mostra 274 deputados a favor da destituição da presidente Dilma e 114 contra a saída dela. Ontem, o PV declarou que votaria em bloco pelo impeachment. Segundo a Folha de S. Paulo, a TV Globo prometeu que irá transmitir a votação do processo no plenário da Câmara dos Deputados seja qual for o dia e o horário. 

Governo trabalha com rombo em 2017
A situação das contas públicas continua  tão crítica que o governo já imagina que terá mais um déficit fiscal em 2017. Segundo informações do Estado de S. Paulo, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do ano que vem deve vir com a combinação de uma meta fiscal com o limite de gasto, permitindo que haja o abatimento de despesas na meta. O projeto de lei terá que ser encaminhado ao Congresso até o próximo dia 15. Se for confirmado o déficit de 2017, será o quarto consecutivo.

Fala do Fed
O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, disse que os riscos de piora na economia e nos mercados diminuiu desde o começo do ano, mas o cenário, principalmente para inflação e crescimento requer cuidados. "Embora os dados recentes mostrem que a inflação está firme, ainda há motivo para preocupação porque muitas medidas ainda estão baixas", afirma. 

Cenário externo
Os índices norte-americanos e as bolsas europeias sobem, seguindo a recuperação forte dos preços do petróleo e uma correção das perdas dos últimos pregões. Já na Ásia, as ações chinesas caíram nesta sexta-feira antes da divulgação de uma série de dados econômicos, com alguns investidores realizando lucros após a recuperação de um mês do mercado que refletiu as expectativas de um primeiro trimestre forte. Os investidores que aguardam indicadores econômicos de março, incluindo novos empréstimos e inflação, a serem divulgados na próxima semana, evitaram operar ativamente. No restante do continente, os mercados não apresentaram direção comum, sendo que o índice acionário do Japão avançou após seu ministro das Finanças, Taro Aso, prometer proteger o iene de movimentos abruptos em qualquer direção.

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