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Ibovespa sobe 1% na semana e renova máxima em 7 meses; dólar cai para R$ 3,59

Bolsa teve sessão volátil em meio à correção da euforia por novos fatos políticos; dólar renova menor valor desde agosto de 2015

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em uma sessão bastante volátil, o Ibovespa ficou próximo da estabilidade, o que fez o índice encerrar a semana marcada pelo noticiário político com ganhos de 1,13%. A sexta-feira (11) ficou com os investidores atentos para os eventos deste final de semana, com destaque para o Congresso do PMDB, que pode selar o rompimento do partido com o governo e as manifestações do domingo, dia 13. Lá fora, as bolsas internacionais subiram após a China fortalecer o yuan e com a alta do petróleo.

O benchmark da bolsa brasileira teve leve alta de 0,14%, a 49.638 pontos, chegando a quarta semana seguida de alta (o que não acontece desde junho de 2015) e renovando a máxima de agosto do ano passado. Na máxima do dia, o índice chegou a bater 50 mil pontos.

Já o dólar comercial fechou em queda de 1,39% a R$ 3,5910 na venda, renovando a mínima em seis meses, com queda de 10,4% só neste mês. Enquanto isso, o dólar futuro para abril recuou 0,76% a R$ 3,608. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 teve queda de 8 pontos-base a 13,72%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuou 17 pontos-base a 14,18%.

A semana já começou volátil, com o mercado aproveitando para embolsar parte dos ganhos do início do mês, enquanto a Vale disparou 9% e puxou o índice diante de boas notícias na China. Porém, o cenário se inverteria no dia seguinte, quando a queda de 14% da mineradora pressionou o Ibovespa para fechar com perdas. Na quarta-feira o cenário continuou negativo com investidores estrangeiros realizando os lucros recentes.

Porém, o bom humor voltaria ao mercado na quinta-feira, quando a Bolsa reagiu com uma alta de quase 2% após a notícia de que o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Lula, o que mais uma vez traz pressão para o governo de Dilma e faz os investidores verem uma maior chance da petista não terminar o seu mandato.

Pregão desta sexta
No começo desta sexta, o que movimentava o Ibovespa eram as consequências do pedido de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público de São Paulo. Ontem, a notícia impulsionou a Bolsa nos últimos minutos do pregão, mas falas de juristas e até de membros da oposição de que o pedido do MP não tem embasamento esfriaram os ânimos dos investidores. Além de Lula, nesta sexta, a aproximação do vice-presidente Michel Temer e do presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), fez preço.

Segundo José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Asset, a Bolsa está muito volátil desde a notícia da quinta-feira passada, da delação premiada não homologada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que supostamente citaria uma interferência da presidente Dilma Rousseff para barrar as investigações da Pólícia Federal. "Quando os investidores acreditam que aumentou a probabilidade de impeachment a Bolsa sobe. Mas não dá para fazer uma análise deste dia porque há milhares de coisas acontecendo. O que mexe no Ibovespa hoje é a pura volatilidade", afirma. 

Ações em destaque
Após cair por 3 pregões, as ações da Vale (VALE3, R$ 13,87, -0,93%; VALE5, R$ 10,15, +0,20%) fecharam entre perdas e ganhos. Os papéis se mantiveram longe de uma desvalorização mais forte apesar da queda do minério de ferro, que caiu 1,4% no porto de Qingdao, na China, indo para US$ 57,09 a tonelada. Acompanham o movimento as ações da Bradespar - holding que detém participação na mineradora. As siderúrgicas também seguem movimento positivo depois de terem disparado até 18% na véspera, em meio ao pedido de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio da Silva.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 13,79 -9,57 -1,15 39,37M
 OIBR4 OI PN 1,22 -8,96 -37,44 7,65M
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,56 -6,56 -42,95 9,30M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 21,29 -6,38 +9,95 53,38M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 5,44 -5,39 +6,88 20,69M



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 8,09 +1,76 737,42M 499,43M 63.170 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 22,85 +6,28 635,74M 211,36M 72.768 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 26,77 +3,56 519,57M 369,42M 41.268 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 32,33 +0,84 515,41M 530,25M 40.946 
 VALE5 VALE PNA 10,15 +0,20 487,72M 411,88M 49.244 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,22 -2,20 413,34M 286,99M 42.110 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 15,80 +2,20 409,64M 237,41M 36.170 
 CIEL3 CIELO ON 33,77 -5,33 405,43M 227,41M 29.124 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,54 +1,79 317,91M 189,41M 45.080 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 31,39 -1,69 311,77M 166,98M 23.261 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Por outro lado, subiram as ações de bancos. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,33, +0,84%) registra ganhos, assim como Bradesco (BBDC3, R$ 29,89, +3,82%; BBDC4, R$ 26,77, +3,56%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,85, +6,28%). Somadas, estas quatro ações valem por pouco mais de 20% da carteira teórica do Ibovespa.

Até mesmo as ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,09, +2,85%; PETR4, R$ 8,09, +1,76%) viraram para alta. O desempenho dos papéis passou a ir na mesma direção do petróleo, com o barril do WTI (West texas Intermediate) subindo 1,51% a US$ 38,41, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tem alta de 0,70% a US$ 40,33. Já Cielo (CIEL3, R$ 33,77, -5,33%) e Ambev (ABEV3, R$ 18,22, -2,20%) caíram forte. As duas são responsáveis por perto de 10% do peso da carteira teórica do Ibovespa.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CPLE6 COPEL PNB 28,58 +8,92 +17,61 36,69M
 CMIG4 CEMIG PN 7,70 +7,69 +28,95 88,62M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 22,85 +6,28 +55,95 635,74M
 BRAP4 BRADESPAR PN 5,17 +4,02 +3,61 31,45M
 BBDC3 BRADESCO ON EJ 29,89 +3,82 +46,16 70,85M

Oposição não referenda pedido
O vice-presidente do PSDB, Carlos Sampaio, disse que o pedido de prisão preventiva de Lula é uma medida "inusual" e não tem embasamento jurídico sólido. "Aguardar o julgamento é correto, mas não é porque temos divergências políticas que vou querer para ele algo diferente do que quero para qualquer cidadão", concluiu o deputado. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, foi outro que se negou a referendar a ação, dizendo que não há fundamentos que autorizem o pedido. 

Barbosa com empresários
O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em São Paulo, reuniu-se com o presidente do Sindipeças, às 10h, com presidente da Fenabrave, 11h, almoçou com empresários do IEDI, 12h30, reuniu-se com presidente da Prumo, 15h, e com presidente da Embraer, 16h.

Delcídio cita Temer
Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, senador Delcídio do Amaral citou o vice-presidente Michel Temer no acordo de delação que firmou com o Ministério Público Federal. Ele relatou em sua colaboração premiada à Lava Jato que o peemedebista foi “o grande patrocinador” da indicação de Jorge Zelada para a área internacional da Petrobras, segundo o senador.

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