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Acredita no impeachment? Então essas são as 10 ações que você deveria ter na carteira

Com possibilidade de troca de governo cada vez maior, BTG montou nesta quarta-feira um portfólio voltado para quem está disposto a se arriscar na Bolsa

Lula e Dilma Rousseff
(Antonio Cruz/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - Com o governo Dilma parecendo cada vez mais abalado, com chances cada vez maiores de ser substituído por um novo e mais alinhado ao mercado, o BTG Pactual - sete dias após começar a ponderar um cenário de impeachment em seu portfólio - decidiu lançar uma nova carteira nesta quarta-feira (9). A diferença agora é que essa carteira de 10 ações é exclusiva para aqueles investidores que gostam do risco e que querem se expor 100% a um cenário de mudança política no País.

Enquanto o outro portfólio trazia ainda um pouco de cautela, com exposição a ações preferencialmente com bons fundamentos mas que poderiam se beneficiar com uma mudança política. Isto é, no geral, papéis do setor financeiros e aqueles que ganham com uma Selic menor (dado que a chance de impeachment tem impactado para baixo os juros). Essa carteira tem no seu DNA ações de "alto risco" - ou seja, voltada para setores que foram atingidos em cheio pela crise, histórias alavancadas, com riscos no radar, mas que, no fim das contas, ainda apresentam uma perspectiva de negócio "decente", tendendo a entregar elevadas retornos de investimentos no cenário atual, descrevem Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira, analistas do banco. 

No relatório, o banco divide essas ações em 2 grupos: 1) setores impactados pela crise e histórias de 'turnaround': entram nesse grupo as ações da Gerdau (GGBR4), Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e IMC Holdings (MEAL3); 2) companhias alavancadas e com riscos de notícias no radar: JBS (JBSS3), Qualicorp (QUAL3) e Banrisul (BRSR6) - todas com riscos no radar; e Eletropaulo (ELPL4), Iochpe-Maxion (MYPK3) e Rumo (RUMO3) - todos cases alavancados. 

Confira a "carteira impeachment":

Empresa Ticker Potencial de alta P/BV (Preço/Book Value) - atual P/BV - média histórica dos últimos 5 anos
JBS JBSS3 +79% 0,9 x 1,0 x
Gerdau GGBR4 +45% 0,2 x 0,7 x
Qualicorp QUAL3 +59% 1,8 x 2,6 x
Cyrela CYRE3 +24% 0,6 x 1,0 x
Banrisul BRSR6 +23% 0,4 x 1,3 x
Eletropaulo ELPL4 +32% 0,5 x 0,8 x
Iochpe-Maxion MYPK3 +45% 0,5 x 1,5 x
Rumo RUMO3 +344% 0,3 x 0,8 x
Direcional DIRR3 +14% 0,5 x  1,0 x
IMC MEAL3 +67% 0,4 x 1,3 x

Destrinchando a tese de investimento - caso a caso:

JBS
Segundo os analistas, a ação do setor de alimentos mais barata do mundo, que, apesar de ter sido atingida por escândalos de corrupção, não tem razão para ser negociada a um valuation tão baixo. Eles comentam ainda que a empresa tem uma das receitas mais diversificadas de sua indústria, com mais de 80% delas no exterior, e baixa alavancagem.

Eletropaulo
Se as perspectivas econômicas melhorarem, os analistas acreditam que a Eletropaulo é ação do setor elétrico que está melhor posicionada a ganhar com isso. "Se houver uma mudança política no Brasil e a economia melhorar, então poderá haver um significativo potencial de alta aqui", disseram. Por exemplo, comentam, o preço-alvo da ação poderia passar de R$ 11,00 para R$ 19,00 se cortarem o WACC (custo de capital médio ponderado) em 1 ponto percentual. E se incorporarem melhoras operacionais, então o potencial de alta pode ser ainda mais significativo, avaliam. 

IMC
"Nós sabemos dos méritos dos movimentos estratégicos da nova gestão da empresa e acreditamos que os novos planos, se bem executados, podem entregar relevantes resultados para seus acionistas, especialmente com a companhia negociando a 0,4 vez seu 'book value'", comentam os analistas.

Gerdau
Eles comentam que a ação está negociando com um valuation atrativo (de 6 vezes o Ebitda contra mais de 10 vezes para Usiminas e CSN), além de ser mais diversificada, ter menor risco com sua alavancagem e credibilidade em seu plano de desinvestimento. Dado que a ação parece 'barata', na avaliação do banco, neste momento, ela seria uma das mais beneficiadas em um cenário de mudança política, apontam os analistas. 

Banrisul
Embora um acordo com o estado do Rio Grande do Sul (que controla o banco) esteja longe de ser solucionado, o banco acredita que isso já está precificado na ação. Apesar das preocupações sobre a qualidade dos ativos no médio prazo, os analistas acreditam que o Banrisul tem um sólido balanço e pode suportar "altos níveis de estresse". 

Qualicorp
A empresa, que já viu suas ações caírem 34% nos últimos 12 meses, em meio às notícias negativas, tem um bom negócio, oferecendo uma boa (e rara) combinação de crescimento com geração de fluxo de caixa, comentaram os analistas. Para eles, o risco/retorno da ação parece atrativo, com a Qualicorp negociando a 11 vezes seu P/L (Preço por ação sobre Lucro) estimado para 2016.

Cyrela
Devido à desaceleração econômica, o "momentum" para construtoras permanece bastante desafiador, com a Cyrela entregando retornos nada satisfatórios (expectativa de ROE - retorno sobre patrimônio líquido - de 7% em 2016). Mas, dado o descontado valuation, os analistas acreditam que as ações estão atrativas, podendo entregar bom potencial de ganho aos seus acionistas.  

Direcional
Após mudanças no pagamento dos projetos do "Minha Casa, Minha Vida" fase 1 (a faixa de renda mais baixa do programa), o banco estima que a empresa pode crescer as construções nessa faixa, impulsionando sua geração de fluxo de caixa no ano. E, nos preços atuais, os analistas acreditam que a ação está "extremamente atrativa", 

Rumo
O banco destaca que a companhia como um investimento que oferece um atrativo risco/retorno, com o maior potencial de valorização projetado nas ações da "carteira impeachment", de 344%. 

Iochpe-Maxion
Para os analistas, a ação tem a ganhar quando a produção de automóveis do Brasil se estabilizar, enquanto a companhia tem adotado medidas (reduzindo substancialmente seu custo trabalhista) para recuperar a rentabilidade nas operações domésticas perdida no último ano. Eles ressaltam que a ação entrega um atrativo risco/retorno, sendo negociada a 5 vezes o múltimo VE/Ebitda estimado em 2016 (contra média histórica dos últimos 5 anos de acima de 7,5 vezes). 

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