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Bancos fecham na máxima, Gol dispara 50%, PDG sobe 20% e Petrobras cai 5%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa ganhou fôlego na última hora de pregão, com recuperação dos bancos, que viraram para alta. Os bancos, que correspondem juntos a cerca de 25% do índice, fecharam próximos a máxima do dia, marcando altas de cerca de 2% 

Petrobras seguiu em forte queda de 5%, em meio à derrocada do petróleo, enquanto as ações da Vale conseguiram recuperar parte das perdas, com os papéis preferenciais virando para alta. Siderúrgicas seguiram em disparada, com Usiminas subindo 13% e CSN, 6%. 

Chamou atenção também a forte disparada da Cemig, que foi para sua quarta alta seguida, acumulando alta de 50% no período e renovando máxima desde novembro de 2015. 

Fora do índice, as ações da Gol subiram impressionantes 50%, enquanto a problemática incorporadora PDG Realty, que operavam abaixo de R$ 2,00 até a última quinta-feira, disparou 20%. Nos últimos 3 pregões, essas ações já subiram 32%, indo para a região dos R$ 2,42 nesta sessão. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira:

Gol (GOLL4, R$ 1,93, +50,33%)
As ações da Gol, que vinham renovando mínima histórica na Bolsa, voltam a chamar atenção no mercado. Depois de disparar quase 30% na sexta-feira, os papéis saltaram mais 50% hoje, fechando na máxima do dia, com forte volume financeiro - bem acima da média dos últimos 21 pregões. Além da possibilidade do governo autorizar que estrangeiros controlem empresas aéreas brasileiras, a ação reage aos dados operacionais de dezembro. A forte arrancada puxa também as ações de sua controlada Smiles (SMLE3, R$ 30,05, +5,51%) neste pregão. 

Segundo o Valor Econômico de hoje, o governo estuda a possibilidade de autorizar grupos estrangeiros a controlar até 100% do capital de empresas aéreas no Brasil. Hoje, a participação está limitada a 20%. A ideia é propor ao Congresso projeto de lei que dê à Presidência o poder de conceder essa autorização de acordo com o interesse nacional e quando houver reciprocidade dos países de origem das companhias interessadas. A medida vai além da proposta que tramita no Congresso para ampliar de 20% para 49% a participação de estrangeiros. 

Além disso, a Gol apresentou no quarto trimestre crescimento de 2,3% na receita líquida por passageiro (Prask) e avanço de 6,8% no indicador que mede os preços de passagens (yield) na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados prévios de tráfego da companhia mostraram queda de 4% na oferta doméstica no quarto trimestre e recuo de 8% na demanda, também na base de comparação anual. No mercado de voos internacionais, tanto oferta quanto demanda caíram 13 por cento de outubro a dezembro.

Petrobras (PETR3, R$ 6,58, -5,05%; PETR4, R$ 4,72, -2,48%)
As ações da Petrobras fecharam em forte queda, pressionadas pelos preços do petróleo lá fora. O petróleo Brent fechou em queda de 5,28%, a US$ 34,09 o barril. Essa foi a primeira queda da estatal em três pregões.   

Corroborou para a queda um relatório do BTG Pactual, que refletia a divulgação do volume de reservas provadas da Petrobras, que caiu 20% em 2015. Para o banco, o motivo por trás desse número pode ser a queda no preço do petróleo (alguns campos passam a não ser viáveis com o nível de preço atual). Os analistas destacaram que tamanha queda faria o banco revisar o preço-alvo da estatal para baixo, mas que preferem esperar mais um pouco, enquanto alertaram para a perspectiva de que o pagamento dos dividendos pela estatal está em risco. 

Além disso, segundo o jornal O Globo, a Petrobras prepara novo corte no Plano de Negócios. No novo Plano de Negócios para o período de 2016 a 2020, em elaboração, a estatal prepara um pacote de investimentos em torno dos US$ 93 bilhões, afirmou uma fonte a par das negociações ao jornal, o que representaria queda de 5% em relação à última versão do plano (2015-2019), de US$ 98,4 bilhões.

Vale
Apesar da alta dos preços do minério de ferro, as ações ordinárias da Vale (VALE3, R$ 9,50, -2,26%; VALE5, R$ 7,25, +0,15%) caíram nesta sessão, embora as preferenciais tenham conseguido reverter as perdas e fechar em leve alta. Seguiu o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 3,38, +1,81%), holding que detém participação na mineradora. Hoje, o minério de ferro reabriu acima dos US$ 43 por tonelada, alta de 3,1%. No radar da empresa, a Vale teve rating cortado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's na semana passada. 

Siderúrgicas
Já as siderúrgicas, que registraram queda durante toda a manhã, viraram para forte alta nesta tarde, com a Usiminas (USIM5, R$ 0,96, +12,94%) disparando 13%. CSN (CSNA3, R$ 3,75, +5,63%) e Gerdau (GGBR4, R$ 3,80, +5,56%) seguiam a disparada.

Apesar das siderúrgicas aparecerem entre as mais demandadas por quem opera vendido na Bovespa, operadores de mercado comentaram que não viram nada de anormal no aluguel desses papéis que pudesse ter puxado essa disparada, como um movimento conhecido como "short squeeze", quando os vendidos são forçados a zerar suas posições, levando a bruscas arrancadas no mercado. 

Segundo o analista Pedro Galdi, da consultoria Whatscall, essa disparada parece um movimento técnico após forte derrocada desses papéis na Bolsa, em especial Usiminas, que renovou no último pregão mínima de 2003 e acumula em 2016 queda de 40%. Enquanto isso, Gerdau cai 21% e CSN, 7%.

Usiminas vinha sofrendo ainda com rumores sobre um eventual pedido de recuperação judicial, diante da negativa de aporte pelos seus credores e elevado endividamento oneroso. A empresa não confirmou os rumores e essa arrancada hoje pode ser em cima de expectativa de que esse boato não se sustente ou até mesmo especulações sobre fusão da empresa dado sua situação financeira, comentou Galdi. 

Apesar do ânimo nesta sessão, Standard & Poor's rebaixou os ratings da Usiminas e CSN na semana passada, citando, entre os motivos, fracas condições do minério de ferro no Brasil, juros altos, dificuldade em gerar fluxo de caixa e alto endividamento.

Já sobre a Gerdau, destaque para uma entrevista na última sexta-feira no InfoMoney com Wagner Caetano, diretor da Top Trader e trader profissional com 14 anos de experiência no mercado, que diz ver a possibilidade da ação GGBR4 subir até os R$ 10,00 nos próximos 18 meses, o que daria uma alta de 200%, e, para isso, decidiu vender um de seus apartamentos para dar início às compras dos papéis nos últimos dias.

Veja mais: Trader vende apartamento para comprar ações da Gerdau, prevendo alta de 200%  

Cemig (CMIG4, R$ 6,65, +12,52%)
As ações das Cemig dispararam quase 50% em apenas 4 pregões, em meio à decisão do governo de reduzir os valores das chamadas bandeiras tarifárias, elevação da recomendação do papel e decisão da Justiça de suspender a liminar que impedia a operação da hidrelétrica de Belo Monte.  

A hidrelétrica de Belo Monte é construída pela Norte Energia, que tem como sócios Eletrobras, Cemig, Light, Vale e Neoenenergia, entre outros. Segundo o analista Pedro Galdi, da consultoria Whatscall, a liminar que suspendia a licença de operação da usina havia sido concedida há cerca de duas semanas pela Justiça Federal de Altamira (PA).

Além disso, a Bradesco Corretora elevou a recomendação da Cemig na semana passada de neutra para outperform (desempenho acima da média). 

Hypermarcas (HYPE3, R$ 23,60, +5,59%)
A Hypermarcas registrou forte alta nesta sessão, após anunciar na sexta-feira a venda de seu negócio de preservativos, que incluem as marcas Jontex, Olla e Lovetex, para a Reckitt Benckiser por R$ 675 milhões, que serão pagos em caixa. Para o Credit Suisse, o anúncio é positivo, uma vez que a venda foi feita com um prêmio de valuation e o acordo deve gerar incremento ao lucro em 4% para 2016. Do lado da geração de caixa, é possível que a Hypermarcas não tenha que pagar imposto em ganhos de capital.

Segundo cálculos do banco, assumindo que a empresa aumente sua posição de caixa em R$ 650 milhões (ou R$ 675 milhões menos os custos da transação), a companhia teria uma posição líquida de caixa de R$ 1,1 bilhão, ou 1,0 vez o Ebitda de 2016. 

O BTG Pactual também avaliou positivamente o acordo, pois reforça a estratégia de desalavancagem e de desinvestimento em ativos não centrais da companhia e focando em pharma. O banco disse que o papel deveria reagir bem ao anúncio, lembrando que o negócio representava 5% do valor de mercado da empresa. 

Randon (RAPT4, R$ 2,07, -5,91%)
Apesar da queda de 50% no preço-alvo das ações ao longo dos últimos 12 meses, o risco retorno das ações da Randon ainda permanece desfavorável, comentou a Citi Corretora, que vê cenário ruim para os lucros dado que a demanda por reboque e semi-reboque continua sofrendo dada a recessão no Brasil. Os analistas cortaram o preço-alvo da ação de R$ 3,00 para R$ 1,85, seguindo com recomendação de venda.  

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 4,65, +18,93%)
O preço da ação na oferta de aumento de capital da companhia será de R$ 3,78. O aumento de capital se dará no montante de R$ 400 milhões, mediante a emissão de 1,84 milhão de papéis, segundo comunicado ao mercado. 

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 41,80, -5,13%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,88, -6,71%), que têm forte exposição de suas receitas ao dólar, caem forte nesta sessão, com a moeda registrando queda de 0,63% frente ao real, indo para R$ 4,00.   

BM&FBovespa e Cetip
No fim da sexta-feira saiu no jornal O Estado de S. Paulo que a BM&FBovespa (BVMF3, R$ 10,47, +2,05%) poderia aumentar parcela em dinheiro para o acordo com a Cetip (CTIP3, R$ 38,45, +0,55%), com a possibilidade de venda na participação da CME. O objetivo é evitar a diluição dos acionistas com a emissão de mais ações. Em novembro de 2015, a Bovespa ofereceu R$ 39,00 por ação da Cetip, mas ela disse que o preço subavaliava seus negócios.  

Elétricas
As empresas Abengoa e Isolux (transmissoras) entraram em recuperação judicial e anunciaram que estão em negociações com os credores. Abengoa tem uma RAP (Receita Anual Permitida) proporcional de R$ 679 milhões e Isolux opera 3,800 km de linhas totalizando R$430 milhões em receita consolidada. Os 2 players são relevantes e foram bem ativos nos últimos leilões de linhas de transmissão.

Para o BTG Pactual, essas notícias reforçam ainda mais a urgência em se discutir a RBSE (Rede Básica do Sistema Existente). Segundo o banco, a discussão deveria ocorrer o quanto antes para que as empresas já recebam os valores via tarifas em julho de 2016. As 3 empresas mais impactadas são: Eletrobras (ELET3, R$ 5,92, +1,72%; ELET6, R$ 10,33, +2,79%), Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 45,80, +0,28%) e Copel (CPLE6, R$ 22,05, 0,0%). Outra saída seria fusão e aquisição: "esperamos que o regulador faça o rebalanceamento das concessões permitindo ao setor crescer", comentaram os analistas. Dado o cenário macro atual, eles reiteraram visão positiva nas transmissoras, sendo a Transmissão Paulista sua top pick no setor, junto com Equatorial (EQTL3, R$ 36,35, +0,50%)  e Energias do Brasil (ENBR3, R$ 12,15, +0,25%).  

Light (LIGT3, R$ 8,77, +8,00%)
A Light divulgou sua prévia operacional do quarto trimestre, com volumes de distribuição caindo 3% na comparação anual, puxados principalmente por demanda residencial (-3,7%) e fracos volumes industriais (-6,2%). Segundo o BTG Pactual, o destaque ficou também com a potencial piora das perdas, que saíram de 23% no terceiro trimestre para 23,2% agora. Apesar do valuation barato, o banco reiterou recomendação neutra na ação, dada a alta alavancagem e incertezas referentes a negociações do FIP Redentor e performance operacional.  

Ambev (ABEV3, R$ 18,40, -0,81%)
As ações da Ambev caíram nesta segunda-feira reagindo aos dados do Sicobe para janeiro, indicando que a produção de cerveja caiu 0,8% na comparação anual, uma desaceleração contra taxa de crescimento de 1,3% no quarto trimestre do ano passado e abaixo do projetado pelo BTG Pactual.

De forma geral, o banco comentou que os dados do Sicobe reforçam a visão de que o cenário de crescimento do setor no Brasil continua desafiador, com a economia pesando na renda disponível. O BTG reiterou a recomendação neutra no papel, lembrando que crescimento é um dos principais drivers de criação de valor da companhia.

JBS (JBSS3, R$ 10,77, -0,28%)
As ações da JBS voltaram a cair, depois de recuperação no fim da semana passada. Os papéis da companhia, que afundaram 20% entre terça e quarta-feira após denúncia de executivos da empresa por suposto crime financeiro, conseguiram reagir entre quinta e sexta-feira, subindo 28% e recuperando o patamar dos R$ 10,00 - perdido após a denúncia, na terça-feira. 

Os bonds da JBS totalizaram perdas de US$ 345 milhões em valor de mercado desde o fechamento de segunda até sexta-feira. Na terça-feira, o Ministério Público Federal em São Paulo acusou Joesley Batista, presidente do conselho de administração da JBS, de crimes contra o sistema financeiro envolvendo uma série de empréstimos concedidos a empresas relacionadas ao grupo da empresa. Em dezembro, os títulos despencaram depois de o Tribunal de Contas da União ter encontrado provas de que a JBS recebeu “tratamento especial” do BNDES e ampliou a investigação. A JBS, sua controladora e Batista negaram qualquer irregularidade - o que contribuiu para a recuperação do papel na Bolsa no final da semana passada.

Educacionais 
As ações do setor de educação perderam força ao longo do dia e fecharam em sentidos opostos, com Estácio (ESTC3, R$ 11,65, -0,51%), Kroton (KROT3, R$ 8,91, +4,82%), Ser Educacional (SEER3, R$ 7,59, +0,53%) e Anima (ANIM3, R$ 10,33, +3,51%). Na sexta-feira passada esses papéis já sobem entre 10% e 12%. 

Segundo o Valor Econômico, o Ministério da Educação estima abrir 60 mil novas vagas de Fies no segundo semestre deste ano e voltará a pagar às instituições de ensino 100% das mensalidades a partir deste mês, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em entrevista ao Valor. Em novembro e dezembro, o governo quitou só 60% do total devido do Fies. Hoje, o MEC publica no Diário Oficial a revogação da portaria que permite pagamento parcial.

Bancos
Os papéis dos bancos ganharam força no fim do pregão, com Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 24,47, 2,15%), Bradesco (BBDC3, R$ 19,83, +1,23%; BBDC4, R$ 18,62, +2,59%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 14,16, +2,24%) e Santander (SANB11, R$ 13,25, +1,53%). Todos fecharam próximos a máxima do dia. No radar do setor, o Itaú Unibanco venderá portfólio de R$ 2,2 bilhões em operações de crédito de empresas que estavam inadimplentes a um fundo especializado na compra desse tipo de ativos, segundo o Valor Econômico.

A carteira tem cerca de 2 mil empresas devedoras e conta com operações que não são pagas há quase quatro anos. Segundo o jornal, a venda foi fechada poucos dias antes de o Itaú assumir o compromisso de comprar a fatia do BTG Pactual na Recovery, empresa especializada justamente em recuperar empréstimos dados como perdidos pelos bancos. 

Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) declarou como complexo o ato de concentração gerado pela compra do HSBC Brasil pelo Bradesco, apontando a necessidade de se analisar "de forma cuidadosa" eventual tendência de aumento de preços para os consumidores por conta do negócio.

O órgão de defesa da concorrência disse que é necessário realizar novas diligências para aprofundar a análise do caso. Além disso, disse ser preciso dar aos bancos a possibilidade de apresentar as eficiências decorrentes da união, que poderiam contrabalançar a concentração de mercado por ela gerada.

 

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