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Bendine no Conselho da BRF, novela "BM&F-Cetip" e balanços são destaques no radar

Em destaque, a Embraer teve lucro líquido atribuído aos acionistas de 425,8 milhões de reais no quarto trimestre de 2015

Aldemir Bendine
(Wilson Dias/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - Além do noticiário político agitado, a decisão do Copom e os dados dos EUA, as notícias de empresas agitam o pregão desta quinta-feira (3). Veja os destaques: 

Embraer
A Embraer (EMBR3) teve lucro líquido atribuído aos acionistas de 425,8 milhões de reais no quarto trimestre de 2015, avanço de 76 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, informou nesta quinta-feira.

O Ebitda da companhia ficou em 628,9 milhões de reais, queda de 14 por cento na mesma base de comparação. Para 2016, a empresa estimou que vai atingir receita líquida entre 6 bilhões e 6,4 bilhões de dólares.

A companhia ainda fez provisão de R$ 390,6 milhões para o pedido de recuperação judicial da Republic Air. "O lucro líquido ajustado, excluído do Imposto de renda e contribuição social diferidos e também do impacto líquido, após imposto de R$ 257,8 milhões, referente à provisão de certas garantias financeiras relacionadas ao pedido de concordata da Republic foi de R$ 683,6 milhões no 4T15”, segundo comunicado. O BTG afirmou que o destaque negativo ficou para o guidance de 2016, bem conservador em margens. 

BM&FBovespa e Cetip
A BM&FBovespa (BVMF3) disse que foi informada pela Cetip (CTIP3) de que a central depositária de títulos decidiu rejeitar a oferta de união com a operadora da bolsa paulista dentro dos termos apresentados e afirmou que analisará a comunicação da empresa. A Cetip disse na noite de quarta-feira que seu Conselho de Administração não aceitou a oferta de união com a BM&FBovespa dentro dos termos apresentados e autorizou assessores financeiros e consultores legais a iniciar discussões sobre a operação proposta pela bolsa.

Em fevereiro, a BM&FBovespa havia elevado a proposta de união para 41 reais por ação, ante oferta anterior de 39 reais por papel. Na segunda-feira, a BM&FBovespa divulgou carta aberta aos acionistas em que defende a proposta de união com a Cetip, na qual elenca como vantagens de um eventual acordo a maior diversificação de receitas da companhia combinada, a oportunidade de desenvolvimento de novos negócios, assim como a geração de importantes sinergias de despesas e investimentos.

Segundo o Santander, "esperamos que um acordo seja eventualmente alcançado e vemos potencial de ganhos para Cetip e BM&FBovespa”.

BTG Pactual
Segundo a Folha, a  Caixa Econômica Federal ameaça vetar venda de ativos Pan pelo BTG à CNP. A Caixa busca renegociar termos do acordo que mantém com a CNP Assurances na Caixa Seguradora antes de permitir que o BTG venda suas fatias na Pan Seguros e Pan Corretora aos franceses, diz Folha de S.Paulo, sem revelar como obteve a informação. 

A Caixa detém 49% dos ativos Pan e possui o direito de receber a mesma oferta por sua fatia que a recebida pelo BTG; caso a CNP não aceite, Caixa pode vetar saída do BTG. A CNP está disposta a pagar R$ 800 milhões pelos 51% do BTG nos ativos Pan.

Petrobras
A Petrobras tem progredido em seu plano de venda de patrimônio para sua restauração de sua situação financeira. Conforme informa o jornal Folha de S. Paulo, estariam em estágio avançado as negociações para venda de dois campos de petróleo e dos 81% da estatal na subsidiária que controla a malha de gasodutos Sul e Sudeste, além da fatia de 49% na Braskem.  A companhia também negocia com a Pampa Energia a venda de operações na Argentina, mas tem dificuldades para se livrar da cobrança de eventuais passivos descobertos após a venda sobre o preço inicial.

BRF
A BRF (BRFS3) informou que o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, fará parte do Conselho de Administração da empresa. A decisão foi anunciada após reunião extraordinária realizada na terça-feira (1º).

Além de Bendine, que será membro efetivo do conselho, foi anunciado outro novo membro, como suplente: o economista Henrique Jäger. Os dois serão substitutos de Paulo Guilherme Farah Correa e Arthur Prado Silva, que renunciaram aos cargos.

Par Corretora
A Par Corretora (PARC3) encerrou 2015 com um lucro de R$ 130,1 milhões, um crescimento de 47,3% comparado com o ano anterior. No quarto trimestre, o lucro somou R$ 31,3 milhões, alta de 19,7% na base de comparação com o mesmo período de 2014. 

A receita líquida do trimestre subiu 5,9%, a R$ 88,9 milhões, enquanto no ano registrou alta de 32,6%, a R$ 363,8 milhões. O Ebitda subiu 51,6% no ano, a R$ 189 milhões, somando R$ 44,5 milhões no último trimestre de 2015.

O BTG Pactual ressalta que o resultado foi pior que o esperado basicamente por causa da greve dos bancários que durou 15 dias úteis no quarto trimestre, impactando receita que caiu na comparação trimestres. Olhando para 2016, o cenário segue desafiador considerando a originação de crédito imobiliário fraco, "mas vemos alguns buffers que podem puxar resultado para cima (passaram a receber por seguro de crédito do Minha Casa Minha Vida. Reiteramos visão positiva no case, acreditando que o aumento na penetração de seguros na base de clientes da Caixa combinado com forte geração de caixa e dividendos justificam recomendação de compra". 

Energias do Brasil 
A Energias do Brasil (ENBR3) teve um lucro líquido de R$ 383,1 milhões, alta de 21% na base de comparação anual. Já a receita líquida somou R$ 2,51 bilhões, queda de 11% na comparação anual, disse a empresa em comunicado ao mercado.  

O Ebitda foi de R$ 785,3 milhões, alta de 3,3% na base de comparação anual, ante estimativa de R$ 561,7 milhões. A Margem Ebitda foi de 32,8%. A companhia Energias do Brasil também informou orçamento de R$ 997,5 milhões para 2016.

Segundo o Bradesco BBI, o quarto trimestre difícil para distribuidoras foi compensado pela reavaliação da base: “vemos a companhia como aposta segura, atualmente negociado com desconto em relação aos pares e ao preço justo".

Eternit 
A Eternit (ETER3) disse que planeja reverter condenação de mais de R$ 100 milhões. A sentença de 1ª instância julgou parcialmente procedentes ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela ABREA perante a Vara do Trabalho de São Paulo. A companhia disse ter sido notificada em 1º de março. As ações ajuizadas referem-se à fábrica de Osasco (SP), cujas atividades foram encerradas em 1993. 

A condenação envolve indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 100 milhões e ainda indenização de R$ 300.000 por danos morais e R$ 80.000 por danos existenciais a cada ex-trabalhador que já tenha sido diagnosticado com doenças relacionadas ao amianto. A Eternit disse que “tomará todas as medidas legais cabíveis para reverter a decisão” perante os tribunais. 

Pão de Açúcar
O Pão de Açúcar (PCAR4), maior varejista do país, começa a identificar resultados um pouco melhores, após ajustes feitos no ano passado. Janeiro e fevereiro foram meses positivos, disse Ronaldo Iabrudi, presidente do GPA, referindo-se às vendas, em entrevista ao Valor Econômico. O ano, com o país em recessão, não será fácil. Mas, para enfrentar essa conjuntura, o grupo tem R$ 5,5 bilhões em caixa, R$ 3 bilhões só do Pão de Açúcar, disse ele. 

Hypermarcas
A Hypermarcas (HYPE3) foi rebaixada de overweight para neutra pelo JPMorgan.

Teles e tecnologia
Destaque para notícia que pode mexer com a Linx (LINX3), Telefônica (VIVT4), Totvs (TOTS3). Segundo o Itaú BBA, a aprovação de texto-base da MP 694 pela Câmara é um desenvolvimento negativo para as cias. “porque reduz a visibilidade sobre potenciais mudanças na legislação que possam afetar Juros sobre Capital Próprio e os benefícios com a Lei do Bem”.

Os deputados aprovaram o texto-base do projeto de conversão em lei da Medida Provisória 694 que aumentou o Imposto de Renda incidente em juros sobre capital próprio das empresas e também limitou sua dedução.

Taesa
O Bradesco BBI iniciou a cobertura para as ações da Taesa (TAEE11) em neutra, com preço-alvo de R$ 18,50 por unit. Segundo os analistas, o potencial de crescimento da companhia ainda não está no preço. 

Samarco
Conforme informações do Valor, o presidente da Samarco, Roberto Carvalho, disse esperar que a mineradora volte a operar em 2017 no município de Mariana (MG). A empresa está parada desde novembro quando uma de suas barragens se rompeu provocando mortes e devastação ambiental. 

O BTG comentou o acordo de 15 anos assinado pela Samarco com o governo. Segundo o banco, o resultado foi positivo. "Vale lembrar que especulava-se que o valor a ser pago seria de aproximadamente R$ 20 bilhões, o que parecia exagerado na nossa visão. Pelas nossas contas, o range deve ficar entre R$ 9.5-11.8 bilhões ao longo dos 15 anos (se trouxermos a valor presente, o valor é ainda menor que isso), sendo que nos próximos 3 anos, já está acordado que será pago pela Samarco um total de R$ 4,4 bilhões. A Samarco tem condição de arcar com os custos de 2016 sozinha e se de fato ela retomar a operação em 2017 (como está sendo costurado), reduz ainda mais a probabilidade de uma injeção de capital na companhia", afirmam os analistas.

Já a visão para a Vale segue cautelosa, mesmo considerando o outcome mais favorável vindo de Samarco e entrada da S11D que promete aumentar a geração de ebitda nos próximos anos em 50%, já que a dependência ao preço do minério deve prevalecer. 

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