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Ibovespa cai 3,5% e tem 2ª maior baixa desde o início do rali do impeachment

Mercado tem dia negativo em meio às articulações do governo com partidos da base e notícias de sacrifício do ajuste fiscal

bolsa painel
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (4) com o cenário político se conjugando às perdas das bolsas norte-americanas. A queda de hoje foi a segunda maior do índice desde o início do rali do impeachment e a terceira maior do ano, perdendo também para a desvalorização de 4,87% registrada em 2 de fevereiro. No noticiário, o processo do impeachment entra em fase decisiva com hoje sendo o último dia para que a presidente Dilma Rousseff entregue a sua defesa à Comissão do Impeachment na Câmara dos Deputados. Lá fora, as bolsas norte-americanas terminaram a sessão em baixa em meio à derrocada do petróleo. 

O benchmark da bolsa brasileira caiu 3,52%, a 48.780 pontos. Foi a segunda maior queda desde o início do rali do impeachment, perdendo apenas para os 3,56% de baixa registrados no dia 15 de março. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,462 bilhões. Já o dólar comercial fechou em alta de 1,43% a R$ 3,6128 na compra e a R$ 3,6138 na venda. 

Ao mesmo tempo em que a Comissão decidia o futuro da presidente, os jornais destacavam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta ganhar apoio de deputados do chamado "baixo clero", com base eleitoral distante das grandes cidades. 

Segundo o sócio-gestor da Queluz, Rodrigo Otávio Marques, os movimentos da Bovespa estão sincronizados com os das bolsas mundiais, mas são amplificados pelo ambiente político. "Uma parte da alta das commodities já passou e aqui começou a ceder pela coincidência deste cenário com a ideia de que o processo de impeachment tende a se desenvolver de forma mais difícil", explica. Segundo ele, a 50.000 pontos o mercado já começa a questionar como será a vida após o impeachment, de modo que a fase de euforia de março fica para trás.

"Com o Lula provavelmente virando ministro na quinta-feira, os investidores fazem a leitura de que ele pode segurar Dilma no cargo em troca de favores aos partidos da base aliada", afirma. 

Petróleo
O barril do WTI (West Texas Intermediate) caiu 3,29% a US$ 35,58 e o barril do Brent recua 2,77% a US$ 37,60. A queda da commodity segue às declarações de líderes da Arábia Saudita de que acordo entre os principais produtores para cortar a produção pode não sair.  

A queda impactou também as bolsas norte-americanas. Os índices Dow Jones e S&P 500 caíram respectivamente 0,31% e 0,32%. 

Lula 
Segundo a Folha de S. Paulo, Lula tenta ganhar apoio de deputados do chamado "baixo clero", com base eleitoral distante das grandes cidades. A investida é sobre parlamentares menos suscetíveis às pressões das grandes cidades, onde ecoa o movimento pelo impeachment. No sábado (2), Lula se reuniu em Fortaleza com dez deputados do Ceará filiados a siglas como Pros, PDT e PTN. O ex-presidente também almoçou com governadores do Nordeste. Na semana passada, Lula reuniu parlamentares de Estados como Alagoas, Pernambuco e Pará. Nas conversas, ele promete assumir as rédeas do governo assim que tomar posse na Casa Civil, o que acredita acontecer na próxima quinta (7).

STF decide sobre impeachment de Temer
Nesta segunda, os investidores esperam pela decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, sobre recurso contra o arquivamento de impeachment do vice-presidente Michel Temer.  

Ações em destaque
Em destaque, a Petrobras (PETR3, R$ 10,27, -2,47%; PETR4, R$ 8,09, -3,23%) caiu diante de notícias de que pode anunciar a queda do preço de combustível hoje, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Essa queda teria como base o recuo do consumo deste combustível neste ano e em 2015. No ano passado, o consumo da gasolina recuou 9,0%. Em janeiro, a queda chegou a 11% na comparação anual.

"Do ponto de vista dos preços dos internacionais, a cotação externa em reais está 22,5% abaixo do preço doméstico na refinaria, na média dos últimos 21 dias úteis. Nos últimos doze meses, o preço interno da gasolina está em torno de 10,0% acima de sua cotação no mercado internacional", avalia a LCA Consultores.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 PETR4 PETROBRAS PN 7,58 -9,33 +13,13
 PETR3 PETROBRAS ON 9,60 -8,83 +12,02
 BRKM5 BRASKEM PNA 22,25 -7,94 -19,44
 GGBR4 GERDAU PN 6,45 -7,86 +38,71
 USIM5 USIMINAS PNA 1,65 -7,82 +6,45

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caíram, prejudicados pelo cenário político, que diminui a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,31, -3,50%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,92, -2,56%; BBDC4, R$ 26,57, -3,68%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,65, -5,67%) recuaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,60 +3,75 -42,31
 FIBR3 FIBRIA ON 31,32 +2,35 -39,64

 

 

 

Entre as altas esteve a exportadora de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 31,32, +2,35%), que terminou o pregão com ganhos por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuir suas receitas na moeda norte-americana, essa empresa tem as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 7,58 -9,33 549,48M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 30,31 -3,50 321,31M
 VALE5 VALE PNA 11,31 -4,72 275,17M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,90 -3,30 221,99M
 CIEL3 CIELO ON 35,88 -0,91 207,72M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 26,57 -3,68 201,09M
 BBAS3 BRASIL ON 18,65 -5,67 175,96M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,58 -1,48 158,89M
 PETR3 PETROBRAS ON 9,60 -8,83 155,56M
 GGBR4 GERDAU PN 6,45 -7,86 148,60M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Ajuste fiscal em xeque
A equipe econômica sacrificou o ajuste fiscal no curto prazo para conter a crise política, segundo o Estado de S. Paulo. Além das medidas de crédito e redução de taxas de juros em operações do BNDES e de fundos constitucionais, o governo pediu um abatimento da meta em até R$ 120 bilhões para acomodar mais despesas, inclusive na área de defesa, e recursos não previstos para os Estados de R$ 1,95 bilhão como compensação pela Lei Kandir que desonerou as exportações. 

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 caiu de uma contração de 3,66% para uma de 3,73%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,28% este ano, contra 7,31% projetados anteriormente.

Enquanto isso, a estimativa da taxa Selic foi reduzida de 14,25% para 13,75% esta semana, de modo que os economistas, pela primeira vez em 2016, esperam um corte dos juros este ano. Para 2017, as expectativas são de que a Selic chegue a 12,50%.

Fed pode elevar juros
O presidente da regional do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Boston, Eric Rosengren, afirmou hoje esperar que as elevações de juros nos Estados Unidos aconteçam de forma mais rápida e em quantidade maior do que estima atualmente o mercado.

O dirigente, que vota nas reuniões de política monetária deste ano, afirmou que a economia continua a melhorar apesar dos ventos contrários do exterior. Além disso, ele notou que a volatilidade dos mercados financeiros dos últimos meses cedeu de certa forma.

Cenário externo
As bolsas asiáticas registraram um dia misto, com Nikkei em queda de 0,25%, o Xangai tem alta de 0,17% e HangSeng teve queda mais forte, de 1,34%, de olho nos sóldios dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, assim como os números da indústria na maior economia mundial e também na China.

As ações norte-americanas subiram na sexta-feira, com o índice S&P 500 ganhando 0,63%, à máxima de três meses, após dados melhores do que os esperados do emprego e da indústria nos EUA. O índice Nikkei do Japão recuou pressionado pela queda das montadoras na sequência de dados fracos de vendas nos EUA.

Já a Europa teve dia de alta, com o FTSE subindo 0,30%, o DAX em alta de 0,28% e o CAC 40 em alta de 0,53%.

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